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30 de junho de 2015

INÍCIO, MEIO E FIM








TUCANO NA CUT



Recebi de meu amigo, Hélio Rodrigues, de muitos e muitos anos, um texto que falava sobre um assunto muito interessante: palíndromos. Fiquei contente, não só por ter notícias desse amigão dos tempos da caserna e da juventude passada nas dependências do Jacarepaguá Tênis Clube, como também porque ele preparou o gancho para me atiçar naquilo de que mais gosto: mexer com os mistérios da linguagem. Desta forma troco ideias com você e dou asas à minha imaginação, pensando que posso escrever alguma coisa que valha a pena.

Mas como ninguém é um sabe-tudo, achei muito interessante esse assunto sobre os palíndromos e aqui estou novamente, tentando ensinar o padre-nosso aos vigários que, por puro acaso possam vir a ler estas mal traçadas linhas.  Palíndromos vem do grego e significa "que corre de novo, que corre em sentido inverso, que volta sobre seus passos.Palin = em sentido inverso; Dromo = que corre (lembra-se de autódromo ?)

Agora, meu amigo, se for um número que se lê da mesma maneira nos dois sentidos (11, 111, 22, 66, 1221 etc), normalmente, da esquerda para a direita e ao  contrário, o nome que se dá a essa coisa muito esquisita, estranha e curiosa é CAPICUA. Essa palavra é um substantivo. Os dicionários não registram o adjetivo correspondente, creio que seja pela qualidade duvidosa de seu significado. Quem sabe! Então, eu o criei. Chamo o respectivo adjetivo de CAPICÚLIO, o que tem a qualidade da expressão numérica CAPICUA. E veja a origem dessa palavra. Trata-se de uma palavrinha exibidinha, que esconde suas partes íntimas... Bem, a cabeça (CAPUT) vem bem à mostra e a outra parte, a de baixo, ela a traz muito escondida, escamoteada (CULUM). Então, CAPICUA, este  substantivo feminino, de duas pontas é o início, a cabeça, e o fim, o cu.

Rodrigues, obrigado. Depois de ter falado de início e de fim, vou tentar transformar tudo isso numa crônica, mas é bom dizer que nunca vamos encontrar nos discursos linguísticos e etimológicos dos fillólogos a beleza harmônica dos versos de um Raul Seixas, por exemplo, onde o poeta, que teria feito 70 anos nesse fim de semana, é início, fim e meio. 

ATÉ A PRÓXIMA

1 de maio de 2015

ALGUMAS PROPOSTAS CONCEITUAIS DA LINGUÍSTICA





 


Você, certamente, já ouviu falar em ciência da linguagem, não é mesmo? Pois é. Esse estudo é desempenhado pela linguística. Mattoso Câmara Jr., um dos maiores estudiosos brasileiros dessa matéria, diz que a Linguística é a ciência que estuda a linguagem humana, mas considerada na base da sua manifestação como língua. Aí já surgem dois termos parecidos que devem ser explicados, pois linguagem é uma coisa e língua é outra. A Linguagem é a faculdade que o homem tem de exprimir seus estados mentais por meio de um sistema de sinais, chamado Língua, constituído esse sistema por sons vocais. Logo, Língua é um sistema de sons vocais por que se processa numa comunidade humana o uso da Linguagem. Essa é a lição inicial do grande mestre Joaquim Mattoso Câmara Jr., meu saudoso professor e colega na Academia Brasileira de Filologia.
Para se estudar o fenômeno linguístico temos de conhecer alguns conceitos básicos dessa ciência, relativamente nova, surgida no início do século XX, com Ferdinand de Saussure.

Então, vamos ver alguns desses conceitos.

Signo linguístico – Signo é um sinal (do latim signum). Na comunicação, é um elemento que contém um significado, um sentido e nos transmite algo. Lato sensu, o signo abrange muitos sinais, linguísticos e não-linguísticos. Na Linguística moderna, envolvida pela Semiologia saussuriana (Ferdinand de Saussure), o signo linguístico será o relacionamento recorrente entre uma imagem acústica (chamada significante) e um conceito (chamado significado). Assim, o significante CASA /KAZA/ relaciona-se ao significado HABITAÇÃO, arbitrariamente, isto é, não existirá nenhuma relação lógica de ordem interna no significante /KAZA/ que implique um significado como este de HABITAÇÃO. Isto quer dizer, em outras palavras, que o somatório dos fonemas (sons) K + A + Z + A não se relacionam logicamente com o conceito HABITAÇÃO. Saussure diz, portanto, que o SIGNO LINGUÍSTICO é arbitrário. Contudo, este mesmo SIGNO LINGUÍSTICO é motivado, o que significa dizer que, no grupo social de indivíduos falantes-ouvintes, agrupados por um mesmo sistema linguístico (mesma língua), este sinal passa a ser interpretado por todos como UM TIPO DE HABITAÇÃO,  variando sua especificidade, de indivíduo para indivíduo, de acordo com, pode-se dizer, a história de suas vidas coletivas (vida social: a vida de cada um). Assim, um favelado brasileiro irá chamar seu BARRACO de CASA; um magnata burguês chamará seu PALACETE de CASA e assim por diante. Para ir mais longe: Ferdinand de Saussure, Curso de linguística geral, São Paulo, 4ª ed., Cultrix, 1972; Mamoel Pinto Ribeiro, Nova Gramática da Língua Portuguesa, Rio de Janeiro, Ed. Metáfora, 2000; Castelar de Carvalho, Para compreender Saussure, Petrópolis, Vozes, 1997; Eric Buyssens, Semiologia e comunicação linguística, São Paulo, Cultrix, 1974; Mattoso Câmara Jr., Princípios de linguística geral, 3ª ed., Rio de Janeiro, Acadêmica, 1959; Roland Barthes, Elementos de semiologia, São Paulo, Cultrix, 1971. Luiz Cesar Saraiva Feijó, A linguagem dos esportes de massa e a gíria no futebol, Rio de Janeiro, UERJ/Tempo Brasileiro, 1994. Ver. (59- CUCA, p. 91) – (147- PEIXINHO, p. 122).

Sintagma – De acordo com Ferdinand de Saussure, é a combinação de formas mínimas numa unidade linguística, combinação na cadeia da fala. É, também, um conjunto binário, em que um elemento determinante cria um elo de subordinação com outro elemento, que é determinado. Para ir mais longe: Ferdinand de Saussure, Curso de linguística geral, São Paulo, Cultrix, 1972; Mattoso Câmara Jr., DLG, 1999; Manoel Pinto Ribeiro, Nova Gramática..., 2000. Luiz Cesar Saraiva Feijó, A linguagem dos esportes de massa e a gíria no futebol, Rio de Janeiro, UERJ/Tempo Brasileiro, 1994. Ver. (25- BATE-PRONTO, p.80) - (133- MEIO DA RUA, p. 117) – (49- CIDADELA, p. 88) - (104- GOL, p. 107) – (132- MEIO-CAMPISTA, p. 116) – (191- TIJOLO, p. 138) Ainda de Luiz Cesar Saraiva Feijó, Brasil X Portugal, um derby linguístico, Rio de Janeiro, IBLL, 1998, ver (60- FAZER O GOSTO AO PÉ, p. 118) – (95- PASSE RASGADO, p. 138) – (117- REMATAR COM A CANELEIRA, p. 146).

Paradigma – É um modelo. Em linguística é o modelo seguido por qualquer representação do sistema da língua. Assim, há um paradigma para a conjugação ou declinação gramatical de uma determinada língua. Em português, por exemplo, o infinitivo em –ar é o paradigma verbal da 1ª conjugação.

Sincronia – Termo de Ferdinand de Saussure que designa a captação dos fatos de uma língua num determinado instante de sua história. Tomemos o exemplo do verbo COMER. Sincronicamente seu radical é COM; sua vogal temática de 2ª conjugação é E; o R é desinência de infinitivo.

Diacronia – Termo de Ferdinand de Saussure que designa a transmissão de uma língua de geração a geração, através do tempo, sofrendo alterações e evoluindo. É o estudo da história da língua. Tomemos o mesmo exemplo visto acima. O verbo COMER veio do latim COMEDERE. Logo, COM é prefixo; ED é radical; ERE é desinência verbal de 2ª conjugação.

Langue – Termo da lingüística saussuriana. É a língua como sistema; abstrata; imóvel; reacionária; social. É como se falar da LÍNGUA PORTUGUESA como uma estrutura abstrata, repleta de uma organização criada pelo discurso do especialista pesquisador. Não é a LÍNGUA PORTUGUESA que se fala; que se ouve na boca do indivíduo falante-ouvinte.

Parole - Termo da linguística saussuriana. É a língua no seu dinamismo falado; criativa; concreta; individual. É o que se fala e o que se ouve quando nos comunicamos concretamente com nosso interlocutor.

Dupla articulação da língua: fonema e morfema – Conceitos da linguística saussuriana desenvolvidos por André Martinet. A dupla articulação é o que distingue a linguagem humana da linguagem animal. Está baseada em dois momentos distintos de análise linguística:
a) Primeira Articulação: um significante relaciona-se a um significado, tanto do mundo do homem, quanto do mundo gramatical. Obteremos elementos mínimos sob esta ótica. Tomemos por exemplo a análise, neste nível, do vocábulo MENINAS. Este vocábulo, então, comporta esta primeira análise: MENIN = radical; A = desinência de gênero; S = desinência de número. MENIN será um SEMANTEMA, pois é um SIGNIFICANTE com um significado do mundo do homem, isto é, significa CRIANÇA. -A é desinência do gênero feminino, portanto um elemento puramente gramatical, logo será um MORFEMA. Assim, também será MORFEMA a desinência de plural -S, pois tem significado puramente gramatical. Assim, não é mais possível analisar (separar) partes do vocábulo MENINAS, de outra forma, que não essa, sem relacionarmos o que foi separado (significante), atribuindo-lhe um significado. Se o fizermos de outra forma, tudo perderá o sentido. Vejam: Se separo assim: ME – NINAS, perguntamos. Se ME é um significante, qual o seu significado? Da mesma forma NINAS. O que é NINAS?
b) Segunda Articulação – Separa-se o vocábulo em seus segmentos mínimos sonoros, sem preocupação em encontrar um significado, tanto do mundo do homem quanto do mundo da gramática para o que for separado. Assim: MENINAS. /M/ - /E/ - /N/ - /I/ - /N/ - /A/ - /S/. Não há possibilidade de separação desses sons destacados em unidades menores. Logo, estes sons são mínimos e indivisíveis, portanto são FONEMAS.

Se você gostou da apresentação didática dessa iniciação aos estudos linguísticos, manifeste-se, que continuaremos falando de muitos outros conceitos saussurianos.

ATÉ A PRÓXIMA  

28 de abril de 2015

MAIS UM BRASILEIRO É EXECUTADO NA INDONÉSIA.


MATAR E MORRER são verbos cruéis,

fáceis de serem conjugados, mas difíceis de serem entendidos, degustados. Já TRAFICAR é um verbo fortíssimo, irregular, isto é, fora da Lei, de difícil conjugação, mas de fácil aceitação por marginais. A verdade é que todos esses vocábulos que exprimem ação violenta, como MATAR, MORRER, TRAFICAR são verbos defectivos, não gramaticalmente falando, mas socialmente interpretados, pois não possuem todas as pessoas, deixando de fora da sociedade muita gente que teria bastante a oferecer e a dar ao outro, mas morreram. Foram assassinadas. Já ia me esquecendo; o verbo ASSASSINAR, creio que é, entre todos os verbos insensíveis, o mais violento. É horrível conjuga-lo no presente do indicativo. Dá até arrepio. Mas a sociedade, dependendo de como vê o mal que se esconde no coração dos homens, tem, também, o poder de aniquilar este mal com outro MAL pior, conjugando um verbo terrível, assustador, arrasador e extremamente barulhento: o verbo FUZILAR, irmão bastardo do verbo ASSASSINAR. É isso. Vivemos num mundo onde o VERBO se fez ORDEM para o bem de muitos; para aflição de outros tantos; para o desespero dos mais chegados, para a agonia dos mais íntimos...

ATÉ A PRÓXIMA

14 de abril de 2015

UM PRATO FEITO





O verbo FAZER que significa executar, realizar, fabricar, vem da forma latina facere, com o primeiro –e- breve. Nas línguas neolatinas, deu no francês faire; no espanhol hacer e no italiano fare. FAZER é um verbo irregular que pertence à 2ª conjugação e apresenta modificação no seu radical. Alguns filólogos o colocam na lista de verbos inclassificáveis, como ADUZIR, BENZER, CABER, CAIR, CRER, DAR, DIZER, ESTAR, HAVER, IR, JAZER, LER, MORRER, PERDER, PODER, PÔR, QUERER, RIR, SABER, SAIR, SER, TER, TRAZER, VALER, VER, VIR e seus derivados, por apresentarem inúmeros fenômenos de fonética histórica, do latim para o português. Se os meus amigos pensam que essa posição ocupada por esses verbos mencionados é muito radical, tentem conjugá-los, distraidamente, em algumas pessoas, em tempos e modos distintos!

Mas vamos ver, hoje, uma forma interessante do verbo FAZER, que pertence à lista acima, observando mais a sua semântica na estrutura sintática do que a sua morfologia. Tentemos visualizar a sua forma primitiva de Particípio Passado, FEITO, do latim, factum.

As frases encontradas nas placas de propaganda do comércio de lojinhas dos famosos tira-gostos tradicionais dos subúrbios das pequenas e grandes cidades são interessantíssimas para o nosso superficial estudo filológico. Complicado? Não parece. Interessante? É possível que seja. Senão, vejamos:

   1-   Pastel FEITO na hora. Na hora = agora, adjunto adverbial de tempo. Na hora é uma forma analítica (duas palavras no sintagma); agora é uma forma sintética (única). Na hora indica um tempo indeterminado; agora, um tempo determinado. Prosseguindo. Observem as duas frases, em oposição: Vou sair AGORA / Vou sair NA HORA. O termo AGORA é diferente, semanticamente, da expressão NA HORA. Os termos  AGORA e NA HORA funcionam, sintaticamente, como adjuntos adverbiais de tempo. Mas observando bem, vejam se neste caso AGORA não pode ser igual a JÁ, isto é, tempo + modo, fazendo com que AGORA seja igual a RAPIDAMENTE. Continuando. NA HORA = tempo preciso; tempo exato; exatamente. Já na oposição frasal, Cheguei NA HORA / Cheguei AGORA, o sintagma NA HORA = tempo com pontualidade, isto é, um tempo combinado com compromisso. E o termo AGORA = tempo + satisfação dada, equivalendo a uma informação. É importante observar que o tempo, aqui, está ligado a compromisso, informação geral, pontualidade, medição, precisão, exatidão, movimentação, rapidez, determinação. Observe-se também que os casos acima estão ligados a uma semântica clara do tempo, como podemos encontrar nas expressões: Dia D; Hora H; Ponto G.

  2-  Já em “prato FEITO”, aquele que o cara duro encara, esfomeado, depois de meio-dia de trabalho quase forçado, vamos encontrar o particípio do verbo FAZER com a indiscutível noção de ação acabada, completa, finalizada etc., recaindo sobre o particípio do verbo FAZER o ASPECTO VERBAL CESSATIVO.

   3-  Em Santa Catarina, observamos que na linguagem familiar FEITO pode ser interjeição = ótimo, está bem, ok etc., tanto na forma frasal afirmativa, quanto na forma frasal interrogativa: FEITO? Portanto, podemos dar a FEITO, particípio do verbo FAZER, por aqui, nestas plagas do sul, o significado interjetivo de acabado, pronto, concluído, terminado, acabou, chega.


ATÉ A PRÓXIMA

31 de março de 2015

A língua falada e a língua escrita nos veículos de comunicação de massa




A língua falada pode seguir dois destinos. Um será o de se perpetuar. Ela se perpetua nos textos literários de inúmeros autores, até recentes, onde se pode ver, às vezes, um linguajar já caduco, na fala de personagens que usam termos, expressões, gírias e frases feitas, que nós não mais entendemos de pronto. Também nas obras de autores de antigamente vamos encontrar muitas palavras que hoje não fazem mais parte do léxico ativo da língua, mas os termos da língua falada lá ficaram registrados. Isso é muito bom!
O outro destino da língua falada é ficar sem nenhum registro escrito. Expressões populares e muitos termos podem se perder sem deixar vestígios. Enquanto a tradição oral existir nas sociedades menos complexas, alguma coisa desse acervo oral pode ficar resguardada da destruição, isto é, do esquecimento total. Mas será por pouco tempo. E isso é péssimo!
A língua falada por uma sociedade civilizada pode se apresentar sob a forma de registro oral e de registro escrito.
O povo vai imprimindo na língua que fala suas maneiras peculiares de dizer as coisas. Vai-se expressando como aprendeu ao berço materno e à escola. De acordo com sua posição na segmentação social a que pertence, vai-se expressando, ora respeitando as regras conscientemente incorporadas, ora desrespeitando-as por completo. Assim, obedecer aos padrões rígidos da língua é se expressar pela norma-padrão do idioma. Mas só aqueles que têm linguagem adquirida (1) é que por suas regras se expressam e, mesmo assim, com muitos deslizes na linguagem descuidada do dia-a-dia, quando, por exemplo, se emocionam ou se estressam. Portanto, “as diferenças entre linguagem escrita e linguagem oral permitem-nos falar em norma da escrita e norma da oralidade, aproximando-se a primeira do que Bally definiu como língua adquirida – a que se aprende na escola – em oposição à língua transmitida – aprendida natural e diretamente no seio da família” (2). Isto significa que tanto a linguagem escrita quanto a linguagem oral são balizadas por uma norma-padrão, expressão culta, identificada com o poder dominante de uma sociedade estruturada, definida e organizada. Qualquer transgressão a esta norma-padrão será considerada como um desvio linguístico. Segundo Eugenio Coseriu, a norma caracteriza-se como “um conjunto de traços distintivos, impostos por uma tradição cultural e social” (3). Norma-padrão, portanto, será este conjunto de traços distintivos, elevado à estatura de modelo.
Por tudo isso, qualquer transgressão, repetimos, será considerada um desvio linguístico, tanto na linguagem escrita, como na linguagem oral. Esta ocorrência deve-se a problemas de interferências extralinguísticas no processo de atualização da língua, isto é, a materialização da “langue” em “parole”. Tal processo de atualização denomina-se “desempenho”, ou seja, o uso que fazemos da língua, resultado de numeroso complexo de fatores linguísticos e extralinguísticos. Afinal, desempenho é “aquilo que efetivamente realizamos quando falamos ou ouvimos, ou escrevemos, ou lemos” (4).
Portanto, deve-se sempre salientar que as transgressões à norma-padrão da língua se efetivam, tanto no registro oral, como no registro escrito, isto é, tanto há transgressão à norma culta quando se fala, como há, quando se escreve. Essas transgressões ocorrem porque um determinado contexto influencia vertiginosamente os conteúdos informacionais do sintagma frasal, forçando uma modificação significativa (alteração), em prol de maior expressividade e de melhores informações. O desgaste contínuo da informação, motivado pelos padrões sígnicos estruturados do sistema linguístico, sempre com a mesma “fórmula”, força as mudanças, que ocorrem em nome dessa exigência categórica do contexto. Desvio, portanto, é a pressão do contexto sobre o texto.
Desta forma, comungamos com o pensamento de Edite Estrela e com o de Pinto Correia, quando afirmam que “o desvio, que, para nós, não contém qualquer conotação negativa tem de ser entendido como a alteração justificada no enunciado, de acordo com a intencionalidade do sujeito enunciador ou do extracontexto da enunciação, em relação ao rigor e à neutralidade canónicos da norma” (5).
Assim, os responsáveis pelos desvios linguísticos, tanto na língua oral como na língua escrita são as diversas e múltiplas situações extralinguísticas existentes no contexto social. Quanto mais complexa for a sociedade, maiores e mais numerosas serão as solicitações extralinguísticas; logo, maiores serão as possibilidades inevitáveis de desvios de inúmeros tipos: no subsistema fonético-fonológico, morfo-sintático-lexical e semântico de uma língua.
É importante, agora, tentar apontar as principais situações extralinguísticas, responsáveis pelo desencadeamento dos desvios. Antes, porém, parece necessário dizer que os desvios linguísticos são os responsáveis pelo surgimento das chamadas linguagens especiais, que reúnem indivíduos (falantes/ouvintes), unidos por interesses, situações de trabalho, lazer, credo, profissão e atividades esportivas entre outras. São grupos de pessoas que agem de forma diferente, mas se expressam pelo mesmo sistema linguístico, que pode se apresentar desviante da norma culta da língua geral comum.
E quais são estes fatores extralinguísticos? São muitos e de diferentes origens.
Dependendo do “corpus” estabelecido para uma pesquisa captadora de desvios de um tipo de linguagem, haverá fatores extralinguísticos determinantes. Deve-se, aqui, atentar para a lição epistemológica de Leodegário A. de Azevedo Filho, que distingue CORPUS de UNIVERSO. Universo será uma dimensão ampla, heterogênea, abrangendo elementos até bem diversos, contudo, estruturalmente unidos por unidades contidas nas diversidades apresentadas. Já CORPUS será uma dimensão homogênea de elementos, unidos por unidades representativas, apresentando traços comuns em seus elementos constituintes. Se, por exemplo, o “corpus” escolhido for a linguagem dos esportes de massa, os fatores extralinguísticos serão os mass-media e suas atuações como agentes destruidores das regras e normas pré-estabelecidas. Destarte, é neles, nos veículos de comunicação de massa, que se devem procurar os desvios linguísticos, proporcionados por seus agentes: os locutores, comentaristas, repórteres e jornalistas das crônicas redigidas nos meios gutenbérticos, nas suas colunas especializadas de muitos jornais e revistas. Sem perdermos a linha do raciocínio, vamos prosseguir, mostrando que alguns desvios linguísticos imediatos, apresentam, por sua natureza, uma tendência de serem incorporados às subnormas emergenciais. É nessa tendência que se reconhece o estágio intermediário entre a transgressão e a norma. Os desvios aprisionados nesse limbo esperimentalista ficarão em quarentena, à mercê do uso, que os utilizará ou não, marcando, assim, seu sucesso ou seu insucesso. Ou se afirma ou cai no ostracismo e desaparece.
Os meios de comunicação de massa que vão ser os responsáveis pelas alterações na língua geral serão o rádio, a televisão, os jornais e as revistas. Nos dois primeiros, a língua oral vibrará intensamente e será, por sua própria estrutura volátil, muito mais afetada do que a língua geral utilizada nos dois últimos mass-media impressos, os jornais e as revistas, que trabalham com o registro escrito da língua. Os dois registros têm suas características intrinsecas. O registro oral, ou língua oral, é mais descuidado do que a língua ou registro escrito, e como já diziam os romanos, verba volant, scripta manent. São esses os meios de comunicação de massa que “falarão” a linguagem dos esportes, uns, transmitindo pelas ondas hertzianas suas mensagens e os outros, fixando no papel, seus lances e suas emoções envolventes.
Como o rádio e a televisão “falam” já foi demonstrado em nosso trabalho sobre a linguagem da gíria no futebol (6). Mas como “fala” o jornal?
O jornal é um meio mecânico de comunicação de massa, em oposição, por sua natureza, aos meios eletrônicos, rádio e televisão. Essa clássica dicotomia é mais didático-pedagógica do que, rigorosamente, técnica, pois hoje em dia, os jornais não se estruturam sem a informação, produzida por engrenagens sofisticadíssimas de mecanismos de toda espécie tecnológica. Este medium, o jornal, “fala” através de duas linguagens: a verbal e a não verbal, isto é, “fala” pelo código linguístico e pelo código não linguístico ou, ainda, pictórico. O que diz, diz por mensagens temporais, raras e redundantes, mais redundantes do que raras (7). Tem funções bem claras para “falar” a um público especial, que é aquele que descodifica a linguagem escrita. Isto limita seu destinatário, forçando-o a resolver esse importante ruído de comunicação. Suas funções estruturais básicas são: informar, formar, vender, prestar serviços e divertir (8).   Não há nessa ordem de apresentação a predominância de uma função sobre a outra e, na verdade, todas são, indiscutivelmente, cumulativas e necessárias à existência desse médium. Por tudo isso, o jornal terá que convergir sua “falação” para um público-alvo numeroso, alfabetizado, mas heterogêneo, de preferencias e gostos variados, público fragmentado e, principalmente, anônimo. Tem, ainda, de alcançar os que não decodificam a língua escrita, tornando-se redundantemente, material para ser usado em programas radiofônicos ou televisivos, onde os textos acabados dos jornais do dia são lidos e comentados, num exercício pleno de metalinguagem. Dissemos que o público do jornal, enquanto medium gutenbértico, era anônimo.  Anônimo não significa dizer que o retorno da mensagem esteja prejudicado ou inviabilizado. Quer dizer que as suas mensagens são dispersadas entre receptores que não as consomem imediatamente, podendo deixa-las em “Stand-by”, voltando a elas quando bem os aprouver. E mais, com isso o feed-back não é imediato, mas existe e deve ser considerado. Explicá-lo fica para outra ocasião, mas para não deixar no ar como isso acontece, lembramos que quase todos os jornais, diários ou não, possuem a seção CARTAS DO LEITOR. Eis aí o feed-back.
O jornal fala pelo código escrito e aí a linearidade do código linguístico impede a superposição de outros signos organizados, como ocorre no rádio ou na televisão, quando a fala de alguém pode surgir em primeiro plano, audível, e em “background”, outro som sustenta ou aumenta a emoção, tudo sempre adredemente construído. Isso não podendo acontecer no jornal, impõe a esse medium uma limitação à informação. A informação estará sempre na linha da sucessão do código apresentado graficamente. Não pode haver a superposição de signos. Portanto, o jornal “falará” por suas próprias mensagens. Mas temos de caracterizar estas mensagens quanto à sua natureza. A mensagem jornalística será sempre a informação, tratada ideologicamente, qualificada como notícia. Assim, a notícia será a “vedeta” da fala jornalística, pois ela, a notícia, é o que você ainda não conhece.
Por outro lado, no jornal cabem todos os tipos de discurso. Os discursos verbais e não verbais. Do texto linguístico às histórias em quadrinhos, ou, como se diz em Portugal, às bandas desenhadas; das fotografias às charges de todos os tipos; dos grafismos simbólicos (figuras, signos zodíacos, horóscopos, brasões clubísticos, iluminuras a cores ou preto e branco) aos gráficos matemático-financeiros; das reproduções de obras de arte às caricaturas ilustradoras de reportagens ou sátiras politicas ou religiosas e muito mais...
Sem dúvida alguma, o que mais significativamente caracteriza o jornal é a sua linguagem verbal, explicitada pelo código linguístico, naturalmente, materializado na forma de língua escrita, que o profissional da área, o jornalista, deverá dominar plenamente. Essa língua escrita deverá estar sintonizada com a norma culta do idioma, seja qual for o público-alvo a que o jornal se destina. Algumas exceções podem ser concedidas, quando é visível a intenção de transgredir o código linguístico, dentro de uma gramaticidade e aceitabilidade incontestáveis, apresentadas na formação das estruturas sobredeterminantes da “langue”, fluindo daí uma “parole”, identificada com personagens da vida real, retratadas ao longo da narrativa das reportagens, como um “marketing” de apresentação de um produto diferente. Em Santa Catarina, é o caso do popular “Diarinho”, jornal que traz as notícias da região do Vale do rio Itajaí-açu, numa linguagem baseada nas considerações acima. Formas esdrúxulas de produção jornalística à parte, vemos que todos os manuais orientadores dos alunos dos Cursos Superiores de Jornalismo dedicam vários capítulos ao ensino ou à revisão de temas ligados ao uso escorreito da língua e formas típicas de tratar esses mesmos assuntos, direcionados ao leitor. Mesmos no caso citado do jornal “Diarinho”, visto por muitos olhares críticos como uma produção “underground”, sua Direção dá a este veículo de informação um tratamento correto de buscas de seus objetivos básicos, como o de informar, formar opinião, prestar serviços, vender e divertir, apresentando, contudo, em sua linguagem estereotipada, todos os corretos funcionamentos das estruturas básicas do código linguístico. Se não, vejamos. Se perguntarmos a alguém em que língua o referido jornal se expressa, todos dirão, sem titubear: língua portuguesa.
Assim, se um jornal se afasta da norma culta e recai nessas veredas de linguagens típicas ou especiais, vê-se claramente que seu público-alvo também ficou bem definido. Por outro lado, dentro de um jornal, com linguagem basicamente culta, encontramos também seções que tratam temas populares (esporte, policial, prostituição) ou pouco intelectualizados, usando linguagem menos rígida, quanto à adoção das regras da norma culta. São afastamentos  bem setorizados da norma culta. Nas seções esportivas, dedicadas ao futebol, por exemplo, muitos jornais em Portugal apresentam crônicas apaixonadas, repletas de modismos, palavreado em baixo calão, léxico e sintaxe extravagantes, dificultando, muitas vezes, alguém, de fora daquele contexto, entender o que tudo significa. Justificando essa linguagem mais solta e mais livre, cito as palavras de Arnaldo Saraiva: “É bom que a energia de uma palavra não derive da magia ou da interdição, mas do bom uso dela, e do trabalho livre de quem a usa”, In: Bacoco é bacoco..., 1995, p. 131).
O jornal antes de ser palavra, texto, sintaxe é, também, organização mercadológica, envolvida num mundo plurifacetado de atividades especializadas, na busca de informação. Na busca da notícia, a informação que você ainda não conhece e tratada sempre ideologicamente. A estrutura administrativa do jornal-empresa é um universo de atividades variadíssimas, específicas, idênticas às diversas e modernas empresas capitalistas, que investem e vivem do retorno do capital aplicado, com seu lucro embutido. Às vezes, tudo pode sucumbir, não por falta de estruturação material, mas tudo rui quando a estruturação de outra ordem falha: a ordem que ordena a ética, por exemplo. A linguagem impõe, também, essa ordem ética. Por ela, a linguagem, a parcimônia, a reflexão e, sobretudo, a semântica vão alinhar o pensamento editorial com a incessante busca da verdade, quando tudo converge para o fato, para a informação, para a notícia, muitas vezes, pulverizada pelos inúmeros temas trabalhados. Temas esses quase que sobredeterminados pelo objetivo de se manter, o jornal vivo. E para isso o jornal tem de vender. E como o jornal vende? Seu público-alvo já está delimitado. É numeroso. Pertence a uma determinada faixa social de um poder econômico identificado e fiel às suas opiniões, conselhos e ideologias. Esse público tem um poder aquisitivo definido pelos institutos de pesquisa de opinião e é potencial consumidor de produtos e serviços, para empregarmos as expressões constantes das leis brasileiras que instituiu o Código de Defesa do Consumidor (10). A propaganda vive desses elementos aglutinados e joga o seu “canto de sereia” nas páginas dos jornais, em forma de significativos apelos ao consumo. A propaganda oficial (a do Governo, em todas as esferas) não pode deixar de comparecer, sendo que, sob esse aspecto, estabelece-se, sempre, uma relação política entre as partes, que vivem em constante tensão, no eterno discurso da  dialética do poder. É pressão dos dois lados...
Assim sendo, pode-se perceber que há público para todos os assuntos e temas para todos os públicos. Diante disso a linguagem vai-se ajustando, consciente ou inconscientemente, a uma forma especial, peculiar, de dizer as coisas, dentro ou fora da norma linguística oficial. Essa forma peculiar de dizer as coisas, num primeiro momento, manifesta-se como um mero destoar em relação à linguagem oficial. À medida que se avoluma e se torna usual, transforma-se em desvio e, como tal, pode transmutar-se em subnormal. Neste movimento diacrônico, pode-se transformar em norma, fechando-se o círculo, começando tudo novamente, num tempo qualquer no futuro. Então, o olhar sincrônico da descrição linguística retoma a sua função crítica...
Portanto, se a língua oral e a língua escrita, de alguma forma, não forem estudadas em seus aspectos desviantes, os desvios poderão ser considerados “erros grosseiros”, “formas desprezíveis”, “tolices”, entre tantos outros epítetos discriminatórios. E o destino da língua falada é ficar sem nenhum registro escrito. As expressões, muitos termos, frases feitas completas perdem-se sem deixar vestígio. Isso, repetimos, é péssimo.
Finalmente, parece que os jornais acabam se transformando num útil repositório desses falares, no qual o pesquisador encontrará o material necessário para não deixar que muitas expressões linguísticas se percam integralmente. E, para que o destino da língua falada não seja desalentador, é necessário que se multipliquem as pesquisas sobre os falares do homem do povo, não só nos jornais (trabalho filológico), mas também nas inúmeras vozes eletrônicas, ou não, (trabalho linguístico) que atingem um numeroso público, como acontece com os variadíssimos programas de rádio e de televisão, que abordam temas vulgares e músicas populares, mas ricos em fraseologias inéditas, em neologismos, em estrangeirismos, em estranhamentos (11) e em desvios linguísticos de toda ordem. É o que acontece com a linguagem dos homens do esporte, como locutores e comentaristas das emissoras de rádio e televisão. E é, ainda, a linguagem dos jornalistas e cronistas esportivos que falam do futebol, nas páginas das seções especializadas de seus periódicos. Os jornais que apresentam este material, procurado por nossos olhos ávidos por encontrar termos e expressões desviantes, além de neologismos e estrangeirismos adaptados ou não ao novo sistema linguístico, podem registrá-los em suas mensagens temporais, mas isso ainda não é o bastante para se dizer que esses fenômenos estão suficientemente resguardados do esquecimento. Não. Só estarão se forem retirados de lá e analisados por outro discurso, esse, sim, espacial (12) e portador da credibilidade científica: o discurso universitário, acadêmico. Não é que seja somente esta forma de descrever estes objetos aquela que diga a verdade sobre os termos ou expressões desviantes, mas é a consagrada pela comunidade científica, com teoria e técnica, com investigação metodológica e, porque não dizer, também, com engenho e arte.
NOTAS
1-       Língua adquirida é aquela que se aprende à escola.
2-       Cf. ESTRELA. Edite e PINTO-CORREIA, J. David. Guia essencial da língua portuguesa para Comunicação Social, 3 ed. Lisboa: Editorial Notícias, s/d, p.20.
3-       Cf. COSERIU, Eugenio. Sistema, norma y habla, Montevideo, 1952; Sincronía, diacronia y tipologia, in: Actas del XI Congresso Internacional de Lingüística y filologia Románica, Madrid, 1968p 269-281; Lições de Linguística geral, tradução de Evanildo Bechara, Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1980, p. 119.
4-       Cf. PERINI, Mário. Gramática gerativa, Belo Horizonte: Ed. Vigília, 1976, p. 27.
5-       Cf. ESTRELA. Edite e PINTO-CORREIA, J. David, Op. Cit., p. 17.
6-       FEIJÓ, Luiz Cesar Saraiva. A linguagem dos esportes de massa e a gíria no futebol, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1994, p. 53.
7-       Mensagem temporal é aquela que é veiculada pelo rádio e pela televisão, não ficando gravada por nenhum processo capaz de, posteriormente, reproduzi-la. Mensagem redundante é aquela em que a decodificação é automática e o repertório do emissor é igual ou semelhante ao repertório do receptor. Mensagem rara é aquela em que a decodificação não é automática, necessitando de alguma reflexão para o entendimento, pois o repertório do emissosr é diferente do repertório do receptor.
8-       Estas funções são as mesmas do rádio e da televisão. Cf. Rafael Sampaio, TV e Sociedade, in: Briefing, Ano 3. Nº 25, Set. 1980, p.61.
9-       Podemos, para o jornal, servir-nos da análise de Rafael Sampaio sobre a função de vender da Televisão: “a função de vender não é uma função para a sociedade como são as outras, nem existe em todos os países e em todas as emissoras.... é a função publicitária comercial, utilizada por anunciantes de todos os setores e tamanhos nos seus esforços de comunicação publicitária”. Briefing, Nº 25., 1980, p. 63.
10-    João Marcelo de Araújo Jr. (Da qualidade dos produtos e serviços, da prevenção e reparação dos danos) esclarece que a palavra “produto”, no Código do Consumidor, é empregada em sentido econômico como “fruto da produção”. Algo elaborado por alguém com o fim de coloca-lo no comércio, para satisfazer uma necessidade humana. “Serviço” é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes de relações de caráter trabalhista. In: Comentários ao Código do Consumidor, Orgs. José Cretella Júnior e René Ariel Dotti, Rio de Janeiro, Forense, 1992, p. 57.
11-    Para Victor Chkloviski, figura de impacto do formalismo russo, “as palavras são usadas para transmitir um choque. Não há nenhuma motivação interna para sua escolha, qualquer termo poderia ali se encontrar desde que provocasse idêntico choque”. Luiz Costa Lima, Estruturalismo e teoria literária, Petrópolis, Vozes, 1973, p. 166-167.
12-    Mensagem ou discurso espacial é o que fica registrado por algum método de gravação ou impressão, podendo ser resgatado a qualquer momento.

               
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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.