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28 de abril de 2015

MAIS UM BRASILEIRO É EXECUTADO NA INDONÉSIA.


MATAR E MORRER são verbos cruéis,

fáceis de serem conjugados, mas difíceis de serem entendidos, degustados. Já TRAFICAR é um verbo fortíssimo, irregular, isto é, fora da Lei, de difícil conjugação, mas de fácil aceitação por marginais. A verdade é que todos esses vocábulos que exprimem ação violenta, como MATAR, MORRER, TRAFICAR são verbos defectivos, não gramaticalmente falando, mas socialmente interpretados, pois não possuem todas as pessoas, deixando de fora da sociedade muita gente que teria bastante a oferecer e a dar ao outro, mas morreram. Foram assassinadas. Já ia me esquecendo; o verbo ASSASSINAR, creio que é, entre todos os verbos insensíveis, o mais violento. É horrível conjuga-lo no presente do indicativo. Dá até arrepio. Mas a sociedade, dependendo de como vê o mal que se esconde no coração dos homens, tem, também, o poder de aniquilar este mal com outro MAL pior, conjugando um verbo terrível, assustador, arrasador e extremamente barulhento: o verbo FUZILAR, irmão bastardo do verbo ASSASSINAR. É isso. Vivemos num mundo onde o VERBO se fez ORDEM para o bem de muitos; para aflição de outros tantos; para o desespero dos mais chegados, para a agonia dos mais íntimos...

ATÉ A PRÓXIMA

14 de abril de 2015

UM PRATO FEITO





O verbo FAZER que significa executar, realizar, fabricar, vem da forma latina facere, com o primeiro –e- breve. Nas línguas neolatinas, deu no francês faire; no espanhol hacer e no italiano fare. FAZER é um verbo irregular que pertence à 2ª conjugação e apresenta modificação no seu radical. Alguns filólogos o colocam na lista de verbos inclassificáveis, como ADUZIR, BENZER, CABER, CAIR, CRER, DAR, DIZER, ESTAR, HAVER, IR, JAZER, LER, MORRER, PERDER, PODER, PÔR, QUERER, RIR, SABER, SAIR, SER, TER, TRAZER, VALER, VER, VIR e seus derivados, por apresentarem inúmeros fenômenos de fonética histórica, do latim para o português. Se os meus amigos pensam que essa posição ocupada por esses verbos mencionados é muito radical, tentem conjugá-los, distraidamente, em algumas pessoas, em tempos e modos distintos!

Mas vamos ver, hoje, uma forma interessante do verbo FAZER, que pertence à lista acima, observando mais a sua semântica na estrutura sintática do que a sua morfologia. Tentemos visualizar a sua forma primitiva de Particípio Passado, FEITO, do latim, factum.

As frases encontradas nas placas de propaganda do comércio de lojinhas dos famosos tira-gostos tradicionais dos subúrbios das pequenas e grandes cidades são interessantíssimas para o nosso superficial estudo filológico. Complicado? Não parece. Interessante? É possível que seja. Senão, vejamos:

   1-   Pastel FEITO na hora. Na hora = agora, adjunto adverbial de tempo. Na hora é uma forma analítica (duas palavras no sintagma); agora é uma forma sintética (única). Na hora indica um tempo indeterminado; agora, um tempo determinado. Prosseguindo. Observem as duas frases, em oposição: Vou sair AGORA / Vou sair NA HORA. O termo AGORA é diferente, semanticamente, da expressão NA HORA. Os termos  AGORA e NA HORA funcionam, sintaticamente, como adjuntos adverbiais de tempo. Mas observando bem, vejam se neste caso AGORA não pode ser igual a JÁ, isto é, tempo + modo, fazendo com que AGORA seja igual a RAPIDAMENTE. Continuando. NA HORA = tempo preciso; tempo exato; exatamente. Já na oposição frasal, Cheguei NA HORA / Cheguei AGORA, o sintagma NA HORA = tempo com pontualidade, isto é, um tempo combinado com compromisso. E o termo AGORA = tempo + satisfação dada, equivalendo a uma informação. É importante observar que o tempo, aqui, está ligado a compromisso, informação geral, pontualidade, medição, precisão, exatidão, movimentação, rapidez, determinação. Observe-se também que os casos acima estão ligados a uma semântica clara do tempo, como podemos encontrar nas expressões: Dia D; Hora H; Ponto G.

  2-  Já em “prato FEITO”, aquele que o cara duro encara, esfomeado, depois de meio-dia de trabalho quase forçado, vamos encontrar o particípio do verbo FAZER com a indiscutível noção de ação acabada, completa, finalizada etc., recaindo sobre o particípio do verbo FAZER o ASPECTO VERBAL CESSATIVO.

   3-  Em Santa Catarina, observamos que na linguagem familiar FEITO pode ser interjeição = ótimo, está bem, ok etc., tanto na forma frasal afirmativa, quanto na forma frasal interrogativa: FEITO? Portanto, podemos dar a FEITO, particípio do verbo FAZER, por aqui, nestas plagas do sul, o significado interjetivo de acabado, pronto, concluído, terminado, acabou, chega.


ATÉ A PRÓXIMA

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.