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18 de fevereiro de 2015

MOISÉS, HOMERO E O PÉ GRANDE





Essa crônica originou-se após uma leitura no SITE da Globo, G1. Lá, Reinaldo José Lopes tece comentários sobre escavações arqueológicas na Palestina que trouxeram à luz inquietantes interpretações sobre as origens do ícone Moisés, o profeta que teria arrancado seu povo da escravidão no Egito e fundado a nação de Israel. Segundo Reinaldo, isso “tem bases muito tênues e, na realidade é praticamente certo que, em sua maioria, os israelitas tenham se originado dentro da própria Palestina, e não fugido do Egito. O próprio Moisés tem chances de ser um personagem fictício, ou tão alterado pelas lendas que se acumularam ao redor de seu nome, que hoje é quase impossível saber qual foi seu papel histórico original”. Pois é, MOISÉS juntou-se, agora, a HOMERO e a outros enigmas da humanidade, principalmente a um que nunca sai de moda: “Os EXTRATERRESTRES”. Isso mesmo. Há mais de quarenta anos estamos ouvindo falar, com muita insistência, por todos os cantos desse enorme Brasil, sobre aparições de discos voadores, naves espaciais, gente de outros planetas e até chupa-cabras. Não que antigamente esses casos estranhos não existissem. Claro que sempre existiram, mas, recentemente, depois do lançamento, em 1968, do livro Eram os deuses astronautas?, a coisa ficou mais disseminada. O responsável pelo ressurgimento dessas “guerras entre mundos” foi o autor do referido livro, Erich Von Däniken, escritor suíço, conhecido por criar teorias sobre uma possível influência extraterrestre na cultura humana, desde os tempos pré-históricos. É importante assinalar que, já em 1938, houvera um pânico coletivo na costa leste dos Estados Unidos, quando Orson Welles, ator e diretor de cinema, dramatizando o livro de ficção científica do escritor inglês Herbert George Wells, entrou no ar, em edição extraordinária, através das ondas médias da rádio CBS, Columbia Broadcasting System, e noticiou uma suposta invasão de marcianos ao nosso planeta Terra. Essa invasão que não ocorreu marcou para sempre a história do rádio no mundo moderno e mexeu com o imaginário popular, com gente de todos os lugares do mundo jurando que viram homenzinhos verdes e que foram até seus planetas de origem, viajando em suas extraordinárias naves espaciais. São os abduzidos. O tempo foi passando e cresceu o espaço para a divulgação desses fenômenos, para os quais a ciência oficial nunca deu muita atenção. Surgiu a Revista PLANETA, edição em língua portuguesa, que circulou durante muitos anos entre nós, até ser suplantada pela mídia eletrônica, onde a televisão impôs a sua força, alicerçada por uma tecnologia e produção, realmente hollywoodianas. Agora, estamos observando, nos canais de televisão por assinatura, a proliferação de inquietantes produções estrangeiras, programas muito bem feitos e dublados para o espanhol e português, que discutem novamente a presença dos extraterrestres entre nós, e muito mais; como tentar explicar o comportamento de importantes figuras da história da humanidade e seus envolvimentos com sociedades secretas, desde a Idade Média até nossos dias. Nessa linha, colocam no mesmo balaio faraós, reis e generais gregos, feitos sobre-humanos de conquistadores memoráveis e, até o Pé Grande se mistura a presidentes dos Estados Unidos, nunca deixando, também, escapar a vida libertina dos Imperadores romanos e o surgimento do cristianismo, saindo, muitas vezes da esfera da crença, da fé e até de interpretações históricas, para os romances semióticos, como aconteceu com O Código da Vinci, de Dan Brown. Pois é, agora parece que Moisés, que já fora príncipe egípcio, vai passar a ser um simples pastor palestino e suas origens plebeias podem abalar, lamentosamente, os muros seculares de Jerusalém. Isso não é nada. Freud, quando souber dessa heresia arqueológica, lá no inconsciente do mundo, vai dar à neurose obsessiva as honras de arquétipo superdimensionado, para que esta, referencialmente, e a nível manifesto, atue, sem nenhum significante primário a prejudicá-la, na estrutura do campo do Real. Já Homero continua, por enquanto, nos Canais do History-2, H-2, como o grande poeta épico lendário da Grécia Antiga do século VIII a.C, autor das duas estupendas obras da antiguidade: os poemas épicos Ilíada e Odisseia. Mas, se todos consideram Homero como “o poeta lendário da Antiga Grécia” é porque a lenda é maior do que a realidade. Então, é só esperar que vem, por aí, chumbo grosso, porque, segundo Aristóteles, “o discurso falso tem como ponto de partida uma falsa ideia”. 

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.