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29 de setembro de 2008

E N T R E V I S T A



ENTREVISTA DADA AO GRUPO DE ALUNAS DO ÚLTIMO SEMESTRE DA FACULDADE DE JORNALISMO, UNIMEP - PIRACICABA, SÃO PAULO. SÃO ELAS: ARIANE BELARDIN, PRISCILA SILVA, PRISCILA RODRIGUES, REGISNELE MELO E VIVIAM ALCALDE.









1- Como era a linguagem do jornalismo esportivo no início da televisão?

FEIJÓ - A televisão passou por grandes transformações tecnológicas, desde seu surgimento no Brasil, na década de 50, até hoje. Não surgiu como meio de comunicação de massa, evidentemente, pois, para isso, seria necessária a difusão instantânea do que veiculava. Não estava implantada ainda a rede de receptores como entendemos hoje. Mas isso foi uma conquista do meio que veio para ficar e se impor como a mais espetacular forma de disseminação da informação. O jornalismo esportivo surgiu na televisão como conseqüência de sucessivas formas de informação sobre quase tudo que interessava à sociedade. E a sociedade a que a televisão estava pronta para servir era a sociedade de consumo. Assim, o jornalismo esportivo perseguiu, podemos dizer, pacientemente as conquistas tecnológicas, para que as suas muitas e diversificadas informações pudessem sair da fonte emissora até atingir o seu público-alvo. A atuação desse jornalismo estava nas transmissões dos espetáculos, nos campos de jogos, principalmente do futebol, mas também no interior dos estúdios, com muitas mensagens críticas, além de outras tantas informativas, também. As chamadas “externas” (saídas de equipes de filmagem) eram complicadas. Uma parafernália de técnica eletrônica e gigantescos caminhões transformados em verdadeiros estúdios ambulantes faziam desse tipo específico de jornalismo uma atividade muito cara, difícil de ser realizado, além de requerer especialização de todos os setores envolvidos em sua preparação, mesmo porque sua linguagem deveria ser eminentemente visual, vindo a linguagem verbal a reboque, é claro, tudo muito diferente dos outros tipos de jornalismo. O “video-tape” revolucionou o jornalismo esportivo. O croma-key, dentro dos estúdios, deu às transmissões nova dimensão sígnica, isto é, nova linguagem, mais dinâmico, pois, então, o narrador tinha ao fundo o desenrolar dos acontecimentos, na visão final do observador. Isso perdura até hoje. É claro que muitos outros recursos eletrônicos, efeitos de toda ordem, aliados a uma transmissão digital, afastando-se totalmente da analógica, das fitas jurássicas de duas polegadas e dos “video-tapes” de uma e meia polegadas dão, hoje, uma nova dimensão visual ao jornalismo esportivo da televisão, tornando-o dinâmico, atraente e gostoso de ver. Basicamente a linguagem do jornalismo esportivo mudou, porque mudaram os signos que a construíam.

2- Como definiria a linguagem usada pelo GLOBO ESPORTE para informar os telespectadores?

FEIJÓ – A linguagem usada pelo programa esportivo de curta duração GLOBO ESPORTE é a verbal e não-verbal. Já o apresentador tem ao fundo o logotipo do programa. Isso ocorre por efeito especial de slide ou croma-key, ou por outra forma qualquer de tecnologia televisiva. Já o dinamismo dos jogos está sempre presente e a direção não deixa de colori-lo com inúmeras vinhetas de bom gosto e expressivas, dando ao conjunto uma forma visual atraente. Portanto, o GLOBO ESPORTE utiliza-se da linguagem verbal e não-verbal. A linguagem verbal usada deverá ser redundante, como em qualquer mídia de massa, sem ser estropiada. Com termos e expressões da linguagem especial do futebol. O GLOBO REPÓRTE realiza isso muito bem. As vinhetas de entrada são sempre dinâmicas As de saída são, geralmente, estáticas. Isso tem um sentido subliminar que vai conotar “pique” jornalístico, dinamismo, credibilidade, bom gosto, verdade. Em última palavra: excelência. E a GLOBO persegue a excelência sempre em tudo que faz. Se consegue é outra coisa. Mas, quase sempre, atinge seus objetivos, sim. Quando os apresentadores do programa GLOBO ESPORTE são enquadrados (e isso está sempre acontecendo – ora um, ora outro) estão sempre alegres, sorrindo. Lê-se: felizes. Se eles estão felizes, o programa deverá agradar e os telespectadores alcançarão essa felicidade, pois SER FELIZ É SINTONIZAR O CANAL DA GLOBO... As tecnologias de efeito dão ao programa a modernidade necessária para o aumento constante de audiência. Os quadros específicos e todas as matérias são apresentados sempre audiovisualmente. O programa trabalha muito com imagens de arquivo, o que dá credibilidade à apresentação. Como a TV Globo tem recursos suficientes para investir cada vez mais no visual do programa, pode-se esperar, enquanto sua audiência estiver estável, algumas mudanças e ajustes, nunca substanciais. O final, geralmente apresenta um quadro estático (algumas vezes dinâmico), sobre o qual sobem os caracteres bem rapidamente, dando para se ter uma idéia dos créditos da produção e da direção.

3- O uso de linguagens verbais e não verbais tem que sentido em uma notícia?

FEIJÓ – Se a notícia for relacionada a um fato esportivo, cujo desenrolar se dirige para a prática do dinâmico esporte do futebol, é claro que os signos não-verbais, como as imagens e figuras estáticas relacionadas aos clubes deverão se destacar, mesclando a notícia com a informação lingüística, portanto verbal. Agora, se a notícia for eminentemente informação sobre fatos, isto é, se a notícia for factual, a verbalização será inevitável e predominará, sem dúvida alguma. É claro que a linguagem não-verbal deverá sempre ressaltar a credibilidade da informação dada pela linguagem verbal. Ela, a linguagem não-verbal, deve ser atraente, sintonizada com o tema e bem editada para não cansar e/ou desviar a atenção do receptor para outras informações.

4- As notícias devem ser coletadas para causar no telespectador mais emoção ou informação?

FEIJÓ – Em televisão, parece-me que a informação deve sempre ser acompanhada de alguma emoção. Aliás, é a emoção que sustenta a audiência. A mensagem que informa alguém de alguma coisa é o resultado do envio de algo a alguém, cujo conteúdo deverá ser codificado com elementos sígnicos pelo emissor para um receptor, através de um canal. Agora, notícia, em Comunicação Social, é o tratamento ideológico dessa mensagem, dessa informação. Esse tratamento ideológico é comum nos veículos de comunicação de massa. Lá, qualquer mensagem que apareça será apresentada como notícia, isto é, um tratamento ideológico da informação. Logo, não devemos confundir, nessa área, INFORMAÇÃO com NOTÍCIA. Tratar ideologicamente uma informação é explicitar a principal característica da ideologia que é a ocultação da verdade ou a dissimulação dessa verdade, com inúmeros propósitos ou fins. Assim, causar emoção é necessário para entorpecer, muitas vezes, a verdade.

5- O que há de positivo ou negativo nisso?

FEIJÓ – De positivo, pode-se dizer que lucra o meio físico que transporta a mensagem porque surgirá uma aceleração social em todos os sentidos. As tecnologias da ilusão vão atuar nas principais funções dos “mass-media” que são: divertir, informar, formar (opinião), prestar serviços (comunitários) e vender. De negativo, citaremos a saturação (do código), a redundância (da mensagem), a alienação (do receptor) e a acomodação (do emissor). O que menos sofre é o canal, meio físico por onde a mensagem escoa. Pode-se até argumentar que o canal ao se desgastar, também se beneficia, porque há-de se procurar sempre uma forma nova de atualização tecnológica. Por exemplo, as transmissões do sinal da televisão são feitas por ondas de outro tipo de freqüência das do rádio. São em freqüências moduladas.

6- Que importância tem a imagem nesse tipo de jornalismo?

FEIJÓ – Creio que já comentei a importância da imagem nos programas esportivos da televisão, mas é sempre interessante acrescentar que a imagem possui um grau de baixa saturação de informação, isto é, que a imagem já traz a mensagem bem redundante, pronta para o receptor entender. A imagem é um meio frio de comunicação, segundo Marshall McLuhan.

7- Acredita que a informação do esporte se torna um espetáculo? Por quê?

FEIJÓ – Sim, acredito e é verdade! Porque levar os acontecimentos esportivos que se desenrolam dentro de um campo de futebol, por exemplo, para receptores anônimos, sem rosto, mas que existem, constituindo-se em audiência, só é possível através de uma forma espetacular, também, de se retratar o espetáculo. E isso acontece por dois tipos de linguagem: a verbal, basicamente nas transmissões radiofônicas, com a linguagem especial dos locutores, comentaristas e repórteres e com a linguagem mista, verbal e não-verbal da televisão.

8- O GLOBO ESPORTE usa na maioria das vezes, termos e expressões da gíria que, no jornalismo de outros gêneros, não aparecem. A linguagem verbal lá se torna mais fácil e com expressões popularmente brasileiras. Por que motivos?

FEIJÓ – Bem, os termos de gíria podem aparecer em muitos gêneros de jornalismo. No jornalismo dedicado a Economia, por exemplo, você pode encontrar termos e expressões que são usados somente nessa área, como “Barreiras não-tarifárias”, “Bens de capital”, “Petróleo tipo Brent”, “Monopsônio”, “Efiemizar”, “Valor agregado”, etc. Já a linguagem especial do futebol é mais conhecida do povo porque é muito ouvida no rádio e na Tv e aparece nos jornais e revistas em todo o Brasil. Está disseminada pelos diversos meios de comunicação de massa e é entendida por quase todo mundo. Migrou, também, para outros esportes e para a gíria da língua comum como, por exemplo, a expressão “Pendurar as chuteiras” que passou da gíria do futebol para o basquete, onde os jogadores não usam esse tipo de calçado. Passou até para a política, etc.

9- Por que a linguagem do comunicador esportiva é tão diferenciada?

FEIJÓ – Porque ela tem de ser o mais expressiva possível. Quero dizer com isso que a linguagem do comunicador, locutores, comentaristas, repórteres, editores de jornais esportivos e muitos outros, está repleta de criações vocabulares, dentro da deriva morfológica da língua portuguesa, com o objetivo principal de, em primeiro lugar, falar a língua do povão, seu público-alvo, e, em segundo lugar, para criar um marketing barato, onde ele será, muitas vezes, marcado por criações vocabulares suas. Cito como exemplo os comunicadores Washington Rodrigues com seus arquibaldos e Sívio Luís com os termos inusitados como azulejou, azeitou, biombo, rodapé, carrapeta e expressões do tipo azedou o molho, pelas barbas do profeta, atrás do toco etc.

10- Esse padrão cotidiano que o programa televisivo mantém pode gerar o quê de negativo? O que pode ser feito para melhorar?

FEIJÓ – Qualquer mensagem massiva, simples ou complexa, pela exposição no canal – o meio físico que sustenta a mensagem – vai sofre uma entropia natural do processo. Vai perder aquilo que o sustenta: a imprevisibilidade. Como essa imprevisibilidade quase não existe mesmo nas mensagens redundantes que são geradas pelos mass-media, a tendência do padrão de qualquer programa de televisão é cansar, perder sua força de impacto. A solução é um tratamento de combate a essa entropia, pela mudança, através de estudos para que a renovação ocorra dentro dos moldes técnicos da correção proposta pela Teoria da Comunicação Social. E uma das melhores formas para isso se realizar é através de trabalhos como esse que vocês estão realizando, através de entrevistas com pessoas do ramo. Esse trabalho como conheço e realizo em minhas aulas se chama ANÁLISE DE CONTEÚDO. Tenho finalmente a recomendar a vocês um pequeno livrinho, publicado há muito tempo pela ELDORADO, Rio de Janeiro, em 1973, tradução de Álvaro Cabral, chamado COMUNICAÇÃO DE MASSA: ANÁLISE DE CONTEÚDO, de Albert Kientz, cujo título original em francês é POUR ANALYSER LE MEDIA – L’ANALYSE DE CONTENU. É muito bom, mas acho que está esgotado, há muitos anos....Uma pena! É isso aí, gente! Felicidades!
Luiz César Saraiva Feijó
(Ex-professor de Linguagem Verbal e Não-verbal do Curso de Jornalismo da Universidade Federal Fluminense - Níterói - Rio de Janeiro)

18 de setembro de 2008

O -B e o -V, do latim para o português



O –B- e o –V-, DO LATIM PARA O PORTUGUÊS Um aluno me perguntou por que, em português dizemos imóvel para caracterizar uma casa, um apartamento ou qualquer construção sólida e lemos nos anúncios de corretoras frases do tipo: “Imobiliária Santa Cruz”. É claro que o que chama atenção é o uso do fonema /v/ em imóvel e do fonema /b/ em imobiliária. Vejamos as origens desses nomes.Imóvel é um adjetivo que significa “bem fixo, que não se pode transportar”. Por extensão, “qualquer edificação”. Então, uma casa, um apartamento, por exemplo, é um imóvel. Agora, com o sentido de coisa fixa, deixando de ser adjetivo para se transformar em substantivo (esse tipo de formação de palavra com mudança de classe gramatical, sem acréscimo ou supressão de sufixo, deixando de ser, no caso, adjetivo para ser substantivo, se chama CONVERSÃO). Sua origem é latina: immobilis,e (adjetivo de 2ª classe, declinado pela 3ª declinação). Isso ocorreu porque, na passagem do latim para o português, o –b intervocálico passou a –v. Ex. debet > deve; fabam > fava; habere > haver; nubem > nuvem.Mas, em português, nem todo –v provem de um –b latino. O –f intervocálico latino deu –v em português. Ex. aurificem > ourives; defensam > devesa (alameda ou arvoredo que circunda um terreno; campo fértil à margem de um rio); profectum > proveito; Stephanum( aqui ph corresponde ao fonema /f/) > Estêvão.Já a palavra imobiliária (mesmo radical latino de immobilis) é um substantivo feminino que significa “empresa que constrói, negocia com imóveis e/ou administra seu aluguel”. A origem feminina desse substantivo está relacionada ao adjetivo imobiliário, “relativo a imóvel ou edificação”.Isso também é válido para o castelhano.As fontes são as mais sérias possíveis: Edwin B. Williams e J. Corominas. Meu aluno, algum tempo depois, me enviou um folheto fazendo propaganda de uns apartamentos maravilhosos que ele e sua empresa estavam vendendo. Era do ramo e me oferecia magníficas residências, lindas, maravilhosas, mas caríssimas, esquecendo-se de que eu continuava professor...
ATÉ BREVE.

TRATAMENTO IDEOLÓGICO DA INFORMAÇÃO






O texto:

COMO NASCE UMA NOTÍCIA...

“Dois menininhos estavam saindo do Morumbi quando um deles foi atacado porum Rottweiler feroz. O outro menino imediatamente pegou um pedaço de pau e deu na cabeça docachorro, fazendo com que o cão caísse morto e o amiguinho ficasse apenas com alguns arranhões. Ao ver a cena, um repórter que passava correu para ser o primeiro a cobrira fantástica história. Pensou em voz alta:

- Já estou até vendo a manchete: 'Jovem são- paulino salva amigo de animal feroz!'

-Mas, eu não sou são-paulino. Disse o menino.

- Me desculpe, apenas presumi que fosse, já que estamos na saída doMorumbi. Então, vou escrever: 'Bravo pequeno palmeirense evita tragédia com amigo !'

- Mas, eu também não sou palmeirense. Disse novamente o menino.

- Ok, então: 'Pequenino santista vira herói !'

- Não sou santista, moço.

- Mas, a final, pra que time você torce?

- Sou corinthiano!!!

E o repórter escreve em seu caderninho:

- Delinqüente corinthiano mata brutalmente adorável animal doméstico!

(INTERNET)



A mensagem que pode informar alguém de alguma coisa é o resultado do envio de algo a alguém, cujo conteúdo deverá ser codificado com elementos sígnicos pelo emissor para um receptor, através de um canal. Agora, notícia, em Comunicação Social, é o tratamento ideológico dessa mensagem, dessa informação. Esse tratamento ideológico é comum nos veículos de comunicação de massa. Lá, qualquer mensagem que apareça nos noticiários dos jornais ou nos comentários analíticos, tudo, enfim, que chamamos notícia será sempre tratado ideologicamente. Logo, não devemos confundir, nessa área, INFORMAÇÃO com NOTÍCIA. Tratar ideologicamente uma informação é explicitar a principal característica da ideologia que é a ocultação da verdade ou a dissimulação dessa verdade, com inúmeros propósitos ou fins. No texto anedótico acima, caracterizado de humor como riso, a nosso juízo, pode-se perceber que o fato ideológico é a perpetuação de um estigma que acompanha a história do Esporte Clube Corinthians. Isso é conseguido através da distorção da verdade, contida na pretensa informação ou fato primitivo (a paulada do menino no cão para salvar o pobre coitado). Dissemos que se trata de um texto de humor como riso, explicitando o cômico, porque se trata, entre outras coisas, de uma crítica aos representantes da cultura comunitária, no caso, os torcedores de um dos maiores clubes de futebol do Brasil. Tentando recordar a função do riso, lembramos que a principal é a de delimitar o RIDÍCULO e assim, justificar o perigoso, preparando o seu expurgo. Logo, trata-se de uma REPRESSÃO utilizada pelos textos, quase sempre nos meios de comunicação de massa que provocam o riso, trabalhando aí com uma função chamada de METACENSURA.

ATÈ A PRÒXIMA


8 de setembro de 2008

CENTENÁRIO DA MORTE DE ARTUR AZEVEDO


Celebra-se este ano o primeiro centenário da morte de Artur Azevedo. O professor Dr. Antônio Martins Araújo, presidente da Academia Brasileira de Filologia, especialista na obra do grande escritor maranhense, encontra-se no Maranhão, desde o mês de julho, participando, entre outros eventos culturais, da 4ª Edição do Festival GEIA de Literatura, na cidade de São José de Ribamar.

O evento aconteceu entre os dias 27 e 29 de agosto deste ano de 2008. No dia 28, o nosso presidente da ABF proferiu palestra sobre o tema: Artur Azevedo para crianças.

Estão todos de parabéns, a Academia Brasileira de Filologia e a “Atenas Brasileira”, que hoje (8 de setembro) completa 396 anos.




ATÉ A PRÓXIMA.




5 de setembro de 2008








O Novo Acordo Ortográfico

da Língua Portuguesa


1) O alfabeto agora é formado por 26 letras.


O "k", "w" e "y" não eram consideradas letras do nosso alfabeto.


Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano


2)
O Trema


Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano.


As palavras abaixo não serão mais escritas com trema:


agüentar, conseqüência, cinqüenta, qüinqüênio, frqüência, freqüente, eloqüência, eloqüente, argüição, delinqüir, pingüim, tranqüilo, lingüiça

Serão escritas sem trema:


aguentar, consequência, cinquenta, quinquênio, frequência, frequente, eloquência, eloquente, arguição, delinquir, pinguim, tranquilo, linguiça.


3)
A Acentuação Gráfica


A) Os ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas como anteriormente eram, como assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, panacéia, Coréia, hebréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico


Passarão a ser grafados sem o assento agudo, assim: assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico


Mas, prestem atenção. Os ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua. Assim: herói, constrói, dói, anéis, papéis.


Também continua o acento agudo no ditongo aberto "eu". Assim: chapéu, véu, céu, ilhéu.

B) O hiato "o-o" não é mais acentuado, como antigamente era: enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo, abençôo, povôo. Essas palavras passam a ser grafadas assim: enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo.


D) O hiato "e-e" não é mais acentuado, como antigamente era: crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, revêem. Essas formas verbais dos verbo CRER, DAR, LER e VER passam a ser grafadas assim: creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem.

E) Não existe mais o acento diferencial de intensidade nas palavras homógrafas
pára (verbo), péla (substantivo e verbo), pêlo (substantivo), pêra (substantivo), péra (substantivo), pólo (substantivo), como antigamente existia. Essas palavras passam a ser escritas assim: para (verbo), para (preposição); pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo).
Observação: o acento diferencial de timbre ainda permanece no verbo "poder" (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo - "pôde") e o diferencial de intensidade, no verbo "pôr", para diferenciar da preposição "por".

F) Não se acentua mais a letra "u" nas formas verbais rizotônicas (o acento tônico cai no radical), quando precedido de "g" ou "q" e antes de "e" ou "i" (gue, que, gui, qui), como antigamente era: argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, enxagúemos, obliqúe. Essas palavras passam a ser grafadas assim: argui, apazigue,averigue, enxague, enxaguemos, oblique.


G) Não se acentua mais "i" e "u" tônicos em palavras paroxítonas quando precedidos de ditongo, como antigamente era: baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra, feiúme. Essas palavras passam a ser grafadas assim: baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume.


4)
O Hífen


A) O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por "r" ou "s", como acontecia, por exemplo, em ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-romântico, arqui-rivalidae, auto-regulamentação, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha, extra-regimento, extra-sístole, extra-seco, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético, supra-renal, supra-sensível. Essas palavras passam a ser grafadas com 2 -s- e com 2 -r-, assim: antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível.


Observação: em prefixos terminados por "r", permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc.

B) O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal, como antigamente ocorria, por exemplo em auto-afirmação, auto-ajuda, auto-aprendizagem, auto-escola, auto-estrada, auto-instrução, contra-exemplo, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neo-expressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido, semi-automático, semi-embriagado, semi-obscuridade, supra-ocular, ultra-elevado. Essas palavras passam a ser grafadas assim: autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.


Observação 1: esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.


Observação 2: esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por "h": anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc.

C) Agora utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal. Assim: anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico. Antigamente, essas palavras não possuiam hífen, era tudo junto.


Observação 1: esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen.


Observação 2: uma exceção é o prefixo "co". Mesmo se a outra palavra iniciar com a vogal "o", NÃO se utliza o hífen. Ex. Coautoria, coopositor.

D) Não se usa mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição, como, por exemplo em manda-chuva, pára-quedas, pára-quedista, pára-lama, pára-brisa, pára-choque, pára-vento. Agora, essas palavras serão grafadas assim: mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, parachoque, paravento.


Observação: o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constiui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc.

Observações Gerais

O uso do hífen permanece:


A) Em palavras formadas por prefixos "ex", "vice", "soto". Ex. ex-marido, vice-presidente, soto-mestre.


B) Em palavras formadas por prefixos "circum" e "pan" + palavras iniciadas em vogal, M ou N. Ex. pan-americano, circum-navegação.


C) Em palavras formadas com prefixos "pré", "pró" e "pós" + palavras que tem significado próprio. Ex. pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação.


D) Em palavras formadas pelas palavras "além", "aquém", "recém", "sem". Ex. além-mar, além-fronteiras, aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados, sem-número, sem-teto.

Finalizando. Não existe mais hífen:


Em locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais). Ex. cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade, abaixo de, acerca de etc.


EXCEÇÕES


Água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará, à queima-roupa.

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.