Quantos me visitaram ?

12 de novembro de 2009

NO RIO DE JANEIRO


Já estou no Rio de Janeiro há alguns dias. Precisamente, desde o dia 6 de novembro. Visitei muita gente, subi a serra de Petrópolis e fiquei por lá dois dias, para assistir à primeira Comunhão de minha netinha, Maria Izabel, com "Z" mesmo, pois o pai achou "chique" essa grafia dos idos de 1940. O que fazer? Vontade de pai deve ser respeitada. Visitei, é claro, minha mãe com 98 aninhos, lúcida e faceira, que teve à prova sua atividade cardíaca, quando, há três dias atrás, tentou apagar um início de incêndio na geladeira, com uma canequinha d'água. O fogo espalhou-se por toda a cozinha, minha mãe foi resgatada do prédio, os bombeiros atuaram com eficiência e todos se salvaram. O seguro deverá pagar os estragos. Minha mãe passa bem e até se sente como heroína, pois não se intimidou diante daquelas chamas destruidoras de lares...Ela é fogo, mesmo, como se costuma dizer! Depois desse susto, estive na quarta-feira reunido com minha Confraria Linha de Fogo, da Turma de Artilharia do CPOR/RJ, que completou cinquenta anos de bonita e festiva formatura no Estádio de São Januário, defilando em continência ao Sr. Presidente da República, o Dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira. Na reunião de nosso grupo ficou determinada a data de nossa íntima festa, comemorativa dos 50 anos de formatura da Turma Olavo Bilac de 1959. Pena que não poderei dela participar, pois espero filhos, noras, genros e netos para o Natal, lá em Balneário Camboriú, onde moro. Mas estarei entre eles em espírito. Que tudo corra bem, amigos! Bem, este texto de hoje é mesmo uma página de diário. É verdade, havia me esquecido. Fui atingido pelo apagão de treça-feira. O Rio de Janeiro e mais dezessete outros Estados. Nem quero imaginar o Chaves venezuelano pensando em atacar também o território brasileiro às escuras, porque, às claras ele disse que atacaria a Colômbia...



ATÉ A PRÓXIMA

4 de novembro de 2009

CLAUDE LÉVI-STAUSS


Faleceu na madrugada desse último domingo o antropólogo Claude Lévi-Strauss. Iria completar, no próximo dia 28, 101 anos. Quando eu ainda engatinhava, Lévi-Strauss estava no interior de Mato Grosso e na Amazônia, entre tribos indígenas, articulando suas teorias sobre as estruturas elementares do parentesco e descrevia mitos bororós como o xibae e iari (as araras e seu ninho), para mostrar inúmeras categorias empíricas, observadas etnograficamente, como ferramentas indispensáveis à constituição de propostas concretas que, mais tarde, iriam atingir inúmeros outros discursos de saber. Assim, categorias observáveis como as de cru e cozido, de fresco e de podre, de molhado e de queimado, em oposição, mostrariam que, no homem, tudo que é Universal depende da Ordem da Natureza e tudo que está ligado a uma Norma, pertence à Cultura, apresentando atributos do relativo e do particular. Em Lévi-Straus a antropologia vai se desenvolver à luz do estruturalismo. Era considerado o maior intelectual francês vivo. Influenciou as ciências humanas na segunda metade do século 20 com inúmeras publicações, entre elas a que o tornou mundialmente conhecido, “Tristes Tópicos”. Há muitos anos, estive trabalhando no oeste brasileiro, no Estado de Rondônia, próximo às fronteiras secas do Paraguai, Bolívia e Peru. Pensei nas incursões de Lévi-Strauss por aquelas bandas. Senti, com a pele arrepiada de emoção, sua presença ao ver um índio completamente nu, apanhando, com um movimento brusco da mão, um grande inseto e comê-lo imediatamente. -Tudo que se mexe e tem vida, eles comem - me falaram numa aldeia nhambiquara que visitei. Isso é universal e depende da ordem da natureza. Em meados de 1938, o grande antropólogo, a serviço da Universidade de São Paulo (USP), que dava os primeiros passos na vida acadêmica do país, passou por Vilhena, Pimenta Bueno, Porto Velho e Guajará Mirim, cidades em que também estive. Na ocasião, Lévi-Strauss recolheu cansativo e exausto material para produzir sua obra, que marcaria para sempre a cultura ocidental e dava ao mundo notícias daquelas fronteiras e de seu povo, até então desconhecidos da comunidade científica na área das ciências humanas. Surgia, no oeste brasileiro, a sua grande vocação antropológica. Foram esses acontecimentos míticos publicados no livro "Tristes Trópicos" (1955) que lhe trouxeram fama e reconhecimento internacional. A vida acadêmica está de luto, mas nós, paradoxalmente felizes, por tomarmos conhecimento de um gênio, que, entre outras coisas fenomenais, aliou, por exemplo, os protótipos lingüísticos dos triângulos vocálicos de Jakobson com triângulos culinários, representantes de oposições binárias, nunca antes teorizadas, parecendo abrir para o homem a impossível apreensão do infinito saber.
ATÉ A PRÓXIMA

19 de outubro de 2009

A VOLTA DO FANTASMA

Já havia dito, em crônicas anteriores, que, quando estivera em Portugal, trabalhando num projeto apresentado ao meu Departamento de Lingüística da Universidade do Estado do Rio de janeiro, conheci um simpático fantasma que morava na antessala de entrada do Palácio da Pena ou Castelo da Pena como é mais conhecido na região de Sintra. Estivemos juntos durante boa parte de minha estada pelas plagas lusitanas e nos identificamos tanto, que o trouxe em minha bagagem de mão, a bordo de um Boeing de longo curso da TAP. Pois bem, aqui no Brasil também estivemos juntos e minha preciosa e cultíssima aparição visitou comigo muitos lugares encantadores, principalmente da Região Sul, onde moro atualmente. Nosso último passeio tinha sido à festa da Marejada, em Itajaí, há uns dois ou três anos atrás. Divertimo-nos muito, principalmente com as encenações folclóricas da sua terra natal, a Serra da Lua ou Monte Sagrado. Depois disso sumiu. Pensei que o tivesse magoado com algumas observações sobre como deveria se comportar, para não assustar ninguém, quando estivéssemos nas residências de meus amigos, em reuniões de fim-de-semana ou em tertúlias literárias como acontecem em Florianópolis e Blumenau. Mas não, creio que ele sentiu saudade de seus parentes da corte de D. Dinis, fantasmas gentis e agradabilíssimos como ele e voltou para Sintra. Depois de algum tempo desaparecido eis que, bruscamente, ele se materializou valendo-se de uma branca fumaça que saia de uma churrasqueira repleta de grandes sardinhas, quando eu, novamente, visitava a 23ª Marejada, em Itajaí. Deu-me um baita susto naquela tarde cinzenta, pois há muito tempo nem pensava nele. Mas ele veio. Vestia um elegante ectoplasma e sentou-se comigo num banco de jardim, do lado de fora do novo e grande galpão que abriga os comes-e-bebes, de variadíssimas receitas portuguesas do pessoal de Itajaí. Percorremos o interior dos pavilhões, conversamos sobre as novidades e modernidades de Lisboa, bem pertinho de Sintra. Falamos, é verdade, um pouquinho da vida alheia e já estávamos para sair, quando meu hialino amigo me repreendeu, com toda a veemência de sua cavernosa voz, dizendo que era um absurdo, numa festa portuguesa por excelência, haver uma quantidade incontável de barraquinhas de cachorro-quente, pizzas de estranhos sabores e vinhos vagabundíssimos. Alem, é claro, de tudo estar armado em horrorosas barraquinhas toscas, num ambiente arquitetônico de infinito mau gosto. Não pude tirar sua razão, pois fiquei do mesmo modo muito decepcionado, não só pela péssima gastronomia exposta, como pela sujeira que imperava nos ambientes internos. Meu etéreo e exigente amigo é assim mesmo. É um fantasma europeu. Jamais esquecerá que Sintra, sua terra natal, exerceu considerável influência romântica na harmoniosa arquitetura européia. Isso é que é fantasma culto e refinado, o resto é assombração....

ATÉ A PRÓXIMA

18 de outubro de 2009

É OURO NO TIRO AO ALVO



Não adianta passeata, rezas, velas acesas, promessas, 40.000 homens das polícias civil e militar nas ruas, Força Nacional, helicóptero novo, comprado com os recursos do PRONASC (Programa Nacional de Segurança com Cidadania), nada disso resolve para trazer a paz ao Rio de Janeiro, se não for mudada a Lei de Execuções Penais, e muitas outras que tratam os bandidos muito mais brandamente do que o cidadão comum, honesto, trabalhador e ordeiro. Já tem matador do jornalista Tim Lopes na rua, em regime semi-aberto... Assim como está vamos ver ruírem todos os projetos para realizar na cidade do Rio de Janeiro as próximas festividades, a Copa do Mundo de Futebol, em 2014 e as Olimpíadas, em 2016. Se não se adotar a Tolerância Zero, a polícia revidando e atirando para matar esses bandidos sem nenhuma recuperação, não haverá nenhuma festa nesta cidade que já foi maravilhosa. O que existe é um estado de guerra mesmo, entre as facções de bandidos, ligados ao crime organizado, de um lado e a sociedade civil de outro. O que aconteceu no morro dos Macacos foi uma verdadeira incursão militar de facções criminosas, uma tentando eliminar a outra e a polícia revoando o teatro de operações, tentando intimidar, dando vôos rasantes com um helicóptero sem nenhuma blindagem, oferecendo-se como alvo aos facínoras. Estavam mesmo querendo ser derrubados. Sabemos, sim, que se houver um aberto tiroteio a população da comunidade acuada, morro acima e morro abaixo, será alvo certo de todos os tipos de balas: as achadas, as perdidas e as escondidas... Uma vergonha! O Governador e o Prefeito têm, sim, que se preocupar com a repercussão disso no exterior, pois o Rio está, há muito tempo, na mira dos noticiários da mídia estrangeira, por causa da violência que impera nessa cidade, que não merece o tratamento que teve de muitos dirigentes que fizeram vista grossa para toda espécie de crime, desde a contravenção da roleta, tida como inocente joguinho de bichinhos, até o tráfico de armas e drogas. Com uma legislação no mínimo esquisita, a bandidagem vai levar todas as medalhas de outro nessas Olimpíadas. Ou por mérito ou na marra.


ATÉ A PRÓXIMA

14 de outubro de 2009

DIA DO PROFESSOR



Amanhã, dia 15 de outubro, é o dia do Professor. Na comunidade há três funções sociais indispensáveis à coesão grupal: a função do médico, que trabalha com os mistérios da vida e da morte; a função do advogado, que é o detentor da chave da cadeia e a função do professor, que é o transmissor de todo o conhecimento acumulado pelo homem, tornando-se 0 desencadeador da aceleração de toda sociedade. Pois bem, amnhã é o seu dia. Dia dos representantes dessa profissão tão desprezada pelas políticas públicas, pelos governantes e até mesmo pela própria população, que não vê mais nos mestres das escolas, de todos os níveis, aquele único agente social capaz de alterar o comportamente dos mais jovens, direcionando suas vidas para a participação consciente e responsável, transmitindo-lhes os conhecimentos transformadores da realidade circundante. Hoje, a classe dos professores está entre as mais desprestigiadas, sem nenhuma perspectiva de voltar a ser respeitada por todos, para poder, através do processo ensino-aprendizagem, transformar o presente, formar e informar as futuras gerações, conseguindo atingir, assim, as metas necessárias para que todos possam alcançar a plena felicidade em suas vidas, com dignidade, decência, saber e honestidade. Esquecemos que a atuação docente está sustentada pelo tripé "conhecimento específico", "condições de trabalho" e, num contexto capitalista, "remuneração adequada". A educação está falhando no Brasil porque esse tripé, de alguma forma, não funciona. Por outro lado, sentimos que a profissão de professor, no atual contexto, privilegia o TER em detrimento do SER, e isso torna essa profissão perigosa, de alto risco e poucos querem dela participar. Mas os verdadeiros mestres, os verdadeiros professores por vocação, os abnegados trabalhadores da articulação do saber, na esfera do psicossocial, não hão de se render à barbárie política de um governo sem projetos educacionais e devem continuar sempre exercendo com motivação sua missão especialíssima, mesmo tendo consciência de que, quase sempre, desempenham um trabalho de Sísifo. Avante em sua luta, Professor Brasileiro, trabalhador do convencimento nos mais distantes rincões desse país desigual! Continuem em sua luta incruenta contra a ignorância, em prol do saber e da justiça social, atuando na culturalização das massas e na disseminação dos bons exemplos. Parabéns pelo seu dia, professor brasileiro, sofredor, herói anônimo de cada sala-de-aula desse imenso Brasil!
ATÉ A PRÓXIMA

2 de outubro de 2009

AS OLIMPÍADAS DE 2016 SERÃO AQUI




Parabéns Rio de Janeiro. A Cidade Maravilhosa vai sediar os Jogos Olímpicos em 2016. Foi um trabalho sério, realizado pelos nossos técnicos, especialistas de toda ordem, políticos e representantes dos mais variados segmentos esportivos brasileiros, que souberam convencer a comissão organizadora do Comitê Olímpico Internacional (COI), em Copenhague, mostrando que o Brasil pode realizar uma festa de tal envergadura. Hoje é um dia histórico para nós, pois será a primeira festa olímpica na América do Sul. O “loby” brasileiro foi muito bem executado e contou com inúmeras autoridades lá na Diamarca, inclusive o presidente Lula. O Rio de Janeiro será o maior beneficiário desses jogos, porque a cidade deverá ser completamente remodelada, com o surgimento de benfeitorias em seu sistema de transporte de massa e em vários outros setores, trazendo para a população um bem-estar há muito tempo esperado. O esporte deverá amadurecer e receber, além de incentivos oficiais para fazer bonito na competição olímpica, um forte contingente de jovens atletas, motivados pela escolha do Brasil para abrigar esse grande acontecimento, tudo por força do aumento inevitável da auto-estima de cada brasileiro, de cada carioca, o que é fundamental para uma participação competitiva, alavancada por essa motivação tão ansiosamente esperada por todos nós. O Rio de Janeiro vai arregaçar as mangas e começar a trabalhar duro e firme na realização do Projeto Olímpico que deverá ultrapassar as benesses do imediatismo e projetar no futuro a grandeza desse presente invejável. Mas nossos políticos e todos os demaisresponsáveis pelas transformações que a cidade do Rio de Janeiro sofrerá terão de sertão sérios no manuseio das bilionárias verbas que serão alocadas para a realização das obras, quanto foram para convencer os delegados do COI com direito a voto. Que seja essa uma nova era para a Cidade Maravilhosa. Era de prosperidade e remissão dos incontáveis crimes aqui perpetrados, em nome da ganância, da corrupção e do oba-ôba passageiro. Não devemos nos mirar nos desmandos ocorridos nas olimpíadas realizadas em 2004 na Grécia e sim nos valores olímpicos que o povo grego dispensava a esses jogos e que o coração de Pierre de Fredi, o Barão de Coubertin, enterrado em Olímpia, pulse honesto no peito de nossos dirigentes políticos, empresários e responsáveis pela preparação atlética de nossos futuros heróis olímpicos. Parabéns Cidade Maravilhosa, Rio-Cidade, Rio-Sonho, sonho de um Deus petrificado no alto do monte, que acordará feliz por ter realizado um sonho, sonhado por milhões de cariocas.


ESSA MESMA POSTAGEM ESTÁ NO MEU BLOG "LETRAS FUTEBOL CLUBE"


ATÉ A PRÓXIMA

1 de outubro de 2009

FURTO NO ENEM


São mais de quatro milhões de jovens frustrados com a notícia do cancelamento das provas do ENEM. O fato foi noticiado hoje de manhã pela mídia, em todo o Brasil. Não é preciso falar da decepção causada nos estudantes, postulantes a uma vaga na universidade. Os prejuízos foram incalculáveis. Prejuízos materiais e morais. Os materiais serão debitados aos próprios alunos e às suas famílias, além de atingirem toda a sociedade, pois os recursos alocados para a confecção das provas provêm do erário público. Os prejuízos morais são irreversíveis. O que estarão pensando esses jovens e seus familiares, últimas vítimas de mais uma fraude, de mais um furto, de mais uma maracutaia no setor público de nossa educação? Uma vergonha! Não se pode, realmente, confiar mais em ninguém nesse governo despreparado. O furto de algumas questões provocou o cancelamento da prova. O próprio Ministro da Educação anunciou o adiamento da prova, após denúncia do ESTADO DE SÃO PAULO sobre a quebra do sigilo e a tentativa de alguém querer vender as questões por R$ 500 mil. O homem que procurou o jornal afirmou: "Isto é muito sério, derruba o ministério". O fato é esse. Gravíssimo, pois coloca mais de quatro milhões de jovens numa situação aflitiva e retira desses adolescentes o sentido, que por certo ainda têm, de lisura e seriedade, nas coisas públicas. Furto na educação é a maior ignomínia criminal praticada contra os estudantes que acreditam na força do saber e na ação transformadora da educação, exclusivamente pelo mérito. Mas o que eles não sabem é que, hoje, no Brasil, há também, no setor educativo, forças do bem e do mal. O ocorrido com o ENEM foi a manifestação da força do mal, arraigada profundamente, como corrupção, na sociedade brasileira de um modo geral e, agora, aflorando neste setor vital de nossas vidas, a Educação. A força do bem, graças a Deus, ainda é pujante em muitas de nossas universidades públicas que lutam desesperadamente para transformar o educando, dando-lhe informações específicas, condições de aprendizagem e preparo para vencer na vida profissional, envolvendo a sociedade em suas tarefas e projetos, procurando, assim, desempenhar suas funções básicas de ensino, pesquisa e extensão.

ATÉ BREVE.

29 de setembro de 2009

A DIDÁTICA DO PALAVRÃO

Em Jaraguá do Sul, alguns professores do Colégio Evangélico Jaraguá, incomodados com o linguajar sujo dos estudantes resolveram adotar uma punição inusitada: multar em R$ 0,10 por palavrão emitido. Isso foi notícia há dois anos e saiu no G1, portal da Globo.com . Na ocasião, muitos alunos disseram que a medida teve efeito, mas a prática foi condenada por especialistas. Agora, o palavrão foi, praticamente, institucionalizado nos livros didáticos, distribuídos às escolas públicas.
Que se pronunciem, mais uma vez, os especialistas.

Vejam como anda a nossa sociedade. Agora até o palavrão se institucionalizou. Aparece nos livros didáticos, distribuídos pelo Mistério da Educação, em textos para estudo nas aulas de Português e nas páginas dedicadas aos estudos matemáticos. Depois de algumas reclamações, ouviu-se esta pérola oficial das autoridades governamentais: ESSES LIVROS SÓ PODEM SER MANUSEADOS POR CRIANÇAS MAIORES DE 15 ANOS. Realmente, não podemos mais tolerar um desgoverno desse tipo. A permissividade chegou ao sacrossanto templo do saber, a escola. Mas, sabemos todos que esta instituição não funciona, há muitos anos em todos os níveis. O ensino fundamental é uma vergonha, pois a grande maioria dos professores que lá atuam são leigos, isto é, não têm formação específica. No Ensino Médio o tripé que sustenta a educação – FORMAÇÃO ESPECÍFICA DO PROFESSOR, CONDIÇÕES DE TRABALHO, REMUNERAÇÃO ADEQUADA – falha redondamente em quase todas as escolas brasileiras, pois são, também, inexistentes as políticas públicas para o ensino e a educação. No terceiro grau, o Ministério da Educação está sempre desqualificando Faculdades e Universidades particulares (e isso é um dos poucos méritos dessa entidade) por apresentarem fraquíssimo rendimento em seus estabelecimentos. As escolas públicas de todos os níveis, quer sejam federais ou estaduais, estão sucatedas, pichadas, abandonadas, largadas, furtadas, sempre assaltadas, com seus alunos em lutas corporais, mães incitando as brigas, com ocorrência de crimes hediondos em suas dependências, mantendo seu corpo discente em constante tensão emocional. Daí
um baixíssimo rendimento em quase todas as disciplinas. A falta de professor é também fruto desses acontecimentos extra-sala-de-aula, além da ausência de um plano de carreira sério para o magistério. O professor também é vítima do ensino que o prepara. É uma metalinguagem pedagógica às avessas, pois é a pedagogia deixando de falar da pedagogia. Para o aluno ter acesso à Universidade, daqui a algum tempo, bastará saber praticamente nada ou melhor, ser negro, pardo ou ter decorado o CEP de sua residência. Estamos quase chegando lá! Um horror! Agora vem essa notícia de palavrões nos livros didáticos e sua liberação após os quinze anos de idade. Convenhamos, a linguagem chula existe e é até estudada linguísticamente, mas deve ser evitada na vida social culta, pois denota falta de civilidade, educação e um paupérrimo vocabulário. A escola é o espaço institucional básico, por excelência, para a transmissão da língua pátria, do saber oficial e de todos os demais códigos sociais, indispensáveis à aceleração do progresso material e espiritual de todos nós. A linguagem de baixo calão pode ser explicada nas aulas de português, mas não deve estar materializada na língua escrita dos compêndios didáticos, pois o que é ensinado na escola é reproduzido nas casas dos alunos, verdadeiros agentes multiplicadores de tudo que ouve, vê e pratica em seu ambiente escolar. O que está faltando em nossos jovens dirigentes políticos, conselheiros técnicos, coordenadores pedagógicos, dirigentes de classes operárias, presidentes de variadas associações, formadores de opinião, produtores culturais e quaisquer responsáveis por tudo que ocorre no conturbado universo do psicossocial é uma urgente reciclagem sobre os conceitos básicos do humanismo, entre tantos outros temas importantíssimos, tudo desaparecido de nosso convívio, há muitos e muitos anos, desde a retirada do Latim do currículo de nossas escolas de ensino médio, nos idos de 1960. Uma pena!


ATÉ A PRÓXIMA

16 de setembro de 2009

ETIMOLOGIA POPULAR REVISTA COM SEGURA ERUDIÇÃO LINGUÍSTICA

Cada povo tem uma lógica diferente no que diz respeito ao seu relacionamento com a realidade circundante. Os povos primitivos têm uma lógica diferente, sob este aspecto, muito distante da lógica exercida pelo pensamento do homem europeu, colonizador das Américas, por exemplo. Assim, o grupo étnico tupi se comportava de maneira diferente do europeu conquistador, dominador e de uma cultura, erroneamente dita superior. Superior só poderia ser entendido como acúmulo de experiências específicas. O resultado desse relacionamento histórico se expressou através das línguas em confronto, o tupi e o português. É sempre bom lembrar que o povo esquimó tem mais de uma centena de termos para expressar o conceito de neve, pois vive envolto em um mundo branco de gelo. O índio brasileiro vivia, do mesmo jeito, envolvido por um mundo verde de matas cobrindo vales e montanhas. Seu modo de interpretar essa realidade, isto é, a lógica lingüística que usava para nomear as coisas desse mundo era uma das características toponímicas que marcavam os nomes das paragens por onde vivia e por onde passava em sua trajetória nômade, atravessando os verdejantes vales e as densas matas das terras de Ibirapitanga. Os dois povos, colonizados e colonizadores, num determinado momento de co-existência, nem sempre pacífica, se comunicavam com os códigos lingüísticos das duas línguas, o que vale dizer que o Brasil foi, num dado período de sua história, bilíngüe. Pelo menos a classe dominante, que comercializava e se relacionava com os povos indígenas entendia e se expressava também em tupi. Isso significa que termos da língua ágrafa tupi passaram para o português, num processo lingüístico conhecido como substrato. Mas é sempre importante lembrar que muitos topônimos com raízes tupis formaram vocábulos locativos, dados pelo homem branco, sem aquele entendimento especial que o índio tinha do espaço geográfico circundante. Comentei um desses casos no Congresso Internacional Comemorativo dos 500 do Descobrimento do Brasil, em 2000, na Universidade do Estado do Rio de janeiro (UERJ), a respeito do topônimo Ibicuí, distrito do município fluminense de Mangaratiba, ao sul do Estado. Com essa compreensão etnolinguística, Lino João Dell’ Antonio apresenta seu livro NOMES INDÍGENAS DOS MUNICÍPIOS CATARINENSES – significado e origem – , editado pela Odorizzi Editora, Blumenau, 2009. O livro apresenta uma interessante abordagem sobre a etimologia de muitos nomes indígenas que entram na composição da nomenclatura de vários municípios catarinenses. A novidade é o enfoque antropolinguístico, reconstituindo origens, muitas dadas como definitivas. Aliás, em etimologia, nada é rigorosamente definitivo, principalmente tratando-se de étimos presos a línguas ágrafas, como é o caso do tupi. A cosmovisão do índio brasileiro é totalmente diferente da do homem branco, haja vista as inúmeras lendas sobre a criação do mundo e muitos mitos sobre incríveis seres que povoam o imaginário de nossos silvícolas. Partindo, portanto, de pesquisas de campo e com um abalizado foco antropológico, tudo aliado a uma segura abordagem lingüística do problema, Lino João Dell’ Antonio apresenta um trabalho sério, científico, com metodologia apropriada à sua pesquisa e mostra, inclusive, inúmeros casos de corruptelas linguísticas, casos interessantíssimos relacionados com uma ultra-correção antropo-etinológica com implicação direta na formação dos vocábulos toponímicos. Pode-se dizer, sem dúvida alguma, que se trata de importante hipótese, destruidora de inúmeras etimologias populares, mostrando que a ultra-correção pode ser, além de lingüística, também e sobretudo, nesses casos, antropológica. Desta forma, temos um exemplo nas mãos de como se trabalha seriamente com as ferramentas que a Lingüística oferece ao estudioso culto e preparado. Esse livro é uma significativa pesquisa aplicada às línguas de nossos habitantes pré-cabralinos, escrita e publicada fora do eixo cultural Rio-São Paulo. Vamos ler e conferir.
ATÉ A PRÓXIMA

21 de agosto de 2009

PROFESSOR ? PROFESSOR DE QUÊ ?

O Brasil tão cedo não atingirá a excelência de vida no campo psicossocial, pois negligencia, há muitos anos, com a educação. Hoje, com mais de 16 milhões de analfabetos em todas as idades, não cuida das escolas, das bibliotecas, da cultura, do patrimônio histórico, da merenda escolar e dos professores. A profissão de professor é, atualmente, considerada de alto risco. As escolas públicas estão quase todas elas depedradas, pixadas, deterioradas, arrombadas, furtadas e sem direção. O pânico instalou-se no sacrossanto ambiente do saber, totalmente esquecido e abandonado pelas autoridades, em todos os níveis. Não me venham dizer que esse quadro só é encontrado nas periferias das grandes e violentas cidades, nos bairros menos favorecidos pela situação econômica de seus habitantes, porque isso não é verdade. Estou, há alguns anos morando no sul do Brasil, onde o padrão de vida do povo é bem razoável, e observo nas pequenas e bem estruturadas cidades como, por exemplo, as do Vale do Rio Itajaí-Açu, em Santa Catarina, a mesma deteriorização do ensino. Lá, o que vemos é o total abandono do sistema educacional público de Primeiro e Segundo graus, responsabilidade municipal e estadual, evidentemente. As universidades federais também vêm sofrendo a sucatização de seu patrimônio e, identicamente, se apresentam em péssimo estado de conservação, desprezando seus professores, deixando-os sem condições de progredirem, por falta de programas bem executados de capacitação do docente. O abandono do ensino fundamental público se reflete nos prédios parcialmente destruídos e, principalmente, no quadro do magistério sem chances de crescer intelectualmente e, quase sempre, despreparado. Os professores de todas as matérias falam errado o português, contam nos dedos para fazer contas, não sabem se localizar geograficamente, não escrevem corretamente, desconhecem a história de suas cidades, de seu Estado e de seu país. Um horror! O alunado domina seus mestres, intimida os que tentam impor disciplina, a direção das escolas não encontra no poder público respostas às suas reivindicações para minimizar, pelo menos, a terrível situação material e moral por que passa essa importantíssima instituição, a ESCOLA. Em síntese, estabeleceu-se o caos no ensino. Não há saída a curto e médio prazo para se reverter esse quadro atual. Vamos a casos concretos. Hoje, no noticiário da tarde da Rede Globo de Televisão apareceu uma reportagem sobre a triste situação das salas de aula de Santarém, oeste do Estado do Pará. Alunos assistindo às aulas embaixo e no alto das árvores. Novo método de ensino? Método grego peripatético de Aristóteles? Quem dera! E por aí vai! Os prédios escolares são assaltados e rolbados a toda hora. A informática ainda teima em não aparecer nessas tristes escolas. No "Jornal De Santa Catarina", também de hoje, dia 21 de agosto de 2009, aparece a seguinte manchete: PRESSÃO E ESTRESSE TIRAM PROFESSORES DAS ESCOLAS. São 94 professores de 19 municípios do Vale do Itajaí que estão de licença para tratamento de saúde. Basicamente estresse, por motivo de tensão em sala de aula, sofrendo todos eles com a violência que assola o ambiente escolar dessa linda região catarinense, sem tradição nenhuma, até hoje, no rol do noticiário de violência explícita, que graça em toda a nossa sociedade. A total falta de incentivo ao magistério e ao auxílio pedagógico levaram os professores do Vale a adoecerem. Como a saúde mental não é considerada doença pelos gestores da educação, esta situação é interpretada como falta de vontade de trabalhar, para não dizer que os professores são, na verdade, um bando de vagabundos. É triste, mas é a pura verdade. Em Balneário Camboriú, uma professora do Primeiro Segmento do Primeiro Grau, depois de abandonar a sala de aula, sem dar nenhuma satisfação (abandono de emprego mesmo) à Prefeitura, para acompanhar o marido em outro Estado da Federação, voltou um ano e seis meses depois, e teve, a pedido, seu ingresso aceito imediatamente, para trabalhar, porque não havia um único mestre na atividade para a primeira série, pois quase ninguém quer mais nada com o magistério por aqui. Processo administrativo pelo ocorrido? Nem pensar! Aliás, em frente ao meu prédio presenciei uma briga feia entre estudantes adolescentes de uma escola municipal. Meu visinho notificou a Direção do estabelecimento e recebeu a informação que nem dentro e nem fora da Escola nada poderia ser feito, pois os alunos são mesmo brigões e briga é assunto da polícia e não da escola. Ficou por isso mesmo. É o fim. Triste país esse que não investiu nem investe em Educação. Não temos uma política definida sobre isso. Uma pena! Enquanto a mentira graça nos três poderes da Nação e a verdade, na boca dos homens sérios, não vale nada, vamos aturando essa situação vergonhosa de falta total de competência das autoridades educacionais. O pior é que a mídia já se acostumou a achar que política é assim mesmo, tudo cheio de manobras regulamentares, recursos, mentiras e questões de ordem pra todo o lado. Acham isso tudo muito natural... O Brasil é mesmo reflexo dessa nossa atual sociedade. E viva os patifes eleitos pelo povo, que perguntam o que devem fazer para não serem constantemente denunciados à opinião pública como vilões de fraudes de todos os tipos. Resposta: não roubem, não mintam, não sejam dissimulados, trabalhem, cumpram seus deveres, sejam justos... Não é, Senador José Sarney? Não é, Senador Renan Calheiros? Não é, Senador Fernando Collor de Melo? Não é, senhores políticos de meia tigela? Pobre Brasil!

*Foto de O GLOBO


ATÉ A PRÓXIMA







27 de julho de 2009

VIVA O ENSINO BRASILEIRO DE TODOS OS GRAUS



Nesse fim de mês recebi um e-mail de uma colega da Academia Brasileira de Filologia no qual a ilustre acadêmica me mostrava um relato de uma professora de matemática. Cito os dizeres do que recebi:

Semana passada comprei um produto que custou R$ 1,58. Dei à balconista R$ 2,00 e peguei na minha bolsa 8 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer. Tentei explicar que ela tinha que me dar 50 centavos de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. Por que estou contando isso?Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:
1. Ensino de matemática em 1950.
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?
2. Ensino de matemática em 1970.
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?
3. Ensino de matemática em 1980.
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00. Qual é o lucro?
4. Ensino de matemática em 1990.
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00.
5. Ensino de matemática em 2000.
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00. O lucro é de R$ 20,00. Está certo?
( )SIM ( ) NÃO.
6. Ensino de matemática em 2007.
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
( ) R$ 20,00 ( ) R$40,00 ( ) R$60,00 ( ) R$80,00 ( ) R$100,00
".

Parece uma piada de mau gosto, mas é a pura realidade. Eu também sou testemunha dessa degradação do ensino na minha área, a Língua Portuguesa. Não testemunhei desde os anos 50, mas em 1970 publiquei com mais quatro amigos professores uma livro didático para o Segundo Grau, intitulado PORTUGUÊS NO SEGUNDO GRAU, pela Cia Editora Nacional, São Paulo. Em 1972, por força da reforma do ensino, Lei 5.692/71, houve a segunda edição dessa obra. O livro foi adotado nos principais colégios do país, inclusive no Colégio Naval de Angra dos Reis. Na segunda edição, a pedido de muitos coordenadores de diversos colégios, resolvemos publicar um livrinho à parte, com as respostas dos inúmeros exercícios. Alguns diretores nos confessaram que muitos professores tinham dificuldade em resolvê-los, em sala de aula, com seus alunos. O sucesso foi maior ainda! Como vendemos! Muito bem, anos mais tarde, em 1980, vi nosso livro ser adotado no terceiro ano de inúmeros Cursos, no Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pois é, poderia armar, agora, uma perguntinha, da mesma forma, com a seguinte proposição: Quem souber o número do CEP de sua residência, coloque-o no espaço abaixo e terá garantida a sua aprovação para a próxima série. Assim, as duas disciplinas básicas do Ensino de todos os Graus, Português e Matemática, estariam contempladas em nome do futuro de nossos jovens-varonis-viva-o-Brasil-salve-salve!

ATÉ A PRÓXIMA

8 de julho de 2009

UM NEOLOGISMO PARA CONTESTAR

Voltou a mania dos diminutivos e, principalmente, aumentativos na fala dos técnicos e jogadores de futebol que dão entrevistas às televisões e às rádios, após os jogos. Agora foi a vez de Cuca, técnico do Flamengo, que disse à equipe do UOL ESPORTE o seguinte:

No segundo tempo, quando a gente conseguiu entender um pouco mais o jogo, aí nós fomos bem melhores. Então, eu acho que o MELHORZINHO do Fluminense no primeiro tempo, não compara o MELHORZÃO que o Flamengo foi no segundo tempo, se bem que isso não vale nada em termos de resultado, apenas fazendo uma análise, até as chances claras de gols que perdemos. O Ricardo Berna esteve bem, o Fluminense jogou bem também, mas num clássico, um resultado de empate mão é ruim. Fica um gostinho ruim porque a gente poderia ter vencido”.

É claro que estamos diante da língua falada, transcrita aqui, só para efeito didático. Sabemos que o registro oral de uma língua qualquer é totalmente diferente do registro escrito, pois lá impera a expressividade súbita e a emoção do falante aflora, a todo o momento, com a fantástica força pujante do idioma, que põe na boca do indivíduo falante as diversas possibilidades de realizações existentes no sistema lingüístico, isto é, na “Langue”, como nos ensina Ferdinand Saussure. Assim, o linguajar de Cuca, no momento da entrevista, expressa a “Parole” do sistema lingüístico português, com todas as características diafásicas, materializando as diferenças entre língua falada e língua escrita, entre o falar solene e o familiar, entre a linguagem corrente e a linguagem burocrática ou oficial, tudo de acordo com a visão e a denominação criada por Eugenio Coseriu.

Mas, voltando àquela mania do brasileiro de colocar tudo que pode no diminutivo ou no aumentativo, principalmente nos esportes de massa, observamos que a forma MELHORZINHO é comum no linguajar familiar e não chama nenhuma atenção. Já não é o caso de MELHORZÃO, que vai surgir por um processo lingüístico inconsciente, chamado “comutação”, criando, por oposição, o termo que a língua, enquanto sistema, enquanto Langue, permite concretizar. Se existe MELHORZINHO, por que não pode existir MELHORZÃO? Se existe JOGADORZINHO, por que não pode existir JOGADORZÃO? Essas construções, aparentemente esdrúxulas, estão na deriva da língua e apresentam forte dose de gramaticalidade. Logo, podem surgir, como surgiu, na criatividade lingüística de Cuca, se bem que muito motivado por entrevistas anteriores de alguns jogadores do Fluminense que disseram que o time das Laranjeiras foi bem MELHORZINHO no primeiro tempo. O neologismo teve sabor de contestação...
ATÉ A PRÓXIMA

3 de julho de 2009

UVAS, VINHO, LATIM E SÁBIOS

Meu amigo Yohan é um médico erudito, com doutoramento na USP e diversos cursos na Alemanha. É verdade também que tenho o privilégio de ter muitos outros amigos doutores, graduados em universidades da Europa, muitos de áreas diferentes da minha, sendo algumas conexas, mas todos muito envolvidos com o humanismo histórico e as ciências humanas. A Lingüística e a Filologia são as que mais aguçam a inteligência deles. Estão sempre me perguntando algo sobre formas estranhas de palavras da língua portuguesa, suas origens e seus sentidos dentro de contextos inusitados e muito mais. Tento fazer da curiosidade deles um incentivo aos meus estudos assistemáticos, cuja prática, às vezes, a preguiça de aposentado força a deixar de lado, em favor da contemplação do mar azul que deslumbro da varanda de minha casa... Como pensam que sou um cara culto, pedem-me, também, para traduzir uma ou outra expressão latina que escutaram ou que leram em revistas, artigos ou simplesmente em folhetos publicitários de vinhos, por exemplo. Assim, Yohan me perguntou, há pouco tempo, como poderia interpretar uma frase latina, relacionada às suas investidas, à procura das melhores uvas que irão imprimir sabores etéreos aos vinhos brancos de sua preferência. Creio que meu amigo esculápio já chegou a degustar comigo algumas garrafas do clássico Chablis, produzido na região francesa da Borgonha, acompanhado na ocasião, por uma suculenta bandeja de ostras geladas. Mas voltando às citações latinas que vez por outra sou solicitado a traduzir, como foi o caso recente aqui mencionado, veio-me à lembrança uma interessante passagem, já perdida nas lendas do Mar Egeu da sábia Grécia, envolvendo Platão e Diógenes. Corria a informação, nas terras helênicas, que Platão teria definido o homem assim: HOMO EST ANIMAL BIPES SINE PENNIS. Um dia, Diógenes, deixando seu tonel, entrou na sala onde Platão estava dando suas aulas a vários alunos, trazendo um galo depenado debaixo do braço e exclamou alto e em bom tom: HIC PLATONIS HOMO EST.

ATÉ A PRÓXIMA

22 de junho de 2009

MAURÍCIO SILVA SANTOS E SEU NOVO LIVRO

Á S I A
Esse livro de Marília Gomes de Oliveira e Maurício Silva Santos, publicado pela Editora E-PAPERS, você pode adquirir, acessando
Também pode adquiri-lo pelo telefone
(021) 2273-0138.
ATÉ A PRÓXIMA

10 de junho de 2009

MAIS GANÂNCIA NO BANCO DO BRASIL

Que coisa feia, Banco do Brasil! Agora, para passar meus pontos adquiridos com o uso do Cartão de Crédito – que eu pago anuidade para usar e ter crédito – terei de pagar R$ 20,00 por transferência efetuada, se quiser mandá-los para uma companhia aérea qualquer, por exemplo. Se não bastasse o lucro absurdo do Banco do Brasil (e de todos os demais bancos que dão apoio a esse desgoverno do Lula), cobrando taxas absurdas (e os acionistas e os seus funcionários sem concurso, com cargos na Diretoria, nomeados pelo do PT, devem estar contentíssimos e dando pulinhos...) essa instituição que se diz bi-centenária (mais uma mentira histórica) tem o desplante de avisar a referida cobrança, a partir do dia 16 de junho. Eu reclamo e boto a boca no trombone. Mas o brasileiro, em geral, é tímido, pacífico, pacato e desinformado, por isso, não diz nada e fica caladinho. Coitado do povo brasileiro! Uma vergonha esse Banco do Brasil!
Acorda povão, votar nulo é a solução!

ATÉ A PRÓXIMA

27 de maio de 2009

NO CORREIO GRAMADENSE


No dia 27 desse mês já frio de maio, estava novamente em Gramado e aproveitei a tarde nublada para visitar a esposa de meu amigo Osório, na redação do Correio Gramadense, na bonita avenida Borges de Medeiros. Sempre que viajo para o sul dou um pulinho em Gramado, cidadezinha encantadora, de muito verde e onde fiz alguns amigos. Cidadezinha por afetividade e encantadora por pura verdade! Ia-me encontrar com meus primos do Rio de janeiro e cheguei a fazer um pequeno roteiro para seus passeios. Nessa quarta-feira sugeri uma ida aos vinhedos de Bento Gonçalves e Caxias do Sul, passando por Carlos Barbosa para gastar uma graninha no Show Room da Tramontina. Não estando com meus parentes na cidade, pois partiram bem cedo para Nova Petrópolis e de lá para a região dos grandes e bons vinhos gaúchos, predispus-me, depois do almoço, a procurar a Vanessa, na redação do Correio Gramadense. Vanessa e Osório foram uma dessas amizades espontâneas que consegui fazer por estas bandas de frio e sol, de luz e tons, principalmente no amarelecer das folhas dos plátanos, como já está acontecendo. Fui recebido com um tratamento lhano e todo especial. Conversamos sobre a possibilidade de eu ter uma coluna naquele jornal. O assunto seria o tema que venho pesquisando há muitos anos: a linguagem do futebol. Como essa matéria chama a atenção de muita gente e desperta a curiosidade a respeito das origens dos termos futebolísticos, pareceu-me que poderia ter êxito em meus propósitos. Conversamos sobre isso e ela me apresentou ao Diretor da empresa, Sezefredo Machado. Bem, se o papo já estava interessante e objetivo, ficou mais ainda. Sezefredo Machado me expôs a filosofia de seu jornal e sua estratégia, para com esse veículo de comunicação, atingir metas bem definidas, como, por exemplo, a culturalização das massas, em vez de massificação da cultura, como, a princípio, muita gente poderia imaginar... Mas nada disso, Sezefredo foi de uma atenção e gentileza dignas de um lídimo profissional do ramo, pessoa educada e cônscia de seus objetivos a serem alcançados. Creio que retribuí, dentro de minhas limitações, mas, em breve, vamos iniciar um relacionamento jornalístico, para tentar fazer com que o Correio Gramadense se diferencie, cada vez mais dos similares da região. Se der certo, credenciarei ao futebol mais essa força de unir interesses, despertando a atenção para esse esporte formidável, uma ampla metalinguagem, aceleradora da cultura e do saber.

ATÉ A PRÓXIMA

18 de maio de 2009

ALGUMA COISA ESTÁ ERRADA NO SESC DE NOGUEIRA


SESC NOGUEIRA

Sou um entusiasmado admirador do serviço social do comércio, SESC. Freqüento muitos hotéis da rede, em diversos Estados. Como sou aposentado e moro, há dez anos no sul do Brasil, já tendo passado por Curitiba, estando atualmente em Balneário Camboriú, Santa Catarina, sempre que tenho disposição me hospedo nos sensacionais hotéis da rede do SESC de todo o Brasil. Relaciono-me com quase todas as diretorias dos Estados do sul e sempre soube que há autonomia das Regiões, na administração da rede hoteleira. Muito bem! Agora, estando em Petrópolis, Rio de Janeiro, procurei o SESC de Nogueira e tive a informação que para os portadores de carteirinhas de comerciários de outros Estados o preço é quase 50% mais caro do que para os comerciários do Rio de janeiro. Perguntei à atendente o motivo desse preço diferenciado. Recebi como resposta a informação de que é assim mesmo que opera a rede hoteleira do SESC no Rio de Janeiro. Não quis me dar mais motivos. Fiquei possesso, pois falar de uma política turisticamente incorreta, em nome de uma organização tão séria e com antecedentes de lhaneza no trato com seus usuários é, realmente, inconcebível. Esse motivo, que a tal funcionária me informou não é verdade, pois freqüento o Hotel SESC de Copacabana e lá não se faz discriminação das diárias de comerciários de outros Estados, sendo todos tratados como trabalhadores do comércio, ativos e aposentados, usuários de todas as ofertas de lazer, da mesma forma, praticando os mesmos preços, quer na baixa ou na alta temporada. Isso, sim, é um tratamento turisticamente correto. E praticado no Rio de Janeiro (Nogueira localiza-se, também, no Rio de Janeiro). Assim, não posso conceber a discriminação odiosa do SESC de Nogueira, cobrando mais dos comerciários de outros Estados, em nome de NADA, pois essa discriminação só faz acirrar os ânimos e mostra o despreparo de sua Administração para o mister hoteleiro. Só posso pedir aos meus leitores, amigos e colegas de profissão, residentes em outros Estados, que não procurem o SESC de Nogueira para nele se hospedar, pois, assim, estarão contribuindo, para mostrar a atual Administração desse complexo de atividades recreativas, que nós, comerciários em atividade ou já aposentados, não concordamos com essa DISCRIMINAÇÃO, sem nenhum sentido efetivo, denegrindo a imagem, inclusive, da inteligência e hospitalidade do povo fluminense.

ATÉ A PRÓXIMA

15 de maio de 2009

A MEDICINA NO RIO DE JANEIRO

Isto é um desabafo que vale a pena reproduzir aqui. Não costumo fazer desse meu espaço que é lido, basicamente, por meus amigos e por meus pares e equivalentes, pessoas, todas elas, tenho certeza, de alto nível intelectual e de excelente caráter. Sei que não disponho de um numeroso público, mas tenho certeza de que são honrados e com muitas qualidade, por isso merecedores dessas informações, principalmente quando o assunto atinge a dignidade de profissionais liberais como médicos e professores, agentes importantíssimos de qualquer estrutura social. A vocês, meus amigos, multiplicadores de minha indignação, dedico essa CARTA ABERTA de uma pediatra que trabalha para o Governo do Estado do Rio de Janeiro, que não quis se identificar, pois haveria retalhiamento.
A saúde é um assunto que muito me preocupa como educador, mesmo depois de aposentado, pois a educação só se efetiva em mentes e corpos sadiamente preparados para a mudança de comportamentos. Sempre fui professor. Trabalhei no Primário Supletivo, no Morro do Salgueiro, na Tijuca e em várias escolas estaduais de Nível Médio, desde Santa Cruz, Vila Kenned, Campo Grande, Vila da Penha, Vila Isabel e Tijuca. Aposentei-me como Professor Adjunto da UERJ e da UFF, em Niterói. Compreendi que a necessidade primordial para a aprendizagem está na saúde do corpo e da mente. Por isso, por ter plena consciência da infame condição de trabalho e remuneração dos médicos do Estado do Rio de Janeiro, publico o texto desta médica pediatra, na tentativa de ser mais uma voz a serviço da moralidade pública, na expectativa, também, de ver sanado um problema crônico de nossa vida social, devido, única e exclusivamente ao pífio comportamento de nossos políticos, quase todos corruptos, despreparados e mal intencionados.




Carta de uma médica pediátrica, que trabalha no Estado do Rio de Janeiro, ao governador Sr. Sérgio Cabral:




Sabe governador, somos contemporâneos, quase da mesma idade, mas vivemos em mundos bem diferentes. Sou classe média, bem média, médica, pediatra, deprimida e indignada com as canalhices que estão acontecendo. Não conheço bem a sua história pessoal e certamente o senhor não sabe nada da minha também. Fiz um vestibular bastante disputado e com grande empenho tive a oportunidade de freqüentar a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, hoje esquartejada pela omissão e politiquices do poder público estadual.
Fiz treinamento no Hospital Pedro Ernesto, hoje vivendo de esmolas emergenciais em troca de leitos da dengue. Parece-me que o senhor desconhece esta realidade. O seu terceiro grau não foi tão suado assim, em universidade sem muito prestígio, curso na época pouco disputado, turma de meninos Zona Sul ... Aprendi medicina em hospital de pobre, trabalhei muito sem remuneração em troca de aprendizado. Ao final do curso nova seleção, agora para residência. Mais trabalho com pouco dinheiro e pacientes pobres, o povo. Sempre fui doutrinada a fazer o máximo com o mínimo. Muitas noites sem dormir, e lhe garanto que não foram em salinhas refrigeradas costurando coligações e acordos para o povo que o senhor nem conhece o cheiro ou choro em momento de dor. No início da década de noventa fui aprovada num concurso para ser médica da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro'. A melhor decisão da minha vida, da qual hoje mais do que nunca não me arrependo, foi abandonar este cargo. Não se pode querer ser Dom Quixote, herói ou justiceiro. Dói assistir a morte por falta de recursos. Dói como mãe de quatro filhos, ver outros filhos de outras mães não serem salvos por falta de condições de trabalho. Fingir que trabalha, fingir que é médico, estar cara-a-cara com o paciente como representante de um sistema de saúde ridículo, ter a possibilidade de se contaminar e se acostumar com uma pseudo-medicina é doloroso, aviltante e uma enorme frustração. Aprendi em muitas daquelas noites insones tudo o que sei fazer e gosto muito do que eu faço. Sou médica porque gosto. Sou pediatra por opção e com convicção. Não me arrependo. Prometi a mim mesma fazer o melhor de mim. É um deboche numa cidade como o Rio de Janeiro, num estado como o nosso assistir políticos como o senhor discursarem com a cara mais lavada que este é o momento de deixar de lengalenga para salvar vidas. Que vidas, senhor governador? Nas UPAS? tudo de fachada para engabelar o povão!!!! Por amor ao povo o senhor trabalharia pelo que o senhor paga ao médico? Os médicos não criaram os mosquitos. Os hospitais não estão com problema somente agora. Não faltam especialistas. O que falta é quem queira se sujeitar a triste realidade do médico da SES para tentar resolver emergencialmente a omissão de anos.
A mídia planta terrorismo no coração das mães que desesperadas correm a qualquer sintoma inespecífico para as urgências. Não há pediatra neste momento que não esteja sobrecarregado. Mesmo na medicina privada há uma grande dificuldade em administrar uma demanda absurda de atendimentos em clínicas, consultórios ou telefones. Todos em pânico. E aí vem o senhor com a história do lengalenga. Acorde governador! Hoje o senhor é poder executivo. Esqueça um pouco das fotos com o presidente e com a mãe do PAC, esqueça a escolha do prefeito, esqueça a carinha de bom moço consternado na televisão.
Faça a mudança. Execute. "Lengalenga" é não mudar os hospitais e os salários. Quem sabe o senhor poderia trabalhar como voluntário também. Chame a sua família. Venha sentir o stress de uma mãe, não daquelas de pracinha com babá, que o senhor bem conhece, mas daquelas que nem podem faltar ao trabalho para cuidar de um filho doente. Venha preparado porque as pessoas estão armadas, com pouca tolerância, em pânico. Quem sabe entra no seu nariz o cheiro do pobre, do povo e o senhor tenta virar o jogo. A responsabilidade é sua, governador. Afinal, quem é, ou são, os vagabundos, Governador?

NOTA: Em atenção ao pedido da Dra. Isabel Lepsch, que pode ser lido nos comentários abaixo, retiro o seu nome da autoria da Carta, que, efetivamente, foi escrita por outra pessoa. Leiam as explicações e entenderão. Obrigado!



ATÉ A PRÓXIMA

12 de maio de 2009

O SENADO E SEUS INCRÍVEIS SENADORES


NÃO VOU VOTAR. SE VOTAR, VOTAREI NULO.

Só para meditação.
Para que serve o Senado Federal? Para que servem os senadores?
Para nada! Êpa! Para nada não! Olha lá! Veja como fala!
Esse senado que todos acham desmoralizado, que não serve para nada, a não ser para legislar em causa própria, vide seu Plano Vitalício de Saúde, por exemplo, serve para toda sorte de falcatrua. Só o senador Fernando Collor de Melo (PTB-AL) já colocou no plano de saúde vitalí­cio familiar do senado, seus dois primos: o primeiro suplente, senador Euclydes Affonso de Mello Neto (PTB-AL) e a segunda suplente Ada Mercedes de Mello Marques Luz (PTB-AL), que assumem alternativamente nas ausências do primo ilustre. Euclydes já está garantido, Ada precisa de mais alguns meses de suplência, mas vai chegar lá, podem ter certeza. Além dos senadores e ex-senadores, a regalia de atendimento médico vitalí­cio também é estendida aos servidores que ocuparam o cargo de diretor-geral e secretário-geral da Mesa. Essa mordomia, criada em 2000, beneficia hoje Agaciel Maia, que deixou o cargo em março por não ter registrado em seu nome a casa onde mora, avaliada em R$ 5 milhões. Outro favorecido é Raimundo Carreiro, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). É assim que eles servem ao povo brasileiro. Agora, os senadores servem muito bem para aprovar, como aprovaram, por emenda constitucional, a ignominiosa Lei, segundo a qual, os funcionários públicos, já em gozo de aposentadoria, passam a contribuir com a taxa de 11% para a Previdência. Para quê? Que benefícios terão? Não vão nunca mais usufruir de uma segunda aposentadoria... Para encobrir qualquer rombo previdenciário basta anular algumas benesses desses párias da sociedade brasileira. Agora, respondam sinceramente. Para que servem esses trastes eleitos e muitos nem eleitos, como o famoso CABELEIRA, dono de colégios e faculdades? Vamos deixar de votar nesses patifes. Em 2010 vote nulo.

ATÉ A PRÓXIMA

28 de abril de 2009

NA ENCRUZILHADA SILENCIOSA DO DESTINO QUANDO A BURRICE SE MULTIPLICOU















Meus leitores que me perdoem por iniciar esse texto com palavras do lindo poema de Olegário Mariano. Mas foi somente para introduzir uma charada cultural. Voltaremos a isso no final.





Parecia que eles estavam de brincadeira comigo. Teria de viajar 700 quilômetros para pagar a conta que recebi alguns dias depois do vencimento. Eu passeava pelo interior do Estado e estive até na cidade do Rio de janeiro. Quando voltei a Santa Catarina, abri as janelas do apartamento deixando o sol entrar, verifiquei todas as faturas que ainda não estão em débito automático. Nada da fatura daquela loja que não existe em Santa. Bem, como isso poderia ter acontecido em função das chuvas que insistem em cair por aqui, impedindo, muitas vezes, o trabalho dos correios, fiquei sossegado. Mas não foi por muito tempo, não! No dia seguinte, à noitinha, recebo um telefonema da tal loja que tem um nome esquisito. –Meu senhor, o senhor tem de ir a Porto Alegre pagar imediatamente essa fatura. O senhor está em débito conosco. Seu nome vai para o SPC. O pagamento só pode ser efetuado em uma das nossas lojas. Está tudo no contrato que o senhor assinou. Assim que o senhor percebeu que a fatura não tinha chegado, deveria ter se comunicado com o nosso 0800... –Mas senhora, como eu poderia saber isso se eu não estava em casa e para mim a fatura seguiu seu caminho, dentro dos prazos...e eu moro em Balneário Camboriú, Santa Catarina. – O senhor, pelos nossos registros, deverá ir a Porto Alegre e pagá-la em uma de nossas lojas. –Mas, senhora, a fatura é de menos de duzentos reais e só para eu ir lá vou gastar, de ida e volta, mais de mil, ora bolas! Um caos. Nunca vi nada tão kafkaniano. E era tudo real, mesmo. Pedi uma orientação para que eu pudesse honrar o pagamento da minha fatura e a resposta era sempre de que está tudo previsto no contrato que o senhor assinou e se não pagar vamos colocá-lo no SPS. –Mas deve haver uma solução menos traumática, senhora! O que a senhora está propondo é inusitado. Não faz sentido. Nessa altura da falação, discussão, quase gritaria, pedi para falar com alguém mais sensato, de nível mais elevado na hierarquia daquela empresa desastrada. Veio uma tal de superintendente. –Boa noite, senhor, em que posso ajuda-lo? Repeti tudo e pedi encarecidamente uma forma plausível, inteligente, coerente, prática, rápida, para ela solucionar o caso e que ela fizesse alguma coisa, que raciocinasse, já que era SUPERVISORA-CHEFE, pessoa, creio, com uma boa formação educacional, possuidora, talvez, de um diploma de primeiro grau de uma escola da periferia de uma grande metrópole, o que a credenciaria para solucionar, tenho certeza, aquela situação criada por força de um eventual atraso de correspondência... Que nada! A mulher repetia como alguém que decorou um texto de teatrinho mambembe – com todo respeito a esse tipo de espetáculo, desempenhado por gente inteligente – e repetia que eu teria de ir a Porto Alegre, mesmo estando a mais de 700 quilômetros da capital dos gaúchos e fazer o pagamento numa das lojas da sua organização. Então, quase perdendo a paciência totalmente, perguntei se alguém poderia pagar por mim numa loja, em outra cidade. –Pode, sim, senhor, mas essa pessoa de sua inteira confiança terá de se apresentar com um documento seu, de preferência sua identidade, original, com foto recente e tudo dentro de uns vinte dias, senão seu nome irá, tranquilamente, para o SPC. Bem, pensei, isso é quase impossível e não há jeito mesmo! Então, pela segunda vez tentei dar uma solução, já que deles não vinha nenhuma. –Senhora, posso passar a fatura vencida por fax para ser paga por uma pessoa minha amiga, numa cidade onde haja loja dessa rede de supermercados? Então pasmem, leitores incrédulos! Eis a reposta. PODE, SIM SENHOR. Realmente é assim que os consumidores são tratados na maioria das vezes. Por gente bitolada, sem poder de decisões, sem raciocínio rápido, de longas frases e curta capacidade reflexiva, além de muitos outros predicados negativos. Agora, vamos tentar dar nomes aos bois por meio de uma estratégia linguística. Digamos que caí, como os franceses dizem, numa “ENCRUZILHADA” . É só traduzir!

ATÉ A PRÓXIMA

19 de abril de 2009

MANHÃ DE GINÁSTICA



Estou em Copacabana desde o início da semana. Portanto, há quase sete dias ando por estas bandas da Cidade Maravilhosa, hoje já nem tanto... Mas faz bom tempo e os trabalhadores muitas greves. Nos corredores do hotel os funcionários só falam na paralisação dos trens da baixada, na greve de adesão dos ônibus e de muitos outros serviços. Claro, isso é o Rio de janeiro que eu sempre conheci. Formidável! No pátio, lá embaixo, um professor de ginástica para a terceira idade se esgoela e palhaceia, intitulando-se de titio belo, deslumbrando as muitas velhinhas e alguns velhinhos que se esticam e rangem os ossos, sacudindo as pelancas em exercícios bem leves. Todos aplaudem o professor ao final de cada sessão. Na rua ainda passam alguns vendedores de frutas e um jurássico tripeiro. Pensei que era uma profissão extinta. Nada disso. Em Copacabana essa gente ainda resiste à modernidade, pois esse bairro carioca é o que mais abriga idosos em toda a capital fluminense. Os antigos prestigiam as coisas do passado, desde que sejam boas... O professor de ginástica, agora faz mais uma piadinha boba com duas alunas de meia idade, que chegaram atrasadas. Toda turma ri. As crianças dos edifícios ao lado vêm para o pátio do hotel com suas babás que empurram carrinhos de todos os tipos, de gente rica, de gente da classe média e de gente bem caidinha e muito endividada. As manhãs no pátio do HOTEL DO SESC exalam democracia comunitária nos mínimos detalhes. Se vocês não acreditam e se tudo isso que falei não prova nada tentem, leitores incrédulos, imaginar um segurança, todo de preto, com um radinho na cintura e um botão eletrônico auricular, adentrando no pátio, pouco se importando com a aula de ginástica, dando uma bronca danada numa babá de um ricaço, por deixar a criança toda engraçadinha – que lindinha - arrancar uma florzinha da jardineira lateral. Um pirralho mais crescidinho, de uns sete ou oito anos, em socorro da pobre coitada atônita, começa xingar o brutamonte, que, imediatamente paga geral, dizendo em alto e bom som que respeito é bom e eu gosto. Imediatamente ouviu-se uma vaia formidável que ecoou no portão do Forte de Copacabana, cheio de turista, lá no fim da praia, no posto seis, a vários quarteirões de distância. O professor feio pra cachorro, dizendo-se o mais bonito da área, encerra a aula e as velhinhas batem palmas. Vão embora e não percebem uma briga feia entre dois mendigos que lutavam pela posse de uma nobre área de estacionamento clandestino, cuja placa demarcatória da Prefeitura fora completamente destruída. O sol convidava para uma boa praia. Fui.

ATÉ A PRÓXIMA

6 de abril de 2009

O ENSINO BRASILEIRO E A MATEMÁTICA


Recebi hoje um e-mail que, ironicamente, mostra como o ensino no Brasil se deteriorou, a partir da década de 50. A hilariante apresentação servia-se do ensino da matemática para criticar a involução dos estudos nas escolas brasileiras. O mote que envolveu o tema em questão bem que poderia ter sido verdadeiro, pois mostra uma situação embaraçosa por que passou uma funcionária de uma caixa de supermercado, quando não entendeu o acréscimo à conta, pelo próprio cliente, para facilitar-lhe o troco, deixando de receber muitas moedas e isso facilitaria a vida do empregado. Realmente, hoje em dia não se ensina tabuada nas escolas e os alunos se viciaram nas calculadoras. E mais, contam nos dedos para somar ou subtrair. Multiplicar e dividir nem se fala! Isso só mesmo no computador... Mas não é só a matemática que sofre nas escolas de Ensino Fundamental e nas de Ensino Médio. A Língua Portuguesa, lá, é estropiada a todo o momento. O plural de nosso idioma, por exemplo, deixou de ser sigmático e a maior prova disso está na fala de nosso maior representante político, o Presidente da República. Uma vergonha! Mas esse descalabro atingiu também o Ensino Superior. Em 1970, junto com mais três professores do mais alto gabarito, catedráticos de escolas do Estado do Rio de Janeiro, na época, e de faculdades de filosofia, ciências e letras, publiquei um livro didático, pela Editora Melhoramentos de São Paulo, intitulado PORTUGUÊS NO SEGUNDO GRAU. O livro destinava-se ao ensino da língua pátria no antigo Científio, agora Segundo Grau. Foi um sucesso. Era adotado nos mais significativos e importantes colégios do Estado, além do Colégio Naval, Instituto de Educação, São bento e Santo Inácio, só para citar importantíssimos estabelecimentos de todas as épocas da Cidade maravilhosa. Em São Paulo, da mesma forma, o nosso livro foi adotado em significativos e tradicionais colégios particulares, leigos e religiosos, em toda a região metropolitana e no interior. Muitos anos depois, mais precisamente dez anos após o lançamento – livro teve duas edições e duas reimpressões – dando aula de Lingüística, no Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), qual não foi a minha surpresa quando vi que um colega de Língua Portuguesa estava adotando o meu livro em duas turmas e em turnos diferentes, em forma xerocada, pois a edição estava esgotada e não fora reeditado, por força da penúltima reforma ortográfica. É claro que fiquei contente, mas, ao mesmo tempo triste, porque percebi claramente a queda e a deterioração do ensino, pois um livro que apresentava conteúdos para o Nível Médio era agora, dez anos depois, utilizado para sedimentar informações lingüísticas a futuros professores da língua pátria, "adotado" numa Faculdade de Filosofia, num Curso de Letras. Uma pena! Tem toda razão o autor do e-mail que recebi, expondo as feridas da queda vertiginosa de nossa cultura, de nosso ensino e, principalmente de nossa dignidade em resolver problemas de todos os tipos, principalmente os matemáticos. Logo agora que nos Estados Unidos, mataram estupidamente um competentíssimo e esforçado professor brasileiro, doutor nas ciências de Adolphe Quételet, Frans van Schooten, William Thonson, Albert Einstein, Isaac Newton, Sixto Ríos Garcia, Chebyshev, Abu Ja'far Mohamed, Hipócrates de Quios, Arquimedes de Siracusa, Tales de mileto, Pitágoras e muitos outros.

ATÉ A PRÓXIMA

PROFESSEUR EN QUÉBEC



Meu filho, Cláudio, voltou do Canadá na semana passada. Ele esteve em vária estações de esportes de inverno em torno da província de Quebeque. Veio encantado com as cidades de lá, principalmente pela organização nos serviços turísticos das estações de esqui e pelo aparente funcionamento das instituições, além da regularidade com que a comunicação de superfície funciona, apesar do rigoroso inverno. No subsolo, o fluxo do metrô e o comércio subterrâneo, com a movimentação da população ordeiramente comportada e as vendas fluindo de maneira a fazer inveja aos países em crise, era tudo que ele pensava mesmo sobre aquele mundo politicamente correto que enchia os olhos do visitante. Aliás, meu filho, repetidamente perguntava para si mesmo, conversando com os botões do seu elegante sobretudo, onde estaria a crise naquelas regiões interessantíssimas de Mont Tremblant, naquele Canadá-primeiro-mundo-sim-senhor! Bem, há coisas nesses lugares que os nossos olhos não vêem e, se vissem, nos proporcionariam um total desencanto, talvez, e nossos corações terceiro-mundistas sofreriam muito...Mas a televisão do apartamento de seu hotel estava sempre ligada, seu radinho bem sintonizado nas estações populares e ele lia os jornais diários, aperfeiçoando-se no bilinguismo anglo-latino, sem nada notar de anormal, que ferisse aquela incrível e invejável mansuetude administrativa e social de causar inveja a nós, pobres mortais das regiões tropicais, abaixo do equador. Pois bem, a notícia que segue joga por montanha abaixo, como uma avalanche de neve nas pistas onde ele se exercitou no seu snow-board, aquela sensação que se tem de que tudo lá está sempre em seus lugares e a perfeição ordena o sistema psicossocial da região da Ville de Québec. Censura nem passou por sua cabeça, ora bolas, afinal ele estava no mais civilizado dos países, segundo o último ranking da ONU. Senão, vejamos:


Os professores da UQAM (Université du Québec à Montréal) permanecem em greve pelo menos até esta segunda-feira (6/04), quando a categoria realiza nova assembleia. Entre as reivindicações, encontram-se a criação de 300 novas vagas para docentes, a equiparação salarial com outras universidades do Québec e a garantia de que a categoria continue a definir as atribuições das funções do docente (a administração da UQAM ameaça intervir neste direito). Segundo o Sindicato dos Professores da UQAM, a greve, que dura mais de vinte dias, obtém adesão crescente da categoria”.
Mais informações em: www.spuq.uqam.ca

E depois picham as nossas universidades, dizendo que greve é coisa de vagabundos, de pelegos, quando a categoria docente das universidades públicas paralisa as aulas, reivindicando melhores salários, planos de carreira e condições de trabalho, entre outras coisas, como sói acontecer na nossa UERJ e agora mesmo na USP.
Foto de Cláudio Feijó

ATÉ BREVE.

22 de março de 2009

VERGONHOSA DEMOCRATIZAÇÃO







Quatro meses depois das chuvas que desabaram sobre Blumenau e região, destruindo ruas, casas e ceifando a vida de muita gente, a cidade ainda reclama pela atuação do poder público que se omite e não realiza seu dever de socorro às populações atingidas. O Jornal de Santa Catarina, de 21 e 22 de março deste ano de 2009, apresenta uma matéria que, se de um lado mostra a força e a perseverança dos cidadãos blumenauenses na reconstrução, com seu próprio esforço, por outro lado mostra também o descaso, a insensibilidade dos governantes, sua falta de visão política, na fraca gestão, na relaxada atuação, no seu péssimo comprometimento com a “res publica”, no abandono aos pobres e ricos. No abandono ao povo em geral. Uma total falta de respeito aos contribuintes, que já estão há quatro meses sofrendo. O Estado não se fez totalmente presente para reparar os danos causados pela natureza que destruiu uma cidade encantadora como Blumenau. Não me venham dizer que ainda não houve tempo para terminar todos os reparos. Num país sério, com um poder público honesto, competente e profissional, isso já estaria sanado. Pelo menos os estragos materiais, porque os estragos continuam na deteriorização da credibilidade dos políticos. Infelizmente essa verdade está corroborada por sociólogos, mestres e doutores entrevistados pelo Jornal de Santa Catarina, na reportagem a que me referi. Como estava passando uns dias em Blumenau, sempre pesquisando sobre as linguagens desviantes, aproveitei para fotografar as casas que foram totalmente destruídas numa avalanche incrível, documentada na época, pelas câmaras amadoras de vizinhos e tudo transmitido pelo Jornal Nacional da rede Globo de Televisão, comovendo o Brasil que se consternou e respondeu –presente - ajudando ao máximo. Eram residências de classe média alta, bem perto do centro da cidade, de gente de alguma posse, mas estão do mesmo jeito até hoje, tudo sem solução, servindo de ponto turístico, pois, com o meu, eram, hoje de manhã, seis carros parados em frente, fotografando a tragédia de quatro meses atrás. Mas uma coisa ficou bem claro. A vergonhosa democratização do abandono aos contribuintes infortunados, pobres e ricos. Uma vergonha. Acorda, povo brasileiro!

ATÉ BREVE.


11 de março de 2009

UMA FIGURA E UM SORVETE

Estou em Porto Alegre desde domingo, dia 8 de março. Vim a passeio, desde Gramado, e aproveitei para visitar um grande amigo que, depois de se aposentar no Rio de Janeiro, está dando aulas – na sua especialidade - trabalhando nessa capital bonita e alegre, porto importante do último Estado da Federação, cortado pelas estradas federais, vindas dos Estados ao norte. Meu amigo é especialista em Literatura Portuguesa e um dos maiores conhecedores da teoria psicanalítica de base freudiana e lacaniana em nosso país. A recepção foi espetacular. Almoços, passeios pelos principais pontos turísticos da cidade, encontros com gente importante da sociedade porto-alegrense e até com folclóricas figuras, dignas ou fugidas dos filmes de Frederico Fellini. Falar dos respeitáveis doutores, que ele me apresentou ou falar das distintas damas e dos conhecidos com quem se encontrava, nos finos restaurantes, narrar os encontros com todos os que privam da sua intimidade não causaria nenhum impacto nos meus leitores, pois seria tão redundante quanto falar da sagaz inteligência de meu extrovertido amigo. Mas ele é diferente mesmo! Portanto, não poderia deixar de ter me apresentado àquela interessantíssima figura com quem se encontrou dentro do chique shopping Moinhos de Vento. Disse-me que se tratava de um tal Ricardinho, fazendeiro, homem rico, mas mal resolvido das idéias, completamente pirado, doidão, pois seu pai não concordou que ele fosse jogador de futebol profissional do Internacional. O cara era mesmo muito estranho, gordo e barrigudo, desajeitado, mal vestido para frequentar lugar tão sofisticado como aquele em que nos encontrávamos. Falamos algumas bobagens, despedimo-nos e deixamos para trás aquela sombra frustrada de um craque da bola, que mergulhou profundamente no seu pensado desejo e se presentificou no imaginário como fantasia delirante de uma esquisofrenia manifesta, deixando para trás o real, expectro irremediavelmente interditado e reprimido por alucinações latentes... Aí, meu amigo e eu fomos tomar um sorvete porque estava fazendo um calor dos diabos.


ATÉ A PRÓXIMA



3 de março de 2009

TRABALHO DE SÍSIFO DIFERENTE


Vi um homem carregando enorme embrulho, quase o dobro do seu tamanho. O coitado levava-o à cabeça e o trambolho afundava-lhe o pescoço. A cena lembrou-me um caso que ouvi, conversando com o Luiz Fernando, simpático e eficiente gerente de Relacionamento da Agência Lages do Banco do Brasil. Fui até ele para pedir ajuda, pois havia esquecido em casa o cartão de acesso à minha conta e estava em Lages, a caminho de Gramado, como sempre faço depois que termina a alta temporada turística. Tudo fica mais vazio e as coisas fluem com muito mais prazer, pois a agitação, que toma conta de todo mundo, começa a descansar, voltando as coisas para os seus devidos lugares. Uma beleza! Depois de alguns minutos de conversa com o Luiz Fernando, dizendo-lhe o que fazia, como eram os meus BLOGs, de que temas tratavam, ele me disse que há uma revista chamada BB.Com, onde o banco resgata as mais diversas ocorrências sérias, dentro ou não das atividades de crédito ou pecuniárias, divertidas umas, constrangedoras outras, mas todas verídicas. Enfim, uma publicação que resgata a história da vida bancária dos municípios e regiões de todo o Brasil. Mas, voltemos à cena inusitada do início dessa crônica. Aquilo me lembrou as peripécias, registradas na tal revista, por que passou um cliente do Banco do Brasil, muito conhecido na região de Lages, nos anos 60, cidadão que deu ao banco muito lucro, pois sempre foi salvo pela agência com empréstimos para pagar rapidamente as contas de encrencas e mais encrencas, sempre envolvido com "rabos de saias". O sujeito era galanteador emérito, frequentador da próspera sociedade lageana da época, e soltava as asas, na ocasião, para uma senhora, muito conhecida, mas muito mal casada e, por isso mesmo, correspondia aos galanteios do Dom Juan das regiões serranas catarinenses. Um belo dia recebeu o sinal verde da desesperada senhora, ávida por carinhos e pelo relacionamento carnal com o homem, que haveria de reabilitá-la para os verdadeiros prazeres da vida. Na carta que recebeu, a dama dizia que numa segunda-feira tal - era inverno - , o marido viajaria. Assim, estava tudo preparado para que seu fervente amor explodisse na tarde gelada da verde e bela cidade serrana. Mas frisava com as palavras sublinhadas que se alguma coisa desse errado na hora era só dizer ser ele um pretendente à compra de um sofá, à venda já há algum tempo. Tudo combinado. O homem foi, bateu palmas ao portão. O marido, alto, forte, mal-encarado, todo vestido de preto, perguntou o que o cidadão queria. Nosso herói engasgou, mas viu logo que alguma coisa estava errada. Respondeu que veio ver o sofá. Entrou examinou a sala com olhos ariscos, pegou naquela coisa enorme e feia, mediu com os pés o tamanho do móvel e perguntou quanto custava. Saiu rapidamente dizendo que voltaria, caso decidisse comprá-lo. Voltou, depois de novo sinal verde. Agora parecia que tudo estava em ordem e ele se deliciaria com aquela brancura de mulher, fruto verde de seus desejos. Outra decepção. O marido também não viajara, sabe-se lá por quê... Depois de ouvir as palmas ao portão e vendo o mesmo homem que em sua casa estivera, pegou-o pelo braço, introduzi-o na sala e perguntou se trouxera o dinheiro. Sim, vou comprá-lo e levá-lo agora mesmo comigo. Mas o senhor veio a pé, disse o marido. Não há nenhuma condução lá fora! Aí, nosso picaresco Don Juan, percebendo a besteira que havia dito e, para se livrar de tão embaraçada situação, pagou o preço combinado na primeira visita, pediu uma ajudinha e colocou aquela monstruosa peça vermelha na cabeça, iniciando a subida da rua em ladeira, com o pescoço enterrado no ombro já todo torto. Então, iniciou um percurso incrível, sem destino e objetivo, rua a fora, subida a cima. Um verdadeiro "Trabalho de Sísifo", que o salvou de uma terrível surra.

ATÉ A PRÓXIMA

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.