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11 de março de 2013

DESCULPAS À FUNDAÇÃO



No dia 28 de fevereiro deste ano (2013), publiquei uma recensão sobre um livro que seria apresentado ao público pela Fundação Cultural de Balneário Camboriú. Por ser o livro de péssima qualidade, com um texto repleto de comezinhos erros de português, além de ter uma narrativa sem nexo sintático, entre muitas outras coisas que desabonam sua edição e por também abordar tema lendário e controverso, tratado como verdade histórica, sem cientificidade e argumentação bibliográfica, extrapolei nos comentários, não sobre o mérito da obra em questão, mas na atuação da referida Fundação, que o apresentou ao público desse município de Balneário Camboriú. Realmente, essa casa de cultura, como órgão público de divulgação de todas as manifestações artísticas, não tem como atribuição a análise do mérito estético do que lhe cabe divulgar, principalmente em se tratando de obras literárias. Para escultura e pintura existe uma curadoria que dá conta do recado. Caso uma obra não atente explicitamente contra os bons costumes e a subversão da ordem pública, só para falar de casos muito sérios, todo o tipo de manifestação artística literária, a princípio, tem salvo-conduto para ser apresentado à sociedade local, e aí, sim, por ela, passará a ser apreciado, analisado e comentado, através de uma crítica científica nunca hermenêutica ou impressionista. Portanto, revendo meus excessos, basicamente localizados, in fine, lá no meu artigo de 28 de fevereiro, intitulado UMA SANTA BOBAGEM, venho me penitenciar publicamente desses meus exageros, pois, realmente, a Fundação Cultural de Balneário Camboriú não pode ser responsabilizada pela apresentação de uma obra, que se passa como literária, mesmo sendo ela de péssima qualidade estética. Aos diretores, jornalistas, funcionários e todos os demais componentes dessa entidade pública, que presta significativo serviço à comunidade, as minhas desculpas por ter querido exigir do seu grupo diretor, uma tomada de posição não regimental ou estatutária, por enquanto.

ATÉ A PRÓXIMA

9 de março de 2013

TEIAS DO TEMPO



Maria José Lima de Toledo Sanches Figueiredo é desses nomes mágicos que poderiam ser desdobrados em vários outros nomes artísticos, mas todos marcando a mesma personalidade vibrante, alegre e inteligente dessa mulher polivalente no campo das artes. Professora de História, formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), atuou no Colégio Pedro II, na Faculdade de Educação da UERJ e em seu Colégio de Aplicação, Fernando Rodrigues da Silveira. Além da sala de aula que dominava com sua marca registrada de alegre e dinâmica professora, querida por todos os alunos, por seu preparo e por sua magnífica didática, é pintora, atriz e escultora. Possui inúmeros livros publicados, desde 2002 e, agora, nos brinda com este TEIAS DO TEMPO, um livro de memórias.
Conheci Maria José, lá atrás no tempo, em Jacarepaguá, quando, ainda criança. Morávamos na mesma avenida, a Av. Geremário Dantas. A casa dela ficava pertinho da chácara de meu avô materno, onde, praticamente, me criei. Reencontramo-nos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UDF, hoje UERJ. A mesma profissão que abraçamos serviu para que, a partir da faculdade, estivéssemos durante muitos anos sempre perto um do outro, em Congressos, Simpósios, Cursos e em muitas reuniões sociais, em nossas casas, pois criamos um laço tão estreito de amizade que nos tornamos compadres. Seu marido, Cláudio José Figueiredo, e eu sempre fomos entusiasmados profissionais e, posso dizer com orgulho, que, de certa forma, contribuímos significativamente para o desenvolvimento do Ensino Médio no Estado do Rio Janeiro, revolucionando a Didática Geral, disciplina que Cláudio domina com excelência. Nossas vidas profissionais, portanto, se entrelaçaram no âmbito da Educação e estamos, por isso mesmo, eu e minha esposa Glorinha, lembrados nesse texto memorialista de Maria José.
Seu estilo simples, direto e coloquial nos revela uma escritura sem ressentimentos do passado, sem pieguismos, sempre revelando sua família, com intenso amor e singelas passagens poéticas. Esse caminho que vem do passado ao presente traz ao leitor a possibilidade de recordar dados de nossa história recente, muitas vezes esquecidos por muita gente! Maria José aproveitou suas viagens – e foram muitas – para olhar, com sua visão de historiadora, as surpreendentes e instigantes paisagens de países e regiões  por que passou, num périplo turístico e profissional, registrando dados da história factual desses sítios, bem como a importância que tiveram em outras áreas, movimentando o comércio e demais atividades aceleradoras do progresso e desenvolvimento. Mas Maria José foi mais além. Foi mais longe. Andou por todas as dependências, por todos os cômodos das casas e dos palácios que visitou e que a abrigou. Terminou na varanda. “Conversar na varanda foi meu objetivo. Verifiquei o quanto as pessoas são gratas a essa atividade, principalmente lembrando fatos de suas vidas. Realmente, a memória é a nossa identidade, a nossa alma”. Assim inicia a parte final de seu livro TEIA DOS TEMPOS. Nas varandas, Maria José entrevistou um pintor; uma bailarina; uma escritora e uma gueixa, esta, talvez admirando o azul do mar da ilha de Honshu, a maior e a mais populosa ilha do Império Japonês...
Belo livro de memórias. Parabéns, Professora Maria José, comadre e amiga!

ATÉ A PRÓXIMA

1 de março de 2013

O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO...


Uma homenagem aos 448 anos de fundação da cidade do Rio de Janeiro


RIO SONHO (poema de 1965, adaptado à data de hoje)

O Gigante Adormecido da Barra da Tijuca
engoliu o sol dos cariocas.
Anoiteceu na Guanabara.
A vida faiscou nos vales
nas montanhas
nas favelas
nas praças
ruas 
e boates.
Acenderam-se velas nas encruzilhadas
e as praias refletiram coloridos.
O Cristo fechou os olhos
e adormeceu.
Seu sono divino abençoou
a cidade do Corcovado.
A natureza zelou o seu repouso.
As ondas cantaram cantigas de roda
dos tempos da corte portuguesa.
Fez-se silêncio de Largo do Boticário...
E o Rio de Matacavalos
da rua da vala
do Largo do Paço
dos negros nas ruas
do caxangá
vencia os séculos
Crescia, crescia, crescia...
Buzinas longínquas
soavam
como
sinos
da Glória que olhavam
o mar acimentado.
E o vento soprou da entrada da barra
assoviando no Pão de Açúcar.
No meio da noite
ligeiro ligeiro
o morro desceu
desceu pra sambar
sambou a favela
cuíca pandeiro
mulata dengosa
garota cheirosa
mexendo ligeiro
o corpo faceiro
queimado todinho
pelo sol que já vem.
Voaram andorinhas sonolentas
que moram na Catedral.
Roncou o motor
chegou do subúrbio um trem da Central.
Apitou o navio
nas águas que viram caravelas.
Caravelas de Portugal.
Marcharam os soldados
de Estácio de Sá.
Fragatas guerreiras
canoas de índios
Tamoios Tupis de olhos azuis.
E o Rio reinou
reinou e sonhou
foi majestade
foi imperador.
Danço nos salões
iluminados da corte.
Ao som da metralha
fez história
com glória
para o porvir.
Escreveu seu nome no livro da liberdade
e amou.
Cresceu com o amor
libertou os escravos
e cantou a marcha triunfal
das grandes nações.
Dos índios das praias
aos bravos soldados
dos campos da Europa
se orgulha
do filho forte.
Na ponta de terra
banhada por mar
alteia-se a tribo
dos nobres guerreiros
da forte nação.
-Eu te abençoo, pedaço de terra
esverdeada
em campo de areia.
Surja com o sol de cada dia
a tua felicidade, Rio-Cidade
Rio-Sonho
Sonho de um Deus petrificado
no alto do monte
eternamente
pregando o Sermão
da Bem-aventurança...
O sol iluminou o mundo encantado
e o Cristo acordou feliz
porque sonhou 
quatrocentos e quarenta e oito anos
de Cidade Maravilhosa.

(Luiz Cesar Saraiva Feijó, in REMORRO, 1998)

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.