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21 de junho de 2013

BANDIDOS TRAFICANTES INFILTRADOS NA PASSEATA DO RIO DE JANEIRO

Eu já desconfiava e meu filho, ontem, depois de participar da esplendorosa passeata, em manifestação pacífica, me confirmou. Esses baderneiros são bandidos do tráfico que desceram os morros pacificados pelas UPPs e se infiltraram, com a cara tampada, entre a população, para roubar, assaltar, sequestrar, danificar o patrimônio público e destruir tudo, obtendo dinheiro de caixas eletrônicas, furtando, ainda, lojas e mais lojas. Destruíram tudo sem nenhum propósito. Destruíram até as reivindicações, expostas em cartazes estendidos na rua, incendiando-os propositadamente. Junto com esses bandidos do tráfico estavam os delinqüentes e desqualificados, pobres diabos, que sobrevivem como párias dessa mesma sociedade criticada na passeata, representadas por políticos, que nunca os compreenderam e por eles nada fizeram em seus mandatos. Esses miseráveis não entenderem que era justamente para dar fim a tudo isso e contra esses mesmos homens públicos, que o povo conscientemente, pacificamente e com propósitos definidos, se manifestava, de forma ordeira, pedindo o afastamento definitivo dessa corja da vida pública, entre muitas outras reivindicações. Era gente do BEM, envolvida pelas agitações do MAL. A ficha caiu. Meu filho viu. Meu filho presenciou a bandidagem agir. Foram eles, os bandidos traficantes que desceram das favelas, expulsos por essa mesma polícia que parece ter se confundido, mais orientada – creio - por propósitos escusos, do que por iniciativa de seus homens, que, de acordo com o bom senso, deveriam ser preparados para esses enfrentamentos. A organização do Estado não é tão ingênua assim. É claro que a cúpula do Governo do Estado do Rio de Janeiro sabia disso. Agora? Tem de haver severa repressão a esses bandidos do tráfico, pois esse movimento não pode esmorecer e morrer nas lindas praias do Rio de Janeiro, nem em todo o território nacional..

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18 de junho de 2013

PARABÉNS AO PROGRAMA LINHA DE PASSE - ESPN -



Parabéns à ESPN, canal 30, da Sky! O programa Linha de Passe, nessa segunda-feira, dia 17 de junho, teve um comportamento digno de aplausos por parte de todos os aficionados pelo futebol, que assistiram a esse bate-papo noturno. Quero deixar registrado que todos os seus participantes, sem nenhuma exceção, tiveram um discurso claro, inteligente, honesto e, principalmente, correto em abordar as recentes manifestações do povo brasileiro, nas ruas das grandes e pequenas cidades, indignado pelos desmandos dos maus políticos, que, infelizmente, são a grande maioria, a desrespeitar o cidadão brasileiro em geral e, em particular, todos os seus eleitores. O futebol foi o pano de fundo de uma indignação popular que surgiu no bojo de contestações e mais contestações sobre o transporte público nas principais cidades do país, extensivos aos desmandos administrativos e à nefasta corrupção que assola o Brasil, em todos os níveis, tanto na esfera pública, como na esfera privada. Das construções bilionárias e sem nenhuma transparência de estádios projetados e financiados com dinheiros públicos em detrimento a aplicações em Educação, Saúde, Saneamento e Segurança. O Programa da ESPN dessecou com rara felicidade esse pano de fundo transformado em pretexto futebolístico mostrando, inclusive a petulância de seus arrogantes pretensos donos, os poderosos senhores da FIFA, que para aqui vieram, mandando e desmandando em nossas autoridades, chegando mesmo a criticar manifestações lídimas e democráticas do povo brasileiro, quando vaiou estridentemente, na abertura da Copa das Confederações, não só a representante maior de nosso Governo, como toda essa esdrúxula gastança de dinheiros públicos, sobre a qual muitos ainda terão de dar explicações. Parabéns, ESPN !

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15 de junho de 2013

ARENA PARA MIM ERA A DO COLISEU



Hoje virou moda chamar os estádios de futebol de arena. O futebol, esporte das multidões, é praticado em um campo gramado, desde sua idealização, nos longínquos anos de uma antiga Inglaterra, há mais de cem anos. Mas nada mudou até hoje, no que se refere ao espaço aberto, onde este esporte é praticado oficialmente. Joga-se futebol em um verdejante gramado. Já o termo estádio vem do grego FJV*4@<, @<, subst. neutro, medida de comprimento, equivalente a 600 pés gregos, 626 pés romanos ou 180 metros. Era a oitava parte da milha; era o local de corridas; anfiteatro. Esse termo chegou até nós, através do latim stadium, ii. Por um cultismo renascentista, já houve a forma plural estadia. Então, o futebol é jogado oficialmente em estádios com verdejante relva, tanto que os nossos irmãos portugueses chamam o campo de jogo de relvado. Agora vem essa idéia de chamar os estádios de arena. O termo arena vem do latim arena (areia), uma forma erudita, isto é, que não sofreu nenhuma alteração fonética em sua evolução, até o português moderno. Já o termo areia é chamado popular, porque foi afetado pelas leis fonéticas da evolução do latim ao português, assim: latim, arena > area (nasalização e desnasalização) > areia (ditongação). Arena é, portanto, a parte central dos anfiteatros romanos, coberta de areia, onde se realizavam espetáculos de combate entre gladiadores ou entre feras; é o picadeiro do circo, que também é coberto de areia e onde o espetáculo se desenrola. Está aí o liame que fará surgir a metáfora moderna, pois o futebol é “show” e combate. Mas o uso da língua parece ter escolhido o termo estádio para designar o local do jogo da bola. Esse novo termo, arena, agora muito usado, contém o sema “modernidade”, paradoxalmente, introduzindo um moderno conceito de polidez, na maneira de se assistir aos espetáculos futebolísticos. Vai depender do comportamento do sujeito, usuário desses anfiteatros e de sua língua, aceitar e usar esse significante com novo significado. Se houver uma acomodação apolínea do espectador, pode ser que ARENA substitua ESTÁDIO, mas se Dionísio prevalecer e entrar em campo, apoteoticamente ovacionado pela “galera”, no velho/novo ESTÁDIO DO MARACANÃ, por exemplo, jamais estas casas de espetáculos futebolísticos serão chamadas de arena, pois arena é um termo erudito, que tem outro significado na cultura lingüística do humilde torcedor suburbano, que já foi penalizado, sem nenhum motivo, quando lhe surrupiaram a GERAL dos principais estádios de futebol do Brasil. Uma pena!



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13 de junho de 2013

PÉ DE MOLEQUE




  




Estamos pertinho do mês das festas que comemoram os santos mais populares de nosso povo. São Pedro, o santo pescador; Santo Antônio, o santo casamenteiro; e São João, o profeta que previu o nascimento de Jesus Cristo, santo de indelével carisma. São as chamadas festas juninas, as realizadas no mês de junho. As celebrações não ocorrem nessa ordem, pois Santo Antônio é celebrado no dia 13, São João, no dia 24, dia de seu nascimento e São Pedro, no dia 29. Parece que a ordem de se enumerar os santos festejados no mês de junho, em dias misturados, se deve à harmonização dos três nomes, que formam um verso decassílabo heroico perfeito.  Assim: “São Pedro, Santo Antônio e São João” (acentuação tônica na 6ª e na 10ª sílabas). Encontramos, ainda, essa harmonização presente nas tradicionais músicas de nosso cancioneiro junino, nas letras de canções inesquecíveis como: “Capelinha de melão”, de João de Barros e Adalberto Ribeiro; “Pedro, Antônio e João”, de Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago (a famosa ... Com a filha de João,/ Antônio ia se casar,/ mas Pedro fugiu com a noiva, / na hora de ir pro altar...); Balãozinho; Sonho de papel, de Carlos Braga e Alberto Ribeiro; Pula a fogueira, de João B. Filho; Cai, cai, balão; Isso é lá com Santo Antônio, de Lamartine Babo; Noites de junho, de João de Barro e Alberto Ribeiro; Olha pro céu, meu amor, de José Fernandes e Luiz Gonzaga e muitas outras. Mas nessas festas açucaradas que acontecem em todo território nacional é servido um tradicional doce conhecido por pé de moleque. Essa expressão sintagmática foi registrada pela primeira vez em 1889, pois, até então, o doce era conhecido como “quebra-queixo” ou “quebra-dentes”. Hoje, pela norma ortográfica vigente, sua grafia é registrada sem hifens. Esse doce é, ainda, descrito por muitos folcloristas como, por exemplo, Cornélio Pires e Câmara Cascudo. Este último, inclusive, afirma que o tradicional pé de moleque é conhecido em todo o Brasil e tem receitas específicas em muitos lugares, e os Estados do Nordeste e do Sudeste exportam essa delícia, com suas marcas registradas, para o resto do país e para o exterior. Já a origem do nome pé de moleque possui três hipóteses: (1ª) - Por etimologia popular, trata-se de um caso de metanálise, pois está ligado às repreensões das quituteiras de rua, que, no passado, vendiam essas gostosuras e eram alvos fáceis de furtos, por parte da molecada. Para tentarem amenizar a desagradável situação, diziam: “pede, moleque”! Um imperativo seguido de um vocativo. (2ª) - Por origem metafórica, o nome pé de moleque parece fazer referência ao calçamento com pedras irregulares, que existem em cidades históricas brasileiras como em Paraty, no sul do Rio de Janeiro ou em Ouro Preto, Minas Gerais. Os escravos colocavam pedras de diversos tamanhos e feitios para calçarem as ruas e os filhos desses escravos iam acertando as pedras com os pés. Daí o nome desse tipo de calçamento, conhecido até hoje por pé de moleque. (3ª) - Também por origem metafórica, diz respeito à semelhança do doce, rapadura com amendoim, na forma de uma planta de pé descalço, muito semelhante às marcas deixadas no chão molhado pelos moleques infantes dos tempos de antanho.
Agora, veja como a Norma Culta da língua portuguesa exigiu, em outras épocas, a grafia desse doce. Escrevia-se com hífen a palavra “pé-de-moleque”, desde 1889, quando apareceu pela primeira vez. Mas, a partir do Acordo Ortográfico de 1990, deve ser grafada sem hífen, assim: pé de moleque. Em 2009, o Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras também ratifica as bases do Acordo Ortográfico de 1990, estabelecendo que a palavra seja grafada sem hífen. E qual é o plural de pé de moleque? Resposta: Pés de moleque. Para finalizar. Este termo já teve hífen e agora não tem mais. Mas como é o plural de hífen? Estão lembrados? O plural de hífen, não tem acento agudo. É assim: hifens, porque só as palavras paroxítonas terminadas em NS (entre outras terminações) é que recebem acento agudo na vogal tônica. Mas também é aceito o plural, hífenes, aí com acento agudo. Vocês sabiam? Santo Antônio! Meu Deus

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10 de junho de 2013

Há 433 anos, no dia 10 de junho de 1580, morreu Luís de Camões.

Há 433 anos, no dia 10 de junho de 1580, morreu Luís de Camões.

Em 10 de junho de 1580 morria o poeta português, Luís de Camões. E em homenagem ao  maior vate de nossa língua e ao maior estudioso brasileiro de sua lírica, o Professor Leodegário Amarante de Azevedo Filho, transcrevo um dos mais belos e também discutidos sonetos de Camões: “Mostrando no tempo está variedades”. Sobre a discussão recaiu o minucioso e erudito estudo de Leodegário Azevedo Filho a respeito das apregoadas contradições imputadas ao “Índice” do Cancioneiro do Padre Pedro Ribeiro. Toda uma contradição incidia sobre este soneto. Camões e Diego Bernardes são os poetas que a crítica especializada e a ecdótica dão como possíveis autores do poema. Em PR 93, Camões é dado como seu autor. Mas com o incipit Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, o autor indicado é Diego Bernardes. Então, coube ao Professor Leodegário Azevedo Filho estabelecer o verdadeiro texto camoneano ("Mostrando o tempo, está variedades), diferente da possível paráfrase, talvez escrita por Diego Brenardes. Vamos ao soneto, com toda a certeza, escrito por Camões, numa dupla homenagem, nesse dia 10 de junho.

Mostrando o tempo, está variedades,
por onde o que se espera não se alcança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas da lembrança
e do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria;
e, em mi, converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia
outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.

ATÉ A PRÓXIMA


2 de junho de 2013

MARACANÃ, ADEUS.



Esse é o título do livro de Edilberto Coutinho, que se ajusta como uma luva na crônica de hoje. Saudades do grande escritor, que, se vivo fosse, certamente estaria também muito furioso, porque logo mais vai haver um jogo de inauguração de um novo estádio de futebol, na cidade do Rio de Janeiro. Mas não me venham dizer que é o novo Maracanã! Não, não é verdade. O Maracanã, o gentil Maraca, não existe mais. Trata-se de um clone, ou de um novo estádio. Um remendo que se fez no sexagenário Estádio Mário Filho. Já disse que ali se perpetraram vários crimes, inclusive o de lesa-arquitetura. Uma obra superfaturada e muitas outras coisas. Agora, não acreditem em nada que os profissionais da Rede Globo de Televisão disserem, pois estão todos comprometidos com a ideologia dominante da empresa, que se vendeu ao capital e à dinheirama do Governo Federal, para sanar suas contas bilionárias que não iam nada bem! As matérias para televisão são todas editadas e as falas populares são escolhidas entre as que vão falar bem dessa famigerada obra de reconstrução de um estádio que ainda, muitos insistem em chamá-lo de Maracanã. Com o dinheiro gasto nessa obra faraônica, poder-se-ia ter construído, em terreno até comprado pela CBF, um baita e espetacular campo de jogo para a prática do futebol, dentro dos padrões europeus. Mas o que houve foi a possibilidade de alguns ganharem dinheiro fácil, à custa de engodo e de falcatruas, pois a massa, sem poder de reflexão, anestesiada pela magia do futebol e de suas multifacetadas vozes, em sua esmagadora maioria, não percebeu o que estava latente, vibrando com as mensagens subliminares, mas manifestas, veiculadas pela mídia de toda espécie interessada em novidades e audiência. Vamos encontrar logo mais, à tarde, um estádio de futebol alienígena. Sim, sem nenhuma identificação com o povão. Não quero dizer que não se deva culturalizar as massas, não é isso. Mas, por enquanto, um país sem escolas, professores, sem projetos educacionais, passando muito mal em todos os setores do campo psicossocial, não pode receber uma dose cavalar de civilização esportiva, sem pagar por isso e ficar impune. Não somos defensores da balbúrdia, da desordem, do caos, absolutamente, mas que esse novo estádio vai matar o resto de folclore futebolístico que havia entre nós, isso vai! Quando, num futuro Fla-Flu, vai-se presenciar a bênção de um Papa, agora franciscanamente enfeitado com fitas tricolores, benzendo a galera, entoando “A bênção, João de Deus”? Mas que galera? Esse termo desaparecerá brevemente do futebol falado. Só será encontrado em meu livro de mesmo nome, que perpetua e explica essa linguagem maravilhosa do futebol. Futebol apreciado por partícipes da plena liberdade  de expressão corporal, só vista no mundo naquelas épocas em que o verdadeiro Maraca sorria, escancaradamente, pelas bocas desdentadas de milhares de geraldinos...
Uma pena!


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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.