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9 de abril de 2012

O PLEONASMO DE JOEL SANTANA





“O mundo do futebol é assim, ele muda de uma rapidez muito rápida”



O que é um PLEONASMO? Vejamos. O grande filólogo brasileiro, Joaquim Mattoso Câmara Jr. diz que pleonasmo é o “nome tradicional que se dá à redundância no âmbito da significação externa, ou seja, no âmbito das palavras. É essencialmente motivado por uma intenção estilística e pertence às figuras de linguagem”. Difícil? Não entenderam nada? Então, vamos tentar continuar esse papo. Pleonasmo é uma REDUNDÂNCIA, isto é, algo repetido, como subir pra cima, descer pra baixo e ocorre quando o significado de uma palavra é expresso mais de uma vez na mesma comunicação lingüística. Mas há pleonasmos que não causam nenhum espanto. Vejam  essa expressão muito usada. Palavra de rei não volta atrás. Nunca vi nada voltar pra frente. Mas aí não dói ao ouvido. Por quê? Porque a grasseria ficou diluída, talvez. Mas a tal da REDUNDÂNCIA, às vezes dói no ouvido. Vejamos. A redundância pode ser gramatical ou semântica. É gramatical quando, por exemplo, repetimos o pronome pessoal NÓS numa expressão verbal, como NÓS FALAMOS, pois sabemos que em FALAMOS, a desinência número-pessoal MOS já diz que o sujeito é NÓS. Aí não dói! Mas quando a REDUNDÂNCIA é semântica a coisa fica mais fora de controle e a gente pisa na bola, como aconteceu com o técnico do Flamengo, no último sábado, após o jogo contra o Vasco, no Engenhão. Ele disse que “o mundo do futebol é assim, ele muda com (de) uma rapidez muito rápida”. Joel foi traído pela incompetência da competência lingüística em falar, pois seu pensamento não encontrou, instantaneamente, as palavras  ou os significantes necessários para encaixar os significados que ele pretendia apresentar ao ouvinte e aos telespectadores do SPORTV, da Globo. O significado de rápido é comum à sua família etimológica, visualizado em "rapidez" e "rápido(a)", por exemplo. Mas a repetição enfática, do técnico do Flamengo, no ardor da emoção imposta pela pressão em falar da atuação de seu time que, embora vencendo -  conquistou a vitória somente no final da partida -  com um pênalti aos 47 minutos finais, embotou o repertório do comandante rubro-negro, fazendo-o esquecer de outros significantes que poderiam se ajustar ao seu enunciado como, por exemplo, o possível adjetivo "SIGNIFICATIVO". É claro que a expressão manifesta que provocou risos e que deu à mídia motivo de chacota, teria na estrutura profunda ou latente da língua a seguinte materialização: o mundo do futebol é assim, ele muda com uma rapidez muito significativa. Ou ele muda muito de repente. Se Joel Santana assim tivesse se expressado, não teria virado notícia no universo esportivo, pois o cômico que provoca o riso só se consubstancia quando surge uma fenda ou desvio no comportamento social do sujeito, no caso, uma equivocada realização linguística do técnico  do Time da Gávea, e o clássico Famengo X Vasco não teria tido maiores repercussões, a não ser, também, por uma outra lambança, mas esta protagonizada pelos jogadores do Vasco tentando dar um "sacode" no juiz. Mas de qualquer forma, o Fluminense agrace. Estamos no páreo e nos aguardem...

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.