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19 de abril de 2009

MANHÃ DE GINÁSTICA



Estou em Copacabana desde o início da semana. Portanto, há quase sete dias ando por estas bandas da Cidade Maravilhosa, hoje já nem tanto... Mas faz bom tempo e os trabalhadores muitas greves. Nos corredores do hotel os funcionários só falam na paralisação dos trens da baixada, na greve de adesão dos ônibus e de muitos outros serviços. Claro, isso é o Rio de janeiro que eu sempre conheci. Formidável! No pátio, lá embaixo, um professor de ginástica para a terceira idade se esgoela e palhaceia, intitulando-se de titio belo, deslumbrando as muitas velhinhas e alguns velhinhos que se esticam e rangem os ossos, sacudindo as pelancas em exercícios bem leves. Todos aplaudem o professor ao final de cada sessão. Na rua ainda passam alguns vendedores de frutas e um jurássico tripeiro. Pensei que era uma profissão extinta. Nada disso. Em Copacabana essa gente ainda resiste à modernidade, pois esse bairro carioca é o que mais abriga idosos em toda a capital fluminense. Os antigos prestigiam as coisas do passado, desde que sejam boas... O professor de ginástica, agora faz mais uma piadinha boba com duas alunas de meia idade, que chegaram atrasadas. Toda turma ri. As crianças dos edifícios ao lado vêm para o pátio do hotel com suas babás que empurram carrinhos de todos os tipos, de gente rica, de gente da classe média e de gente bem caidinha e muito endividada. As manhãs no pátio do HOTEL DO SESC exalam democracia comunitária nos mínimos detalhes. Se vocês não acreditam e se tudo isso que falei não prova nada tentem, leitores incrédulos, imaginar um segurança, todo de preto, com um radinho na cintura e um botão eletrônico auricular, adentrando no pátio, pouco se importando com a aula de ginástica, dando uma bronca danada numa babá de um ricaço, por deixar a criança toda engraçadinha – que lindinha - arrancar uma florzinha da jardineira lateral. Um pirralho mais crescidinho, de uns sete ou oito anos, em socorro da pobre coitada atônita, começa xingar o brutamonte, que, imediatamente paga geral, dizendo em alto e bom som que respeito é bom e eu gosto. Imediatamente ouviu-se uma vaia formidável que ecoou no portão do Forte de Copacabana, cheio de turista, lá no fim da praia, no posto seis, a vários quarteirões de distância. O professor feio pra cachorro, dizendo-se o mais bonito da área, encerra a aula e as velhinhas batem palmas. Vão embora e não percebem uma briga feia entre dois mendigos que lutavam pela posse de uma nobre área de estacionamento clandestino, cuja placa demarcatória da Prefeitura fora completamente destruída. O sol convidava para uma boa praia. Fui.

ATÉ A PRÓXIMA

3 comentários:

Anônimo disse...

Prof. Feijó. Gostei da crônica. Viva a terceira idade que se exercita, a segunda que se excita e a primeira que só fita!!!!!!!!Ahahahahahahahahahahahahahah. Brincadeiras à parte, texto muito legal.

Admiradora

Thereza Pires disse...

Olá,Professor!
Curtindo Copa,hein?
Moro aqui no Leblon e conheço de perto as atividades do SESC (marido consultor da empresa há oito anos)
E o diabo (a violência)não é tão feio como parece
Ainda somos maravilhosos.
Boa estadia e mais uma pérola de bom humor e arte de viver
Thereza

CANUTO disse...

Grande prof. Feijó, posso dizer que tive a honra de trabalhar com vc na TVE do Rio, no departamento de institucionais lembra?
agora estou morando em Natal-rn

Meu email de contato é miltoncanuto@pop.com.br
Grande abraço.

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.