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25 de abril de 2008

CALDO DE CANA MOVIDO A BOI

A frase que serve para anunciar, em um restaurante de beira de estrada (Rodovia Jorge Lacerda, Santa Catarina), a delícia de um caldo de cana bem gelado, principalmente nos dias de grande calor, chama a atenção do estudioso da língua e, até mesmo, talvez, de simples curiosos, a respeito dos mistérios da linguagem, pelo inusitado da composição frasal, pois um caldo de cana não pode ser movido por boi. Mas, temos a certeza de que, passada a surpresa da leitura inicial, todos entendem o recado e vão se refrescar com o suco verde da mais doce cana de açúcar caiana. Ali você vai encontrar caldo de cana, produzido numa engenhoca antiga, onde a força motriz para moer a cana é o trabalho de um boi, que faz girar um mini-engenho como aqueles de nossos tempos coloniais.
Mas o que aconteceu, lingüisticamente falando, nessa frase? Aconteceu um CANCELAMENTO. Esse fenômeno pode ser estudado pela Neuro-lingüística, pela Lingüística e/ou pela Teoria da Comunicação.
Borer e Wexler (1987), por exemplo, observam "que numa determinada etapa do processo de aquisição de linguagem as crianças não possuem a capacidade de formar cadeias argumentais, como as envolvidas na formação de sentenças passivas", por exemplo. Mas a frase em questão poderia ter sido dita por uma criança! Quem sabe?

Mariléia Silva dos Reis, na revista Linguagem em (Dis)Curso, volume 1, número 1, jul./dez., 2001, diz, citando Stalnake, que "para compreendermos a extensão abrangente de um contexto, alguns pressupostos teóricos devem ser considerados". Simplificando esses pressupostos, podemos resumir que toda asserção tem um determinado conteúdo, assim como, um ato de asserção é, entre outras coisas, a expressão de uma proposição - algo que represente o mundo de um modo ou de outro. Assim, as asserções são produzidas num contexto, ou seja, são produzidas numa situação que inclui um falante com certas crenças, história de vida e intenções, além de uma história lingüística e sedimentação de vivências, tendo essas pessoas suas próprias crenças, mitos e intenções para quem as asserções são dirigidas. Muitas vezes, por exemplo, o conteúdo da asserção depende do contexto em que é produzida e de quem está falando ou de quando o ato da asserção acontece. Finalmente, os atos de asserção afetam o contexto, pois a pretensão é afetá-lo intencionalmente mesmo, pois isso é a proposta básica da comunicação, como é o caso de nossa frase à beira da rodovia catarinense, no município de Ilhota. Nesses termos, o contexto pode ir muito além das informações semânticas: podem fazer parte de informações pragmáticas que levem em conta situações de fala, incluindo falantes com suas histórias de vida específicas, e ouvintes também com suas próprias crenças, histórias e intenções, que são as pessoas para quem as asserções são dirigidas, como receptores publicitários, entre tantos outros e quaisquer receptores, como dentro de um modelo comunicacional, por exemplo.
Quanto à Teoria da Comunicação, devemos lembrar que Grice, em seu artigo "Logic and Conversation", apresentado na Universidade de Harvard em 1967, em homenagem a William James e, posteriormente publicado em 1975, estruturou novo sistema conceitual para o tratamento das complexas questões que envolvem o problema do significado e da significação na linguagem. A preocupação de Grice, já demonstrada em "Meaning"(1957), “era encontrar uma forma de descrever e explicar os efeitos de sentido que vão além do que é dito”. Em última análise, como é possível que um enunciado signifique mais do que literalmente expressa. Deve haver algum tipo de regra que permita a um falante (A) transmitir alguma coisa a um ouvinte (B), além de uma frase, e esse ouvinte (B) entender esta informação extra. E então, torna-se conhecida sua teoria da comunicação através dos conceitos de significação natural e não-natural (meaning-nn) tão decisivos na origem dos trabalhos sobre pragmática.
Em nossa frase "CALDO DE CANA MOVIDO A BOI" houve o CANCELAMENTO de toda uma estrutura lingüística perfeitamente dispensável (significação natural), constituída por uma base de signos lingüísticos (Caldo de cana {produzido por engenho} movido a boi). A significação não-natural repousa na história atávica de cada brasileiro que lê a mensagem, decodifica e aceita o apelo.
Mas as coisas não param por aí, não. Os mistérios da linguagem continuam. Além do CANCELAMENTO e, talvez, por causa dele, ocorre um outro fenômeno lingüístico que é a HIPÁLAGE. O que é isso? Hipálage é, segundo Matoso Câmara Jr., a “figura de linguagem em que se dá realce a um determinante, associando-o a um termo que não é, logicamente, o seu correspondente determinado, assim se criando um sintagma inesperado. Ex.: o mistério hebreu das vozes dos profetas (Guimarães, Poesias, 316), em vez de o mistério das vozes dos profetas hebreus”. No caso da nossa frase CALDO DE CANA MOVIDO A BOI, o que é movido a boi não é o caldo de cana, mas a moenda que produz o caldo da cana. Então, pasmem! Há nessa frase uma HIPÁLAGE e um CANCELAMENTO ou seja, um HIPAGELAMENTO. Fica, portanto, registrado aqui, o meu neologismo lingüístico.


13 de março de 2008

ANACOLUTO

De 18 a 22 de fevereiro de 2008, realizou-se na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), patrocinada pela ACADEMIA BRASILEIRA DE FILOLOGIA, a VIII Semana Nacional de Língua Portuguesa, quando foi homenageado o Professor Evanildo Bechara, pela passagem de seus 80 anos. As atividades culturais foram significativas e todos os acadêmicos tiveram a oportunidade de levar ao público presente, nesses cinco dias, sua palavra amiga de saudação a um dos mais significativos nomes da filologia brasileira, o Dr. Prof. Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Filologia. Na ocasião, precisamente no dia 21, participei de uma Mesa-Redonda sobre o tema “ORALIDADE E ESCRITA”, cuja expositora foi a Profa. Dra. Terezinha Maria da Fonseca Passos Bittencourt (UFF e LLP), tendo como comentadores os Professores Doutores Francisco Venceslau dos Santos (UERJ), Nilda dos Santos Cabral (UFF e LLP), Ceila Ferreira Martins (LABEC-GCL-UFF) e eu. Meus comentários giraram em torno das pesquisas que realizo sobre a linguagem especial do futebol. Reproduzo agora, minha participação, como forma, ainda, de cultuar academicamente o ilustre mestre Evanildo Bechara, amigo e colega de muitos anos, na luta diária das salas de aulas de inúmeros colégios e faculdades, no Rio de Janeiro.



Em minhas pesquisas sobre a linguagem especial do futebol confirma-se aquela máxima lingüística que diz que ninguém escreve como fala. Em nenhum comentário sobre qualquer partida de futebol, que aparece posteriormente nos jornais, o analista deixa de apresentar seus comentários, retratados na escrita, numa forma gramatical correta, deixando de lado muitas pontuações da oralidade, como, por exemplo, os anacolutos. Mas a fala dos locutores e comentaristas, descrevendo e analisando os acontecimentos em campo, está repleta dos mais clássicos vícios de linguagem e impropriedades gramaticais, muitas até irrelevantes. Dou como exemplo o uso do verbo assistir, no sentido de ver, presenciar, principalmente usado na voz passiva, como em “O jogo foi assistido por dez mil expectadores”. Mas voltando aos anacolutos. Eles podem ser considerados como verdadeiras marcas da oralidade, pelo menos nesses casos que pesquiso. Sabemos que o anacoluto ou FRASE QUEBRADA foi muito usado no grego antigo e na nossa literatura clássica, sendo hoje combatido pela disciplina gramatical, como, aliás, afirma Mattoso Câmara Jr. Mas a língua literária ainda está repleta de anacolutos e, na língua escrita, funcionam muito mais como marca estética do que como sobreposição de pensamentos que surgem, uns após outros, como, por exemplo, no decorrer de uma transmissão esportiva ou no auge de um comentário emocionante, feito por jornalista especializado nessa área. O conhecido anacoluto do clássico soneto de Machado de Assis, À Carolina, no último terceto “Que eu, se tenho nos olhos mal feridos/Pensamentos de vida formulados,/São pensamentos idos e vividos”, é um recurso estilístico de intensa pujança, sugerindo mesmo um soluço de dor. Mas a elaboração e o refinamento ao se escrever, tudo bem pensado, bem refletido, ou até mesmo intuitivo, é que vão diferenciar o anacoluto da língua escrita do anacoluto da língua oral. Podemos procurar nas resenhas esportivas escritas nos jornais, sobre os resultados dos jogos do dia anterior e não vamos encontrar nenhum vestígio dessa filigrana, representada por essa figura da língua literária. Na linguagem esportiva, lembro-me dos comentários sobre as arbitragens de futebol feitas pelo comentarista Mário Vianna (com dois ENES, como ele insistia em dizer em alto e bom som), ex-árbitro de futebol e que fazia a linha “bateu-levou”, dentro e fora de campo. Quando era chamado, no decorrer do jogo, pelo narrador da partida, para comentar uma decisão tomada pelo juiz, podíamos encontrar na sua falação inúmeros anacolutos. Mário Vianna falava por anacoluto. Quem não se lembra da expressão que ele gritava ao microfone: LA MANO, LA MANO.... E com essa expressão da língua castelhana ele punha em relevo a idéia primordial que tinha em mente (a falta, a mão na bola), destacando-a como a grande mensagem sobre a qual iria falar. Outra passagem célebre de Mário Viana ocorreu quando ele disse que o porco e o peru eram duas aves que sempre compareciam ao campo de futebol: o peru, referindo-se a um “enorme frango” do goleiro e o porco.... Bem, o porco foi a imagem encontrada para o juiz que faz muita bobagem. É claro que por mais desinformado que Mário Vianna fosse sobre os assuntos mais elaborados, da ciência, inclusive, ele não iria escrever isso. Mas falando, no auge de um comentário, querendo agradar seu público, querendo mostrar que entendia do seu ofício, ele colocou como pertencentes à mesma espécie um ovíparo e um mamífero. Haja coração!

7 de março de 2008

ACROGRAFIA



Existe uma sigla em Portugal que sintetiza, por meio de uma abreviatura, uma locução relacionada à ajuda econômica da União Européia aos países membros. Essa forma de grafia se chama acrografia. Mattoso Câmara Jr. assim se refere a essa particularidade da língua escrita:

“Acrografia é uma grafia em abreviatura, de uma locução por meio das letras iniciais dos vocábulos componentes, que formam em conjunto um nome próprio; ex. REW (Romanisches Etymologisches Wörterbuch) para o “Dicionário Etimológico das Línguas Românicas” de Meyer-Lübke; em português, como nas demais línguas modernas, lança-se mão da acrografia para – títulos de obras, revistas e jornais em citação (ex.: REW), partidos (ex.: ARENA para “Aliança Renovadora Nacional” e MDB para “Movimento Democrático Brasileiro”, departamentos, organizações e até nomes de países (ex.: MEC, para o “Ministério da Educação e Cultura”, no Brasil; ONU para a “Organizaçãodas Nações Unidas”, USA para os “Estados Unidos da América” em sua forma inglesa de United States of América; URSS para a “União das Repúblicas Socialistas Soviéticas”), mais recentementenomes de autores, figuras políticas (MA, para “Machado de Assis”); etc." (Cf. Dicionário de Lingüística e Gramática, Petrópolis, Vozes, 1977, p.40)

Como se vê, a acrografia ou sigla é um recurso muito usado na língua escrita e que serve para economizar letras, abreviando palavras ou expressões extensas. Mas, se observarmos bem, vamos ver que a sigla forma uma nova pequena palavra que entra no vocabulário ativo do falante, podendo confundir o falante-ouvinte. Parece que é o caso da leitura equivocada da abreviatura grega do nome de Cristo, Xpto, que pode significar, entre outras coisas, excelente qualidade, primoroso, magnífico e, também, ungido e Jesus. Sabe-se, também, que das siglas podem derivar palavras, como de PT (Partido dos Trabalhadores) surge petista, o militante, ativista ou adepto do PT.

Pois bem, em Portugal, fixados em lugares públicos de grande circulação de pedestre e veículos, há enormes out-doors com letras garrafais, apresentando a sigla FEDER. Trata-se do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional que se destina a reforçar a coesão econômica e social na União Europeia, através da correção dos desequilíbrios regionais. Esse Fundo financia e promove ajudas diretas aos investimentos realizados nas empresas, a fim de criar emprego duradouro, além de fomentar infra-estruturas ligadas à investigação, à inovação, às telecomunicações, ao ambiente, à energia e aos transportes. Promove ajuda, através de instrumentos financeiros, fundos de capital-de-risco, fundos de desenvolvimento local, etc, apoiando o desenvolvimento local e regional, favorecendo, assim, a cooperação entre as cidades e as regiões. Por tudo isso, percebe-se que esse Fundo é muito importante para o desenvolvimento nacional.
Mas, pergunto:
Precisavam abreviar esse importante Fundo de Desenvolvimento Regional assim? F E D E R coincide com o verbo homógrafo que exala mau cheiro ou causa aborrecimento.
Por outro lado, não podemos nem pensar que nessa sigla FEDER, propositadamente, está embutido o sentido da forma latina foedus, eris “tratado”, “convenção”, “aliança”, sempre muito usado, dando origem a vocábulos como federação, federar-se, federal, federalismo, confederado, confederativo e sentidos amplos como fazer aliados e união.
Cremos que foi mesmo coisa de português, isto é, da língua portuguesa, para não sermos indelicados...
O mais curioso é que, passando-se por um pequeno, mas próspero município de Santa Catarina, entre Guaramirim e Blumenau, justamente na entrada de Massaranduba, encontra-se um enorme cartaz, com grandes letras maiúsculas em vermelho, que traz a mesma forma lingüística FEDER, anunciando uma empresa de construção. Lá, não consegui perceber a acrografia. Será que, por ser uma região colonizada por alemães, esse FEDER não corresponderia a algum sobrenome de família? Tudo é possível!
Tentem decifrar.
Fotografei para não deixar dúvidas sobre o mau gosto do empresário.

9 de janeiro de 2008

A POESIA DE IRENÊU VOIGTLAENDER











Há muito tempo que não estou com o professor Irenêu Voigtlaender, amigo de Pomerode e catarinense curtido no vale do rio Testo de sua infância transfigurada em versos memorialistas de alta qualidade. Irenêu já foi Secretário de Cultura e de Educação de Pomerode e tem uma atividade literária interessante.
A sua produção poética é significativa, considerando-se o distanciamento das editoras que publicaram seus livros, Pássaros em revoada e Céu de cristal, dos maiores centros editoriais do país, isto é, Rio de Janeiro e São Paulo. Este fato é um significativo indicador do valor de sua obra.
Pássaros em revoada é um conjunto de poemas que temperam os temas regionais com os universais, os grafemas góticos com a terra pomerana. O lirismo de seus versos passa pelo concretismo estruturador das formas poéticas e também pela nostalgia velada, sensual e intimista de quatro "Tempoemas". Em sete poemas (Poemáticas), o olhar criativo do poeta, por metavisão, recria a história nunca antes contada de ícones, gravuras, desenhos, paisagens, detalhes de fotos, esculturas e xilogravuras. O olhar vê a alma da coisa e dos seres e a transfigura em “poemáticas”. O trabalho gráfico de inversões de negativo e positivo nos fotolitos de algumas páginas, como em “espetáculo de uma noite virgem” e “Pomeríade”, são recursos visuais que mostram fundo e forma integrados no fazer lírico e na construção e desconstrução poéticas. Finalmente, o Leitmotiv, condutor da lírica de seus versos está impregnado com quela simbiose germano-brasileira de que falou Sílvio Elia, quando estudou as línguas faladas em Pomerode, e é isso que prende o leitor ao prazer que o texto exala e faz refletir. Aliás, Irenêu Voigtlaender teoriza o poético, numa espécie de posfácio, quando apresenta “As Variantes do Poema e seus Propósitos” e nos diz que “para cultivarmos uma flor não precisamos de um jardim e sim de um solo fértil” ...
Céu de cristal (poesia em quatro tempos) tem um tom nostálgico-memorialista. Parece conter a metáfora da terra que o rio Testo significou na vida do poeta, iniciando a linha memorialista, condutora de sua temática convertida em poesia. Os termos neológicos que marcam algumas formas de poemas, na obra poética de Irenêu Voigtlaender, são de três tipos: Tempoemas, Poemáticas e, no livro em questão, Poemografias, que são textos interpretativos e recriativos de realidades idealizadas por um figurativismo artístico, sempre com desdobramento do tipo tema-puxa-tema. O estilo poético de Irenêu alterna o ritmo aliterativo clássico com uma fonopoética expressiva, cujo formalismo gráfico ajuda interiorizar os temas propostos. Um exemplo claro está na repetição enfática do fonema linguodental /d/, iniciando vocábulos isolados, que, em colunas, estruturam o poema Exercício 1. E o ritmo aliterativo responsabiliza-se pelo tom de musicalidade que envolve a maioria dos poemas de Céu de cristal, que se apresenta mais intensamente nos poemas "Linhas convergentes", "Exercício 3", "Opus 1", "Estrutura 2", "Janela surpresa", "Promessa" e "Lavra feminina". A poesia de Irenêu Voigtlaender consubstancia-se em versos e sonetos modernos de esquemas rítmicos diversos. Assim: versos longos; reflexões filosóficas que vão, aos poucos, tomando o lugar do memorialismo sentido; alguns noturnos; sensualismo lírico; jogos lúdico-semânticos; a busca constante das origens; incursão à temática de inspiração social e histórico-social, surgindo aí o intertexto de que nos fala Roland Barthes. O ecológico e a prosa poética presentificam-se em alguns pares de poemas. Por fim, o poeta passa seu olhar crítico sobre a sociedade de consumo e mostra o dia-a-dia da vida moderna, em "Luxo lixo". O consumismo invadiu também a sua sossegada e mimosa Pomerode. A prosa poética de Irenêu Voigtlaender, contida nos três livros já publicados, exprime gritos distantes do homem que sente suas origens e também a alma de seu povo, deixando a sensibilidade brotar de dentro de seu ser, para transfigurar o fazer poético.
É importante conhecer esse poeta.
Até a próxima

8 de janeiro de 2008

DE VOLTA A BALNEÁRIO



Cheguei a Balneário Camboriú. Desci das serras Catarinense e Gaúcha para o litoral, suando em bicas. Ufa! O calor está mesmo para nenhum banhista botar defeito. A cidade está lotada e os argentinos chegaram, mas estão gastando pouco. Uma observação: estão mais bem educados. Parece que "los hermanos" abaixaram a crista e calçaram as sandálias da humildade, pois não andam mais pelas ruas com aquela empáfia de sul-americanos que pensam que são europeus e falam um dialeto da Langue d’Oc. Invadiram Florianópolis e deram preferência às águas turmalinas com areia branca de Canasvieiras. Agora, se você pensa em transitar por Floripa à vontade, está completamente engarrafado, quer dizer, enganado! O trânsito está um horror. Bem, pelas bandas de Balneário Camboriú a coisa está um pouquinho melhor. É claro que o trânsito não flui como gostaríamos, mas o departamento de engenharia da prefeitura até que deu uma ajeitada, abrindo novas vias de acesso ao centro e a diversos bairros, desafogando as críticas avenidas Brasil e do Estado. Nesse ano haverá mudanças políticas por aqui, pois os postulantes à Prefeitura já estão confabulando nos bares, nas esquinas, nos escritórios, nas empresas, nos corredores, nos ouvidos da gente e, principalmente, procurando uma fórmula segura para chegarem à chefia do Executivo. São muitos políticos: daqui e de fora; com nomes estranhos e com apelidos; com preparo e sem preparo; com razoáveis e até boas intenções, mas todos com o bolso cheio de muito dinheiro, pois uma campanha para a Prefeitura de Balneário Camboriú não sai por menos de uns seis ou sete milhões de reais.
O importante é que já estou de novo por aqui, observando as coisas do Sul, da Bola e das Letras. Opinem, dando seu voto, expressando a sua preferência pelos assuntos que trato nesse SITE.
Até breve.

3 de janeiro de 2008

DE NOVO EM GRAMADO



Minha gente!Estou de novo em Gramado. Depois do Réveillon em Lages, vim passar uma semana aqui em Gramado. Rever os amigos e estar nesta terra belíssima é um regalo para a vista e um refrigério para a alma. Creio que estou ficando sentimental demais! Mas é isso mesmo. Esta terra é muito bonita. E onde fico por aqui? Claro, no Hotel do SESC. A todos que acessarem meu BLOG, desejo um feliz Ano Novo. E ao pessoal lá do Hotel do SESC, ao Natalino, ao Osório, agora papai rindo à toa, aquele abraço fraterno. Em breve estarei novamente em Balmeário Camboriú, comentando as coisas do Sul, da Bola e das Letras.

Até breve!

21 de dezembro de 2007

LUDOPEDURSOFILIA



Essas máquinas de aparência inocente, instaladas em todos os centros de entretenimento infantil nos shoppings das cidades, são, na realidade, máquinas caça-níqueis. Máquinas de jogar, programadas para nunca perder: um jogo desleal (LUDOS). Deveria o seu uso ser motivo de um estudo detalhado por parte das autoridades responsáveis pela liberação do alvará de funcionamento desses estabelecimentos que alegram os minutos de vida de muitas crianças (PEDOS) e entristecem o bolso dos papais, mamães, vovós, vovôs, titios e titias... Nesses locais onde estão instaladas, crianças de pouca idade, o que vale dizer de pouca ou quase nenhuma coordenação motora, tentam apanhar o tão sonhado e ilusório objeto de seu desejo: o ursinho (URSO) de pelúcia. O funcionamento daquela parafernália, com ganchos, botões, manivelas, sons e engrenagens dura somente alguns segundos. A criança ainda sem coordenação motora perde seguidamente a oportunidade de pegar o brinde e o bolso do papai perde seguidamente dois reais a cada dez segundos. Então, parece-nos que estamos diante de um jogo de azar, onde as chances são mínimas e o lucro é certo, numa programação extorsiva. As crianças adoram e se relacionam com aquela magia colorida, identificando-se como amiguinhas (FILIA) dos fofos bonequinhos. Que adultos tentem fisgar o ursinho, testando a sua habilidade em coordenar seus movimentos, sua motricidade muscular, tudo bem. Mas crianças, de pouca idade, não poderiam tentar esses movimentos, pois estão, a priori, destinadas ao fracasso. E a frustração deixada numa cabecinha inocente, a nosso juízo, deixa seqüelas psicológicas ainda não estudadas pela psicologia infantil e nada consta ainda na literatura específica, a respeito dessa forma mascarada de contravenção. Isso é um absurdo que deve ser reprimido por quem de direito. Minha neta de oito anos gastou, em menos de trinta segundos, seis reais, tentando agarrar os bichinhos de pelúcia vestidos de papai-noel, num shopping da cidade onde passa férias comigo. Chamei a responsável pelo setor, disse-lhe tudo isso que coloco aqui neste desabafo e me dirigi à Ouvidoria do Ministério Público da cidade, para formalizar minha indignação e pedir providências a respeito. Pelo menos, depois disso, sinto-me mais aliviado, pois fiz a minha parte, como cidadão, alertando as autoridades para um tipo mafioso de ganho fácil, explorando a inocência infantil. Que nome teria isso? Digamos, num desabafo lingüístico, um baita neologismo já, de certa forma anunciado acima: LUDOPEDURSOFILIA
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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.