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21 de fevereiro de 2016

O CICLO DE TÂNATOS





Morreu na noite de 19 de fevereiro de 2016 um dos últimos autores de leitura obrigatória, citados por meus professores, no Mestrado em Teoria da Significação, que completei na Escola de Comunicação, da UFRJ, em 1984.
Parece que foi ontem...
Como tínhamos trabalhos a realizar! Leituras de artigos, resumos de obras lidas, fichamento de livros inteiros e muitos capítulos de revistas e publicações de jornais. Quanta produção! Quanto empenho! E as resenhas? Não eram fáceis de serem realizadas, mas a dedicação, o empenho e a obstinação de Mário Camarinha, nosso professor e amigo foram determinantes para gostarmos do ofício e muito aprendemos com suas aulas.
Muitos autores de leitura obrigatória já eram falecidos naquela época, onde estudávamos como loucos, bem ali, ao lado do Instituto Pinel...
Sabíamos que Marx (14 de março de 1883), Saussure (22 de fevereiro de 1913) e Freud (23 de setembro de 1939) já eram autores falecidos, mas muitos outros,  não. Continuavam firmes, debruçados em seus trabalhos intelectuais. Lutavam bravamente em suas trincheiras, disseminando a cultura e o conhecimento.
Então, pode parecer estranho, mas gostávamos de saber quais eram aqueles que ainda atuavam em sala de aula, nas suas universidades e desenvolviam suas pesquisas, discutindo suas teorias em palestras, congressos e seminários por esse mundo afora. Um pouco antes de ingressarmos no Curso de Mestrado, da ECO, na UFRJ, soubemos da morte inesperada de Roland Barthes, em Paris, 1980. Comoção incrível no meio intelectual, ligado às áreas humanísticas.   Barthes era outro ícone da semiologia, e no próximo mês de março, no dia 26, completaria 101 anos.  Um ano depois, em 1981, falecia Jacques Lacan, também em Paris, perda irreparável para a teoria psicanalítica, que relia Freud. Mas foi em 1980, com a morte de Marshall McLuhan que o mundo da intelectualidade que orbitava entre o rádio e a televisão sofreu o seu maior golpe. Morre em 31 de dezembro, na cidade de Toronto, Canadá o, então, maior teórico da Comunicação de todos os tempos. Todos os MEIOS se transformaram, verdadeiramente, em MENSAGENS...
Contudo, a vida é assim mesmo, muitas figuras do mundo intelectual resistem mais, outros menos... Claude Lévi-Strauss outro que muito influenciou nossos estudos veio a falecer muito tempo depois daquelas belas aulas  de tantos professores cultos e abnegados. Chegou aos 100 anos de idade, vindo a óbito em Paris, em 2009. Sobre ele escrevi um breve e despretensioso texto. Está em meu Blog (professorfeijo.blogspot.com.br).  Roman Jakobson e Eric Buyssens também ocupavam lugar de destaque na lista de semiólogos e linguistas estudados nas Escolas de Comunicação de todo o país. O primeiro viria a falecer em 31 de dezembro de 1980. Buyssens continuava atuando na Universidade Livre de Bruxelas, em sala de aula, escrevendo e ministrando palestras. Acompanhávamos as atividades intelectuais de ambos, à distância, mas sempre atualizando a leitura de suas obras. Buyssens estava vivo durante o período de nosso mestrado. Seu óbito ocorreria muito tempo depois, em Bruxelas, 19 de julho de 2000. Deleuze, em 1962, conheceu Michel Foucault, de quem se torna amigo até a morte do autor de Arqueologia do saber (1969), em 1984. Um ano depois da morte de Foucault, morre Deleuze, também em Paris, 4 de novembro, bem ao final de nosso Curso.
Continuavam vivos e na bibliografia sugerida por nossos professores, autores como Abraham Moles (+ 1992) e muitos outros grandes estudiosos, cujo saber legaram à posteridade o exemplo da abnegação aos estudos e a perseverança aos objetivos de suas vidas. E Edgar Morin, pseudônimo de Edgar Nahoum, antropólogo, sociólogo e filósofo francês continua vivo. Nasceu em Paris, França, 8 de julho de 1921. Tem, portanto 95 anos. É o mais longevo da Lista Bibliográfica de meu tempo de aluno de Mestrado em Teoria da Significação, da Escola de Comunicação da UFRJ, que contemplava tanto APOCALÍPTICOS como INTEGRADOS.
Por fim, homenageando Umberto Eco, o grande mestre filósofo, semiólogo, linguista, escritor e crítico literário, unanimidade mundial, dono de cultura plurifacetada, podemos afirmar que uma das grandes conclusões a que se pode chegar, testando a teoria do mestre de Alexandria, estudando suas significativas obras, no campo da crítica e da estética literárias, é que a interpretação da escritura de uma obra literária é aberta, como ele dizia, além de se poder considerar o discurso crítico-teórico, ou seja o discurso crítico-literário, em sua materialização, uma produção artística. E ele soube atuar nesses dois segmentos da produção sígnica.  

ATÉ A PRÓXIMA

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.