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29 de junho de 2006

OLÉ SURGIU NO MÉXICO E NÃO NO MARACANÃ


OLÉ

Assisti ao jogo entre Espanha e França no Canal 4, da TV Globo. Na ocasião, o excelente comentarista Sérgio Noronha afirmou que o grito de OLÉ, dado pela torcida, surgiu no Maracanã, na Copa de 50, quando o Brasil derrotou a Espanha por 6 a 1, em 13 de julho. Creio que houve um pequeno engano. Com meus treze anos de idade, estava nas arquibancadas lotadas do fabuloso estádio e não me lembro desse grito dado por ninguém. O que eu vi e todos ouviram foi o estádio inteiro cantar a marchinha carnavalesca de Braguinha e Alberto Ribeiro, “Touradas em Madri”. Equivocou-se o nobre comentarista global.

Senão, vejamos. OLÉ é grito de euforia dos espectadores para incentivar o toureiro na arena. É, também, o grito da torcida, quando os jogadores de futebol, em campo, tocam a bola, uns para os outros, não deixando os adversários dela se apossarem. Saiu das praças de touro para os estádios de futebol. Grito de grande expressividade que as torcidas usam para cantarolar, gozando os adversários, expressando sua alegria. Ainda como termo de gíria do futebol, tem o sentido de MÁXIMA EXIBIÇÃO, encontrado na expressão DAR OLÉ. Como o grito da torcida (OLÉ) surgia quando o time estava tendo uma excelente exibição, o mesmo passou a designar este tipo magnífico de exibição técnica.

Segundo João Saldanha, o grito OLÉ surgiu na cidade do México, no Estádio Universitário, no jogo entre o River e o Botafogo, do Rio de Janeiro, atestado em seu artigo “Olé nasceu no México”, inserido no livro de Milton Pedrosa, Gol de letra (Cf. PEDROSA, M., 1974, p.174 e sg.). Lá, João Saldanha relata, ainda, neste mesmo artigo, a maneira de a torcida mexicana se manifestar. Assim: “ÔÔÔÔÔ-LÉ ! O som do OLÉ mexicano é diferente do nosso. O deles é típico das touradas. Começa com um -ô- prolongado (acento de duração), em tom bem grave (timbre fechado), parecendo um vento forte, em crescendo (muita intensidade e aumento do tom vocal), e termina com a sílaba – LÉ- dita de forma rápida (pouca intensidade e tom baixo de voz). Continuando, João Saldanha caracteriza o OLÉ ouvido nos estádios brasileiros da seguinte forma: “Aqui é ao contrário, acentua-se mais o final -LÉ- : OLÉÉÉ !” (Cf. Op. Cit. p.175). Veja que não é Ô-LE, e sim O-LÉ. Isto significa que recai sobre a sílaba -LÉ-, tanto o acento de intensidade (tônica), como o acento de duração ou quantidade. João Saldanha estava certo. Existe, ainda, uma diferença entre OLÉ e OLÊ (grito de guerra das torcidas), marcada por uma alternância muito especial (-É- / -Ê-).

28 de junho de 2006

FUTEBOL TAMBÉM É CULTURA - BANHEIRA



BANHEIRA
corresponde ao inglês OFF-SIDE, fora de jogo. Usa-se, ainda, em futebol, o termo IMPEDIMENTO. No termo BANHEIRA há uma interessante comparação: o jogador impedido de continuar a jogada, isto é, em IMPEDIMENTO (em OFF-SIDE /ofissaidi/), movimenta-se à vontade, como se estivesse gozando as delícias de um banho de banheira. Trata-se de um Neologismo Conceitual. Uma outra expressão ainda usada é FORA DE JOGO e se caracteriza como um calque, pois é a tradução literal de OFF-SIDE.

DA SÉRIE: FUTEBOL TAMBÉM É CULTURA


CAMA-DE-GATO

Trata-se de uma expressão popular, que, segundo Luís da Câmara Cascudo, tem duas acepções. “É divertimento infantil, com cordéis entrelaçados pelos dedos das duas mãos, formando uma rede que se deve desmanchar com um único lance. E é também usada, popularmente e na gíria de futebol, como uma das mais violentas quedas provocadas que conhecemos. Quando o jogador pula para cabecear uma bola, o outro o escora pelas pernas; dá-se o desequilíbrio e o primeiro cai espetacularmente. Houve “cama de gato”. É falta grave.” E o mestre continua, citando Veríssimo de Melo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal: “Entre a rapaziada no Nordeste, usa-se a cama de gato como uma das mais estúpidas brincadeiras de que já fomos vítima. Um dos jovens fica por trás do que foi escolhido, de gatinhas, enquanto um outro o empurra pelos peitos. Tombando de costas, a vítima encontra a resistência do que está de gatinhas e quase sempre cai de pernas para o ar, completamente tonto”. Pela descrição acima, podemos afirmar que a expressão usada no futebol inspirou-se nesta brincadeira de mau gosto. Já o ingênuo e criativo divertimento infantil deve ter recebido o nome de CAMA DE GATO, porque os cordéis entrelaçados nas mãos, formam uma pequena rede, e, por metáfora, na concepção infantil, poderia sugerir uma cama de gato. Parece, ainda, que a brincadeira infantil de mau gosto e a falta grave no futebol receberam o nome de cama de gato, porque é no chão que o gato faz sua cama e, também, aqueles que tombam caem espalhafatosamente como bichanos, quando lançados pelo rabo em direção ao solo (V. Luís da Câmara Cascudo, Dicionário do folclore brasileiro, 2 ed. , Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, Ministério da Educação e Cultura, 1962, V. I, p. 173). O vocábulo CAMA já circulava na Península Hispânica e existia no latim medieval.

FUTEBOL TAMBÉM É CULTURA - GOL

GOL
Do inglês GOAL. Está aportuguesado e muito bem acolhido. Monossílabo que se presta, indiscutivelmente, para nele incidir o acento de duração ou quantidade, com o alongamento de sua única sílaba em ditongo /ow/ (quantidade longa). Assim: Gooooooool. O primeiro locutor esportivo que narrou um gol com este acento de duração, no Rádio brasileiro, foi Rebello Júnior. O primeiro a transmitir uma Copa do Mundo, a de 1938, foi Gagliano Neto, que atingiu o apogeu nas décadas de 40 e 50. Aliás, na pronúncia brasileira, o fonema /I/ realiza-se como semivogal labializada /w/: GOW. Assim, seu plural será GOWS, grafando-se GOLS. Em Portugal, não acontece, pois o fonema /l/, realizado como fonema alveolar forçará o plural GOLOS, com a vogal de ligação - O - . O termo GOL, muitas vezes, é empregado no sentido de META (V.), o alvo a ser atingido pela bola. Ouve-se constantemente: “A bola passou longe do gol do Fluminense”. Assim, o termo GOL de objetivo passa a locativo, portanto o local onde a bola terá de entrar. Interessantíssimo caso de semantização, num máximo aproveitamento vocabular, por ser este termo, praticamente, o mais significativo no jogo de futebol. Empréstimo lingüístico muito produtivo, formando uma família etimológica ou lexical, que são palavras cognatas, cuja origem provém de uma raiz (étimo) comum, e essa produtividade ocorreu porque este empréstimo GOL (Ingl. GOAL) adaptou-se ao português do Brasil como GOL e ao português de Portugal como GOLO. Eis o resultado dessa produtividade: GOLEIRO, GOLEADA, GOLEADOR, GOLÃO, GOLAÇO, derivados sufixais, onde o fonema /L/ aí se caracteriza como fonema linguodental, sonoro e não semivogal. Já em GOLZINHO o fonema /L/ é semivogal (/W/). Portanto, é interessante notar as variações deste fonema /L/ que seguido de vogal realiza-se como consoante. Seguido de consoante, realiza-se como semivogal. O termo GOLEIRO que significa o jogador que defende com as mãos a bola chutada na direção das balizas do campo de jogo é formado por GOL mais sufixo EIRO, contrariando o sentido encontrado em palavras da língua, como PADEIRO, aquele que faz pão; PEDREIRO, aquele que constrói com pedras; FRANGUEIRO, aquele que toma frango. O sufixo EIRO pode indicar, portanto, diversas noções, como profissão, intensidade, lugar onde se encontra algo etc. Confira: SAPATEIRO, NEVOEIRO, AÇUCAREIRO, etc. Porque GOLEIRO é um termo sincronicamente vernáculo e por substituir o inglês GOAL-KEEPER, concordamos com a posição lingüística adotada por Nelly Carvalho quando diz que “o que permite que a inovação seja entendida é que a fala é também metalinguagem, isto é, fala sobre o que foi dito, e isto ajuda a compreender as coisas novas, aumentando o conhecimento lingüístico do falante/ouvinte” (Cf. Op. Cit. p. 27). O termo GOL está presente, ainda, em: GOL-CONTRA, usado para designar a marcação do GOL por um jogador, contra seu próprio time (V.). Caso de cancelamento, originando o sintagma. A expressão GOAL AVERAGE é um cenismo. Sua tradução literal (gol médio ou média de gol) caracteriza-se como calque ou decalque.

FUTEBOL TAMBÉM É CULTURA - A FOLHA SECA

Expressão surgida para designar a trajetória da bola, chutada em direção à baliza do adversário. A bola chutada perde a força e cai, deixando o traçado primitivo e tomando nova direção, como uma folha seca, iludindo o goleiro. Mais um caso de metáfora impressionista. O criador dessa forma especialíssima de cobrar faltas foi o jogador Didi, do Botafogo, Fluminense e Seleção Brasileira. É mais um Neologismo conceitual da gíria do futebol.
Na foto: A "Folha seca" de Didi.
Cobrança de falta contra o Vasco da Gama, no Maracanã. Barbosa é o goleiro.

27 de junho de 2006

FUTEBOL TAMBÉM É CULTURA




O nosso próximo adversário, no sábado, será a França. Saiba um pouca mais sobre esse país europeu e sobre uma curiosa figura, reverenciada por seu povo, desde os tempos pré-românicos. O nome desse país da Europa vem da forma latinizada Francia, tirada de Frank, nome de povo, mais sufixo –ia.

O galo é conhecido como emblema da altivez, o que é justificado pela postura do animal. É, também, o emblema da França. A ave aparece ao lado de Mercúrio, em algumas representações figuradas galo-romanas e também em moedas gaulesas. Gallia é o nome latino do território que, aproximadamente, coincide com o da atual França, e hoje é também empregado como sinônimo deste país. A Gália constituiu uma província romana. Quando os romanos chegaram na região, que hoje compreende, aproximadamente, o território francês, entraram em contato com os gauleses, seus habitantes, e perceberam que eles divinizavam o animal galo. Em latim, gallus significa galo (ave), que deu em português, galo; em espanhol, gallo; em italiano, gallo; em francês, jal. Já o termo francês “coq” , que significa também galo, é uma onomatopéia, e não deriva do étimo latino gallus.A gravura do galo no uniforme oficial da Seleção de Futebol da França é uma homenagem ao passado e um meio de marcar culturalmente a história da França. O galo é uma figura emblemática na França.

Idioma: Língua oficial: Francês.

Religião: Cristã - 67,72% (evang 0,8% cresc. + 5,7%; pent 0,5% cresc. + 7,9%); Não religioso - 19,76%; Muçulmana - 10,00%; Judaica - 1,1%; Budista/chinesa - 1,02%; Outros - 0,30%; Bahai - 0,02%.

População: 60.400.000.

Área Geográfica: 543.965 km2.

Capital: Paris.

Moeda: Euro.

Sistema Político: República com forma mista de governo.

Hora Local: +4h Diferença de hora entre o Brasil e este País.

SHOW É SHOW E VICE-VERSA



Afastada a zebra africana, o Brasil segue em frente, rumo ao hexa. O Ronaldo esteve bem melhor do que nos jogos anteriores e foi decisivo, lá na frente. Kaká, no primeiro tempo esteve quase perfeito. No segundo, caiu um pouco e foi bem substituído. Adriano aproveitou o lance e, mesmo impedido, garantiu tranqüilidade ao time, no final do primeiro tempo. Todos jogaram bem. Mas, por que temos que passar tanto sufoco? Por que temos que ficar torcendo para o jogo acabar? E isso aconteceu, sim, senhor. Ouvi de um locutor super-ufanista, da Globo. Por que não fazemos o que os outros fazem conosco, isto é, atacar com garra e tudo? Dizer que os adversários é que têm essa obrigação é uma argumentação simplista. Parece que a máxima do Parreira vai ficar para a posteridade: "Show é ganhar". Que é isso, senhor Carlos Alberto Parreira! Simplesmente ganhar não é show coisa nenhuma. Então foi show o que a Itália apresentou contra a Austrália? Foi show o que a Ucrânia apresentou contra a Suíça? Show é espetáculo maravilhoso e espetáculo maravilhoso é show, como diria Jardel. Ora bolas! Sai pra lá, Parreira! Manda o time dar alegria total e não aflição aos milhões de cardíacos pontuais brasileiros...

23 de junho de 2006

O PULO DO GATO




Dizem que sempre que ele chegava do Banco onde trabalhava, entrava pela porta de serviço no apartamento do nono andar para, ir afagar a pelagem brilhante de seu gato de pura linhagem camboriense, uma raça da própria região onde ele se criou e, agora, mora e trabalha. Como na novela, ele também coçava seu felino, levando-o ao ombro, sempre que se aborrecia com alguém do Residencial do qual era síndico. Mas o cara era mesmo intragável. Isso não era dito só por meia dúzia de três ou quatro condôminos. Não! Era unanimidade. Um cara rabugento, implicante, chato pra cachorro. Ou para gato, talvez, quem sabe! Complicava tudo que podia fazer com simplicidade e sensatez. Tratava os empregados como os patrões do início do século vinte. Uma peste! Escondia ocorrências importantes do dia-a-dia da vida do prédio e fazia coisas incompatíveis com um serventuário de importante casa de créditos e investimentos. Não era transparente. Não gostava de que ninguém soubesse de nada. Não por ser desonesto. Não era. O cara era mesmo confuso. Confuso e complicado. Nunca tomava uma decisão e empurrava com a barriga o que teria de fazer para, por exemplo, consertar uma parede cujo reboco acabara de se esfarelar. Para comprar alguma coisa de pequenino valor para o condomínio, fazia sempre uma tomada de preço entre, pelo menos, quarenta e cinco fornecedores. Ou mais. Não que alguém reclamasse de superfaturamentos em suas contas. Nada disso. O cara era honesto, mas chatíssimo. Um porre! Para dizer que concordava com algo, fazia uma viagem ao fim do mundo... E para dizer que discordava, usava sempre a metáfora da gênese, para concluir, sábia e filosoficamente, que Deus não fizera o mundo em apenas um dia. Ele era assim, junto à administração do condomínio, mas também no trato administrativo de sua belíssima família. Dentro do sacrossanto recesso de seu lar, a pobre empregada sofria com sua avareza, suas rabugices, suas meticulosas atitudes em relação ao serviço das refeições, por exemplo. Até com a disposição, no banheiro, do papel-higiênico pendurado, ele implicava, deixando a coitada serviçal de péssimo mau humor, todos os dias. Lidava com os filhos, como os senhores-de-engenho, dos tempos da escravidão. Sua filha só podia namorar das dezesseis às dezoito horas e quarenta e cinco minutos, sentada no saguão do prédio. O filho, surfista por pensamento, jamais fora à praia pegar uma marolinha sequer, pois isso é coisa muito perigosa para a reputação de um jovem, futuro candidato a um cargo público qualquer. Eram seus argumentos.

Quando a coisa ficava preta, isto é, quando discutiam dentro de casa, pois o choque de gerações era previsível, os vizinhos ouviam uma gritaria danada e os grunhidos do gato branco de raça pura eram assustadores. O bichano sofria muito, coitado! Mas como não há mal eu sempre dure, nem bem que nunca acabe, as carícias foram escasseando. As brigas com os filhos foram aumentando. A esposa sempre tentando tampar o sol com a peneira. Todos no prédio a consideravam vítima de um marido muito estranho. Mas também ninguém gostava dela, não! Dizia-se até que ela deixava o gato sem comida, dias e dias, coitadinho!

Na urna de sugestões acumulavam-se reclamações sobre a barulheira e os miados do bichano, cada vez mais arredio e estressado. A empregada espalhou no condomínio que o bancário deixara de afagar o gato. Que o bicho andava agressivo e quase não dormia mais de dia, estando sempre arisco, pulando de móvel em móvel pelos pequenos cômodos do apartamento.

O fato é que bancário, bichano, empregada, esposa e filhos passaram a brigar noite e dia, constantemente, fazendo ressoar do nono andar, onde viviam, para todo o resto do prédio, uma barulheira horrível, tirando completamente a paciência e, às vezes, o sono dos vizinhos. Um horror!

Um dia, chegando em casa, depois de uma caminhada pela praia, de longe percebi uma movimentação incomum na frente do prédio. Fui chegando e me disseram que o gato branco de raça maravilhosa havia pulado, com grande estilo, da janela, lá de cima, do nono andar, numa tentativa de fugir da baita confusão que se estabeleceu no apartamento, quando o cachorro do juiz aposentado, que mora em baixo, entrou pela porta de serviço, disposto a botar ordem naquela zona toda.
O inverno chegou. Por aqui o frio é bem camarada e não espanta ninguém da beira da praia. Sempre damos gostosas caminhadas pelas areias nacaradas, beijadas por suaves marolas ao sabor de uma brisa agradabilíssima. Puxa! É de prender o fôlego. Bota poesia nisso, minha gente! Para os que me procuraram, preocupados com minha saúde, agradeço de todo o coração (sem nenhum trocadilho). Obrigado! Agora é torcer pelo Hexa. Inté, minha gente!

22 de junho de 2006

É... DEU BRASIL, MESMO!

E Ronaldo desencantou! Foi o melhor jogo do Brasil. Mas eu acho que o time, no final, tocou muito a bola. Por que não partiram pra cima do Japão e não enfiaram uma goleada? O povão quer é festa. Mas, valeu. Esse resultado de 4 X 1 é goleada.
Agora, para não perder o ritmo.
Você sabia que, na linguagem especial do futebol, o nome mais produtivo é GOL. Se não, vejamos. De GOL, formam-se: GOLEADOR, GOLEADA, GOLEIRO, GOLAÇO, GOLÃO, GOLQUÍPER, GOL-CONTRA, GOAL-AVERAGE, GOL-DE-PLACA, GOLEAR, GOLZINHO.
Se houver mais, desculpem-me. Foi a emoção da goleada.

FUTEBOL TAMBÉM É CULTURA

O Brasil deve passar bem para a próxima fase, a do mata-mata. Não creio que o Japão seja um adversário perigoso. Saindo para atacar o Brasil, eles vão se expor... e aí a coisa vai pegar!
Agora, veja se futebol também não é cultura.
Você sabia que JAPÃO, significa na língua japonesa origem do sol, nascer do sol, sol nascente ? E que o veneziano Marco Pólo (1254 – 1323) foi o primeiro europeu a visitar o Extremo Oriente e deu o nome de Cipângu à ilha de Nipon (O atual Japão) ?
Anote aí, também.
A forma pela qual a grande nação asiática é conhecida na Europa foi difundida pelos portugueses nos séculos XVI e XVII, época em que ali (no Japão) exerceram intenso comércio e tiveram alguma preponderância.
E mais. A forma Japão é malaia e não chinesa, por ser o malaio costeiro a língua geral no sul e no oriente da Ásia. Em 1934, por força de lei, o nome oficial do país ficou sendo Nippon. Hoje, Japão.
Até às oitavas-de-final.

21 de junho de 2006

AGORA, UM PEQUENO TESTE

"O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética.O que mais preocupa é o silêncio dos bons".
(Martin Luther King)

1) - Quem você caracteriza como violento?
a) Os bandidos do PCC;
b) Os políticos sanguessugas;
c) As gangues do MLST;
d) Todas as respostas anteriores.

2) - Quem, para você, são os corruptos ?
a) Os deputados comprometidos com o mensalão;
b) Os tesoureiros do PT;
c) Qualquer um que não sabe de nada, não vê nada e não entende nada;
d) Todas as respostas anteriores.

3) - Quais os 300 deputados federais, p. p. (políticos pilantras), desonestos que já foram eleitos algum dia pelo povo brasileiro e reconhecidos pelo atual Presidente da República, em um dia, no passado:
a) Os de ontem;
b) os de hoje;
c) os de amanhã, se não votarmos conscientemente;
d) Todas as respostas anteriores.

4) - Diga o nome de um herói brasileiro sem caráter. Não vale Macunaíma.
R. __________________

5) - Ética. Que tipo de representante do povo mais precisa dela e menos a está utilizando, atualmente?
a) Vereador;
b) Deputado;
c) Senador;
d) Presidente da República;
e) Todas as respostas anteriores.

18 de junho de 2006

MISTÉRIOS DE DEUS II

Bem, a verdade é que vencemos. Mas que não convenceu, isso também é a pura verdade. Queríamos um "show" igual ao da Argentina. Era o mínimo que esperávamos. Agora vem o Japão e já se fala novamente em goleada. Ah, Ah, Ah! Com esse mesmo time do primeiro tempo que jogou hoje, só de brincadeirinha. É como falava o Bussunda, que Deus levou, estranhamente, para alegrar o céu: FALA SÉRIO... Agora, sabem o que eu acho, mesmo? O Parreira não tira o Ronaldo por causa dos patrocinadores da CBF e do próprio Ronaldo. Ronaldo está em inúmeros "spots" publicitários, indo ao ar em todas as televisões do mundo, a toda hora. É muita grana em jogo, minha gente! O cara tem de jogar de qualquer jeito! Os comentaristas da Globo não falam nisso, por motivos óbvios. É como eu disse, há muito tempo, em uma de minhas crônicas, lá no PROGRESSO DA FOZ: "MISTÉRIOS DE DEUS!"
Dei uma saidinha atá a esquina. Tudo vazio. Eram onze horas e trinta minutos. Todas as lojas do comércio estavam fechadas. Também caía uma garoa fininha e fazia um frio que percorria a espinha... Mas era mais de expectativa do que sensação climática. Já tinha almoçado e uma taça de vinho tinto, de uvas tannat roble, uruguaio, caiu muito bem. Bem, fechei a sacada do apê - churrasqueira apagada - e me coloquei à frente da tv. Já está na hora do jogo. Agora, é torcer e esperar a goleada... Será? Mas esse negócio de azar, dando zebra hoje, nem em pensamento. Quem pensa ao contrário ? Sai, azar. Xô. Pé de pato mangalô três vezes. É Brasil na cabeça!

16 de junho de 2006

O FUTEBOL DE LOS HERMANOS

Parece que hoje eu vi um dos times que disputarão a grande final da Copa do Mundo na Alemanha. Como jogou essa Argentina! Dizem as más línguas que parecia até o Corinthians. Bem isso já é gozação, mas que o Carlito Tevez, em pouco tempo, jogou um bolão, isso jogou. Vejam o "banco" da Argentina. Um senhor "banco" (como o nosso, também,). Vejam só Carlito é reserva... Agora los hermanos estão mais felizes que pollito en la basura, isto é, pinto no lixo! Não catimbaram o jogo; não deram pauladas; não reclamaram; não brigaram... mas, também, não encontraram adversário em campo. Abra os olhos, Brasil! Com sapato alto não se ganha nada! Será que vai dar Argentina? Cruzes! Xô, azar!

15 de junho de 2006

QUE MISTÉRIO É ESSE?

Por que será que essas coisas todas acontecem com Ronaldo, o fenômeno, em épocas de grandes decisões? Será pressão dos patrocinadores para o atleta atuar, mesmo fora de forma? Quando você lida com gente famosa as coisas mudam de figura. Mandar um Mineiro deixar de fazer isso ou aquilo é uma coisa. Mandar o Ronaldo deixar pra lá o que ele assinou em contratos milionários é outra, bem diferente. Ronaldo é um fenômeno também da mídia. Ele tem contratos milionários e deve sempre ficar exposto aos holofotes da publicidade. Mas Ronaldo não vem atuando bem, há muito tempo em seu clube espanhol, o Real Madri. Qualquer pessoa adoece, principalmente se abusar de bebidas, comidas e farras estravagantes em festinhas de embalo. Mas, creio, não é o caso de Ronaldo. Ele está concentrado, vigiado pela comissão técnica e por centenas de paparazzi, quando sai de folga. Tudo bem, quer dizer, tudo mal. Mas o que nos preocupa é pensar que a comissão técnica pode sofrer pressões inconfessáveis para escalar o craque, mesmo ele não estando clínica ou emocionalmente bem. Cruzes! Xô, azar! Pé de pato mangalô três vezes! Será? Eu já vi esse filme.

14 de junho de 2006

UMA PROFECIA FUTEBOLÍSTICA

LUIZ CESAR SARAIVA FEIJÓ

O cronista e jornalista esportivo, Armando Nogueira, depois da Copa de 98, na França, participando da Aula Inaugural do Curso de Pós-graduação em Administração Esportiva, da Universidade do Esporte, em Curitiba, em entrevistas aos jornais locais, teceu comentários muito interessantes sobre o futuro do futebol brasileiro em competições internacionais, chegando, mesmo a afirmar que o Campeonato Mundial de Futebol, promovido pela FIFA, a Copa do Mundo, será, um dia, disputado por times e não mais por países. Seus argumentos são interessantes e vamos tentar analisá-los pelo discurso metalingüístico do futebol, chamando-se a atenção para alguns significantes lingüístico-sociais, retirados de suas observações. Pelo que Armando Nogueira nos transmitiu, podemos ver que TORCIDA e PLATÉIA não são, absolutamente, sinônimos. Mas, por que torcida e platéia não podem ser usados, um no lugar do outro ?
Se não, vejamos. O termo TORCIDA, possui um leque significativo muito abrangente como: afligir, amargurar, atirar, atormentar, curvar, dobrar, despedir, dirigir, enrolar, experimentar, inquietar, lançar, revolver, sondar, torcer, torturar, vergar, voltar. TORCIDA, segundo o Dicionário de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, significa coletividade de adeptos de um clube esportivo; grupo de torcedores, galera, sendo este último significado, utilizado na linguagem especial do futebol.
O termo PLATÉIA, significa o espaço destinado aos espectadores em um teatro, cinema ou auditório e, por extensão, aos que assistem a espetáculos, os mais variados, inclusive espetáculos esportivos.
Parece, assim, que esses dois termos são empregados, sempre guardando seus semas (significados primitivos) mais significativos. TORCIDA é empregado para os jogos dos quais a massa comparece como assistência, como público participativo, espectador e ator ao mesmo tempo. O termo TORCIDA está na boca do povo que aprecia o espetáculo do futebol. O termo TORCIDA consta do vocabulário ativo dos locutores, repórteres e comentaristas de rádio e televisão. Está na boca do povão.
Já o termo PLATÉIA é raramente encontrado na fala dos homens de rádio e televisão que transmitem as partidas de futebol. Parece que está restrito a alguns outros tipos de competições esportivas, onde o público não participa, ao mesmo tempo, como espectador e ator. O comportamento educado do público, dentro de parâmetros elevados da etiqueta social, seu estado emocional, muito mais orientado pela razão do que pela emoção, e, até a indumentária desses espectadores, denunciando-os como pertencentes a uma faixa alta da estratificação social, seria indicador de uma clara elitização. Esse comportamento integrado observa-se nas partidas de tênis, patinação no gelo e em algumas competições olímpicas. Assim, o termo PLATÉIA adquire uma conotação elitista, opondo-se ao termo TORCIDA, com conotação, nitidamente, popular. Por outro lado, de acordo com situações bem excepcionais, uma torcida inteira pode se transformar em uma grande platéia. Para tal, basta que os espectadores de uma partida de futebol se comportem como espectadores de uma partida clássica de tênis. Exageros à parte, vamos idealizar esta situação, para consubstanciar a breve análise dos sinais (análise semiológica) encontrados, por exemplo, nas partidas de futebol de que a Seleção Brasileira participou, na Copa do Mundo da França, em 1998. O público brasileiro presente era, em sua maioria absoluta, formado por indivíduos das classes sócio-econômicas média e alta. Para muitos, os jogos da Seleção Brasileira, na França, foram, apenas, pretextos para férias extemporâneas e passeios de verão pela Europa, com um Real forte no bolso. Público de alto poder aquisitivo, educado, com repertório cultural e nível de escolaridade elevados, de fino trato, regidos mais pela razão do que pela emoção. Junte-se a tudo isso o tipo de cultura futebolística francesa, completamente diferente da de outros centros europeus e sul-americanos, onde a emoção, muitas vezes, é a responsável por atos de muito vandalismo nos estádios.
Entende-se perfeitamente o que Armando Nogueira quis dizer, quando não considerou como sinônimos PLATÉIA e TORCIDA. Estava ele indignado com o comportamento dos espectadores brasileiros (como PLATÉIA) que não se irritaram, não se indignaram, não mexeram com o brio da equipe, não espernearam, não gritaram, não berraram palavras de ordem, não xingaram, como todo bom fanático torcedor brasileiro. Não hostilizaram o time, nem a comissão técnica.

Armando Nogueira tinha uma visão um pouco utópica sobre a Seleção, achando que, no futuro, a Copa do Mundo seria disputada entre clubes. “A Seleção, no que ela pode representar um substrato de uma nação, é uma ficção”, dizia ele naquela ocasião. E continuava. “Comparada com a realidade mercantilista do futebol, o que importa é o clube. O clube é muito mais importante que a pátria na vida do cidadão que ama o futebol. O sentimento clubístico precede o sentimento patriótico”.
O que pode causar polêmica, no texto acima, certamente está ligado aos conceitos dos três significantes: nação, pátria e clube. Por quê ? Primeiro, não é fácil deixar de lado significações intensamente interiorizadas em nós, desde pequeninos, como o significado de “nação” e de “pátria”, substantivos até aceitos como sinônimos, um do outro. Depois, o texto coloca em confronto CLUBE e PÁTRIA, um com o outro. E mais, o primeiro, em ordem de grandeza, maior do que o segundo. Portanto, devemos conhecer alguma coisa a mais sobre nação, pátria e clube.
Nação é a reunião de indivíduos fixados em um território (mesmo que não tenham nascidos lá), unidos pelas mesmas marcas culturais; mesmos laços históricos; mesma língua, religião; mesmas formas de habitação, maneira de plantar, de vestir, de sentir a realidade circundante. Indivíduos reunidos em torno dos mesmos interesses, símbolos, emblemas, organizações, lendas e regras. Indivíduos venerando heróis envolvidos em feitos grandiosos, responsáveis pela coesão do grupo. Será, ainda, a reunião de Indivíduos formando um grupo politicamente organizado sob um único governo. Pode ter a acepção de Estado (Cf. Organização das Nações Unidas - ONU).
Pátria é o país natal, o solo natal, a terra natal. Lugar de origem. Termo ligado às origens. O país onde nascemos.
Clube é o local de reuniões políticas, econômicas, literárias ou recreativas. O sema predominante será “agrupamento de pessoas”.
Se observarmos bem, podemos dizer que o vocábulo nação pode fazer uma referência histórica, como nação tabajara ou uma referência racial, como nação nagô. Se a referência for uma organização política, empregam-se as expressões nações amigas, Nações Unidas. Se a referência for o futebol, podem-se empregar as expressões nação rubronegra, nação vascaína etc.
Pátria, como locativo, usa-se e emprega-se em situações como as seguintes : “Minha pátria é a língua portuguesa” (Fernando Pessoa); Ouro Preto é a pátria das igrejas barrocas; O Brasil é a pátria do samba; A Inglaterra é a pátria do futebol . Metaforicamente, Nelson Rodrigues dizia: “A Seleção é a Pátria de chuteiras”.
Clube, como referência político-econômica, pode-se usar em expressões como: Clube dos Sete (Dos sete países mais ricos do mundo), por exemplo. Como referência literária, Clube literário Machado de Assis, e como referência recreativa, usa-se para indicar o nome de associações grupais, como Clube Ginástico Português, Clube do Bolinha etc.
E nos clubes dedicados ao futebol, muitos surgidos nos subúrbios das grandes cidades, apareceram jovens de todas as idades, de todas as raças, de todas as classes sociais, ávidos para praticarem este esporte. Praticavam esse esporte em qualquer canto, em qualquer praça pública de barro batido, em qualquer rua sem muito movimento, nas várzeas verdejantes ao lado das chácaras produtoras de verduras para o abastecimento da grande cidade distante. E quando encontram um lugar protegido, aconchegante, logo se reúnem e se organizam. Assim os clubes foram surgindo, e substituíram o espaço público desorganizado, onde a população mais carente se distraía, em espaço de recreação organizada, onde as práticas esportivas passaram a ser melhor definidas. Com o passar do tempo os clubes se transformaram em grandes “nações”: a banguense, a vascaína, a rubro-negra, a tricolor, a americana, a botafoguense da estrela solitária, a corinthiana, a palmeirense etc. A prática futebolística estava presente em todas essas agremiações e, por isso, pode-se afirmar que o futebol foi o maior responsável pela miscigenação étnica, tornando-se o mais popular jogo em campo aberto do Brasil. Clubes com conotação de nação.
Clube, portanto, é o local de reuniões recreativas, proporcionando prazer, alegria (às vezes tristeza também), diversão e felicidade, é maior que nação. Fernando Pessoa dissera que sua pátria era a língua portuguesa. Portanto, quando o problema é o das origens, podemos berrar utopicamente - coração na boca e mão direita no peito - : minha pátria é meu clube... e ninguém muda de clube, mas muda-se de nação, adotando-se um país para lá viver... Será que a profecia de Armando Nogueira vai se concretizar? Nessa Copa de 2006, na Alemanha, não aconteceu. Agora o ambiente é outro e o tempo passou. As torcidas estão iniciando o maior show do mundo, nas arquibancadas germânicas. Estamos anotando quase tudo, para tentarmos analisar, mais uma vez, esse fabuloso esporte de massas, que é o futebol. Voltaremos em breve.

QUE BARBADA, QUE NADA

A Seleção Brasileira foi um fiasco. Esperava-se muito, mas muito mais, mesmo, desses craques milionários. Mas não jogaram nada. Não correram em campo, o que é mais grave. Ficaram tocando a bola lateralmente, sem nenhum perigo para a aguerrida Croácia, que diga-se de passagem, também não é la essas coisas. Robinho deu maior velocidade ao time e deveria ter entrado já no início do segundo tempo. Mas ganhamos. Conquistamos três pontos. Mas pela festa por aqui, parece que conquistamos a taça. O povo quer mesmo é festejar. Se fosse zero a zero a festança aconteceria do mesmo jeito. Saí para fazer umas comprinhas no supermercado e peguei um engarrafamento bem parecido com os das duas marginais do Tietê. Cruzes! Festa é mesmo a melhor coisa da vida! Agora vou terminar de tomar aquele Cabernet Sauvignon que iniciei quando o juiz (bom!) apitou para a partida começar. Também pensei que fosse uma barbada....

ESSA É MUITO BOA

RECEBI DE MEU AMIGO DR. RENATO FORMIGA "Do jeito que andam as pesquisas, corremos o risco de que, o próximo presidente, não seja eleito por aqueles que lêem os jornais, mas sim pelos que limpam a bunda com eles."

13 de junho de 2006

BALNEÁRIO CAMBORIÚ ENFEITADA PARA VER O BRASIL

A cidade está toda enfeitada para a estréia do Brasil na Copa da Alemanha. Os prédios da AV. Atlântica (a beira-mar daqui) estão envolvidos por estensas faixas verde e amarelas, que caem dos andares mais altos e balançam ao sabor de uma brisa fria que sopra do mar. O céu azul e o sol brilhante dão ao ambiente a alegria necessária para animar mais ainda a festa preparada para o aguardado jogo. Os bares também já estão cheios de torcedores, também coloridos de vere e amarelo. Eu vou tomar uma taça de vinho, porque ninguém é de ferro... Pra frente Brasil!!!!! Vamos buscar o HEXA.

TODOS GOSTAM DE FUTEBOL

"TODOS GOSTAM DE FUTEBOL"


LUIZ CESAR SARAIVA FEIJÓ

Por que todos os povos deste planeta gostam de futebol? Talvez porque o futebol, além de ser uma linguagem gestual, fácil de ser decodificada, é, acima de tudo, uma grande metalinguagem. Isso significa que o sentido dos movimentos do jogo é entendido por quase todos, independentemente de classe social, cultural ou econômica. E, além disso, pode ser compreendido e analisado por inúmeros discursos de saber, como o da psicologia, o lingüístico, o histórico, o sociológico, o antropológico, o filosófico, o jornalístico, o jurídico, o médico, o cinematográfico, o estético, o literário, o pantomímico, o matemático, o físico e muitos outros. Queremos dizer que o expectador, o torcedor, o jogador, enfim, todos entendem o que vêem, mesmo não sabendo exatamente as regras do jogo. O futebol é um jogo muito redundante. Tentem entender o xadrez ou qualquer jogo de cartas. Tentem entender, de imediato, o chamado futebol americano. Ou o golfe, jogado em um ambiente quase sempre paradisíaco... mas com poucos jogadores. Não é tão fácil como entender o futebol. No xadrez, o expectador, sem nenhum conhecimento prévio a respeito desse jogo, vai demorar muito para compreender os movimentos das peças e seu objetivo final. O xadrez não é um jogo redundante. O expectador inocente não seria capaz de saber até o nome das peças, mesmo daquelas cuja aparência poderia denunciar seus nomes.

Por outro lado, quem assiste a um jogo ou a uma partida de futebol percebe logo que há uma perseguição constante de um objetivo: colocar a bola dentro das redes que envolvem as balizas por trás, utilizando todas as partes do corpo, menos as mãos. Quem investe com a bola ou sem ela no sentido de umas das duas balizas é um “atacante”, porque ataca (eis mais uma vez a redundância). Quem “defende” seu espaço é o defensor. Quem defende a bola com as mãos é um único privilegiado, o goleiro, o golquíper, o arqueiro. Isso tudo é muito óbvio. Muito redundante. Isso significa que o ato da comunicação é automático. Esse automatismo, exemplificando, funciona da mesma forma, quando alguém responde “alô” a uma chamada telefônica. Essa resposta é automática. Portanto, cremos que a redundância parece ser a principal figura desse jogo chamado futebol, capaz de torná-lo compreendido por qualquer um, e isso irá determinar sua popularidade em qualquer lugar onde seja praticado. O futebol, assim, mesmo sendo profissão para muitos, é, também, jogo, esporte, prazer, recreação, passa-tempo, distração, descontração, exercício... e benefício.

Desta forma, vimos que o futebol encanta multidões. Excita platéias de todas as classes sociais em qualquer país do mundo. Exerce uma pressão constante sobre as emoções de todos aqueles que dele tomam conhecimento.

Esse fenômeno intriga tanto os intelectuais como os homens mais simples do povo. Por quê ? Continuamos com a indagação inicial.

No dia 10 de junho de 2006, durante a semana que marcou o início da Copa do Mundo, no canal 40 “Globo News”, da Sky , o apresentador e repórter, William Waak, em seu programa “Globo News Painel”, entrevistando os filósofos, Denis Rosenfild, Prof. de Filosofia da UFRS, José Arthur Gianotti, da USP-CEBRAP e Roberto Romano, Prof. de Ética e Filosofia da UNICAMP, propôs que os renomados intelectuais tecessem considerações sobre o fenômeno futebolístico planetário. Iniciou sua mediação, instigando a inteligência de seus convidados, com uma afirmação da revista alemã SPIEGEL, onde se lia que “no futebol, ser inteligente não ajuda nem atrapalha”. É claro que todos, a partir daí, começaram a tecer os mais variados comentários sobre o futebol, todos enfocando esse jogo por diversas formas, mostrando eles que “futebol é colaboração”, “solidariedade”, “forma de fazer amigos”, chegando, mesmo, a tecerem comentários sobre “futebol como religião”. William Waak fazia interessantes considerações sobre este esporte, classificado por todos como esporte de massas, sem nenhuma dúvida. O apresentador ainda tentava tirar dos intelectuais os argumentos que poderiam sustentar suas colocações a respeito da relação entre “futebol e política”. Até “futebol como religião” foi discutido pelos eméritos filósofos. Aí eu me lembrei de que muitos radialistas, sem nenhuma preocupação intelectual, diziam, há muito tempo, que o estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, era o verdadeiro templo do futebol...

Muitas outras televisões abertas ou a cabo estão realizando programas nessa linha, envolvendo esporte e cultura, e esses acontecimentos midiáticos servem para ratificar a importância do futebol como o mais fabuloso esporte de massas do planeta. São numerosos, também, os livros publicados e lançados no mercado, nessa época de Copa do Mundo, estando nossas livrarias repletas de exemplares novos que falam do futebol como alguma coisa bem diferente de um simples e agradável jogo de bola.

Com a presente análise, tenta-se, mais uma vez, ampliar considerações a respeito do fenômeno futebol, como uma grande metalinguagem, possível de ser explicado e entendido por inúmeros discursos de saber universitário.

Para tanto, alguns itens devem ser listados, e com eles tentar-se-á responder à pergunta que abre esses comentários, isto é, “por que todos os povos do planeta gostam de futebol?” É claro que aquelas respostas iniciais a essa pergunta merecem mais detalhamento, pois a proposta do parágrafo inicial foi a de preparar o leitor para um jogo preliminar, comparando-se aquelas primeiras reflexões com um jogo “tira-gosto”, muito comum nos campeonatos estaduais de futebol, antigamente disputados no Rio de Janeiro e em São Paulo, por exemplo. Sabe-se, de antemão, que um ou dois motivos apresentados não podem explicar essa paixão planetária pelo futebol. Trata-se da combinação de quase todos esses aspectos, apresentados agora.

Então, por que todos os povos do mundo gostam de futebol?

1) No futebol, o corpo todo se move, num exercício aeróbico constante, gostoso de se praticar. Salta-se, corre-se, cabeceia-se, arremessa-se a bola com as mão nas cobranças de laterais. O goleiro se atira de encontro à bola, utiliza as mãos para defendê-la. O jogador observa os movimentos corporais de seus companheiros e de seus adversários, e todos têm uma visão extraordinária de um balé, singelo, nos dribles desconcertantes, nas firulas acrobáticas e na coreografia da armação de um contra-ataque fulminante. O futebol mistura os fundamentos do atletismo com o da ginástica, e tudo pode estar presente dentro do campo de jogo, como nas arrancadas dos jogadores com a bola em direção à meta adversária. Os saltos a grandes distâncias para as cabeçadas ou o lançamento da bola, com as mãos, pelo goleiro, dando uma saída de jogo muito rápida, para surpreender o adversário.
2) O futebol é praticado em campos gramados, a céu aberto. O espaço onde o jogo se desenrola é agradável. A presença do verde aumenta a vontade de participar, de atuar, de correr, etc. As quedas não machucam muito o jogador. Até treinar é bom! Os esportes praticados ao ar livre são mais chamativos e os iniciantes se sentem integrados à natureza. Todos gostam disso.
3) O futebol é um esporte que democratiza o corpo, isto é, jogadores de diferentes estaturas podem competir com idênticas chances de êxito. Isso não acontece em muitos outros esportes, como basquete, vôlei, tênis, natação etc.
4) O futebol é empolgação. E a empolgação é uma sensação gostosa, pois se trata de uma animação extrema. Essa empolgação se dá pelas táticas e estratégias exercitadas. Táticas e estratégias de ataque, de defesa e, principalmente, de envolvimento do adversário pelas atividades dos jogadores do meio-campo.
5) O futebol é jogado com 22 jogadores em campo. Onze de cada lado, portanto, onze em cada time. Isso indica que o futebol é jogo de equipe, articulado em conjunto, para se alcançar o objetivo final, que é marcar o gol. Muitas pessoas em campo animam, tanto os jogadores, como os expectadores, principalmente porque os jogadores dos dois times têm que estar uniformizados, o que dá ao espetáculo mais vida, e ,ao jogo em si, uma característica de show, criando um colorido que alegra o ambiente e regala a vista.
6) O futebol é o único jogo coletivo com muitos jogadores em campo, onde somente um jogador tem o direito de colocar a mão na bola, a qualquer hora, dentro de um espaço a ele reservado. Os demais, só podem colocar os pés e a cabeça na bola. Com as duas mãos, qualquer jogador cobra o lateral. Isso é muito significativo para o raciocínio rápido do atleta em campo e desperta prazer ao ser executado.
7) A bola do jogo não é grande nem pequena. É proporcional a qualquer tipo físico de atletas. A visão da bola do jogo pelo expectador das arquibancadas, ou de outros mais distantes é sempre muito boa, não deixando nenhuma falsa interpretação das jogadas. Isso agrada, pois todos se orientam perfeitamente dentro do espaço onde o jogo é realizado. O tamanho da bola, no jogo de futebol, parece mais um ingrediente significativo para despertar o gosto por esse esporte. A bola não é tão grande como a do basquete, nem tão pequena como a do tênis e a do golfe. Isso pode não parecer pertinente, mas, se observarmos bem, veremos que seu tamanho e peso são ideais para que o atleta a carregue com os pés, cabeceie com adequação e o goleiro a defenda, inclusive encaixando-a ao peito. A bola é um objeto da arte circense e toda criança, desde a mais tenra idade, já brincou com ela. É, pois, um objeto predestinado a levar às massas as alegrias do futebol. E com mais requinte, ao futebol-arte.
8) O futebol, por ser neutro em relação a problemáticas extracampo, atrai um considerável público. Para as torcidas e para os praticantes, esse esporte não se compromete com políticas partidárias, por exemplo. Os campeonatos interclubes, nacionais e internacionais, ficam blindados, quanto à impregnação de ideologias alienígenas, discriminações raciais, econômicas, e ações belicosas. Sobre esta característica do futebol, o Professor de ética e filosofia da Unicamp, Roberto Romano, participante do programa da “Globo News” a que nos referimos anteriormente, evocando o pensador búlgaro, Prêmio Nobel de Literatura de 1981, Ellias Canetti, afirmou que o futebol não se enquadra nas categorias de “massa de fuga”, nem “massa de vingança”, teoria desenvolvida pelo autor de Massa e Poder, 1960, pois este esporte, absolutamente, e, somente em casos especialíssimos, jamais concentra em si mesmo a necessidade de se deslocar para outras áreas sociais, disputando prestígio e mando com outros seguimentos da sociedade.
9) Finalmente, numa Copa do Mundo de futebol, como a que está acontecendo na Alemanha, neste mês de junho, pode-se perfeitamente observar a empolgação que esse esporte proporciona, atraindo o gosto e a simpatia de milhões de pessoas, dentro e fora dos estádios. Além de o futebol ser tudo isso que já foi falado, ele é, também, colaboração, solidariedade, formador de amigos, catalisador de equivalentes e muito mais. Mas, o futebol jogado por uma seleção de jogadores de um país, como na Copa do Mundo da FIFA, possui características especialíssimas, que serão comentadas em outra oportunidade.

B.C., Santa Catarina, 12 de junho de 2006.

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.