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10 de maio de 2018

TABU É A MESMA COISA QUE ESCRITA?








Dedico esse trabalho ao Professor Leodegário A. de Azevedo Filho, mestre e amigo. Minha eterna saudade.

  
Em meu livro, FUTEBOL FALADO (2010), que estuda a linguagem especial do futebol, do ponto de vista da criação verbal, mostrando e analisando os fenômenos de renovação e inovação lexicais, entre outras abordagens linguísticas, sociológicas e históricas, na página 131, apresentamos o verbete ESCRITA, que diz o seguinte: 



126- ESCRITA

“Na linguagem esportiva em geral, significa um determinado fato que, sempre da mesma forma, acontece. Uma rotina. Muito usado nas transmissões de futebol. “Manteve a escrita”; “Olha a escrita aí”; “o Vasco manteve a escrita com o Botafogo”; “O Fluminense manteve a escrita com o Vasco”. Substantivação da forma feminina do particípio do verbo ESCREVER”.



O vocábulo ESCRITA, em linguagem figurada informal, está dicionarizado e é assim que Antônio Houaiss registra esse vocábulo, em seu Dicionário da Língua Portuguesa: “Escrita é o que constitui uma rotina ou aparenta constituir uma rotina”.

Parece que esse termo tem sua origem nos cadernos de anotações que existiam nas antigas vendas, empórios ou armazéns de antigamente, onde o dono do negócio dava crédito aos seus melhores fregueses, anotando, escrevendo no seu caderno os valores devidos, referentes a gastos no estabelecimento, geralmente de secos e molhados. “Está no caderno” ou “ficar na escrita do português da venda” eram expressões que se ouviam e se presentificavam como formas linguísticas vivas, ativas, portanto, num determinado tempo, e perduraram enquanto esse comércio de bairro pode resistir às investidas dos supermercados, que hoje dominam esse segmento do comércio de atacado e varejo, das utilidades e gêneros alimentícios de primeira necessidade. Essas expressões marcaram significativamente a vida de todos os cidadãos modernos e hoje estão recuperadas e se resumem no termo ESCRITA, que, portanto se prende ao campo semântico de rotina, costume e repetição. Em rotina está presente a ideia do hábito de caminhar. Aliás, rotina vem do francês “routine”, que significa propriamente hábito do caminho (route), como nos ensina A. Nascentes.

Então, ESCRITA, sob este aspecto, isto é, como linguagem figurada, surgiu metaforicamente, significando uma forma de crédito numa operação comercial dos pequenos armazéns de antanho. Possivelmente, essa metáfora se estendeu para outras linguagens especiais, mas é na linguagem especial do futebol que é usada ainda hoje, como exemplifica o filólogo Antônio Houaiss. Também, no Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, vamos encontrar o mesmo registro, com um exemplo bem mais significativo, pois cita a fonte do emprego da linguagem figurada que envolve o termo ESCRITA, situado no campo semântico de ROTINA. Assim: “O América conseguiu sua primeira vitória na Taça de Ouro ao derrotar o Bahia por 2 a 0, ontem à noite, na Fonte Nova, confirmando a escrita de que dificilmente perde seus jogos na Bahia” (Jornal do Brasil, 14.2.1985).

Ultimamente, estamos observando que muitos comentaristas de futebol, como também locutores, repórteres e demais profissionais ligados aos esportes de massa, eletrônicos ou não, estão relacionando o termo ESCRITA com o termo TABU, atribuindo a este os significados daquele, numa espécie de expansão de conceitos. Aliás, a EXPANSÃO é um fenômeno linguístico comum e que acontece com alguns termos da linguagem especial do futebol, cujo bom exemplo seria o verbo PENDURAR, que passou também a significar APOSENTAR-SE, na expressão PENDURAR AS CHUTEIRAS. Isso ocorre por similitude das ações, pois quem PENDURA a sua ferramenta de trabalho num prego, em uma parede, está querendo dizer que deixa o trabalho, definitivamente, para se aposentar. O ex-presidente Jânio Quadros pendurou um par de chuteiras no lado externo da porta de seu gabinete de trabalho, quando resolveu não mais se candidatar a nenhum cargo político eletivo. A pressão social do futebol, invadindo a vida social, foi enorme, pois o político se utilizou de um símbolo do futebol, que, semiologicamente, traduziu sua intensão de abandonar a vida política, aposentando-se. Uma metáfora plástica e semiológica, portanto. E, talvez, muito mais. APOSENTA-SE, para viver de outras fontes de renda. Ainda, o verbo PENDURAE, na expressão “estar pendurado” também pode significar estar endividado, estar devendo, surgindo essa ideia, por uma comparação ao que acontece com a materialização da dívida (o papel, a promissória, o papagaio) ficar, na casa ou na loja do credor, espetada num prego, na parede, como acontecia, por exemplo, no antigo comércio de secos e molhados de antigamente. Por metonímia, surge o termo PREGO para representar a dívida, ou o penhor, em expressões muito usadas e ouvidas: “estou no prego”; “botei a joia no prego”.

 Mas entre ESCRITA e TABU não é tão evidente a similitude, isto é, não ocorre uma perfeita equivalência de sentido, a não ser que o conceito de TABU esteja, coletivamente, tomando outro significado, num determinado segmento sociocultural específico, de forma equivocada. Isso também pode acontecer e é um fenômeno linguístico possível de ser explicado, como acontece, por exemplo, com o termo PINGUE, onde seus constituintes fônicos parecem quebrar a arbitrariedade do signo linguístico, dando a falsa impressão de se tratar de alguma coisa que significa POUCO, quando, na realidade etimológica (Lat. Pingue, is), PINGUE significa MUITO, ABUNDANTE, GORDO, NUTRIDO.

Já o termo TABU vem do polinésio tabu, que significa sagrado, invulnerável. "TA" significa marcado e “BU” é uma partícula intensiva. Talvez esteja aí a ligação semântica, através do processo conhecido como etimologia popular (aqui não fonética), pois é forte o sema contido em ESCRITA, relacionado a MARCADO, ANOTADO, ROTINEIRAMENTE ANOTADO, ROTINEIRAMENTE ESCRITO, ROTINEIRAMENTE MARCADO. Mas isso é uma especulação etimológica, uma hipótese diacrônica, num estudo superficial que pode até estar correto, mas é duvidoso e especulativo. Contudo, a nosso juízo crítico e aprofundado, não existe essa ilação e o que ocorre mesmo é que está se dando um novo significado ao significante antigo TABU, quer por desconhecimento dos sentidos primeiros do termo polinésio ou por se querer encontrar no invulnerável, no sagrado de tabu, uma relação qualquer com ROTINA. Não vejo como conciliar isso. A não ser que, através de um tremendo esforço semântico, se imprimisse ao sintagma QUEBRAR UM TABU, o sentido de QUEBRAR UMA ESCRITA e, nesse caso, o termo TABU perderia totalmente o seu significado primeiro. Isso, contudo, poderia ocorrer e não seria nenhuma surpresa, pois é muito difícil, como já dizia Freud (Totem e Tabu, Standard, 1996) encontrar uma tradução final para o TABU polinésio, pois não se possui mais o primitivo conceito que conotava e o definia como um termo que possuía dois sentidos contraditórios: o sagrado e o proibido. Observem os exemplos abaixo. Lá não se encontram os sentidos de sagrado nem de proibido:

a) "O Brasil nunca foi campeão olímpico. Vamos quebrar esse Tabu Essa Escrita , em 2014”;  (Agora já o é)
  
b) “Veja esse Tabu (Essa Escrita) futebolístico(a). O Brasil sempre perde nas Olimpíadas”; (agora já venceu)

c)  “O Brasil possui o título de campeão olímpico. Isso é um Tabu (Uma Escrita) a ser quebrado(a)”. (Agora já o tem)

Portanto, não concordamos com a criação de novos significados para TABU, deixando essa palavra que era conhecida entre os antigos romanos como “sacer”, entre os gregos como “äyos” e entre os hebreus como “kadesh”, todas com o sentido aproximado do termo polinésio. TABU será, portanto, tanto sagrado, consagrado, como misterioso, perigoso, proibido, impuro. Mas, nunca ROTINA, e muito menos ESCRITA.  Mas tudo pode mudar...

  
ATÉ A PRÓXIMA

9 de maio de 2018

TROVAS, TROVINHAS E TROVÕES - V - (COMENTÁRIOS LINGUÍSTICO-LITERÁRIOS)



COMENTÁRIOS LINGUÍSTICO-LITERÁRIOS


Já escrevi que hoje em dia, é enorme a produção de trovas de todos os tipos, sejam filosóficas, líricas ou humorísticas. Mas  bons textos, boas crônicas, contos inteligentes e empolgantes, poemas envolventes, belas trovas ou até mesmo escritos como estes de Sérgio Antunes são raros, mas surgem, muitos nas páginas da internet. Sérgio Antunes é poeta e escritor. Dizia ele, uma vez, que um trovador e repentista de Pindamonhangaba vivia fazendo versos que falavam do céu de anil, das moças garbosas, de sinos da igrejas, de tudo, enfim. Um dia, estava esse trovador num bar da cidade, com uns amigos, quando entrou a Rosa. Rosa era a mulher do Lino, o farmacêutico local. Ninguém precisava descrevê-la: era um monumento! Uma gostosona, com o perdão da palavra. Aí os amigos provocaram. "Não vai fazer uns versinhos pra Rosa?" E ele fez:

"Com seu corpo de violino
e seus pudores precários,
Rosa, a mulher do Lino
virou a extra de vários".

Esse tipo de humor não se vê com facilidade. Certamente, Ademar Macedo bateu palmas lá do céu ao lado de seu santo que agora não fica mais de porre! É raro um texto igual a esse, mas é uma delícia! Esse Sérgio Antunes também é muito bom,! Que tal esse seu quarteto, em decassílabos?

“Nervosa? Perguntei o que é que houve
e ela pediu que eu tocasse nela
e eu, obediente, toquei nela,
a quinta sinfonia de Beethoven”.

Mas, para quem gosta de trova reflexiva (será que alguém se "trovará" algum dia? Entenderam, né?), lá vai uma, citada, ainda, por Sérgio Antunes:

"Trova, conto de um canto,
poça d'água sobre o chão,
tão pequenina e entretanto,
reflete toda a amplidão".

E continua esse mesmo autor com seu repertório de “causos” poéticos, envolvendo trovas de preciosíssimas construções. Diz ele: "Na Bahia houve um concurso para fazedores de trovas. Mas era preciso rimar com "lâmpada". A dura regra que afastou os concorrentes teve um ganhador:

"Dizem que certo vigário
encomendou uma lâmpada
para homenagear a estampa da
Virgem Santa do Rosário".

Saída sensacional. O trovador usou a sílaba átona da combinação da preposição  - DE - com o artigo feminino  - A -  como parte integral de um vocábulo fonético proparoxítono, formado por uma palavra paroxítona ESTAMPA, que cedeu sua sílaba tônica TAM para formar o vocábulo fonético proparoxítono “ESTAMPA DA”.  É ou não é criatividade poética? Um caso raríssimo de “anacruse invertida”. Seguem, agora, uma série de trovas e poeminhos muito bem construídos, todos com “raricidades” e alguns “estranhamentos”, quer na semântica, no estilo ou no ineditismo da construção.

          PAULO LEMINSKI:

Todo bairro tem um louco
que o bairro trata bem.
Só está faltando um pouco
pra eu ser tratado também.    

O jogo semântico do verbo TRATAR é que dá à trova o humor característico da poesia satírica de Paulo Leminski.

ALBA CHRISTINA CAMPOS NETTO:

Brigas de amor têm segredos,
e eu juro que me comovo
ouvindo os nós dos teus dedos
batendo à porta de novo...

 O segredo das brigas de amor é a reconciliação. Ou o arrependimento, que surge por uma poética hipálage.

AMALIA MAX:

Relógio, fique parado!
Não deixe o tempo passar...
Eu quero ser enganado
quando a velhice chegar!

 A teoria da relatividade pode ser também explicada pela poesia.

 CASTRO ALVES:

Na hora em que a terra dorme
enrolada em frios véus,
eu ouço uma reza enorme
enchendo o abismo dos céus...

Todos os sintagmas se entrelaçam em suas constelações semânticas (terra dorme – frios véus – reza enorme – abismo dos céus).

CECÍLIA MEIRELLES:

Sou mais alta que esse morro,
mais vasta que aquele mar.
Há muito que me percorro
sem me poder encontrar.

  Quem tem a consciência da grandeza ou se torna um ser esnobe, ou vira poeta.

  
DENISE CATALDI:

Deu muita sorte a vizinha
pulando o arame farpado,
pois só rasgou a calcinha:
o principal foi poupado!

O humor erótico contempla nosso imaginário lírico, desde os trovadores medievais, e está registrado nos vários Cancioneiros. Natália Corrêa, também, o registra em sua magnífica antologia.  

FERNANDO PESSOA:

Autopsicografia

Fenômeno psicológico por que passa o poeta no ato da criação artística, portanto é a sua Arte Poética.
                                      
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

É o axioma. A poesia não está na dor sentida, mas no fingimento dela. A dor real, para se elevar ao plano da arte, tem de ser fingida, imaginada, tem de ser expressa em linguagem poética, transfigurada.
  
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

 Aqui, o poeta alude à fruição artística da parte do leitor. O leitor não sente a dor real (inicial), que o poeta sentiu, nem a dor imaginária (dor em imagens) que o poeta imaginou, nem a dor que eles (leitores) têm, mas só a que eles não têm. Isto é, o que o leitor sente é uma quarta dor que se liberta do poema, que é interpretado à maneira de cada um. Há, portanto referência a quatro dores: 1ª) - a dor sentida (real); 2ª) -  a dor fingida pelo poeta; 3ª) -  a dor real do leitor; 4ª) -  a dor lida (dor intelectualizada, que provém da interpretação do leitor e que é objeto da sua fruição, na linha do prazer do texto de Roland Barthes e da perversão de Freud.

 E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

É a conclusão: o coração (símbolo da sensibilidade) é um comboio de corda sempre a girar nas calhas da roda (que o destino fatalmente traçou) para entreter a razão. Há aqui uma referência à função lúdica da poesia, que começa na fruição de que o próprio poeta goza, no ato da criação artística. São aqui marcados os dois polos em que se processa a criação do poema: o coração (as sensações donde o poema nasce) e a razão (a imaginação onde o poema é inventado). Fecha-se neste fim do poema como que um círculo cuja linha limite marca uma pista sem fim em que nunca se esgota a dinâmica do jogo sensação-imaginação.

 GUILHERME DE ALMEIDA:

Tudo muda, tudo passa,
neste mundo de ilusão:
vai para o céu a fumaça,
fica na terra o carvão.

A poesia transcendental de G. de A. mostra a antítese entre a vida e a morte. É o “revertere ad locum tuum”.

 J.G.DE ARAÚJO JORGE:

Rosas tolas, tão vaidosas,
que em belas hastes vicejam...
Vem, amor, olha estas rosas,
quero que as rosas te vejam!

 O poeta antecipa ao leitor a beleza maior de sua amada e está nisso a grandeza e o encanto da trova de J.G.
   
 NEWTON VIEIRA:

Ficou mais lento o meu passo?
Caminharei, mesmo assim!
Só temeria o cansaço
se me cansasse de mim...

A repetição do radical presente no deverbal “cansaço”, espelhado no verbo “cansasse”, com a aliteração do fonema / s / nos vocábulos “passo”, “assim”, “só”, “cansaço”, “se”, “cansasse”, dão ao pequeno poema a sensação de um ritmo arrastado, unindo forma e significação a essa sugestiva forma de poesia, a trova. 

 RAUL DE LEONI:

Duas almas deves ter...
é um conselho dos mais sábios:
uma no fundo do ser,
outra boiando nos lábios.

Raul de Leoni é, em geral, um nome desconhecido, porque, parece, não pertence a uma escola de estilo de época definido. Não foi eleito pelo modernismo e foi aplaudido pelo parnasianismo e pelo simbolismo. Raramente é estudado nas escolas de segundo grau e seus textos não caem nos Vestibulares. R. de L. não é parnasiano, não é simbolista, não é modernista. Rodrigo Melo Franco, no prefácio à segunda edição de seu livro Luz Mediterrânea, o caracteriza como ''poeta das ideologias ou das abstrações.'' Sua poesia transfigura a emoção que nasce das ideias e transfigura as ideias que celebram a razão. Raul de Leoni concilia o dionisíaco e o apolíneo, como no ideal nietzschiano. Quem gosta de Alberto Caeiro e de Ricardo Reis (de Fernando Pessoa), tem uma boa chance de apreciar Raul de Leoni.

E fechando esta apresentação, fiquemos com os poemas de Mário Quintana:
 - I -

(Quadra em decassílabos)

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

As rimas preciosas do primeiro verso com o terceiro, e do segundo verso com o quarto dão à quadra, formada por decassílabos, uma formatação primorosa, podendo-se classificá-la como magistral.

- II -

POEMINHO DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Esse conhecidíssimo poema de Mário Quintana pode ser classificado como um perfeito estranhamento poético. O estranhamento em literatura consiste em ser criado um texto para nos distanciar da forma como apreendemos ver o mundo e a própria arte, fato que só o olhar estético pode visualizar. É uma forma de se desfamiliarizar os objetos e os fatos, reconstruindo-os estruturalmente com mais sofisticadas e trabalhosas formas linguísticas, passíveis de percepção, pois o processo de entendimento estético é um fim em si mesmo e deve ser prolongado. Indicamos a leitura de  Vicktor SHKLOVSKY,  (1893-1984. “A arte como processo”. Para uma tomada rápida a respeito desse assunto, consultar Tzvetan TODOROV, in, "Teoria da Literatura", I, Lisboa: Edições 70, 1999. Desta forma, um estranhamento da linguagem força os indivíduos a reconhecer que existe uma outra linguagem, a artística: ou seja, a que vai eliminar, na tradução simbólica,  o automatismo da percepção. Seu objetivo é o de criar uma visão que resulta de um entendimento (des)automatizado das coisas. O estranhamento tira de cena a familiaridade das coisas com ou sem os componentes linguísticos que constituem a narrativa. Machado de Assis, em Esaú e Jacó, diz que “a ocasião faz o furto, o ladrão já nasce feito”, contrariando o ditado popular de que a ocasião faz o ladrão. Portanto, vê-se que o “texto literário escapa das medidas do previsível, fala do mundo mediante uma imagem do mundo, permitindo a apreensão do real pela imaginação”. É o que faz Mário Quintana, nesta escritura, Poeminho do Contra. O poeta conjuga a forma verbal do verbo PASSAR, “eles passarão”, completando o sentido dos dois primeiros versos e termina com o estranhamento “Eu passarinho”, fundindo os radicais do verbo e do substantivo numa conjugação insólita, improvável, desconstruindo a linearidade do signo linguístico (Saussure), onde o substantivo “passarinho” se torna verbo por deter o radical de PASSAR, porque,  ao mesmo tempo, contém um possível sufixo nominal, diminutivo, INHO, em situação de oposição, por comutação, ao imaginário, também sufixo, aumentativo, ÃO, de “Eles passarão”.

ATÉ A PRÓXIMA

7 de maio de 2018

UM FALSO CACÓFATO EM UM POEMA BARROCO




Mattoso Câmara Jr., em seu Dicionário de Linguística e Gramática, nos diz que CACÓFATO é toda cacofonia em que há sugestão de palavras descabidas ou inconvenientes, em virtude do encontro de vocábulos num mesmo grupo de força, onde não há pausa intercorrente. E continua o eminente linguista brasileiro: “O cacófato está latente em muitos agrupamentos vocabulares, normais e até inevitáveis”. E cita como exemplos: “ela tinha”; “não passa disso” e muitos outros.  Antenor Nascentes também dizia que há cacófatos inevitáveis e que não se deve ter vergonha de se pronunciar expressões como “na vez passada”; “o time dele nunca ganhou de ninguém” e outras sentenças desse tipo. Contudo, o mestre filólogo do Idioma Nacional, não aceitava todas essas estranhas sonoridades na língua escrita, deixando claro, então, que a língua é uma pluralidade de “paroles” à disposição do sujeito falante, devendo este saber usá-las com estilo e correção.  Pegando o gancho da dicotomia saussuriana, “langue” X “parole”, é importante ressaltar, também, que existe, a partir do elemento grego KACÓS, É, ÓN, mau, ruim, o termo CACOGRAFIA, CACO + GRAFIA, por influência do francês CACOGRAPHIE.
A cacografia é a grafia errônea dos vocábulos. É um barbarismo ortográfico, que ocorre na escrita dos semialfabetizados. Ocorre, também, na escrita de pessoas com pouca leitura e instrução e aparece na escrita de pessoas que ainda escrevem pelas regras de uma ortografia já fora de uso ou, ainda, por hábito, ou por convicção. Antenor Nascentes dizia em suas aulas (e mantinha o que dizia em suas obras) que escrevia sem respeitar os Acordos Ortográficos (principalmente as regras de acentuação) em vigor na sua época, por convicção e respeito aos estudos e pesquisas filológicas que realizava.   Mas voltando ao CACÓFATO, lembrei-me do primeiro verso do conhecido soneto atribuído a Camões, que inicia assim: “Alma minha gentil, que te partiste”. Durante minhas atividades de professor de Língua e Literatura tive de responder a indagações de alunos e de amigos de outras áreas do conhecimento, a respeito do grupo de força que inicia o soneto 2 (13 – 19) de RH – Rhythmas, primeira edição, de 1595, (RI – Rimas, segunda edição, de 1598). Na realidade, Camões não cometeu nenhum cacófato. Então o que acontece? Trata-se de um “cacófato sincrônico”, a posteriori, e nunca “diacrônico”, pois no século XVI não existia ainda, na Língua Portuguesa, a palavra MAMINHA, que, segundo Antônio Houaiss (Dicionário da Língua Portuguesa), só tem registro escrito, em português, no Século XVIII (1789, MS ¹), com o significado de mama pequena, mamilo. Como o soneto tradicionalmente atribuído a Camões é um dos mais conhecidos e belos atribuído ao vate português, em seu caminho à suntuosidade conflitual do barroco, vamos mostrar a pequena análise textual feita sobre ele pelo eminente Professor Leodegário A. de Azevedo Filho, um dos maiores estudiosos da lírica camoniana em todos os tempos.  Antes de apresentar o poema, é bom lembrar que não existe nenhum autógrafo de Camões em seus poemas em RH e em RI, pois suas composições líricas foram editadas depois de sua morte. Leodegário Azevedo Filho, debruçando-se por mais de 30 anos sobre a lírica camoniana, estabeleceu, cientificamente, o problema da autoria, publicando sua tese em mais de 9 extensos volumes, editados pela Casa da Moeda de Portugal. Hoje, sua teoria é aceita por quase toda crítica especializada do mundo todo. 

Eis o poema:


Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo deste corpo descontente,
repousa tu nos Ceos eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde sobiste,
memória deste mundo se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
algua  cousa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder-te,

pede a Deos, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te,
quão cedo dos meus olhos te levou.

Fontes quinhentistas: PR – 10; CrB – 31; LF – 8v; M – 12; E – 36v; RH – 4v; RI -5v.
Fonte básica: LF – 8v.
ABREVIATURAS
PR – “Índice” do Cancioneiro do Padre Pedro Ribeiro.
CrB – Cancioneiro de Cristóvão Borges.
LF – Cancioneiro de Luís Franco Correa.
M – Cancioneiro de Madrid.
E – Cancioneiro da Biblioteca do Escorial.
RH – Rhythmas, primeira edição, de 1595.
RI – Rimas, segunda edição, de 1598.

       Eis a análise:

   A tradição impressa, a partir do segundo verso (tão cedo deste corpo descontente), uniformizou o uso da palavra VIDA, empobrecendo o vocábulo do soneto: “tão cedo desta vida descontente”. Muito provavelmente, entretanto, aí se tem o CORPO e não a VIDA, como se tem MUNDO no sexto verso e não VIDA (memória deste mundo se consente). O substantivo CORPO, em sentido filosófico-religioso, refere-se à matéria de que todos somos constituídos, em oposição à alma, nossa parte imaterial. A partir do Maneirismo, começa a desarticular-se a harmonia clássica existente entre os dois termos do binômio CORPO e ALMA, numa tensão que iria chegar às últimas consequências no Barroco.

ATÉ A PRÓXIMA

21 de abril de 2018

ADEUS A UM AMIGO




Hoje, dia 21 de abril de 2018, a Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), através do acadêmico, Professor Carlos Eduardo Falcão Uchôa prestará homenagem à memória de nosso confrade Rosalvo do Valle, recentemente falecido. Como não poderei comparecer, sirvo-me do texto que segue, para também expressar meus sentimentos ao querido amigo, emérito professor, filólogo e latinista, que nos deixou há muito pouco tempo.



Relendo o magnífico conto do Padre Manoel Bernardes, O Monge e o Passarinho, fui interrompido pelo toque estridente do telefone. Confirmado. Mais um querido amigo partira para aquela dimensão estrutural do mundo de Bernardes. Tristeza. Era a terceira hora do dia e as nonas se faziam presentes. À janela, meditativo, também fui atraído pelo voo de um negligente e distraído pássaro azul que pousou no telhado do prédio vizinho, avistado de meu quarto. Seus constantes piados, ensaiando um canto, conseguiram me entorpecer. Parece que cochilei. Era um corredor claro, rodeado de bancos longos, ocupados por pessoas alegres e tranquilas. Passando por elas, as reconhecia perfeitamente. Estavam ali meus amigos de verdade, alegres e satisfeitos, todos com livros abertos diante de seus olhos penetrantes nas leituras proveitosas que realizavam. Alguns os tinham debaixo dos braços, como se a leitura fora interrompida há pouco tempo. Outros anotavam nas próprias folhas suas considerações notáveis, forma de estudo que muitos deles me ensinaram. Havia os que comparavam textos de livros diferentes. Outros escreviam poemas. Alguns traduziam e vertiam textos clássicos. Realmente, eram os meus amigos! Todos estiveram presentes na história de minha vida.  Ao retornar pelo mesmo corredor etéreo, uma nuvem hialina, bem fina, me envolveu e, arrepiado, ouvi as vozes de ninfas e tágides a cantar elegias fúnebres e sentidas. Abracei, emocionado o recém-chegado. Separamo-nos e percebi estar com plumas azuis nas mãos. Plumas que o vento morno da manhã havia me trazido desde o telhado da casa ao lado, para a inquietação da vida que não para sequer por minuto apenas, mesmo se estando trezentos anos junto ao Senhor. Mais um querido companheiro partiu para o céu! Foi discutir erudita simplicidade e muita sabedoria com os santos anjos. Adeus, Rosalvo do Valle!  



ATÉ A PRÓXIMA


12 de abril de 2018

A BRUXA E O GUAXINIM





Era em Portugal, ano de 1986, precisamente Lisboa. Estava a fazer minha caminhada noturna, depois de um dia cheio de trabalho. Cumpria os deveres de meu semestre sabático, pela UERJ. Empolgado pelas novidades que iam aparecendo na caminhada constante contra os quilinhos adquiridos pelos bacalhaus consumidos, com muito azeite, batatas e bons vinhos, naturalmente. Assim, deixei para trás, sem perceber, a estação de Picoas, que foi ficando cada vez muito longe de meus passos largos e ansiosos em resgatar o figurino esguio de antanho. Quando percebi, havia me distanciado mais de hora e meia, realizando exercícios aeróbicos a passos largos. A residência, na qual um grande amigo me colocara estava ficando muito para trás. Conclusão, o prédio tinha horário rígido para fechar e eu não trouxera a chave do magnífico portão de ferro rendado, em estilo “art nouveau”. Ficaria simplesmente na rua se não retornasse imediatamente e rápido, voando, por assim dizer. A bruxa, que administrava os quartos, alugados à revelia do verdadeiro dono do grande apartamento – um caso de sublocação - não acordaria e não me deixaria entrar nem que recebesse dos céus pedido clemencial. Mas como? Já era tarde e as ruas iluminadas e seguras estavam desertas. Não haviam inventado ainda o telemóvel. Só o Metro me salvaria. Vislumbrei muito longe o farol da primeira carruagem com luz forte e destemida, vindo, superficialmente, em direção à estação que serve ao moderno aeroporto da cidade que Ulisses fundara. Corri para pegar o combóio e procurei a bilheteria. Nada! Tudo deserto, sem viva alma. Tudo livre. Não havia uma só catraca. Essas barreiras, contra (ou a favor) de nossas consciências, ainda não tinham sido inventadas ou, pelo menos, lá instaladas e hoje funcionando às mil maravilhas. Ah! Os telemóveis também não haviam sido inventados! Mas, hoje, meu amigo, como em todo mundo, lá estão eles disseminados, na terrinha e operados pela, vejam só, Companhia de Telefonia  Vodafone. Não pude me conter e disse a um amigo do Brasil, por WhatsApp, recentemente, quando de lá cheguei: “Vodafone é voda”! Botei a mão no bolso e verifiquei que não trouxera um mísero escudo. Estava totalmente desprevenido de moedas e das notas gigantes do dinheiro português de então. O combóio parou e eu entrei. Viajei sozinho na carruagem durante três estações, sem que ninguém entrasse, nem o temido fiscal, fardado como um soldado prussiano dos tempos salazarianos. Cheguei ao prédio onde morava e encontrei os magníficos portões ainda abertos. Graças a Deus a bruxa ressonava alto como um guaxinim embriagado. Custei um pouco a dormir. No dia seguinte acordei com uma enxaqueca terrível, pois só pensava em como poderia ressarcir a Cia de Carris de Lisboa daquela passagem que subtraíra, emergencialmente, com direito a pular uma catraca inexistente, que me deixou, internamente, envergonhado. Dissolvi em um copo d’água uma pastilha a borbulhar, e tudo passou.



ATÉ A PROXIMA

1 de março de 2018

UMA ESTRADA VELHA CHEIA DE POESIA





         Ruy do Carmo Baptista foi poeta e radialista. Natural de Cantagalo, Estado do Rio de Janeiro, trabalhou na primeira hidrelétrica de seu estado natal, construída no rio Macabu, ingressando nas Centrais Elétricas Fluminenses S.A., onde se aposentou, na cidade de Campos dos Goytacazes. Manteve por mais de 20 anos um programa matutino de rádio em Campos: “Alvorada Sertaneja”. Pertenceu ao “Círculo de Estudos Literários e Filosóficos Farias Brito”, em Macaé, e frequentou a “Academia Pedralva – Letras e Artes”, em Campos. Teve com a Professora Ivone Rabello Tavares quatro filhos, Edméia, Rui, José e Talita, que perpetuaram sua memória de poeta e cantador, publicando suas composições neste livro, editado na cidade de Campos dos Goytacazes, em 2014.
            Sua poesia mistura a fala caipira do norte-fluminense com o falar culto e semiculto dessa mesma região onde nasceu, viveu e produziu suas composições em versos curtos, característicos da lírica surgida na Península Ibérica. Os versos de Ruy Baptista mesclam seu desempenho fonético variado, praticado na escolha de vocábulos, fases feitas e metáforas regionais, entre outras situações linguísticas, mas soando diferente da fala caipira do interior paulista, onde a principal característica é o “r” vibrante retroflexo, muito intenso, parecendo deter o som de muitos desses fonemas. Essa linguagem presente no caboclo do norte fluminense, juntamente com a fala característica do “r” caipira do interior de São Paulo, uma variante vibrante apical, rolada, retroflexa, anterior, do fonema original “r” é uma das características marcantes que vão fazer a diferença entre o Português do Brasil e o Português de Portugal, numa de suas inúmeras diferenças, contudo, sempre mantendo uma unidade significativa nessa imensa diversidade. À guisa de maior e melhor esclarecimento, mesmo lidando com textos escritos, parece-nos que, do mesmo modo, o “s” chiado, típico do falar do carioca, se interiorizou pelos inúmeros municípios do norte do Estado do Rio de Janeiro e, por incrível que possa parecer, essa pronúncia foi-nos trazida pelos próprios portugueses, a partir de 1808 e se caracterizou como sinal de prestígio, pois era assim que aqueles que frequentavam a Corte falavam. Com isso, cresce a tese de que o sotaque carioca do fim do século XVIII se assemelhava ao do português que por aqui viveu, por exemplo, nas rodas elegante da sociedade da época, frequentadas, por exemplo, pelo poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage, no centro da cidade do Rio de Janeiro de antanho.
Portanto, na fala caipira, registram-se nesse pequeno livro de poemas os sons foneticamente utilizados pelo povo da região em que o poeta viveu, sem  inventar nenhuma pronúncia, dando um retrato, isto é, reproduzindo fielmente as variações fônicas do linguajar caboclo da região do Norte Fluminense dos Campos dos Goytacazes. O mesmo deveria acontecer em seus programas radiofônicos, pois o título e seu personagem isso denunciam: “Alvorada Sertaneja” e “Sô Tião”. Seria uma referência exemplificativa o poema DESILUSÃO DE CABOCLO, página 21. Versejando no registro culto da língua, Ruy Baptista dá preferência aos dois mais significativos metros do idioma português, a redondilha maior (sete sílabas métricas) e a redondilha menor (cinco sílabas métricas), em estrofações variadas. Os versos de ESTRADA VELHA são, em sua maioria, construídos com palavras simples, constantes do vocabulário ativo da língua, mas eivados de regionalismos, alguns, hoje, desconhecidos, talvez, do leitor citadino. Assim, a flora e a fauna são exemplos significativos, que aparecem no poema CAMPOS DOS GOYTACAZES, pág. 71. São raros os exemplos de vocábulos menos conhecidos do leitor distanciado da vida interiorana. O poema RECURSO DO CAIPIRA, pág. 29, assim inicia: “Eu viajava cansado / conduzindo um gado erado”. Erar é verbo e significa a ação de engordar o gado. Na lenda contada em versos, uma forma poética de Ruy Baptista manter viva a tradição oral, encontramos no próprio título o vocábulo CABORÉ (pág.105), que no texto é uma espécie de mocho, coruja. No nordeste brasileiro, é filhote de coruja, fixado na tradição folclórica com o ditado “Coruja não tem pai, caboré não tem avô”, e em outros exemplos assinalados, ainda, por Câmara Cascudo. Possivelmente esses vocábulos poderiam suscitar algum ruído no entendimento do leitor. Mas são muito poucos. Isso é interessante, pois os versos de ESTRADA VELHA foram escritos na primeira metade do século XX e muitos termos prendem-se a um regionalismo confinado no norte do Estado do Rio de Janeiro.
            Percebemos, por outro lado, que os poemas deste singelo, mas interessante livrinho (143 páginas, 20 x 14), envolvidos pelo conhecido estilo caipira, que nos apresenta “causos”, e lendas mirabolantes registra a beleza das histórias contadas em reuniões de famílias, e muitos de seus poemas foram escritos para serem cantados (talvez alguns, ou muitos até teriam sido musicados) ao ritmo toante da viola sertaneja.
O resgate desses poemas de Ruy do Carmo Baptista, poeta e cantador fluminense, feito por seus filhos e publicado há poucos anos, em Campos dos Goytacazes, propicia ao leitor um reencontro com os ritmos já não tão presentes hoje nos poetas modernos. São ritmos saudosistas que invocam a força do talento, da luta e da vitória do homem do campo sobre as intempéries da vida na roça; do homem da pequena vila; do homem que labuta na suada e ensolarada lavoura e no trato do gado em pastagens íngremes; nas matas fechadas, onde caça para seu sustento e de sua família, lá no sertão desse nosso interior, agora tão perto dos grandes centros, mas tão distante de nossos pensamentos, quando queremos encontrar um lugarzinho pacato para sermos felizes... O livro de Ruy Baptista possui os ritmos  de um poeta simples, mas ufanista, que nos faz lembrar a estética popular de geniais artistas, impressionados com a beleza intrínseca de nossa terra, num poetar brasílico grandiloquente, como, por exemplo, o de um Catulo da Paixão Cearense.

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.