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6 de abril de 2009

O ENSINO BRASILEIRO E A MATEMÁTICA


Recebi hoje um e-mail que, ironicamente, mostra como o ensino no Brasil se deteriorou, a partir da década de 50. A hilariante apresentação servia-se do ensino da matemática para criticar a involução dos estudos nas escolas brasileiras. O mote que envolveu o tema em questão bem que poderia ter sido verdadeiro, pois mostra uma situação embaraçosa por que passou uma funcionária de uma caixa de supermercado, quando não entendeu o acréscimo à conta, pelo próprio cliente, para facilitar-lhe o troco, deixando de receber muitas moedas e isso facilitaria a vida do empregado. Realmente, hoje em dia não se ensina tabuada nas escolas e os alunos se viciaram nas calculadoras. E mais, contam nos dedos para somar ou subtrair. Multiplicar e dividir nem se fala! Isso só mesmo no computador... Mas não é só a matemática que sofre nas escolas de Ensino Fundamental e nas de Ensino Médio. A Língua Portuguesa, lá, é estropiada a todo o momento. O plural de nosso idioma, por exemplo, deixou de ser sigmático e a maior prova disso está na fala de nosso maior representante político, o Presidente da República. Uma vergonha! Mas esse descalabro atingiu também o Ensino Superior. Em 1970, junto com mais três professores do mais alto gabarito, catedráticos de escolas do Estado do Rio de Janeiro, na época, e de faculdades de filosofia, ciências e letras, publiquei um livro didático, pela Editora Melhoramentos de São Paulo, intitulado PORTUGUÊS NO SEGUNDO GRAU. O livro destinava-se ao ensino da língua pátria no antigo Científio, agora Segundo Grau. Foi um sucesso. Era adotado nos mais significativos e importantes colégios do Estado, além do Colégio Naval, Instituto de Educação, São bento e Santo Inácio, só para citar importantíssimos estabelecimentos de todas as épocas da Cidade maravilhosa. Em São Paulo, da mesma forma, o nosso livro foi adotado em significativos e tradicionais colégios particulares, leigos e religiosos, em toda a região metropolitana e no interior. Muitos anos depois, mais precisamente dez anos após o lançamento – livro teve duas edições e duas reimpressões – dando aula de Lingüística, no Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), qual não foi a minha surpresa quando vi que um colega de Língua Portuguesa estava adotando o meu livro em duas turmas e em turnos diferentes, em forma xerocada, pois a edição estava esgotada e não fora reeditado, por força da penúltima reforma ortográfica. É claro que fiquei contente, mas, ao mesmo tempo triste, porque percebi claramente a queda e a deterioração do ensino, pois um livro que apresentava conteúdos para o Nível Médio era agora, dez anos depois, utilizado para sedimentar informações lingüísticas a futuros professores da língua pátria, "adotado" numa Faculdade de Filosofia, num Curso de Letras. Uma pena! Tem toda razão o autor do e-mail que recebi, expondo as feridas da queda vertiginosa de nossa cultura, de nosso ensino e, principalmente de nossa dignidade em resolver problemas de todos os tipos, principalmente os matemáticos. Logo agora que nos Estados Unidos, mataram estupidamente um competentíssimo e esforçado professor brasileiro, doutor nas ciências de Adolphe Quételet, Frans van Schooten, William Thonson, Albert Einstein, Isaac Newton, Sixto Ríos Garcia, Chebyshev, Abu Ja'far Mohamed, Hipócrates de Quios, Arquimedes de Siracusa, Tales de mileto, Pitágoras e muitos outros.

ATÉ A PRÓXIMA

Um comentário:

Anônimo disse...

O ensino no Brasil está de mal a pior. Você, Prof. Feijó, tem toda razão. Daqui a alguns anos só vai ter analfa nesse país!!!!!!!!!!

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.