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30 de janeiro de 2010

REACIONÁRIO ?

Reacionário, de acordo com o dicionário de Antônio Houaiss, é um vocábulo com várias acepções. Adjetivo, “relativo, pertencente ou favorável à reação, ou caracterizado pela mesma”. Juridicamente, significa “contrário, hostil à democracia; antidemocrático, ainda aquele que se opõe às idéias voltadas para a transformação da sociedade”. Politicamente, “que ou aquele que defende princípios ultraconservadores, contrários à evolução política ou social”.
Ora, etimologicamente, REACIONÁRIO provém de REÇÃO(ION) + ARIO, dentro da primeira acepção apresentada por Houaiss. Agora, sob as óticas jurídica e política, o significado de REACIONÁRIO é puramente subjetivo e histórico, embora estratificado semanticamente na língua, enquanto LANGUE e presente no uso, enquanto PAROLE. Então, esse vocábulo, usado subjetivamente, pode servir para adjetivar qualquer situação contrária a uma determinada democracia ou qualquer forma de governo, seja de que tipo for. Servirá para adjetivar qualquer um que defende princípios ultraconservadores, contrários à evolução de uma política social equivocada, pois o conceito de EVOLUÇÃO POLÍTICA ou EVOLUÇÃO SOCIAL pressupõe, como qualquer conceituação, algo que esteja de acordo com uma norma, com um acordo tácito com a lisura, com a ética, com a honestidade e demais valores que enalteçam e nunca que denigram, de qualquer jeito, formas estabelecidas de ordenamento social. Assim sendo, pode-se ser REACIONÁRIO a um sistema político democrático, e isso não é bom. Mas pode-se ser REACIONÁRIO a um sistema político democrático fajuto, e isso não é mau. Portanto, esse adjetivo "reacionário" pode ser usado para todas essas situações, não marcando a coisa ou o ser determinado com o estigma maligno de seu significado subjetivo. Esse preâmbulo foi necessário para entender o apelo de um amigão do Rio de Janeiro, que me pediu para eu não ser “tão reacionário”! Meu amigo disse isso em resposta a um e-mail que lhe enviei, sobre um filme nacional que está em cartaz e não é comentado pela mídia, principalmente pela Rede Globo. Trata-se do longa metragem, SEGURANÇA NACIONAL, com Direção de Roberto Carminati, Produção Executiva de Diogo Boni, e outros. No elenco: Minton Gonçalves, Thiago Lacerda, Ângela Vieira, Gracindo Júnior, Ailton Graça, Joaquim Cosio, Hector Gasca, Viviane Victoretti, Marcos Rocha. Mas, veja ainda, meu grande amigo, o sociólogo Luiz Werneck Vianna, nome dos mais respeitados na área acadêmica, na abertura do 33º encontro anual da Anpocs (Associação de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais), em Caxambu (MG), dissera que “o governo de Luís Inácio Lula da Silva concluiu a modernização reacionária do Brasil iniciada, por Getúlio Vargas, nos anos 30, quando o projeto de industrialização não foi acompanhado por reformas na estrutura agrária”. Para Werneck Vianna, ainda, “o presidente Lula lidera uma comunidade fraterna sob comando grão-burguês, em que ele cimenta a unidade de contrários, mas com a hegemonia concedida ao grande capital rural e urbano”. Não vamos dizer, agora, que Luiz Werneck Vianna é um REACIONÁRIO, por esses seus comentários... Meu amigo ficou brabo comigo, mas eu sei que cutuquei a onça com vara curta. Então, recebi o que mereci, pois tal repreensão vinda de quem veio, merece reflexão, ou pelo menos, um comentário de destaque no meu BLOG. Assim, meu bom e estimadíssimo amigo, não me julgues pelos significados desse malvado e reacionário adjetivo, pois nunca – e você sabe disso- recorri a artifícios políticos espúrios, para obter nada em minha vida, aliás repleta de lutas contra a prepotência, a mentira, a ignorância, a mediocridade, e, principalmente, contra a força bruta da censura.

ATÉ A PRÓXIMA

9 de janeiro de 2010

LULA, O FILHO DO BRASIL OU À SOMBRA DE ANTIGO DECRETO-LEI DE GETÚLIO VARGAS

Imaginem que Barack Obama, em plena campanha presidencial, lançasse uma superprodução hollywoodiana sobre sua vida, sobre sua família de origem humilde, sobre seus ainda muitos parentes em África! Apresentaria um enredo tipo Indiana Jones, cujo herói afro-descendente seria imbatível nos estudos universitários; seria precioso negociador político dentro do Partido Democrático; seria, talvez, o mais perseguido e discriminado estudante universitário das escolas públicas americanas, pela cor de sua pele e por algumas tendências, que a elite de lá julga de esquerda; seria mostrado como menino pobre que conseguiu vencer na vida e extrair dos velhinhos e velhinhas idosos e pouco letrados do Brooklin algumas lágrimas de uma emoção fabricada com boa luz, câmara e ação. Imaginaram? Pois é! Um país sério não precisa disso. Nem Getúlio Vargas utilizou-se da ribalta do Cassino da Urca para produzir super-shows de autopromoção, com as carmens mirandas da vida cantando sua vida sofrida, que peninha! Os ditadores militares de 64 nada produziram de pseudo-literatura ou semi-arte, para tentar obter uma popularidade falsa e vazia, junto ao povo ignorante (no sentido mesmo etimológico). Nenhum ditador latino-americano ainda não se manifestou dessa maneira tão inusitada de fazer campanha política como esse atual presidente brasileiro! Um filme biográfico em ano eleitoral é demais! Sabe-se, muito bem, como disse uma amiga escritora, muito sabiamente, que “ninguém pode recriar o retrato de uma vida, sem contar os fatos em tom de fantasia”. Pois é! Um dinheirão foi gasto na produção do filme da vida de Lula, que veio, certamente, de grandes conglomerados financeiros e fabulosas empreiteiras, conchavadas com o governo, já há muito tempo. E que negócio é esse de Lula, filho do Brasil? Todos nós, brasileiros como ele somos filhos do Brasil, mas honestos, trabalhadores, éticos, tão sofridos ou mais do que esse político sindicalista, que se aprendeu alguma coisa, já esqueceu rapidinho, porque nunca sabe de nada, nunca viu nada, nunca consegue nem conseguirá ver através das montanhas, como muita gente grande e de peso desse Brasil varonil, salve, salve, vê e produz! Se alguém do Planalto ler essas linhas, avise ao apedeuta que isso é uma forma requintada de metáfora ou linguagem conotativa, viu? Muitos filhos desse Brasil sempre e constantemente espoliado por mãos nefastas nunca foram lembrados, para servirem, sim, de exemplo e serem aplaudidos por suas vidas. Mas, a bem da verdade, devemos lembrar que muitos heróis pátrios serviram de enredo às escolas de samba do Rio de Janeiro, até bem pouco tempo atrás. Mas se vocês não sabiam, fiquem sabendo que foram cantados em verso e samba, por decreto-lei de Getúlio Vargas, que mandava enaltecer a história sagrada de nossa pátria... E tome polca!




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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.