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11 de abril de 2013

UM COMODATO POÉTICO



No dia 25 de abril, às 19h30min, na Biblioteca Pública de Itajaí, na rua Silva, Centro, será lançada a mais recente obra de Luigi Maurizi, Comod’Antes. Livro de poemas, editado por Saulo Amami, Editora Dom, Brusque, 2012.
Luigi Maurizi é um desses inquietos poetas que se alumbra com todas as manifestações de vida, sejam elas encontradas, tanto na palpitação frenética dos amores que sempre perseguiu, amando e sendo amado, como no bucolismo simplório das pequenas cidades por onde viveu.  Trata-se de um poeta culto que domina a língua, dela se apropriando dos mais significativos recursos expressivos, para marcar sua sobriedade literária, como afirma ao fim desse belo trabalho que estará lançando brevemente: “Só terei / a sobriedade... / De fazer-me um encantador /  de almas ! ”.
COMODANTES é mais do que um jogo de palavras que marca as pessoas que doam ou oferecem algo de maneira gratuita e esperam receber em troca o mesmo que ofertou. É um índice semiológico, pois signicamente se relaciona com o objeto que denota, o prazer materializado de ler.  Com esse sentimento, motivado, o leitor espera encontrar, com toda certeza, o que procura,  e retribuirá, agradecido, com o prazer advindo da leitura, esperando, ainda, encontrar, talvez, uma Beatriz, nos amores secretos do autor, fechando-se, assim, o ciclo desse comodato lírico, que só poderia ter saído da verve criativa de Luigi Maurizi.
Sua poesia é marcada pelo verso livre, sem a medida certa, sem a rigidez canônica da metrificação tradicional, disposta convencionalmente em estrofações que passam pelos dísticos, tercetos, quadras, quartetos, quintilhas, sextilhas e septilhas.
Essa modernidade do verso livre, na poesia de Luigi Maurizi, pode ser vista na estrutura rítmica, também fora dos cânones clássicos, com sua métrica nada convencional, junto a um esquema de rimas e sua tipologia, desenvolvida por um sensualismo velado, que toma proporções maiores, “emprestando” ao texto uma forma tradutora do eu-lírico do poeta, que o leitor absorve com sua sensibilidade, obsequiado pelo canto significativo dos versos de COMODANTES, em louvor à mulher, ora apenas desejada, ora amada intensamente. Mulher ideal e mulher real. “Dar-te-ei o beijo, / sem a ardência de outrora, / mas que ainda assim / te relembre toda volúpia / da tida incontida paixão!...”  SOB O BEIJO, (p.12). E a mulher desejada se presencia em versos como: “Desejo ventanias... / Um instigo / a fustigar meus instintos, / a contrapor-se a meus brios, / a conduzir-me aos teus cios / num instante incomum, / sem a prévia intenção! ” DERRADEIRO, (p.14). O sensualismo lírico povoa o livro, intercalando-se com outros temas sempre presentes: o filosófico introspectivo, as reflexões poéticas, o amor como forma encantatória, enaltecendo a pureza no relacionamento com o outro e o bucolismo rural, com a presença da mulher desejada, como acontece em  “Acordei com teu corpo / e teu rosto sorridentes / na matutinal aurora / do flertar de um sonho... E a vida acordando / com o galo que canta, / com o clarão da aurora, / com a porta que range... TRANSPARÊNCIAS, (p. 64).
Os versos dos poemas de COMODANTES , como já observamos, são livres, soltos ou brancos, como ou sem rimas, estruturados em estrofações assimétricas. As rimas consoantes e assonantes, externas e internas, emparelhadas, alternadas ou cruzadas, interpoladas ou opostas, encadeadas, repetidas, misturadas e finais são pouco usadas e, geralmente, estão presentes no fim dos poemas, chamando a atenção para o desfecho, numa, talvez, tentativa de desconstrução dos poemas clássicos de forma fixa. A rima polifônica, com as vogais tônicas abertas, e as consoantes constritiva e oclusiva, respectivamente, em “enverdece / percebe”, que aparece em CONTINUIDADE (p. 19), mostra a sensibilidade perceptiva do poeta para o aproveitamento dos sons da fala, na materialização poética de suas composições.
Suas quadras e trovas apresentam uma desconstrução formal, mantendo a proposta poética, quebrando o ritmo em favor do tema exposto, como em “Essa tanta inquietude / a afligir tuas diretrizes... / Imaginavas ser magnitude, / e o que viste foram cicatrizes!” (p. 22).
O poeta experimenta inúmeros tipos de estrofes para exteriorizar sua emoção, basicamente envolvida pelo carinho com a amada, pelo amor, pela vontade de estar com quem ama e soluçar seus mais recônditos sentimentos. Esse transbordar de emoções surge em dísticos e tercetos, onde também a voz do homem do campo se levanta, para cantar a beleza da dicotomia das flores, em aliterativas metáforas lúdicas e telúricas, envolvidas por construções especiais, como hipálages e a predominância da parataxe sobre a hipotaxe, em : “Dálias crescem, florescem, permitem... / Dálias murcham, fenecem, desistem... / Das batatas... Dálias renascem!” .... “Te vestes de verde, / para teres o direito / de novamente amadurecer...” (p. 41);  “Tardes anoitecem endoidecidas.../ E têm os dias / que não se quer ver o findar...  e O amor também chora saudades...” (p.42). Ainda podemos encontrar hipálages metafóricas, além de expressiva e esdrúxula sintaxe, como em “tingindo de esperanças”, p.29 e “ao deparar de rostos” p. 17, por exemplo. Numa oitava, que não é nem heróica nem lírica, por não se enquadrar nos cânones clássicos, com versos decassílabos, Luigi Maurizi, em “Sonhei o teu abraço / e abracei-me ao sonho...” precipita o poético com a também transgressora regência verbal, e retoma o lírico, bucolicamente materializado nos versos: “com o galo que canta”, “com o clarão da aurora” e “na porta que range” (p.64). Sua linguagem estrutura formas sintagmáticas bem elaboradas e traz o imprevisto que precipita o poético. Isso acontece no poema AGUARDO (p.67). A sonoridade de seus versos surge com aliterações e coliterações, em: “Passas bases.../ Plantas-te em cerdas de pincéis”, p. 68; com  jogos de palavras, alternância de timbre em vocábulos marcantes, como em “Acordo em aguardo dos acordes... / Pra ser parte do acordo / no gorjeio matinal, onde antíteses fônicas marcam, ainda, o ritmo do poema. Como poeta culto, o texto poético de Luigi Maurizi  transfigura a realidade e nele, como vimos,  inúmeros recursos linguísticos se presentificam, ficando sua obra marcada pela  excelência, poucas vezes vista nas manifestações líricas catarinenses.
Está de parabéns a Biblioteca Pública de Itajaí que abrigará o lançamento de mais uma obra poética desse autor, natural da cidade de Brusque, que honra as letras desse belo Estado de Santa Catarina.

ATÉ A PRÓXIMA


9 de abril de 2013

PEQUENO LIVRO DE HERMES PATRIANOVA



Meu amigo, o poeta Luigi Maurizi, sabendo de meu interesse sobre tudo que diz respeito às formas de comunicação orais e escritas, além das histórias dessas plagas catarinenses por onde ando e ele se inspira, para produzir seus belos versos, presenteou-me com a obra de Hermes Justino Patrianova, cujo intrigante título "PEQUENO LIVRO", fez com que eu o devorasse em poucas horas e anotasse muitas coisas em meus arquivos. Agora, fica parte dessas anotações registrada aqui neste BLOG, para meus leitores conhecerem mais um autor catarinense, apaixonado pelas coisas dessas bonitas terras do sul. O livro é uma edição rara do autor, publicada em Florianópolis, em 1986. Hermes Justino Patrianova era catarinense, de Imaruí, nascido no dia 24 de outubro de 1910. Foi contabilista e funcionário público. Aposentou-se pela Receita Estadual. Viveu muitos anos em Itajaí. O "Pequeno Livro", de Hermes Justino Patrianova mostra como o sul do Brasil ficou isolado culturalmente do eixo Rio-São Paulo, durante muitos anos. A ânsia do autor  conhecer as fontes necessárias às suas investigações de campo, mas inacessíveis ao seu trabalho de gabinete, é constante e está presente em toda obra. A vontade de pesquisar e de opinar esbarrava sempre no pouco material à sua disposição, mas, mesmo assim, Patrianova não esmoreceu. Buscou o que podia e o que estava ao seu alcance. Sem formação específica superior, enveredou pelas aleias linguísticas e tentou descobrir as origens da fala de um povo e de como os antigos falavam e se expressavam. Tentou explicar por que falavam dessa ou daquela maneira e buscou as origens de muitos termos da língua oral e de nossa onomasiologia, principalmente as de origens tupi. Seu esforço foi hercúleo, mas suas análises, sem fundamentação científica, ficaram a desejar melhor interpretação dos fenômenos linguísticos e sociológicos. Contudo, seu conhecimento da história factual de muitos municípios de Santa Catarina conseguiu trazer para o leitor a visão de um mundo repleto de fatos e “causos” que, de certa maneira, foram explicados e analisados de maneira peculiar, muito mais por sua inteligência e argúcia, do que pelo seu preparo e estudo específicos. Perseguia Patrianova o objetivo de levar a seus pósteros aquilo que tinha acontecido e o que estava acontecendo com seu povo. Queria explicar sempre o que o povo falava. Hoje, esse é um livro histórico, um livro “abre-caminho”, que pertence a um passado e não pode ser visto como fonte ou referência, mas será sempre um grande e louvável esforço de alguém que percebeu a sua potencialidade intelectual, acreditou nisso, mas que ficou paralisado pela incompetência da competência do Estado em disseminar a cultura, em todas as suas manifestações culturais, inclusive, e principalmente, através da educação de seu povo.

ATÉ A PRÓXIMA

11 de março de 2013

DESCULPAS À FUNDAÇÃO



No dia 28 de fevereiro deste ano (2013), publiquei uma recensão sobre um livro que seria apresentado ao público pela Fundação Cultural de Balneário Camboriú. Por ser o livro de péssima qualidade, com um texto repleto de comezinhos erros de português, além de ter uma narrativa sem nexo sintático, entre muitas outras coisas que desabonam sua edição e por também abordar tema lendário e controverso, tratado como verdade histórica, sem cientificidade e argumentação bibliográfica, extrapolei nos comentários, não sobre o mérito da obra em questão, mas na atuação da referida Fundação, que o apresentou ao público desse município de Balneário Camboriú. Realmente, essa casa de cultura, como órgão público de divulgação de todas as manifestações artísticas, não tem como atribuição a análise do mérito estético do que lhe cabe divulgar, principalmente em se tratando de obras literárias. Para escultura e pintura existe uma curadoria que dá conta do recado. Caso uma obra não atente explicitamente contra os bons costumes e a subversão da ordem pública, só para falar de casos muito sérios, todo o tipo de manifestação artística literária, a princípio, tem salvo-conduto para ser apresentado à sociedade local, e aí, sim, por ela, passará a ser apreciado, analisado e comentado, através de uma crítica científica nunca hermenêutica ou impressionista. Portanto, revendo meus excessos, basicamente localizados, in fine, lá no meu artigo de 28 de fevereiro, intitulado UMA SANTA BOBAGEM, venho me penitenciar publicamente desses meus exageros, pois, realmente, a Fundação Cultural de Balneário Camboriú não pode ser responsabilizada pela apresentação de uma obra, que se passa como literária, mesmo sendo ela de péssima qualidade estética. Aos diretores, jornalistas, funcionários e todos os demais componentes dessa entidade pública, que presta significativo serviço à comunidade, as minhas desculpas por ter querido exigir do seu grupo diretor, uma tomada de posição não regimental ou estatutária, por enquanto.

ATÉ A PRÓXIMA

9 de março de 2013

TEIAS DO TEMPO



Maria José Lima de Toledo Sanches Figueiredo é desses nomes mágicos que poderiam ser desdobrados em vários outros nomes artísticos, mas todos marcando a mesma personalidade vibrante, alegre e inteligente dessa mulher polivalente no campo das artes. Professora de História, formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), atuou no Colégio Pedro II, na Faculdade de Educação da UERJ e em seu Colégio de Aplicação, Fernando Rodrigues da Silveira. Além da sala de aula que dominava com sua marca registrada de alegre e dinâmica professora, querida por todos os alunos, por seu preparo e por sua magnífica didática, é pintora, atriz e escultora. Possui inúmeros livros publicados, desde 2002 e, agora, nos brinda com este TEIAS DO TEMPO, um livro de memórias.
Conheci Maria José, lá atrás no tempo, em Jacarepaguá, quando, ainda criança. Morávamos na mesma avenida, a Av. Geremário Dantas. A casa dela ficava pertinho da chácara de meu avô materno, onde, praticamente, me criei. Reencontramo-nos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UDF, hoje UERJ. A mesma profissão que abraçamos serviu para que, a partir da faculdade, estivéssemos durante muitos anos sempre perto um do outro, em Congressos, Simpósios, Cursos e em muitas reuniões sociais, em nossas casas, pois criamos um laço tão estreito de amizade que nos tornamos compadres. Seu marido, Cláudio José Figueiredo, e eu sempre fomos entusiasmados profissionais e, posso dizer com orgulho, que, de certa forma, contribuímos significativamente para o desenvolvimento do Ensino Médio no Estado do Rio Janeiro, revolucionando a Didática Geral, disciplina que Cláudio domina com excelência. Nossas vidas profissionais, portanto, se entrelaçaram no âmbito da Educação e estamos, por isso mesmo, eu e minha esposa Glorinha, lembrados nesse texto memorialista de Maria José.
Seu estilo simples, direto e coloquial nos revela uma escritura sem ressentimentos do passado, sem pieguismos, sempre revelando sua família, com intenso amor e singelas passagens poéticas. Esse caminho que vem do passado ao presente traz ao leitor a possibilidade de recordar dados de nossa história recente, muitas vezes esquecidos por muita gente! Maria José aproveitou suas viagens – e foram muitas – para olhar, com sua visão de historiadora, as surpreendentes e instigantes paisagens de países e regiões  por que passou, num périplo turístico e profissional, registrando dados da história factual desses sítios, bem como a importância que tiveram em outras áreas, movimentando o comércio e demais atividades aceleradoras do progresso e desenvolvimento. Mas Maria José foi mais além. Foi mais longe. Andou por todas as dependências, por todos os cômodos das casas e dos palácios que visitou e que a abrigou. Terminou na varanda. “Conversar na varanda foi meu objetivo. Verifiquei o quanto as pessoas são gratas a essa atividade, principalmente lembrando fatos de suas vidas. Realmente, a memória é a nossa identidade, a nossa alma”. Assim inicia a parte final de seu livro TEIA DOS TEMPOS. Nas varandas, Maria José entrevistou um pintor; uma bailarina; uma escritora e uma gueixa, esta, talvez admirando o azul do mar da ilha de Honshu, a maior e a mais populosa ilha do Império Japonês...
Belo livro de memórias. Parabéns, Professora Maria José, comadre e amiga!

ATÉ A PRÓXIMA

1 de março de 2013

O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO...


Uma homenagem aos 448 anos de fundação da cidade do Rio de Janeiro


RIO SONHO (poema de 1965, adaptado à data de hoje)

O Gigante Adormecido da Barra da Tijuca
engoliu o sol dos cariocas.
Anoiteceu na Guanabara.
A vida faiscou nos vales
nas montanhas
nas favelas
nas praças
ruas 
e boates.
Acenderam-se velas nas encruzilhadas
e as praias refletiram coloridos.
O Cristo fechou os olhos
e adormeceu.
Seu sono divino abençoou
a cidade do Corcovado.
A natureza zelou o seu repouso.
As ondas cantaram cantigas de roda
dos tempos da corte portuguesa.
Fez-se silêncio de Largo do Boticário...
E o Rio de Matacavalos
da rua da vala
do Largo do Paço
dos negros nas ruas
do caxangá
vencia os séculos
Crescia, crescia, crescia...
Buzinas longínquas
soavam
como
sinos
da Glória que olhavam
o mar acimentado.
E o vento soprou da entrada da barra
assoviando no Pão de Açúcar.
No meio da noite
ligeiro ligeiro
o morro desceu
desceu pra sambar
sambou a favela
cuíca pandeiro
mulata dengosa
garota cheirosa
mexendo ligeiro
o corpo faceiro
queimado todinho
pelo sol que já vem.
Voaram andorinhas sonolentas
que moram na Catedral.
Roncou o motor
chegou do subúrbio um trem da Central.
Apitou o navio
nas águas que viram caravelas.
Caravelas de Portugal.
Marcharam os soldados
de Estácio de Sá.
Fragatas guerreiras
canoas de índios
Tamoios Tupis de olhos azuis.
E o Rio reinou
reinou e sonhou
foi majestade
foi imperador.
Danço nos salões
iluminados da corte.
Ao som da metralha
fez história
com glória
para o porvir.
Escreveu seu nome no livro da liberdade
e amou.
Cresceu com o amor
libertou os escravos
e cantou a marcha triunfal
das grandes nações.
Dos índios das praias
aos bravos soldados
dos campos da Europa
se orgulha
do filho forte.
Na ponta de terra
banhada por mar
alteia-se a tribo
dos nobres guerreiros
da forte nação.
-Eu te abençoo, pedaço de terra
esverdeada
em campo de areia.
Surja com o sol de cada dia
a tua felicidade, Rio-Cidade
Rio-Sonho
Sonho de um Deus petrificado
no alto do monte
eternamente
pregando o Sermão
da Bem-aventurança...
O sol iluminou o mundo encantado
e o Cristo acordou feliz
porque sonhou 
quatrocentos e quarenta e oito anos
de Cidade Maravilhosa.

(Luiz Cesar Saraiva Feijó, in REMORRO, 1998)

28 de fevereiro de 2013

UMA SANTA BOBAGEM


Os senhores responsáveis Pela Fundação Cultural de Balneário Camboriú e pela escolha do material literário a ser apresentado aos leitores desse município, nessa próxima sexta-feira, dia 1º de março de 2013, na Biblioteca Pública Municipal, Machado de Assis, deveriam ter mais cuidado na apreciação dessas obras lançadas, sob a chancela dessa entidade pública.
Creio que os responsáveis pelo lançamento do livro de Isaque de Borba Corrêa, São Tomé, a história do apóstolo de Jesus no continente americano, a ser lançado nesta sexta-feira, não leram nem uma linha ou página dessa obra (?) , pois a mesma, além de apresentar erros gravíssimos (ortografia, regência, concordância e colocação - para pouco citar - ) no emprego da Língua Portuguesa, desde a INTRODUÇÃO, não sustenta uma narrativa coerente e, quando a faz, a mesma se apresenta muito mal redigida e fundamentada. Se esta obra tinha o propósito de ser uma documentação histórica (?), leva, isso sim, o leitor incauto a aceitar uma ficção de péssima qualidade, como algo verdadeiro, pois o que é lenda se apresenta como verdade histórica. Uma bisonha BIBLIOGRAFIA  encerra o livro, sem citar os principais autores sérios que trataram desse assunto, como Sérgio Buarque de Holanda, em Visão do Paraíso: os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil, São Paulo, Civilização Brasileira, 1959. Foi a sua tese  de Livre Docência, para exercer a Cátedra de História da disciplina Civilização Brasileira, na Universidade de São Paulo, hoje USP. Todo o livro de Isaque de Borba Corrêa peca por um estilo insosso e de péssimo gosto, além de apresentar uma linguagem desprovida de  arroubos literários... Não se encontra nenhuma hipótese histórica, consubstanciada em métodos estruturalistas, nem compilações ou interpretações de textos, estabelecidos à luz da ecdótica, sobre o tema, o que poderia amenizar, de alguma forma, sua insipiente investigação (ou incipiente investigação, como queiram). Um desserviço à cultura e um acinte à inteligência do leitor. Jamais uma Fundação Cultural poderia acolher a apresentação pública de uma obra que envergonha a literatura de nosso Município.

ATÉ A PRÓXIMA

4 de fevereiro de 2013

A PÁTRIA DOS CARIOCAS



Campeonato carioca era o do meu tempo de criança e adolescente. Eu sempre soube que só é carioca quem nasce na cidade do Rio de Janeiro. Por extensão, qualquer evento nesta cidade maravilhosa é um evento carioca. Então, Campeonato Carioca de Futebol era aquele dos tempos de antanho. Os times? Sim, lembro-me bem de todos. Aliás, havia, sim, uma única exceção. O Canto do Rio de Niterói, que só conseguiu ser campeão do Torneio Início, disputado no Maracanã, num ano perdido, lá na minha saudade de menino. E eu assisti a esse fenômeno! Estava na arquibancada, comendo cachorro-quente, chupando Chica-Bom e tomando Café Pucará... Na Tijuca havia o América Futebol Clube, carinhosamente chamado de Mequinha, ali na Rua Campo Sales, onde meu pai se reunia com os outros abnegados e entusiasmados conselheiros. Na Zona Sul havia os times do Flamengo, do Botafogo, e o meu Fluminense tricolor, um timaço da Rua das Laranjeiras,   muitas vezes campeão, bicampeão e tricampeão, desde os tempos de Robertinho, Gualter e Haroldo, Pascoal, Telesca e Bigode, Pedro Amorim, Ademir, Simões, Orlando e Rodrigues... No bairro da antiga nobreza dos Orléans e Bragança, podíamos torcer, assistindo aos jogos do São Cristóvão de Futebol e Regata, o São Cri-Cri, com seu uniforme branquinho, branquinho...Uma beleza! Ali, onde a cidade começa a se afastar, levando um pesado trânsito de caminhões e ônibus para fora de seus limites, fica o Estádio do Vasco da Gama, à sombra de sua famosa colina, detentor do maior estádio da cidade, na Rua São Januário. O subúrbio da Leopoldina, caminho de uma estrada de ferro de respeito, torcia pelo Bonsucesso, ou pelo Olaria da Rua Bariri. Na outra linha férrea, o subúrbio da Central do Brasil, na Rua Conselheiro Galvão, está o tricolor suburbano Madureira, que sempre foi celeiro de excelentes jogadores. Lá, bem longe, onde se plantava de tudo, num capo enorme, ao pé do maciço da Pedra Branca, o Campo Grande arrebatava emoções e dominava os corações de seus moradores. Era o simpático Campusca, um dos representantes da Zona Oeste da cidade. Mas, alguns poucos quilômetros antes, os trabalhadores da empresa têxtil inglesa, Companhia Progresso Industrial do Brasil, já tinham se organizado e fundado o Bangu Atlético Clube, que nos anos 40 e 50 se destacou na Liga com seus mulatinhos rosados. Quase ia me esquecendo que a Ilha do Governador também se fazia representar no verdadeiro campeonato carioca de futebol, com a Associação Atlética Portuguesa, a Portuguesa Carioca, que jogava em seu enorme campo dos ventos uivantes... Então, foram esses treze clubes, doze, genuinamente cariocas, que tornaram possível o surgimento daquele glamour tão festejado e cantado em prosa e verso pelos jornalistas esportivos de hoje, que, talvez, nem percebem que o sucesso desse campeonato está lá atrás, nos tempos românticos do velho e violento esporte bretão. Mas, se esse passado não for resgatado, de alguma forma, com a volta desses times envolvidos em competições sucessivas (e como, não cabe aqui e agora comentar), em pouco tempo não sobrará nada para justificar essa formidável qualificação do mais maravilhoso e único campeonato de futebol, já realizado em uma única cidade brasileira: a Cidade Maravilhosa de São Sebastião do Rio de Janeiro, pátria dos cariocas.

ATÉ BREVE
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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.