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28 de novembro de 2016

OCUPAÇÃO NIILISTA


A esquerda brasileira é esquizofrênica, porque toda ela: os políticos, os filiados ao partido dos trabalhadores, os filiados ao partido comunista brasileiro, a grande maioria de professores e intelectuais sem muito preparo, todos sofrem de psicoses endógenas, apresentando sintomas claros de dissociação entre suas ações e aquilo em que realmente acreditam e pensam. Teoricamente são um desastre, tanto quando explicitam teorias equivocadas, e também quando tentam praticar algo de real mérito e sempre apresentam alucinações ao analisar e discutir o quadro político atual de nossa enxovalhada república. Invertem tudo, em delírios persecutórios, querendo acreditar no que pensam ser, enquanto produto do delírio de serem, o que na realidade, ou no real, não são e nunca foram.
Existe um trabalho irreparável sobre política, incidindo sobre a ótica psicanalítica, na visão de Jacques Lacan, do Prof. Dr. Antônio Sérgio Lima Mendonça (*), que inicia mostrando a diferença entre Discurso do Capitalista e discurso capitalista. Aquele seria o quinto discurso de Lacan, após acrescentar o discurso de Fazer Desejar, o quarto, a partir dos três ofícios impossíveis de serem realizados, que Freud nomeou como os Ofícios de Governar, de Psicanalisar e de Educar.  Talvez, e com toda certeza, seria também implicado como impossível de ser realizado, tal como os quatro outros  O trabalho se fundamenta em um texto de Jacques-Alain Miller, genro do mestre da psicanálise pós-freudiana.
Então, vamos lá. O discurso capitalista trata de enriquecer, enchendo as burras de dinheiro e nunca desejar. Toda atividade humana visa à acumulação. A acumulação torna-se o mais-gozar do capitalismo. Aqui, Antônio Sérgio vai fundo na crítica aos universitários dos anos dourados, que hoje são os professores de plantão nas “ocupações” das nossas desprestigiadas e enfermas universidades. Diz ele: “Os que já leram O Capital (Kals Marx), que é um dos livros, no Brasil, mais citado e menos lido, no livro 10 do tomo I vão encontrar aquele texto que enfeitiçou a nossa universidade, nos anos 70, chamado! Fetichismo da mercadoria”. Aí apareceu um bando de “criativos de plantão”, atribuindo ao termo marxista fetichismo o status de termo freudiano, o que era e é um equívoco. Fetichismo quer dizer lá, em alemão, feitiço. Marx estava falando do feitiço da mercadoria, ou seja, da capacidade que a mercadoria teria no capitalismo de enfeitiçar as pessoas ao equivaler trabalho e valor. E essa capacidade da mercadoria de enfeitiçar se devia ao fato de a mercadoria ter um duplo e indissociável aspecto: ser um elemento econômico e ideológico ao mesmo tempo. Isso seria uma forma de, a juízo de Marx, dissimular o que ela chamava de mais-valia. E o que ele chama de mais-valia tem um lado algo meio “datado”, o que é um erro, hoje em dia (desculpem-me por chamar Marx de “equivocado”) e tem um lado estrutural que continua correto.”
Assim sendo, percebe-se que o capitalismo do século XIX não é igual ao capitalismo de nosso século. Era outro. O capitalismo atual é bem diferente. Os serviços são tecnologizados e os salários não são, necessariamente, pagos por horas e sim por outras muitas formas de recebimento.
 Mais tarde Rosa Luxemburgo, uma força emergente e contraditória aos princípios marxistas, pois espartaquista, acrescentaria, conceitualmente, algo importante no capital, outra forma de entender a acumulação. Para Marx, a acumulação capitalista é o produto da mais-valia, porque a mais-valia surge do não pagamento do valor do trabalho no preço da mercadoria. Eis o básico e primeiro princípio da acumulação. Já para Rosa Luxemburgo,  não é a acumulação que vai gerar o capitalismo. É o próprio capitalismo que  que vai gerar a acumulação, no mundo que se internacionaliza. Um modo de expansão do capitalismo, como pensou, muito perto do conceito atual, nesse mundo globalizado de hoje, para sermos bem precisos e redundantes.
Será que percebemos que não há sistemas políticos no mundo atual que não tenham se submetido ao princípio da acumulação capitalista? Tanto no sentido econômico como nos mais amplos sentidos. O Discurso do Capitalista será um modo de pensar e não um modo de produção. Isso pode ser verificado porque os lacanianos sabem que é o discurso que rege o mundo e não, como pensavam os marxistas, que o capital que fala fosse uma superestrutura da realidade econômica, como argumente e afirma Antônio Sérgio. No Discurso do Capitalista não há lugar para os perdedores, aqueles que não foram bem sucedidos na lógica da acumulação.
E o autor desse precioso trabalho, LACAN, A PSICANÁLISE E A POLÍTICA, termina, para deixar bem claro -  acrescentamos nós -  a essa esquedopata pseudo-intelectual brasileira, das ocupações universitárias sem sentido de honra, vergonha e impudência “que no capitalismo hodierno, a moral só surge para condenar o malsucedido, e o Estado de Direito e a democracia para legislar e/ou legitimar a sua condenação; o que nos candidata ao sentido que, alguns pensadores, inspirados retroativamente, como Giorgio Agamben, nos conhecimentos filológico-linguísticos de Émile Benveniste, chamaram de Homo Sacer, ou seja, a exclusão como reversão da santidade, como forma de evitação do serviçal, na qual o sacro perde a intocabilidade e passa a ser passível de ser morto, malgrado a ordem jurídica vigente: trata-se de algo próximo do “linchamento moral” e/ou do “assassinato cultural”. Portanto, tão moderno quanto agora, assim pode-se terminar esse texto-resenha.
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MENDONÇA, Antônio Sérgio Lima. CAPÍTULO 5. Lacan, a psicanálise e a política, IN Lacan com Freud: A cultura e o mal-estar civilizatório. Companhia da Freud, Rio de Janeiro, 2010, págs. 75-92.

ATÉ A PRÓXIMA



















23 de novembro de 2016

MÁQUINAS DE ESCREVER




   Escrever por escrever aos borbotões pode ser terapia, afinal é uma prática salutar que distrai e pode produzir muita coisa boa. Ultimamente fiquei encantado e um pouco intrigado com a produção em série de obras literárias produzidas por um só escritor e lançadas ao mercado, em Feiras de Livros regionais, inclusive. Muitas concorreram a premiações literárias e obtiveram belos e significativos troféus, mas isso não é comum. Portanto, debrucei-me sobre este acontecimento e fui reler meus preferidos autores que trataram da Teoria Literária. Roland Barthes dissera, há mais de quarenta anos, que o mundo assistia aos esforços que os artistas, principalmente os escritores, estavam fazendo para destruir a arte. Mas como os textos literários são constituídos de linguagem plurissignificativa e a destruição da linguagem não pode ser verdadeiramente executada, o autor de O prazer do texto retifica, afirmando que suas palavras foram dirigidas mais às artes plásticas do que a literatura, se bem que os problemas estéticos aí, na literatura, são inteiramente diferentes do que na pintura e na escultura, mas de certa forma se imbricam.     
Deve-se escrever compulsivamente? Bem, escrever é anotar para que as palavras permaneçam fixadas ao papel (...scripta manent). Isso pode ser conseguido com o simples exercício da cópia, para se aprimorar a caligrafia e se fixar nas memórias visual e táctil as grafias das palavras. Mas o ato de escrever pode também estar ligado a um tipo especial de prazer. Tal como existe o prazer em ler, aquele que traz o leitor para os escritos do outro, para os textos literários que vão proporcionar ao leitor euforia e conforto, além de colocá-lo em sintonia com o mundo ou ambiente circundante, inserindo-o na cultura, existe, também, o prazer em criar um texto uma escritura. É o prazer compulsivo. Euforia em disseminar a cultura internalizada que irá surgindo, moldando as formas linguísticas de tal modo que o produto se torne expressivamente agradável. Mas agradável a quem? Se essa forma de agrado não for destinada ao receptor, no caso específico da escritura literária (nas outras artes ocorre o mesmo), uma vez que a estética está centrada na ótica do receptor, não surgirá desse esforço físico nenhuma consequência.         
A escrita compulsiva parece que pode atingir a fruição, o desfrute, o gozo, o êxtase. Os textos de fruição autênticos e raros não surgem da compulsão em escrever. Surgem de uma internalizada leitura literária, adquirida, não inata, mas elaborada e cultivada, aprendida, por conseguinte. O escritor compulsivo sem experiências de intertextualidades, relação com outros diversos textos, e sem liames estabelecidos com acontecimentos universais, não produzirá uma escritura para o outro. Produzirá uma escritura para si, supostamente literária. A escritura deverá se destinar a um letramento literário e não a uma leitura literária, como a que, costumeiramente, se faz nas escolas, desenvolvendo-se conteúdos didático-programáticos. Esse letramento deverá estar envolvido pelo conserto e desconserto do mundo, além do prazer e fruição, mas sobretudo, pela paixão e enfetichamento do objeto-tema retratado, escolhido para alumbrar o leitor.  


LEITURAS  SUGERIDAS 

1- BARTHES, Roland. Le plaisir du texte, Paris, Éditions Seuil, 1973. 2- COSSON, Rildo. Letramento Literário: teoria e prática. São Paulo, Contexto, 2007. 3- ZILBERMAN, Regina. Estética da recepção e história literária. São Paulo, Ática, 1989.

ATÉ A PRÓXIMA



22 de novembro de 2016

VOU CONTAR UMA HISTÓRIA

Primeira Parte: INTRODUÇÃO                     

Era uma vez uma instituição “literária” que se chamava União dos Trovadores do Brasil, UBT. Atualmente, tem como presidente nacional uma Sra. chamada Domitila Borges Beltrame, que não sabe o que significa o vocábulo exacerbação, tanto é assim que escreve, equivocadamente, “exarcebação”. Não acreditam? Está lá, por duas vezes grafado, na página 02 do Boletim Nacional da União Brasileira de Trovadores, número 578, outubro de 2016. Esta senhora assina o artigo PALAVRAS DA PRESIDÊNCIA.  Ora bolas, uma entidade cultural que cultiva e preserva a memória literária da TROVA, não pode se expor de maneira ridícula, estropiando a língua portuguesa de Camões, Pessoa, Bilac e do próprio patrono da UBT, o poeta-trovador, Luís Otávio. E mais. Essa atual Diretora, D. Domitila Borges Beltrame, não tem condições culturais nem administrativas para continuar à frende de uma instituição tão simpática e de mais de cinquenta anos, ou perto disso. É estranho o enredo dessa história? Então, leiam com atenção a correspondência que essa senhora em epígrafe recebeu e nem sequer se dispôs a responder, talvez por não saber ler interpretativamente os sintagmas, as frases e os parágrafos. Bem, quem não sabe das coisas não consegue, mesmo...

Segunda Parte: O IRRESPONDÍVEL

A atual presidente da UBT nacional recebeu uma correspondência assinada, no dia 25 de outubro de 2016, na qual é esclarecido todo um tremendo imbróglio, surgido por sua total incapacidade de entender e interpretar textos. E olhem que o texto que os senhores vão ler (o mesmo que ela recebeu) é simples, sem nenhum artifício estilístico e com um vocabulário bem redundante, fácil, portanto, de ser entendido.

Vamos aos fatos.

Blumenau, 25 de outubro de 2016. Prezada Sra. Domitilla Beltrame.

Li no Boletim Nacional da União Brasileira de Trovadores, outubro 2016, nº 579, página 02, no texto PALAVRAS DA PRESIDÊNCIA, seus comentários sobre o evento que coordenei, o I Concurso Nacional de Trovas de Blumenau.
Causou-me enorme estranheza sua declaração, a respeito da minha não distinção entre Trovadores Veteranos e Novos Trovadores no Concurso que coordenei. Sei, perfeitamente, que no Edital havia referências a esse tipo de distinção. Contudo, expliquei a V.S. os motivos pelos quais não considerei esses dois tipos de trovadores. Sei que a senhora tem todo o direito em querer que as coisas corram dentro das normas previstas nos seus regulamentos, mas chegar ao ponto de ver exacerbação em minha humilde e sincera argumentação, por não seguir sua orientação, é uma atitude que não posso aceitar. Não agravei nada. Não exagerei nada, porque nada havia para ser exagerado. Gostaria que refletisse bem a respeito disso tudo. E para que não haja dúvidas, transcrevo o texto do e-mail em que lhe enviei os resultados do I Concurso de Trovas de Blumenau, com a referida justificativa e que não foi respondido, surgindo lastimáveis comentários, em seu Boletim (Nº579, outubro/2016), aberto aos seus leitores, o que caracteriza ação ignominiosa, portanto. Ei-lo:

“Prezada senhora.
Englobei todos os concorrentes em uma só categoria, pois foram muitas trovas e não poderia sobrecarregar os julgadores com subdivisões, uma vez que são pessoas muito ocupadas, pois mesmo aposentadas, atuam em diversos setores da vida cultural de sua cidade, dando assessoria linguística e literária a importantes agentes culturais do Rio de Janeiro. Creio, contudo, que o critério adotado só prestigiou a vossa simpática e atuante União Brasileira de Trovadores. Já enviei os Certificados para os vencedores e os Diplomas para os componentes da Banca Julgadora.
 Prof. Luiz Cesar Saraiva Feijó”

Assim sendo, pergunto onde houve exacerbação e quais motivos (talvez sejam sub-reptícios) existem para tamanha indignação, a ponto de ter tentado anular os resultados? Gostaria de frisar que aquele Concurso foi um dos que mais transparência apresentou em toda a história dos julgamentos de Concursos da UBT, pois mostrou a todos a qualificadíssima banca julgadora, que declinou seus critérios, a forma de avaliação e as considerações gerais adotadas na seleção dos poemas vencedores. Da forma como organizei o julgamento e a apuração, não seria possível nenhuma fraude, nenhuma possibilidade de macular o resultado e creio, mesmo, que não houve nada parecido com esse critério de avaliação e apuração na UBT. Em vez de a senhora agradecer, vem dizer que houve exacerbação, agravamento, aumento exagerado de impertinências em minha atitude?  Recebi, Senhora Presidente, elogios de inúmeros concorrentes a respeito de como procedi na coordenação desse Concurso, todos aplaudindo a lisura e a maneira como foram julgados seus poemas, suas composições. Em tempo, pergunto, ainda, como os tais “novos trovadores” e “os trovadores veteranos” poderiam ter sido prejudicados com tal nivelamento? Sei que o Edital previa um tipo diferente de premiação, mas expliquei em meu e-mail (a cima reproduzido) o porquê de ter havido tratamento diferente. Não foi suficiente ou não houve boa vontade? Talvez não tenha havido compreensão...

Sra. Presidente, fique com suas convicções, pois são legítimas, mas fique também sabendo que não vejo nenhuma exacerbação nas palavras e nas atitudes que tomei ao explicar-lhe os motivos para não levar em consideração o quesito Novo Trovador e Trovador Veterano. Creio que isso é impossível de ser justificado.

Finalizando, Sra. Presidente, “recém-chegado”, pela nova ortografia em vigor, possui hífen, e a expressão “ao par” está mal empregada, pois deveria grafá-la “a par”. E, ainda, no Item 9 das suas orientações, a senhora, sim, exacerbou, pois agravou substancialmente a redação de seu texto, porque não tomou cuidado no uso do pronome reflexivo “SE”, cujo emprego, aí, exige o verbo no plural (“que se façam”), errando mais uma vez e  isso, sim, merece séria reprovação. Ass. Luiz Cesar Saraiva Feijó.

F I M


ATÉ BREVE 

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.