12 de novembro de 2009

NO RIO DE JANEIRO


Já estou no Rio de Janeiro há alguns dias. Precisamente, desde o dia 6 de novembro. Visitei muita gente, subi a serra de Petrópolis e fiquei por lá dois dias, para assistir à primeira Comunhão de minha netinha, Maria Izabel, com "Z" mesmo, pois o pai achou "chique" essa grafia dos idos de 1940. O que fazer? Vontade de pai deve ser respeitada. Visitei, é claro, minha mãe com 98 aninhos, lúcida e faceira, que teve à prova sua atividade cardíaca, quando, há três dias atrás, tentou apagar um início de incêndio na geladeira, com uma canequinha d'água. O fogo espalhou-se por toda a cozinha, minha mãe foi resgatada do prédio, os bombeiros atuaram com eficiência e todos se salvaram. O seguro deverá pagar os estragos. Minha mãe passa bem e até se sente como heroína, pois não se intimidou diante daquelas chamas destruidoras de lares...Ela é fogo, mesmo, como se costuma dizer! Depois desse susto, estive na quarta-feira reunido com minha Confraria Linha de Fogo, da Turma de Artilharia do CPOR/RJ, que completou cinquenta anos de bonita e festiva formatura no Estádio de São Januário, defilando em continência ao Sr. Presidente da República, o Dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira. Na reunião de nosso grupo ficou determinada a data de nossa íntima festa, comemorativa dos 50 anos de formatura da Turma Olavo Bilac de 1959. Pena que não poderei dela participar, pois espero filhos, noras, genros e netos para o Natal, lá em Balneário Camboriú, onde moro. Mas estarei entre eles em espírito. Que tudo corra bem, amigos! Bem, este texto de hoje é mesmo uma página de diário. É verdade, havia me esquecido. Fui atingido pelo apagão de treça-feira. O Rio de Janeiro e mais dezessete outros Estados. Nem quero imaginar o Chaves venezuelano pensando em atacar também o território brasileiro às escuras, porque, às claras ele disse que atacaria a Colômbia...



ATÉ A PRÓXIMA

4 de novembro de 2009

CLAUDE LÉVI-STAUSS


Faleceu na madrugada desse último domingo o antropólogo Claude Lévi-Strauss. Iria completar, no próximo dia 28, 101 anos. Quando eu ainda engatinhava, Lévi-Strauss estava no interior de Mato Grosso e na Amazônia, entre tribos indígenas, articulando suas teorias sobre as estruturas elementares do parentesco e descrevia mitos bororós como o xibae e iari (as araras e seu ninho), para mostrar inúmeras categorias empíricas, observadas etnograficamente, como ferramentas indispensáveis à constituição de propostas concretas que, mais tarde, iriam atingir inúmeros outros discursos de saber. Assim, categorias observáveis como as de cru e cozido, de fresco e de podre, de molhado e de queimado, em oposição, mostrariam que, no homem, tudo que é Universal depende da Ordem da Natureza e tudo que está ligado a uma Norma, pertence à Cultura, apresentando atributos do relativo e do particular. Em Lévi-Straus a antropologia vai se desenvolver à luz do estruturalismo. Era considerado o maior intelectual francês vivo. Influenciou as ciências humanas na segunda metade do século 20 com inúmeras publicações, entre elas a que o tornou mundialmente conhecido, “Tristes Tópicos”. Há muitos anos, estive trabalhando no oeste brasileiro, no Estado de Rondônia, próximo às fronteiras secas do Paraguai, Bolívia e Peru. Pensei nas incursões de Lévi-Strauss por aquelas bandas. Senti, com a pele arrepiada de emoção, sua presença ao ver um índio completamente nu, apanhando, com um movimento brusco da mão, um grande inseto e comê-lo imediatamente. -Tudo que se mexe e tem vida, eles comem - me falaram numa aldeia nhambiquara que visitei. Isso é universal e depende da ordem da natureza. Em meados de 1938, o grande antropólogo, a serviço da Universidade de São Paulo (USP), que dava os primeiros passos na vida acadêmica do país, passou por Vilhena, Pimenta Bueno, Porto Velho e Guajará Mirim, cidades em que também estive. Na ocasião, Lévi-Strauss recolheu cansativo e exausto material para produzir sua obra, que marcaria para sempre a cultura ocidental e dava ao mundo notícias daquelas fronteiras e de seu povo, até então desconhecidos da comunidade científica na área das ciências humanas. Surgia, no oeste brasileiro, a sua grande vocação antropológica. Foram esses acontecimentos míticos publicados no livro "Tristes Trópicos" (1955) que lhe trouxeram fama e reconhecimento internacional. A vida acadêmica está de luto, mas nós, paradoxalmente felizes, por tomarmos conhecimento de um gênio, que, entre outras coisas fenomenais, aliou, por exemplo, os protótipos lingüísticos dos triângulos vocálicos de Jakobson com triângulos culinários, representantes de oposições binárias, nunca antes teorizadas, parecendo abrir para o homem a impossível apreensão do infinito saber.
ATÉ A PRÓXIMA

19 de outubro de 2009

A VOLTA DO FANTASMA



Já havia dito, em crônicas anteriores, que, quando estivera em Portugal, trabalhando num projeto apresentado ao meu Departamento de Lingüística da Universidade do Estado do Rio de janeiro, conheci um simpático fantasma que morava na ante-sala de entrada do Palácio da Pena ou Castelo da Pena como é mais conhecido na região de Sintra. Estivemos juntos durante boa parte de minha estada pelas plagas lusitanas e nos identificamos tanto, que o trouxe em minha bagagem de mão, a bordo de um Boeing de longo curso da TAP. Pois bem, estivemos juntos aqui no Brasil e minha preciosa e cultíssima aparição visitou comigo muitos lugares encantadores, principalmente da Região Sul, onde, atualmente, resido. Nosso último passeio tinha sido à festa da Marejada, em Itajaí, há uns dois ou três anos atrás. Divertimo-nos muito, principalmente com as encenações folclóricas da sua terra natal, a Serra da Lua ou Monte Sagrado. Depois disso sumiu. Pensei que o tivesse magoado com algumas observações sobre como deveria se comportar, para não assustar ninguém, quando estivéssemos nas residências de meus amigos, em reuniões de fim-de-semana ou em tertúlias literárias, como acontecem em Florianópolis e Blumenau. Mas não, ele sentiu saudade de seus parentes da corte de D. Dinis, fantasmas gentis e agradabilíssimos como ele e voltou para Sintra. Depois de algum tempo desaparecido eis que se materializou bruscamente, valendo-se de uma branca fumaça que saia de uma churrasqueira repleta de graúdas sardinhas, quando eu, novamente, visitava a 23ª Marejada, ontem, à tardinha, dando-me um baita susto, pois há muito tempo nem pensava nele. Mas ele veio, portava um elegante ectoplasma e sentou-se comigo num banco de jardim, do lado de fora do grande e novo galpão que abriga a festança de comes-e-bebes, de inúmeras receitas portuguesas do pessoal de Itajaí. Percorremos o interior dos pavilhões, conversamos sobre as novidades e modernidades de Lisboa, bem pertinho de Sintra, falamos, é verdade, um pouquinho da vida alheia e já estávamos para sair, quando meu hialino amigo me repreendeu, com toda a veemência de sua cavernosa voz, dizendo que era um absurdo, numa festa portuguesa por excelência, haver uma quantidade incontável de barraquinhas de cachorro-quente, pizzas de estranhos sabores e vinhos vagabundíssimos. Alem, é claro, de tudo estar armado em horrorosas barraquinhas toscas, num ambiente arquitetônico de infinito mau gosto. Não pude tirar sua razão, pois fiquei do mesmo modo muito decepcionado, não só pela péssima gastronomia exposta, como pela sujeira que imperava nos ambientes internos. Meu etéreo e exigente amigo jamais esquecerá que Sintra exerceu considerável influência romântica na harmoniosa arquitetura européia. Isso é que é fantasma culto, o resto é assombração....

ATÉ A PRÓXIMA


18 de outubro de 2009

É OURO NO TIRO AO ALVO



Não adianta passeata, rezas, velas acesas, promessas, 40.000 homens das polícias civil e militar nas ruas, Força Nacional, helicóptero novo, comprado com os recursos do PRONASC (Programa Nacional de Segurança com Cidadania), nada disso resolve para trazer a paz ao Rio de Janeiro, se não for mudada a Lei de Execuções Penais, e muitas outras que tratam os bandidos muito mais brandamente do que o cidadão comum, honesto, trabalhador e ordeiro. Já tem matador do jornalista Tim Lopes na rua, em regime semi-aberto... Assim como está vamos ver ruírem todos os projetos para realizar na cidade do Rio de Janeiro as próximas festividades, a Copa do Mundo de Futebol, em 2014 e as Olimpíadas, em 2016. Se não se adotar a Tolerância Zero, a polícia revidando e atirando para matar esses bandidos sem nenhuma recuperação, não haverá nenhuma festa nesta cidade que já foi maravilhosa. O que existe é um estado de guerra mesmo, entre as facções de bandidos, ligados ao crime organizado, de um lado e a sociedade civil de outro. O que aconteceu no morro dos Macacos foi uma verdadeira incursão militar de facções criminosas, uma tentando eliminar a outra e a polícia revoando o teatro de operações, tentando intimidar, dando vôos rasantes com um helicóptero sem nenhuma blindagem, oferecendo-se como alvo aos facínoras. Estavam mesmo querendo ser derrubados. Sabemos, sim, que se houver um aberto tiroteio a população da comunidade acuada, morro acima e morro abaixo, será alvo certo de todos os tipos de balas: as achadas, as perdidas e as escondidas... Uma vergonha! O Governador e o Prefeito têm, sim, que se preocupar com a repercussão disso no exterior, pois o Rio está, há muito tempo, na mira dos noticiários da mídia estrangeira, por causa da violência que impera nessa cidade, que não merece o tratamento que teve de muitos dirigentes que fizeram vista grossa para toda espécie de crime, desde a contravenção da roleta, tida como inocente joguinho de bichinhos, até o tráfico de armas e drogas. Com uma legislação no mínimo esquisita, a bandidagem vai levar todas as medalhas de outro nessas Olimpíadas. Ou por mérito ou na marra.


ATÉ A PRÓXIMA

14 de outubro de 2009

DIA DO PROFESSOR



Amanhã, dia 15 de outubro, é o dia do Professor. Na comunidade há três funções sociais indispensáveis à coesão grupal: a função do médico, que trabalha com os mistérios da vida e da morte; a função do advogado, que é o detentor da chave da cadeia e a função do professor, que é o transmissor de todo o conhecimento acumulado pelo homem, tornando-se 0 desencadeador da aceleração de toda sociedade. Pois bem, amnhã é o seu dia. Dia dos representantes dessa profissão tão desprezada pelas políticas públicas, pelos governantes e até mesmo pela própria população, que não vê mais nos mestres das escolas, de todos os níveis, aquele único agente social capaz de alterar o comportamente dos mais jovens, direcionando suas vidas para a participação consciente e responsável, transmitindo-lhes os conhecimentos transformadores da realidade circundante. Hoje, a classe dos professores está entre as mais desprestigiadas, sem nenhuma perspectiva de voltar a ser respeitada por todos, para poder, através do processo ensino-aprendizagem, transformar o presente, formar e informar as futuras gerações, conseguindo atingir, assim, as metas necessárias para que todos possam alcançar a plena felicidade em suas vidas, com dignidade, decência, saber e honestidade. Esquecemos que a atuação docente está sustentada pelo tripé "conhecimento específico", "condições de trabalho" e, num contexto capitalista, "remuneração adequada". A educação está falhando no Brasil porque esse tripé, de alguma forma, não funciona. Por outro lado, sentimos que a profissão de professor, no atual contexto, privilegia o TER em detrimento do SER, e isso torna essa profissão perigosa, de alto risco e poucos querem dela participar. Mas os verdadeiros mestres, os verdadeiros professores por vocação, os abnegados trabalhadores da articulação do saber, na esfera do psicossocial, não hão de se render à barbárie política de um governo sem projetos educacionais e devem continuar sempre exercendo com motivação sua missão especialíssima, mesmo tendo consciência de que, quase sempre, desempenham um trabalho de Sísifo. Avante em sua luta, Professor Brasileiro, trabalhador do convencimento nos mais distantes rincões desse país desigual! Continuem em sua luta incruenta contra a ignorância, em prol do saber e da justiça social, atuando na culturalização das massas e na disseminação dos bons exemplos. Parabéns pelo seu dia, professor brasileiro, sofredor, herói anônimo de cada sala-de-aula desse imenso Brasil!
ATÉ A PRÓXIMA

2 de outubro de 2009

AS OLIMPÍADAS DE 2016 SERÃO AQUI




Parabéns Rio de Janeiro. A Cidade Maravilhosa vai sediar os Jogos Olímpicos em 2016. Foi um trabalho sério, realizado pelos nossos técnicos, especialistas de toda ordem, políticos e representantes dos mais variados segmentos esportivos brasileiros, que souberam convencer a comissão organizadora do Comitê Olímpico Internacional (COI), em Copenhague, mostrando que o Brasil pode realizar uma festa de tal envergadura. Hoje é um dia histórico para nós, pois será a primeira festa olímpica na América do Sul. O “loby” brasileiro foi muito bem executado e contou com inúmeras autoridades lá na Diamarca, inclusive o presidente Lula. O Rio de Janeiro será o maior beneficiário desses jogos, porque a cidade deverá ser completamente remodelada, com o surgimento de benfeitorias em seu sistema de transporte de massa e em vários outros setores, trazendo para a população um bem-estar há muito tempo esperado. O esporte deverá amadurecer e receber, além de incentivos oficiais para fazer bonito na competição olímpica, um forte contingente de jovens atletas, motivados pela escolha do Brasil para abrigar esse grande acontecimento, tudo por força do aumento inevitável da auto-estima de cada brasileiro, de cada carioca, o que é fundamental para uma participação competitiva, alavancada por essa motivação tão ansiosamente esperada por todos nós. O Rio de Janeiro vai arregaçar as mangas e começar a trabalhar duro e firme na realização do Projeto Olímpico que deverá ultrapassar as benesses do imediatismo e projetar no futuro a grandeza desse presente invejável. Mas nossos políticos e todos os demaisresponsáveis pelas transformações que a cidade do Rio de Janeiro sofrerá terão de sertão sérios no manuseio das bilionárias verbas que serão alocadas para a realização das obras, quanto foram para convencer os delegados do COI com direito a voto. Que seja essa uma nova era para a Cidade Maravilhosa. Era de prosperidade e remissão dos incontáveis crimes aqui perpetrados, em nome da ganância, da corrupção e do oba-ôba passageiro. Não devemos nos mirar nos desmandos ocorridos nas olimpíadas realizadas em 2004 na Grécia e sim nos valores olímpicos que o povo grego dispensava a esses jogos e que o coração de Pierre de Fredi, o Barão de Coubertin, enterrado em Olímpia, pulse honesto no peito de nossos dirigentes políticos, empresários e responsáveis pela preparação atlética de nossos futuros heróis olímpicos. Parabéns Cidade Maravilhosa, Rio-Cidade, Rio-Sonho, sonho de um Deus petrificado no alto do monte, que acordará feliz por ter realizado um sonho, sonhado por milhões de cariocas.


ESSA MESMA POSTAGEM ESTÁ NO MEU BLOG "LETRAS FUTEBOL CLUBE"


ATÉ A PRÓXIMA

1 de outubro de 2009

FURTO NO ENEM


São mais de quatro milhões de jovens frustrados com a notícia do cancelamento das provas do ENEM. O fato foi noticiado hoje de manhã pela mídia, em todo o Brasil. Não é preciso falar da decepção causada nos estudantes, postulantes a uma vaga na universidade. Os prejuízos foram incalculáveis. Prejuízos materiais e morais. Os materiais serão debitados aos próprios alunos e às suas famílias, além de atingirem toda a sociedade, pois os recursos alocados para a confecção das provas provêm do erário público. Os prejuízos morais são irreversíveis. O que estarão pensando esses jovens e seus familiares, últimas vítimas de mais uma fraude, de mais um furto, de mais uma maracutaia no setor público de nossa educação? Uma vergonha! Não se pode, realmente, confiar mais em ninguém nesse governo despreparado. O furto de algumas questões provocou o cancelamento da prova. O próprio Ministro da Educação anunciou o adiamento da prova, após denúncia do ESTADO DE SÃO PAULO sobre a quebra do sigilo e a tentativa de alguém querer vender as questões por R$ 500 mil. O homem que procurou o jornal afirmou: "Isto é muito sério, derruba o ministério". O fato é esse. Gravíssimo, pois coloca mais de quatro milhões de jovens numa situação aflitiva e retira desses adolescentes o sentido, que por certo ainda têm, de lisura e seriedade, nas coisas públicas. Furto na educação é a maior ignomínia criminal praticada contra os estudantes que acreditam na força do saber e na ação transformadora da educação, exclusivamente pelo mérito. Mas o que eles não sabem é que, hoje, no Brasil, há também, no setor educativo, forças do bem e do mal. O ocorrido com o ENEM foi a manifestação da força do mal, arraigada profundamente, como corrupção, na sociedade brasileira de um modo geral e, agora, aflorando neste setor vital de nossas vidas, a Educação. A força do bem, graças a Deus, ainda é pujante em muitas de nossas universidades públicas que lutam desesperadamente para transformar o educando, dando-lhe informações específicas, condições de aprendizagem e preparo para vencer na vida profissional, envolvendo a sociedade em suas tarefas e projetos, procurando, assim, desempenhar suas funções básicas de ensino, pesquisa e extensão.

ATÉ BREVE.

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