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18 de fevereiro de 2011

TABU OU ESCRITA ?


Ao Prof. Leodegário A. de Azevedo Filho, in memoriam.


O vocábulo ESCRITA, em linguagem figurada informal, está dicionarizado e é assim que Antônio Houaiss registra: “o que constitui uma rotina ou aparenta constituir uma rotina. Esse termo tem sua origem nos cadernos de anotações que existiam nas antigas vendas, empórios ou armazéns de antigamente, onde o dono do estabelecimento dava crédito aos seus melhores fregueses, anotando, escrevendo no seu caderno os valores devidos, referentes a gastos no estabelecimento, geralmente de secos e molhados. Está no caderno ou ficar na escrita do português da venda eram expressões que se ouviam e se presentificavam como formas lingüísticas vivas, ativas, portanto, num determinado tempo, e perduraram enquanto esse comércio de bairro pode resistir às investidas dos supermercados, que hoje dominam esse segmento do comércio de atacado e varejo, utilidades e gêneros alimentícios de primeira necessidade. Essas expressões marcaram significativamente a vida de todos os cidadãos modernos e hoje estão recuperadas e se resumem no termo ESCRITA, que, portanto se prende ao campo semântico de rotina, de costume, de repetição. Em rotina está presente a idéia do hábito de caminhar. Aliás, rotina vem do francês “routine”, que significa propriamente hábito do caminho (route), como nos ensina A. Nascentes. Então, ESCRITA, sob este aspecto, surgiu como metáfora, uma forma de um crédito numa operação comercial. A metáfora se estendeu para a linguagem especial do futebol, como no exemplo acima, citado pelo filólogo Antônio Houaiss, em seu Dicionário da Língua Portuguesa. No Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, vamos encontrar o mesmo registro, com um exemplo bem mais significativo, pois cita a fonte do emprego da linguagem figurada que envolve o termo ESCRITA, situado no campo semântico de ROTINA: “O América conseguiu sua primeira vitória na Taça de Ouro ao derrotar o Bahia por 2 a 0, ontem à noite, na Fonte Nova, confirmando a escrita de que dificilmente perde seus jogos na Bahia” (Jornal do Brasil, 14.2.1985).

Ultimamente estamos observando que muitos comentaristas de futebol, como também locutores, repórteres e demais profissionais ligados aos esportes de massa, estão relacionando o termo ESCRITA com o termo TABU, atribuindo a este os significados daquele, numa espécie de expansão de conceitos, aliás, fenômeno lingüístico comum e que acontece com alguns termos da linguagem especial do futebol. Seve como exemplo o verbo PENDURAR, que passa a significar APOSENTAR-SE, na expressão PENDURAR AS CHUTEIRAS. Isso ocorre por similitude das ações, pois quem PENDURA a sua ferramenta de trabalho (as chuteiras) num prego em uma parede, deixa o trabalho, no caso a profissão de jogador, APOSENTA-SE , para viver de outras fontes de renda. Mas entre ESCRITA e TABU essa similitude não é tão evidente, a não ser que o conceito de TABU esteja coletivamente, tomando outro significado, num determinado segmento sócio-cultural, de forma equivocada. Isso também pode acontecer e é um fenômeno lingüístico possível de ser explicado, como acontece, por exemplo, com o termo PINGUE, onde seus constituintes fônicos parecem quebrar a arbitrariedade do signo lingüístico, dando a falsa impressão de se tratar de alguma coisa que significa POUCA, quando, na realidade etimológica (Lat. Pingue, is), PINGUE significa MUITO, ABUNDANTE, GORDO, NUTRIDO.

O termo TABU vem do polinésio tabu, que significa sagrado, invulnerável. "TA" significa marcado e talvez esteja aí a ligação semântica, através do processo conhecido como etimologia popular, pois é forte o SEMA contido em ESCRITA, relacionado a ANOTADO, ROTINEIRAMENTE ANOTADO, ROTINEIRAMENTE ESCRITO. Mas isso é uma especulação etimológica, uma hipótese diacrônica, num estudo superficial que pode até estar correto, mas é duvidoso. Contudo, a nosso juízo crítico e aprofundado, não existe essa ilação e o que ocorre mesmo é que está se dando um novo significado ao significante antigo TABU. Ou por desconhecimento dos sentidos primeiros do termo polinésio ou por se querer encontrar no invulnerável, no sagrado de TABU uma relação qualquer com ROTINA. Não vejo como conciliar isso. A não ser que, através de um tremendo esforço semântico, se imprimisse ao sintagma QUEBRAR UM TABU, o sentido de QUEBRAR UMA ESCRITA e, nesse caso, o termo TABU perderia totalmente o seu significado primeiro. Isso pode ocorrer e não é nenhuma surpresa, pois é muito difícil, já dizia Freud, encontrar uma tradução final para o TABU polinésio, pois não se possui mais o primitivo conceito que conotava.

Nos exemplos abaixo isso assim funciona.

O Brasil nunca foi campeão olímpico. Vamos quebrar esse TABU (ESSA ESCRITA), em 2014.

Veja esse TABU (ESSA ESCRITA) futebolístico(a). O Brasil sempre perde nas Olimpíadas.

O Brasil não possui o título de campeão olímpico. Isso é um TABU (UMA ESCRITA) a ser quebrado(a).

Portanto, não pretendemos criar novos significados para TABU, deixando essa palavra que era conhecida entre os antigos romanos como “sacer”, entre os gregos como “äyos”e entre os hebreus como “kadesh”, todas com o sentido aproximado do termo polinésio. TABU será tanto sagrado, consagrado, como misterioso, perigoso, proibido, impuro. Mas nunca ROTINA, e muito menos ESCRITA.

ATÉ A PRÓXIMA

AS FOGOSAS AVENTURAS DE J. FERREIRA




Estou postando nesse BLOG DO PROFESSOR textos dedicados à memória do Professor Leodegário A. de Azevedo Filho, meu amigo e compadre, falecido no dia 30 de janeiro de 2011, no Rio de Janeiro e também os que escrevo normalmente sobre as coisas do Sul, da Bola e das Letras. Crônicas do dia-a-dia que há quatro anos venho postando nesse espaço aberto aos que apreciam esse estilo que reflete a vida social, os costumes e o cotidiano de nossa gente.


EDITORA 7 LETRAS, RIO DE JANEIRO, 2008, 128 PÁGINAS.

AS FOGOSAS AVENTURAS DE J. FERREIRA é um romance de Maurício Murad que pretende ser uma fábula, com resquícios literários machadianos e que fala da vida, do amor e dos percalços por que passa um casal da classe média de nossos dias. Uma doença degenerativa, o Mal de Alzheimer, ceifa a vida do personagem central. A narrativa se torna densa. Ceifa a vida, mas não o prazer do texto, como diria Roland Barthes. O Autor mistura suas experiências de vida com um imaginário relacionamento familiar. Nos seus dez capítulos, o livro nos apresenta a progressão de um envolvimento bem articulado do narrador com o personagem central, João Ferreira, tratado referencialmente como J. Ferreira. Cada capítulo recebe um nome, significativamente retirado da história do texto desenvolvido.
O livro apresenta uma DEDICATÓRIA poética, referindo-se a três personagens chaves, onde a poesia já contracena com as duras vicissitudes da vida, prenúncio da morte, suavizada por uma narrativa eminentemente conotativa, escamoteando o triste desfecho da história. Assim, a partir desse primeiro contato com o romance, a metáfora do riso surgirá principalmente no primeiro capítulo, contrastando sempre, por antítese, com a tristeza da morte. E o primeiro capítulo funciona como uma introdução, apresentando o personagem Jota, através do discurso indireto livre e uma fala direta propositadamente dirigida ao leitor, que se excita e por isso se seduz com um discurso que lembra a técnica machadiana, fazendo do leitor seu cúmplice e parceiro.Os recursos estilísticos utilizados por Maurício Murad são inúmeros e variam da metáfora ao estranhamento. Das sinestesias às hipálages, as mais variadas.

Olhei, meio porque não estava fazendo nada mesmo, e porque fui induzido a olhar para a frase que insistente serpenteava o tempo e ondulava o espaço”.

Com erudição, trabalha com maestria a grande característica do protagonista Jota, a sua simpatia e o seu riso, para quem, talvez, a vida poderia ser vista como uma grande comédia, rindo com todo o corpo, “menos com a boca”, região do corpo humano em que se especializou profissionalmente, como dentista. E no bloco praticamente da apresentação do personagem central, com uma sutil e bem colocada ironia, percorre inúmeras veredas do conhecimento, como na apresentação do bordão criado por J.Ferreira, o calor de bode. E as citações latinas surgem sem agredir o leitor, como a clássica sentença romana, “asinus ad liram”. De Santeui recolhe a máxima latina "ridendo mores castigat". E continua como crítico do cotidiano a colocar o dedo sobre as mazelas da vida social:
Crime pior do que assaltar um banco é fundar um banco”.

A leitura da vida se faz pelas palavras e seus significados primeiros.

Apesar da idade avançada e o jeito lento, tinha um aperto de mão cheio de personalidade e presença, dava pra sentir e eu senti o seu vigor. Fogoso, claro, fogoso! Tudo nele era fogoso. Todas as aventuras dele eram fogosas e fogosas não no sentido comum do termo. Marketing apelativo de um erotismo barato e diário, não, mas fogosas como fogo e fogo como energia, como vida, com alma, desse jeito mesmo como entendiam os gregos e sua mitológica mitologia”.

Serve-se de termos e frases latinas demonstrando erudição sem a pompa discursiva do academicismo, privilegiando a diacronia sobre a sincronia vocabular. E isso ocorre sempre que pretende teorizar.
Maurício Murad trabalha com o intertexto e sabe dosá-lo, sem ser ostensivo, colocando o saber no lugar certo, onde ele deve ser colocado, compondo o enredo, com exatidão, sem pernosticidade.

Ai, que saudades eu tenho, da aurora de minha vida, da minha infância querida, dos tempos que não voltam mais”.

O poético e a poesia em As fogosas aventuras de J. Ferreira surgem, muitas vezes, pela tentativa de uma teorização crítico-literária (“a poesia não é de quem a faz, mas de quem dela necessita”) e por alternância sintagmática em quiasma (“...e simultaneamente chorou e sorriu, sorriu e chorou”). Essa combinação de artifícios estéticos e lingüísticos imprime ao texto de Maurício Murad um estilo próprio, colocando seu discurso numa posição de significativo destaque na literatura brasileira atual. E com essa técnica narrativa apurada, o romance flui através do discurso indireto livre, o que posiciona o leitor no tempo subjetivo da narrativa. Nesse tempo proposto pelo autor, quase sempre, os diálogos surgem sem possibilidade de um feed-back, mas têm poder de captar a nossa atenção, evitando a dispersão. Diálogo proposto, monólogo exposto.

Ao retornar já tinha um plano completo para mim, que nunca revelou... para mim. Soube tempos depois, certa feita, num desses encontros em que caminhávamos pelo calçadão, soube por Jota que estava bravo com Analu, porque ela agora deu para inventar que eu estou esquecendo as mínimas coisas e não é verdade, eu lembro de muitas e muitas coisas, mesmo quando antigas”.

A narrativa do romance oscila sempre entre o autor onisciente e seu contraponto, J. Ferreira. É uma conversa com o leitor, para tentar chegar à degeneração física da personagem, praticamente biografada, no último capítulo, mas sempre com atenuantes minimizadoras da terrível realidade, o Mal de Alzheimer. Os textos se aproximam de um relatório amenizados por passagens poéticas (“Assim aspiro, assim espero”).
O caminho que se avizinhava era tortuoso e imprescritível. Nesse tipo de morada, as ruínas humanas eram vistas a olho nu. O nosso Jota havia chegado a um ponto onde os limites da existência se apresentavam duros e cruéis, acotovelando-se impiedosamente ao redor da pessoa. Eu era sabedor que essas baixas camadas da vida lá estaria pra nos receber”.

Finalmente, a personagem J. Ferreira fala pela narrativa onisciente do autor e uma das atenuantes acima referidas pode se encontrar no próprio título do último capítulo: PRIMEIRO DE ABRIL É UMA BOA DATA. Lá, até as metáforas, indicadoras do predomínio da conotação sobre a denotação são mais fortes, pesadas, mas aliviam a tensão que domina o texto final, impregnado pelo intertexto machadiano, onde o poético dilui o trágico.


ATÉ A PRÓXIMA

AS MARCHINHAS CARNAVALESCAS VÃO VOLTAR ?


Estou postando nesse BLOG DO PROFESSOR textos dedicados à memória do Professor Leodegário A. de Azevedo Filho, meu amigo e compadre, falecido no dia 30 de janeiro de 2011, no Rio de Janeiro e também os que escrevo normalmente sobre as coisas do Sul, da Bola e das Letras. Crônicas do dia-a-dia que há quatro anos venho postando nesse espaço aberto aos que apreciam esse estilo que reflete a vida social, os costumes e o cotidiano de nossa gente.



“Tanto riso, oh quanta alegria, mais de mil palhaços no salão...



Será que ainda existem arlequins e colombinas ? Não há mais bailes de carnaval ! A Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro mudou. O Brasil mudou. O mundo mudou. Nós mudamos. A folia de carnaval combinava com o romantismo do pecado, escamoteado em rápidos agarramentos, beijinho no pescoço, alguns até na boca e mãos alisando os seios pela metade. Isso mesmo, só a parte de cima. Apalpá-los totalmente só na terça-feira gorda. Hoje, as cenas da Casa Mais Vigiada do Brasil, que repetem as orgias das casas de prostituição da Rua Alice, dos idos dos anos 40, com muito mais profissionalismo, não despertam em ninguém nenhuma sensação de desejo. Vulgarizou geral. As investidas da rapaziada nos blocos de sujo para cima das meninas deixaram de ter motivação. Consegue-se tudo isso a qualquer momento, com qualquer parceira, em nome de uma modernidade luxuriosa, presente em todas as casas que tenham um aparelho de televisão ligado na Rede Globo, ufanisticamente aplaudida por um povinho sem cultura nenhuma e com um gosto musical, esteticamente castrado, fã ardoroso de um grande animador, dublê de literato, apresentador desse programa chamado, só para disfarçar, de jogo de relacionamento social.Nos carnavais de antigamente uma libidinagem bem acanhada e o proibido mesmo alimentava a fantasia do desejo, explodindo toda a manifestação sensual reprimida, na verbalização das marchinhas carnavalescas, com suas letras quase sempre falando da paixão carnal, dor de cotovelo, de amor não correspondido, tudo com metáforas poéticas, sem vocábulos chulos e muito duplo sentido, um resquício de recato, para não falar vergonha, que desapareceu totalmente nos dias de hoje. Os temas recorrentes a assuntos que agora poderíamos chamar de politicamente incorretos, ou de socialmente degradados, como, por exemplo, a famosa Cabeleira dos inúmeros Zezés, que andam por aí, eram retratados metaforicamente, com recato e com duplo sentido, diluindo o referencial numa linguagem figurada bem arrumada. Isso mesmo, com RIMA !Também era muito comum nas letras das marchinhas de carnaval a crítica política, explicitada através do humor como riso. As "maracutaias" dos políticos da época surgiam espirituosamente nas músicas carnavalescas, sempre com retumbante sucesso, como se o desvio social do homem público fosse alguma coisa para se achar graça. Mas era assim, mesmo e creio que a coisa ainda não mudou... Quanto aos desmandos e às roubalheiras dos políticos atuais, parece que nisso ninguém mais acha graça, não. Mas muita gente deixa como está, porque pior não pode ficar, não é Deputado Tiririca? Esses desvios no comportamento político não têm mais graça nenhuma e, agora, não seria tema de nenhuma música carnavalesca, pensamos nós. A censura dos anos 40 e 50 ainda despertava a vontade de se criticar o “status quo” . Parece que hoje, isso não funcionaria. A divulgação das músicas vencedoras nos concursos de marchinhas carnavalescas da TV Globo não são muito divulgadas pelo rádio, como antigamente. Aliás, o Rádio também mudou. Não se faz mais uma PRE-8, Rádio Nacional, como antigamente, no Rio de Janeiro! No interior do Brasil as emissoras de rádio só tocam música da pior qualidade. E quem ouve? Gente de uma sensibilidade também muito questionável. Realmente, os tempos mudaram, mas a música, erudita ou popular, e a poesia construída com nosso idioma sempre terão um lugar de destaque na vida artística de todos aqueles que cultuam a arte e trabalham com a estética do belo.


Arlequim está chorando pelo amor da Colombina, no meio da multidão”.


ATÉ A PRÓXIMA

6 de fevereiro de 2011

OS AMIGOS VÊM DE LONGE



Na lindíssima e emocionante Missa de 7º Dia da Ressurreição de Leodegário A. de Azevedo Filho, rezada pelo Pe. Jorjão, na Capela da Universidade de Notre Dame, neste último sábado, os amigos do grande mestre Leodegário vieram de todos os cantos do Brasil e do mundo.
Sebastião Tavares de Pinho, seu amigo de muitos e muitos anos, chegou de Lisboa para confortar a família enlutada e chorar com os amigos comuns. Muito comovido abraçou-nos a todos.
Somente figuras grandiosas de espírito, como Leodegário A. de Azevedo Filho, são capazes de conquistar o respeito e a amizade sincera de tantos com quem lidou, tanto no campo profissional como no dia-a-dia, conforme testemunhei em suas participações nas inúmeras Exposições de Canários, realizadas nos subúrbios cariocas.
Leodegário, a nossa eterna saudade, amigo de mais de 50 anos!

3 de fevereiro de 2011

OLÁ, AMIGO LEO...



Se eu pudesse escrever uma carta para o Leo…
Eu diria:
Olá professor, doutor, filólogo, literarato,
Mas estes títulos desaparecem quando os jovens nos julgam velhos e a aposentadoria apaga nossa identidade, então
Eu diria apenas:

Olá amigo,
Este título é permanente. Leodegário era assim. Tocava-se a campainha da casa, ele abria a porta e dizia: Entre, entre. Quanto tempo! Que bom vê-la. Sempre havia um lugar, ou melhor, muitos ao redor da mesa. Nunca faltava um whiskizinho e, lógico, os quitutes da Ilka. O papo rolava. O relógio parava. As palavras se desdobravam em frases, sentenças, num discurso tão variado e infinito quanto a erudição do amigo. Camões estava sempre presente. Não gostava do whisky, mas sua presença era sentida. Da mesa ía-se à sala contígua onde os livros contavam histórias de muitos séculos e se juntavam uns aos outros numa festa intelectual. Eram os outros amigos sempre presentes, convidando os novos que chegavam a ingressar no círculo da amizade.
Leodegário me ensinou tanto, tantas vezes, sua generosidade era uma dádiva ao compartilhar o conheicmento por puro prazer sem nada pedir ou exigir de volta. Lá pelas tantas o relógio decidia voltar à ativa, era a hora do sono chegar e dos sonhos literários descansarem até o dia seguinte.
Leo, você não foi, está aqui presente, continuará presente nas rondas intelectuais, nas palavras suas que serão transmitidas pelos mestres e nos pensamento dos novos alunos que continuarão a jornada. E quando todos estes se ausentarem, você continuará eternamente presente nas linhas, nos parágrafos, nos textos que o tempo não destruirá.
E Camões diria:

O cisne, quando sente ser chegada
A hora que põe termo a sua vida,
Música com voz alta e mui sentida,
Lamentos pola praia inabitada.
Deseja ter a vida prolongada,
Chorando do viver a despedida;
E, com grande saudade da partida,
Celebra o fim tão triste jornada.

Todos nós somos o cisne, pois não queríamos o fim de sua jornada.
Amigo Leo, você está aqui, sempre presente.

Saudades,
Monica Rector

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.