Quantos me visitaram ?
26 de abril de 2010
22 de abril de 2010
LANÇAMENTO DE LIVRO E A NOVA ORTOGRAFIA

Estou lançando mais um livro sobre a linguagem do futebol. Chama-se FUTEBOL FALADO. A primeira noite de autógrafos será no Auditório Central da UNIVALI, na 5ª Avenida, em Balneário Camboriú, Santa Catarina, no dia 28 de maio, a partir das 18 horas. Na ocasião, haverá uma mesa-redonda, onde vão ser discutidos assuntos interessantíssimos sobre o futebol e seu relacionamento com inúmeros discursos de sabel, como a Sociologia, a Linguística, a Literatura, a Educação Física, o Direito e muito mais. Foram convidados todos os alunos universitários dessas áreas, os setores da sociedade regional, interessados no tema, além da Federação Catarinense de Futebol, cuja sede se encontre nesse Município de Balneário Camboriú.
Participará do evento o Professor Dr. Maurício Murad, Sociólogo e escritor, ligado aos discursos universitários que falam do futebol, tanto na UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (UERJ), como na UNIVERSO, além da Fundação Getúlio Vargas.
No Rio de Janeiro, o lançamento se dará na Livraria do Museu da República, no Palácio do Catete, no bairro de mesmo nome, a partir das 18 horas do dia 11 de junho, quando, oficialmente, inicia a Copa do Mundo de Futebol, na África do Sul.
Lembro que a obra a ser lançada brevemente está com a ortografia antiga, isto é, não fizemos ainda as alterações, pois temos até o ano de 2012, segundo a Lei, para isso realizarmos, oficialmente. Vejam uma coisa interessante. O nosso livro tem perto de 400 páginas e, além do trema, que foi totammente abolido, pouquíssimas palavras terão de se adaptar à nova ortografia, dentro de dois anos. Contamos, se não nos falha a memória, 6 palavras. Portanto, as mudanças ortográficas foram muito poucas. Irrelevantes, mesmo.
Mas para lembrarmos, mais uma vez, aos nossos amigos o que terá de ser alterado, reproduzo uma consulta, não muito antiga, feita por um leitor de nosso BLOG.
Perguntaram-me sobre a atual e muito comentada Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa, acertada para entrar em vigor no ano de 2009.
Querem saber se a extinção do trema e dos acentos agudos em ditongos abertos, enfim, se isso tudo representará uma melhora efetiva no idioma ou se terá apenas função unificadora.
Apresento minha visão sobre esse assunto, para que o leitor possa se inteirar do que vai aí pelo mundo das letrinhas...
MELHORA é um conceito subjetivo, pois qualquer língua de cultura, em seu aspecto escrito, representa um acordo entre os componentes de uma comunidade lingüística para representar o que se fala, com símbolos gráficos, que tentam se aproximar, o mais possível, do som que é emitido pelo sujeito falante. A escrita, portanto, é uma forma muito mais ideal do que real. Portanto, a qualquer tempo, haverá pessoas que se sentem confusas em aplicar as regras ortográficas, quando vão escrever em qualquer idioma. Estarão sempre contestando isso ou aquilo, sugerindo uma ou outra coisa para melhorar o desempenho gráfico, etc. Então, lembramos que a língua escrita será eminentemente adquirida, contrária à língua oral, falada, que será eminentemente transmitida. Isto significa que aquela se aprende na escola e esta será a língua que recebemos de nosso meio familiar, que se aprende com nossos pais, nas nossas casas. Mas, haverá um dia em que esses dois tipos de língua se encontrarão na vida do sujeito falante. Então, começa aí a visão crítica do indivíduo que usa a língua escrita e tenta direcionar aquilo que pensa a respeito dela para a vida comunitária. E isso é inevitável, porque escrever é uma pura combinação de sinais, e essa combinação pode se modificar ao longo do tempo. As modificações mais significativas incidem sobre os sinais chamados diacríticos, isto é, aqueles que dão às letras uma expressão mais viva para que elas representem o que vão significar. É o caso dos acentos agudo, grave, circunflexo, trema, hífen, aspas, cedilha, vírgula, ponto, ponto e vírgula, ponto de exclamação, ponto de interrogação etc. Mas a escrita, enquanto tentativa gráfica de representação fonética é mais resistente a alterações, porque ela não é tão volúvel como a acentuação gráfica. A ortografia de uma língua se prende profundamente à etimologia. É claro, que, cientificamente falando, a língua é um código de sinais e um de seus pressupostos básicos, segundo Ferdinand Saussure, é a arbitrariedade do signo lingüístico. Veja um exemplo claro que está presente nessa atual proposta de reforma ortográfica: em Portugal, escreve-se HÚMIDO, com H. No Brasil, é sem H, assim, ÚMIDO. Úmido vem do latim, umidu; espanhol, húmedo; italiano, úmido; francês, humide. Logo, em português deve ser sem H. Contudo, uma forma arcaica fora registrada, em português, como humede, no Livro da Montaria, tratado de monte, a caça maior, compilado sob a direção do rei D. João I, século XV. Talvez venha daí o H, lá em Portugal. Nessa época, século XV, a ortografia de nossa língua era titubeante. Escrevia-se da maneira como se ouvia e se pronunciava. Pouco se preocupava com a origem das palavras. Podemos dizer que isso vem desde o século XII, quando surge a primeira manifestação escrita da língua portuguesa (Canção da Ribeirinha, de Pay Soarez de Taueroos) até, praticamente, o século XVI, quando o português fica mais organizado, sistematizado, tradutor de uma literatura e serve de veículo de expressão de uma cultura em pleno desenvolvimento, recebendo o influxo do Renascimento. A ortografia veste-se, então, de uma aparência latinizante e, às vezes, grega. Tudo, nessa época, respirava latim, inclusive a escrita. Se o primeiro período de nossa ortografia, isto é, do sáculo XII ao século XVI, foi considerado o período arcaico, por apresentar muita oscilação na grafia, principalmente de fonemas novos na língua que não existiam no latim e no grego, como o /g/ com o valor de /guê/ e o /j/ com valor de jê/, alternando-se ora um, ora outro, como em fugo = a fujo, por exemplo, o período seguinte surgirá a partir do século XVI e irá até o início do século XX. Será o período pseudo-etimológico, porque deu-se muito valor à etimologia, até demais, surgindo aberrações incríveis. De todos os estudos que apareceram nesses séculos, sobre a ortografia da língua portuguesa, o embasamento lingüístico não estava presente. E tudo só serviu para complicar ainda mais o sistema ortográfico, levando-o a um verdadeiro caos. Parece que foi nessa época que apareceu, na língua escrita, em Portugal, a grafia HÚMIDO, com H.
Vejamos, agora, resumidamente, os acordos ortográficos que já ocorreram. Embora a Ortografia Nacional de Gonçalves Viana estivesse publicada desde 1904, somente em 1 de setembro de 1911 o Chefe do Executivo português torna obrigatório para Portugal a adoção da ortografia simplificada, que foi orientada por uma comissão de ilustres filólogos e lingüistas da qual faziam parte o próprio Gonçalves Viana, leite de Vasconcelos, Carolina Michaelis, J.J. Nunes, Adolfo Coelho, Epifânio Dias, Júlio Moreira, Cândido de Figueiredo e outros. É importante frisar que nessa reforma foram atendidos somente aspectos fonéticos do português falado só em Portugal, fato que ainda nos deixava diante de um problema a resolver. É bom lembrar que, dessa comissão não participaram filólogos brasileiros e nem por isso eminentes professores filólogos como Mário Barreto, Silva Ramos, Sousa da Silveira, Antenor Nascentes deixaram de apoiar tal medida. É bom lembrar, ainda, que, em 1907, a Academia Brasileira de Letras tentou adotar, nas suas publicações oficiais um sistema de grafia simplificada. Em 1915, a ABL aprova a proposta de Silva Ramos no sentido de harmonizar a reforma de 1907 com a portuguesa de 1911. Em 1931 houve um acordo entre a ABL e a Academia das Ciências de Lisboa e o nosso Governo tornou oficial, em todo o Território Nacional, a reforma portuguesa. Muitas idas e vindas aconteceram até Brasil e Portugal celebrarem mais dois acordos: o de 1943 e o de 1945. Pronunciou-se o Congresso Nacional pelo de 1943 que foi sancionado pelo Presidente da República. Mas a última ocorreu nos anos 70 do século passado, quando no Brasil, em Portugal e nos territórios portugueses praticamente se aboliu o acento grave, tendo o Brasil também abolido o acento diferencial de timbre (oposição entre aberto e fechado), por exemplo, “êste”, com acento, para distinguir de “este”, ponto cardeal. O atual Acordo Ortográfico, de 1990, é um tratado internacional que tem como objetivo criar uma ortografia unificada para o português, a ser usada por todos os países lusófonos. Foi assinado pelos representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, em Lisboa, no dia 16 de dezembro de 1990, após longo trabalho desenvolvido pela Academia de Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras, desde 1980. Timor-Leste aderiu ao Acordo em 2004. Cabo Verde ratificou o acordo em fevereiro de 2006 e São Tomé e Príncipe, em dezembro do mesmo ano. O acordo teve ainda a adesão da delegação de observadores da Galiza. Esse atual acordo pretende defender a unidade essencial da língua portuguesa e o aumento de seu prestígio internacional, pondo um ponto final na existência de duas normas ortográficas divergentes e ambas oficiais: uma no Brasil e outra nos restantes países de língua portuguesa. Atualmente o Português é a única língua do mundo ocidental falada por mais de duzentos milhões de pessoas com mais de uma ortografia oficial. A unificação ortográfica deverá acarretar alterações na forma de escrita de 1,6% do vocabulário usado em Portugal e de 0,5% no Brasil. O atual acordo deverá entrar em prática em 2008.
Mas o que muda com a atual reforma da língua portuguesa?
Querem saber se a extinção do trema e dos acentos agudos em ditongos abertos, enfim, se isso tudo representará uma melhora efetiva no idioma ou se terá apenas função unificadora.
Apresento minha visão sobre esse assunto, para que o leitor possa se inteirar do que vai aí pelo mundo das letrinhas...
MELHORA é um conceito subjetivo, pois qualquer língua de cultura, em seu aspecto escrito, representa um acordo entre os componentes de uma comunidade lingüística para representar o que se fala, com símbolos gráficos, que tentam se aproximar, o mais possível, do som que é emitido pelo sujeito falante. A escrita, portanto, é uma forma muito mais ideal do que real. Portanto, a qualquer tempo, haverá pessoas que se sentem confusas em aplicar as regras ortográficas, quando vão escrever em qualquer idioma. Estarão sempre contestando isso ou aquilo, sugerindo uma ou outra coisa para melhorar o desempenho gráfico, etc. Então, lembramos que a língua escrita será eminentemente adquirida, contrária à língua oral, falada, que será eminentemente transmitida. Isto significa que aquela se aprende na escola e esta será a língua que recebemos de nosso meio familiar, que se aprende com nossos pais, nas nossas casas. Mas, haverá um dia em que esses dois tipos de língua se encontrarão na vida do sujeito falante. Então, começa aí a visão crítica do indivíduo que usa a língua escrita e tenta direcionar aquilo que pensa a respeito dela para a vida comunitária. E isso é inevitável, porque escrever é uma pura combinação de sinais, e essa combinação pode se modificar ao longo do tempo. As modificações mais significativas incidem sobre os sinais chamados diacríticos, isto é, aqueles que dão às letras uma expressão mais viva para que elas representem o que vão significar. É o caso dos acentos agudo, grave, circunflexo, trema, hífen, aspas, cedilha, vírgula, ponto, ponto e vírgula, ponto de exclamação, ponto de interrogação etc. Mas a escrita, enquanto tentativa gráfica de representação fonética é mais resistente a alterações, porque ela não é tão volúvel como a acentuação gráfica. A ortografia de uma língua se prende profundamente à etimologia. É claro, que, cientificamente falando, a língua é um código de sinais e um de seus pressupostos básicos, segundo Ferdinand Saussure, é a arbitrariedade do signo lingüístico. Veja um exemplo claro que está presente nessa atual proposta de reforma ortográfica: em Portugal, escreve-se HÚMIDO, com H. No Brasil, é sem H, assim, ÚMIDO. Úmido vem do latim, umidu; espanhol, húmedo; italiano, úmido; francês, humide. Logo, em português deve ser sem H. Contudo, uma forma arcaica fora registrada, em português, como humede, no Livro da Montaria, tratado de monte, a caça maior, compilado sob a direção do rei D. João I, século XV. Talvez venha daí o H, lá em Portugal. Nessa época, século XV, a ortografia de nossa língua era titubeante. Escrevia-se da maneira como se ouvia e se pronunciava. Pouco se preocupava com a origem das palavras. Podemos dizer que isso vem desde o século XII, quando surge a primeira manifestação escrita da língua portuguesa (Canção da Ribeirinha, de Pay Soarez de Taueroos) até, praticamente, o século XVI, quando o português fica mais organizado, sistematizado, tradutor de uma literatura e serve de veículo de expressão de uma cultura em pleno desenvolvimento, recebendo o influxo do Renascimento. A ortografia veste-se, então, de uma aparência latinizante e, às vezes, grega. Tudo, nessa época, respirava latim, inclusive a escrita. Se o primeiro período de nossa ortografia, isto é, do sáculo XII ao século XVI, foi considerado o período arcaico, por apresentar muita oscilação na grafia, principalmente de fonemas novos na língua que não existiam no latim e no grego, como o /g/ com o valor de /guê/ e o /j/ com valor de jê/, alternando-se ora um, ora outro, como em fugo = a fujo, por exemplo, o período seguinte surgirá a partir do século XVI e irá até o início do século XX. Será o período pseudo-etimológico, porque deu-se muito valor à etimologia, até demais, surgindo aberrações incríveis. De todos os estudos que apareceram nesses séculos, sobre a ortografia da língua portuguesa, o embasamento lingüístico não estava presente. E tudo só serviu para complicar ainda mais o sistema ortográfico, levando-o a um verdadeiro caos. Parece que foi nessa época que apareceu, na língua escrita, em Portugal, a grafia HÚMIDO, com H.
Vejamos, agora, resumidamente, os acordos ortográficos que já ocorreram. Embora a Ortografia Nacional de Gonçalves Viana estivesse publicada desde 1904, somente em 1 de setembro de 1911 o Chefe do Executivo português torna obrigatório para Portugal a adoção da ortografia simplificada, que foi orientada por uma comissão de ilustres filólogos e lingüistas da qual faziam parte o próprio Gonçalves Viana, leite de Vasconcelos, Carolina Michaelis, J.J. Nunes, Adolfo Coelho, Epifânio Dias, Júlio Moreira, Cândido de Figueiredo e outros. É importante frisar que nessa reforma foram atendidos somente aspectos fonéticos do português falado só em Portugal, fato que ainda nos deixava diante de um problema a resolver. É bom lembrar que, dessa comissão não participaram filólogos brasileiros e nem por isso eminentes professores filólogos como Mário Barreto, Silva Ramos, Sousa da Silveira, Antenor Nascentes deixaram de apoiar tal medida. É bom lembrar, ainda, que, em 1907, a Academia Brasileira de Letras tentou adotar, nas suas publicações oficiais um sistema de grafia simplificada. Em 1915, a ABL aprova a proposta de Silva Ramos no sentido de harmonizar a reforma de 1907 com a portuguesa de 1911. Em 1931 houve um acordo entre a ABL e a Academia das Ciências de Lisboa e o nosso Governo tornou oficial, em todo o Território Nacional, a reforma portuguesa. Muitas idas e vindas aconteceram até Brasil e Portugal celebrarem mais dois acordos: o de 1943 e o de 1945. Pronunciou-se o Congresso Nacional pelo de 1943 que foi sancionado pelo Presidente da República. Mas a última ocorreu nos anos 70 do século passado, quando no Brasil, em Portugal e nos territórios portugueses praticamente se aboliu o acento grave, tendo o Brasil também abolido o acento diferencial de timbre (oposição entre aberto e fechado), por exemplo, “êste”, com acento, para distinguir de “este”, ponto cardeal. O atual Acordo Ortográfico, de 1990, é um tratado internacional que tem como objetivo criar uma ortografia unificada para o português, a ser usada por todos os países lusófonos. Foi assinado pelos representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, em Lisboa, no dia 16 de dezembro de 1990, após longo trabalho desenvolvido pela Academia de Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras, desde 1980. Timor-Leste aderiu ao Acordo em 2004. Cabo Verde ratificou o acordo em fevereiro de 2006 e São Tomé e Príncipe, em dezembro do mesmo ano. O acordo teve ainda a adesão da delegação de observadores da Galiza. Esse atual acordo pretende defender a unidade essencial da língua portuguesa e o aumento de seu prestígio internacional, pondo um ponto final na existência de duas normas ortográficas divergentes e ambas oficiais: uma no Brasil e outra nos restantes países de língua portuguesa. Atualmente o Português é a única língua do mundo ocidental falada por mais de duzentos milhões de pessoas com mais de uma ortografia oficial. A unificação ortográfica deverá acarretar alterações na forma de escrita de 1,6% do vocabulário usado em Portugal e de 0,5% no Brasil. O atual acordo deverá entrar em prática em 2008.
Mas o que muda com a atual reforma da língua portuguesa?
HÍFEN
Não se usará mais: 1) quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-” como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista".
2) quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada"
2) quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada"
TREMA
Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados.
ACENTO DIFERENCIAL
ACENTO DIFERENCIAL
Não se usará mais para diferenciar: 1) "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição). INTENSIDADE.2) "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo). TIMBRE.3) "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo"). TIMBRE.4) "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo). TIMBRE e INTENSIDADE.5) "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica). TIMBRE e INTENSIDADE.
ALFABETO
Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y”.
ACENTO CIRCUNFLEXO
ACENTO CIRCUNFLEXO
Não se usará mais: 1) nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem".2) em palavras terminadas em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo”.
ACENTO AGUDO
Não se usará mais: 1) nos ditongos decrescentes abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia".2) nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca".3) nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg[ü/u]ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem.
GRAFIA
No português de Portugal: 1) desaparecerão o "c" e o "p" de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como "acção", "acto", "adopção", "óptimo" -que se tornam "ação", "ato", "adoção" e "ótimo".2) será eliminado o "h" de palavras como "herva" e "húmido", que serão grafadas como no Brasil “erva" e "úmido".
Outra pergunta dizia respeito aos benefícios dessa nova reforma ortográfica. Se ela tornaira a língua portuguesa mais fácil de ser aprendida.
Meus amigos, podemos afirmar que o seu aprendizado, quando implica a apreensão da língua adquirida, aquela que está presente nos currículos escolares oficiais, a que é de responsabilidade da escola como instituição social de transmissão das mais variadas formas de cultura, esse aprendizado, insistimos, deverá ser feito de forma sistemática, obedecendo-se aos mais rigorosos métodos pedagógicos, com uma atuação docente segura dentro do processo ensino-aprendizagem. Isso quer dizer que na instituição escola, a Língua Portuguesa deve ser tratada como disciplina de um currículo contínuo e crescente, à medida que os alunos vão se desenvolvendo biológica, cultural, social e lingüisticamente. A Didática Especial será a diretriz conteudística que norteará o ensino da língua, cientificamente aplicado. Assim, qualquer língua pode se estudada e aprendida, com metodologia específica, de maneira sistemática, continuamente, desde as séries elementares, com sucesso, alegria e objetividade, desde que os professores tenham o devido preparo para tal e estejam engajados num processo educacional comprometido com as modernas práticas educacionais. Isso significa que, ser fácil ou difícil, aprender, na escola, uma determinada língua, vai depender do nível de ensino oferecido ao aluno. Difícil ou fácil será ensinar. Mas como o processo é baseado numa interdependência “Gestaltica”, ele se atualizará como ensino-aprendizagem, como uma avenida de mão dupla, onde professor e aluno se dão, um ao outro. Isso vale para o aprendizado de qualquer língua e de quaisquer outras disciplinas. Então, a língua que se aprende à escola deverá privilegiar o seu aspecto culto. As diferenças entre esses registros, o culto e o familiar, deverão também ser apresentados na escola. Desde cedo, portanto, os alunos vão observando que há níveis ou registros em sua linguagem e vão incorporando os conceitos de certo e errado, sem decorar regras gramaticais e algumas outras bobagens que muitos alunos ainda recebem nas escolas ultrapassadas e julgam, por isso, que a língua portuguesa é difícil. Parece-me que reformas ortográficas têm outros objetivos, como unificação de sistemas para efeitos políticos, comerciais, estéticos etc, mas não influem no aprendizado de qualquer língua. Dentro de pouco tempo todos se acostumarão com as mudanças.
Um outro leitor indaga o que poderia ser mudado no idioma para melhorá-lo. Será que existe alguma coisa, além da ortografia, que ajudaria a se aprender melhor o nosso idioma pátrio?
Ninguém muda um idioma por decreto-lei, por aviso prévio... ou por qualquer meio que seja. A língua é um sistema de signos. Aliás, o mais perfeito sistema sígnico, da sociedade. O sistema lingüístico é perfeito. Não precisa ser melhorado. Melhorado precisa ser, urgentemente, o ensino no Brasil. Os professores, agentes da educação, estão completamente despreparados, com inúmeras dificuldades para se aperfeiçoarem. Eles não têm incentivo por parte do poder público e seu local de trabalho, a escola, está defasada. A atuação docente estrutura-se sobre um tripé: formação específica; condições de trabalho; remuneração adequada. Se um desses sustentáculos falhar, falha todo o processo educativo. Agora, pergunto eu, isso funciona, hoje, no Brasil? O ensino em geral está sem planejamento-macro, nossos políticos são despreparados, sumiram de cena os grandes educadores, a sociedade reclama, mas não age... panem et circences, bolsa família e futebol... Meu caro jornalista, o ensino vai muito mal, principalmente o ensino da Língua Portuguesa, pois ela, como qualquer língua de cultura é a expressão maior de nossa cidadania.
ATÉ BREVE
Outra pergunta dizia respeito aos benefícios dessa nova reforma ortográfica. Se ela tornaira a língua portuguesa mais fácil de ser aprendida.
Meus amigos, podemos afirmar que o seu aprendizado, quando implica a apreensão da língua adquirida, aquela que está presente nos currículos escolares oficiais, a que é de responsabilidade da escola como instituição social de transmissão das mais variadas formas de cultura, esse aprendizado, insistimos, deverá ser feito de forma sistemática, obedecendo-se aos mais rigorosos métodos pedagógicos, com uma atuação docente segura dentro do processo ensino-aprendizagem. Isso quer dizer que na instituição escola, a Língua Portuguesa deve ser tratada como disciplina de um currículo contínuo e crescente, à medida que os alunos vão se desenvolvendo biológica, cultural, social e lingüisticamente. A Didática Especial será a diretriz conteudística que norteará o ensino da língua, cientificamente aplicado. Assim, qualquer língua pode se estudada e aprendida, com metodologia específica, de maneira sistemática, continuamente, desde as séries elementares, com sucesso, alegria e objetividade, desde que os professores tenham o devido preparo para tal e estejam engajados num processo educacional comprometido com as modernas práticas educacionais. Isso significa que, ser fácil ou difícil, aprender, na escola, uma determinada língua, vai depender do nível de ensino oferecido ao aluno. Difícil ou fácil será ensinar. Mas como o processo é baseado numa interdependência “Gestaltica”, ele se atualizará como ensino-aprendizagem, como uma avenida de mão dupla, onde professor e aluno se dão, um ao outro. Isso vale para o aprendizado de qualquer língua e de quaisquer outras disciplinas. Então, a língua que se aprende à escola deverá privilegiar o seu aspecto culto. As diferenças entre esses registros, o culto e o familiar, deverão também ser apresentados na escola. Desde cedo, portanto, os alunos vão observando que há níveis ou registros em sua linguagem e vão incorporando os conceitos de certo e errado, sem decorar regras gramaticais e algumas outras bobagens que muitos alunos ainda recebem nas escolas ultrapassadas e julgam, por isso, que a língua portuguesa é difícil. Parece-me que reformas ortográficas têm outros objetivos, como unificação de sistemas para efeitos políticos, comerciais, estéticos etc, mas não influem no aprendizado de qualquer língua. Dentro de pouco tempo todos se acostumarão com as mudanças.
Um outro leitor indaga o que poderia ser mudado no idioma para melhorá-lo. Será que existe alguma coisa, além da ortografia, que ajudaria a se aprender melhor o nosso idioma pátrio?
Ninguém muda um idioma por decreto-lei, por aviso prévio... ou por qualquer meio que seja. A língua é um sistema de signos. Aliás, o mais perfeito sistema sígnico, da sociedade. O sistema lingüístico é perfeito. Não precisa ser melhorado. Melhorado precisa ser, urgentemente, o ensino no Brasil. Os professores, agentes da educação, estão completamente despreparados, com inúmeras dificuldades para se aperfeiçoarem. Eles não têm incentivo por parte do poder público e seu local de trabalho, a escola, está defasada. A atuação docente estrutura-se sobre um tripé: formação específica; condições de trabalho; remuneração adequada. Se um desses sustentáculos falhar, falha todo o processo educativo. Agora, pergunto eu, isso funciona, hoje, no Brasil? O ensino em geral está sem planejamento-macro, nossos políticos são despreparados, sumiram de cena os grandes educadores, a sociedade reclama, mas não age... panem et circences, bolsa família e futebol... Meu caro jornalista, o ensino vai muito mal, principalmente o ensino da Língua Portuguesa, pois ela, como qualquer língua de cultura é a expressão maior de nossa cidadania.
ATÉ BREVE
30 de janeiro de 2010
REACIONÁRIO ?
Reacionário, de acordo com o dicionário de Antônio Houaiss, é um vocábulo com várias acepções. Adjetivo, “relativo, pertencente ou favorável à reação, ou caracterizado pela mesma”. Juridicamente, significa “contrário, hostil à democracia; antidemocrático, ainda aquele que se opõe às idéias voltadas para a transformação da sociedade”. Politicamente, “que ou aquele que defende princípios ultraconservadores, contrários à evolução política ou social”.Ora, etimologicamente, REACIONÁRIO provém de REÇÃO(ION) + ARIO, dentro da primeira acepção apresentada por Houaiss. Agora, sob as óticas jurídica e política, o significado de REACIONÁRIO é puramente subjetivo e histórico, embora estratificado semanticamente na língua, enquanto LANGUE e presente no uso, enquanto PAROLE. Então, esse vocábulo, usado subjetivamente, pode servir para adjetivar qualquer situação contrária a uma determinada democracia ou qualquer forma de governo, seja de que tipo for. Servirá para adjetivar qualquer um que defende princípios ultraconservadores, contrários à evolução de uma política social equivocada, pois o conceito de EVOLUÇÃO POLÍTICA ou EVOLUÇÃO SOCIAL pressupõe, como qualquer conceituação, algo que esteja de acordo com uma norma, com um acordo tácito com a lisura, com a ética, com a honestidade e demais valores que enalteçam e nunca que denigram, de qualquer jeito, formas estabelecidas de ordenamento social. Assim sendo, pode-se ser REACIONÁRIO a um sistema político democrático, e isso não é bom. Mas pode-se ser REACIONÁRIO a um sistema político democrático fajuto, e isso não é mau. Portanto, esse adjetivo "reacionário" pode ser usado para todas essas situações, não marcando a coisa ou o ser determinado com o estigma maligno de seu significado subjetivo. Esse preâmbulo foi necessário para entender o apelo de um amigão do Rio de Janeiro, que me pediu para eu não ser “tão reacionário”! Meu amigo disse isso em resposta a um e-mail que lhe enviei, sobre um filme nacional que está em cartaz e não é comentado pela mídia, principalmente pela Rede Globo. Trata-se do longa metragem, SEGURANÇA NACIONAL, com Direção de Roberto Carminati, Produção Executiva de Diogo Boni, e outros. No elenco: Minton Gonçalves, Thiago Lacerda, Ângela Vieira, Gracindo Júnior, Ailton Graça, Joaquim Cosio, Hector Gasca, Viviane Victoretti, Marcos Rocha. Mas, veja ainda, meu grande amigo, o sociólogo Luiz Werneck Vianna, nome dos mais respeitados na área acadêmica, na abertura do 33º encontro anual da Anpocs (Associação de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais), em Caxambu (MG), dissera que “o governo de Luís Inácio Lula da Silva concluiu a modernização reacionária do Brasil iniciada, por Getúlio Vargas, nos anos 30, quando o projeto de industrialização não foi acompanhado por reformas na estrutura agrária”. Para Werneck Vianna, ainda, “o presidente Lula lidera uma comunidade fraterna sob comando grão-burguês, em que ele cimenta a unidade de contrários, mas com a hegemonia concedida ao grande capital rural e urbano”. Não vamos dizer, agora, que Luiz Werneck Vianna é um REACIONÁRIO, por esses seus comentários... Meu amigo ficou brabo comigo, mas eu sei que cutuquei a onça com vara curta. Então, recebi o que mereci, pois tal repreensão vinda de quem veio, merece reflexão, ou pelo menos, um comentário de destaque no meu BLOG. Assim, meu bom e estimadíssimo amigo, não me julgues pelos significados desse malvado e reacionário adjetivo, pois nunca – e você sabe disso- recorri a artifícios políticos espúrios, para obter nada em minha vida, aliás repleta de lutas contra a prepotência, a mentira, a ignorância, a mediocridade, e, principalmente, contra a força bruta da censura.
ATÉ A PRÓXIMA
9 de janeiro de 2010
LULA, O FILHO DO BRASIL OU À SOMBRA DE ANTIGO DECRETO-LEI DE GETÚLIO VARGAS
Imaginem que Barack Obama, em plena campanha presidencial, lançasse uma superprodução hollywoodiana sobre sua vida, sobre sua família de origem humilde, sobre seus ainda muitos parentes em África! Apresentaria um enredo tipo Indiana Jones, cujo herói afro-descendente seria imbatível nos estudos universitários; seria precioso negociador político dentro do Partido Democrático; seria, talvez, o mais perseguido e discriminado estudante universitário das escolas públicas americanas, pela cor de sua pele e por algumas tendências, que a elite de lá julga de esquerda; seria mostrado como menino pobre que conseguiu vencer na vida e extrair dos velhinhos e velhinhas idosos e pouco letrados do Brooklin algumas lágrimas de uma emoção fabricada com boa luz, câmara e ação. Imaginaram? Pois é! Um país sério não precisa disso. Nem Getúlio Vargas utilizou-se da ribalta do Cassino da Urca para produzir super-shows de autopromoção, com as carmens mirandas da vida cantando sua vida sofrida, que peninha! Os ditadores militares de 64 nada produziram de pseudo-literatura ou semi-arte, para tentar obter uma popularidade falsa e vazia, junto ao povo ignorante (no sentido mesmo etimológico). Nenhum ditador latino-americano ainda não se manifestou dessa maneira tão inusitada de fazer campanha política como esse atual presidente brasileiro! Um filme biográfico em ano eleitoral é demais! Sabe-se, muito bem, como disse uma amiga escritora, muito sabiamente, que “ninguém pode recriar o retrato de uma vida, sem contar os fatos em tom de fantasia”. Pois é! Um dinheirão foi gasto na produção do filme da vida de Lula, que veio, certamente, de grandes conglomerados financeiros e fabulosas empreiteiras, conchavadas com o governo, já há muito tempo. E que negócio é esse de Lula, filho do Brasil? Todos nós, brasileiros como ele somos filhos do Brasil, mas honestos, trabalhadores, éticos, tão sofridos ou mais do que esse político sindicalista, que se aprendeu alguma coisa, já esqueceu rapidinho, porque nunca sabe de nada, nunca viu nada, nunca consegue nem conseguirá ver através das montanhas, como muita gente grande e de peso desse Brasil varonil, salve, salve, vê e produz! Se alguém do Planalto ler essas linhas, avise ao apedeuta que isso é uma forma requintada de metáfora ou linguagem conotativa, viu? Muitos filhos desse Brasil sempre e constantemente espoliado por mãos nefastas nunca foram lembrados, para servirem, sim, de exemplo e serem aplaudidos por suas vidas. Mas, a bem da verdade, devemos lembrar que muitos heróis pátrios serviram de enredo às escolas de samba do Rio de Janeiro, até bem pouco tempo atrás. Mas se vocês não sabiam, fiquem sabendo que foram cantados em verso e samba, por decreto-lei de Getúlio Vargas, que mandava enaltecer a história sagrada de nossa pátria... E tome polca!ATÉ A PRÓXIMA
12 de novembro de 2009
NO RIO DE JANEIRO

Já estou no Rio de Janeiro há alguns dias. Precisamente, desde o dia 6 de novembro. Visitei muita gente, subi a serra de Petrópolis e fiquei por lá dois dias, para assistir à primeira Comunhão de minha netinha, Maria Izabel, com "Z" mesmo, pois o pai achou "chique" essa grafia dos idos de 1940. O que fazer? Vontade de pai deve ser respeitada. Visitei, é claro, minha mãe com 98 aninhos, lúcida e faceira, que teve à prova sua atividade cardíaca, quando, há três dias atrás, tentou apagar um início de incêndio na geladeira, com uma canequinha d'água. O fogo espalhou-se por toda a cozinha, minha mãe foi resgatada do prédio, os bombeiros atuaram com eficiência e todos se salvaram. O seguro deverá pagar os estragos. Minha mãe passa bem e até se sente como heroína, pois não se intimidou diante daquelas chamas destruidoras de lares...Ela é fogo, mesmo, como se costuma dizer! Depois desse susto, estive na quarta-feira reunido com minha Confraria Linha de Fogo, da Turma de Artilharia do CPOR/RJ, que completou cinquenta anos de bonita e festiva formatura no Estádio de São Januário, defilando em continência ao Sr. Presidente da República, o Dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira. Na reunião de nosso grupo ficou determinada a data de nossa íntima festa, comemorativa dos 50 anos de formatura da Turma Olavo Bilac de 1959. Pena que não poderei dela participar, pois espero filhos, noras, genros e netos para o Natal, lá em Balneário Camboriú, onde moro. Mas estarei entre eles em espírito. Que tudo corra bem, amigos! Bem, este texto de hoje é mesmo uma página de diário. É verdade, havia me esquecido. Fui atingido pelo apagão de treça-feira. O Rio de Janeiro e mais dezessete outros Estados. Nem quero imaginar o Chaves venezuelano pensando em atacar também o território brasileiro às escuras, porque, às claras ele disse que atacaria a Colômbia...
ATÉ A PRÓXIMA
4 de novembro de 2009
CLAUDE LÉVI-STAUSS

Faleceu na madrugada desse último domingo o antropólogo Claude Lévi-Strauss. Iria completar, no próximo dia 28, 101 anos. Quando eu ainda engatinhava, Lévi-Strauss estava no interior de Mato Grosso e na Amazônia, entre tribos indígenas, articulando suas teorias sobre as estruturas elementares do parentesco e descrevia mitos bororós como o xibae e iari (as araras e seu ninho), para mostrar inúmeras categorias empíricas, observadas etnograficamente, como ferramentas indispensáveis à constituição de propostas concretas que, mais tarde, iriam atingir inúmeros outros discursos de saber. Assim, categorias observáveis como as de cru e cozido, de fresco e de podre, de molhado e de queimado, em oposição, mostrariam que, no homem, tudo que é Universal depende da Ordem da Natureza e tudo que está ligado a uma Norma, pertence à Cultura, apresentando atributos do relativo e do particular. Em Lévi-Straus a antropologia vai se desenvolver à luz do estruturalismo. Era considerado o maior intelectual francês vivo. Influenciou as ciências humanas na segunda metade do século 20 com inúmeras publicações, entre elas a que o tornou mundialmente conhecido, “Tristes Tópicos”. Há muitos anos, estive trabalhando no oeste brasileiro, no Estado de Rondônia, próximo às fronteiras secas do Paraguai, Bolívia e Peru. Pensei nas incursões de Lévi-Strauss por aquelas bandas. Senti, com a pele arrepiada de emoção, sua presença ao ver um índio completamente nu, apanhando, com um movimento brusco da mão, um grande inseto e comê-lo imediatamente. -Tudo que se mexe e tem vida, eles comem - me falaram numa aldeia nhambiquara que visitei. Isso é universal e depende da ordem da natureza. Em meados de 1938, o grande antropólogo, a serviço da Universidade de São Paulo (USP), que dava os primeiros passos na vida acadêmica do país, passou por Vilhena, Pimenta Bueno, Porto Velho e Guajará Mirim, cidades em que também estive. Na ocasião, Lévi-Strauss recolheu cansativo e exausto material para produzir sua obra, que marcaria para sempre a cultura ocidental e dava ao mundo notícias daquelas fronteiras e de seu povo, até então desconhecidos da comunidade científica na área das ciências humanas. Surgia, no oeste brasileiro, a sua grande vocação antropológica. Foram esses acontecimentos míticos publicados no livro "Tristes Trópicos" (1955) que lhe trouxeram fama e reconhecimento internacional. A vida acadêmica está de luto, mas nós, paradoxalmente felizes, por tomarmos conhecimento de um gênio, que, entre outras coisas fenomenais, aliou, por exemplo, os protótipos lingüísticos dos triângulos vocálicos de Jakobson com triângulos culinários, representantes de oposições binárias, nunca antes teorizadas, parecendo abrir para o homem a impossível apreensão do infinito saber.
ATÉ A PRÓXIMA
19 de outubro de 2009
A VOLTA DO FANTASMA
Já havia dito, em crônicas anteriores, que, quando estivera em Portugal, trabalhando num projeto apresentado ao meu Departamento de Lingüística da Universidade do Estado do Rio de janeiro, conheci um simpático fantasma que morava na antessala de entrada do Palácio da Pena ou Castelo da Pena como é mais conhecido na região de Sintra. Estivemos juntos durante boa parte de minha estada pelas plagas lusitanas e nos identificamos tanto, que o trouxe em minha bagagem de mão, a bordo de um Boeing de longo curso da TAP. Pois bem, aqui no Brasil também estivemos juntos e minha preciosa e cultíssima aparição visitou comigo muitos lugares encantadores, principalmente da Região Sul, onde moro atualmente. Nosso último passeio tinha sido à festa da Marejada, em Itajaí, há uns dois ou três anos atrás. Divertimo-nos muito, principalmente com as encenações folclóricas da sua terra natal, a Serra da Lua ou Monte Sagrado. Depois disso sumiu. Pensei que o tivesse magoado com algumas observações sobre como deveria se comportar, para não assustar ninguém, quando estivéssemos nas residências de meus amigos, em reuniões de fim-de-semana ou em tertúlias literárias como acontecem em Florianópolis e Blumenau. Mas não, creio que ele sentiu saudade de seus parentes da corte de D. Dinis, fantasmas gentis e agradabilíssimos como ele e voltou para Sintra. Depois de algum tempo desaparecido eis que, bruscamente, ele se materializou valendo-se de uma branca fumaça que saia de uma churrasqueira repleta de grandes sardinhas, quando eu, novamente, visitava a 23ª Marejada, em Itajaí. Deu-me um baita susto naquela tarde cinzenta, pois há muito tempo nem pensava nele. Mas ele veio. Vestia um elegante ectoplasma e sentou-se comigo num banco de jardim, do lado de fora do novo e grande galpão que abriga os comes-e-bebes, de variadíssimas receitas portuguesas do pessoal de Itajaí. Percorremos o interior dos pavilhões, conversamos sobre as novidades e modernidades de Lisboa, bem pertinho de Sintra. Falamos, é verdade, um pouquinho da vida alheia e já estávamos para sair, quando meu hialino amigo me repreendeu, com toda a veemência de sua cavernosa voz, dizendo que era um absurdo, numa festa portuguesa por excelência, haver uma quantidade incontável de barraquinhas de cachorro-quente, pizzas de estranhos sabores e vinhos vagabundíssimos. Alem, é claro, de tudo estar armado em horrorosas barraquinhas toscas, num ambiente arquitetônico de infinito mau gosto. Não pude tirar sua razão, pois fiquei do mesmo modo muito decepcionado, não só pela péssima gastronomia exposta, como pela sujeira que imperava nos ambientes internos. Meu etéreo e exigente amigo é assim mesmo. É um fantasma europeu. Jamais esquecerá que Sintra, sua terra natal, exerceu considerável influência romântica na harmoniosa arquitetura européia. Isso é que é fantasma culto e refinado, o resto é assombração....
ATÉ A PRÓXIMA
ATÉ A PRÓXIMA
Assinar:
Postagens (Atom)
Arquivo do blog
Quem sou eu
- Professor Feijó
- Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
- Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.
