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12 de fevereiro de 2016

O FALAR POÉTICO DE FERNANDO MAIA


O discurso oral também é a instância do poético. Estão a provar tal afirmação as cantigas de gesta. Entenda-se como poético a transgressão do código em que o conteúdo se materializa, transformando a realidade e criando novas formas expressivas. A oralidade perpetuou cantigas breves e poemas longos. Desde Homero, até as cantigas de roda e de ninar da Idade Média, que se estenderam aos dias de hoje, a oralidade foi responsável pela perpetuação de segmentos clássicos de nossa historiografia e de nosso cancioneiro. Isso não causa discussão e tampouco divergências, pois aceita-se e se reconhece a sua força (a força da oralidade) no campo da cultura, principalmente se o código linguístico que a sustenta não tiver registro escrito, isto é, se as histórias, os poemas, os diversos tipos de canções se expressarem numa língua ágrafa.   
Assim, o discurso oral de Fernando Maia expressa o poético. É o seu cotidiano. É a sua inspiração, respiração e expiração. Seu modo de suportar a vida. Fernando decodifica a interiorização de seus sentimentos, sem a ordenação dos descompassos líricos musicais da verve poética que a constitui, mas com o acelerado e acertado ritmo de todos os seus sentimentos. Fernando é juiz do trabalho aposentado, músico e poeta. Falo somente de Fernando Maia, o músico. Como tal, harmoniza a sofrida existência ao compasso do ritmo do sonho, desconstruindo a realidade, envolvida por seu discurso lírico, comprometido na fala do Outro, muitas vezes envolvido por atos falhos, partícipes também de sua inesgotável criatividade.
Fernando Maia é também poeta culto e menestrel. Sua obra, nessa área, consubstancia-se em forma de poemas e cantigas, variando desde os motes infantis até aos temas da arguta filosofia popular, sempre musicando seus textos com uma criatividade ímpar, sem igual. Compositor, letrista e arranjador musical, materializou sua verve musical no CD “PARA A LUA ESCUTAR”, cuja produção, composição e muitos de seus arranjos  deram formas harmoniosas a poemas de amigos diletos.
Ficam, portanto, aqui, neste meu espaço destinado à cultura lírica, algumas palavras sobre esse meu amigo de fina e rara criatividade. Estivemos juntos, há pouco tempo, por alguns dias, é verdade, num encantador recanto da Serra Gaúcha, a cidade de Gramado, e muito conversamos envolvidos pela exuberante natureza daqueles  campos férteis de amenos ares, que muito apreciamos, onde germinam desde as mais tenras gramíneas até as colossais e centenárias araucárias, resistentes às intempéries humanas e climáticas de todos os tipos, desde todos os tempos... Conversamos muito e senti, como sempre, a força de seu falar poético, tão rígido e consistente como os liquidâmbares e cedros das altitudes rio-grandenses. O discurso de Fernando Maia, lá, ressoava, como menestrel citadino, cantando por aquelas plagas serranas sua triste alegria, um bálsamo que reconfortava a nós todos e impregnava os campos que o cercavam, com a cor e o som de sua poesia, mesmo nas mais comezinhas e improváveis situações.

ATÉ A PRÓXIMA



O discurso oral também é a instância do poético. Estão a provar tal afirmação as cantigas de gesta. Entenda-se como poético a transgressão do código em que o conteúdo se materializa, transformando a realidade e criando novas formas expressivas. A oralidade perpetuou cantigas breves e poemas longos. Desde Homero, até as cantigas de roda e de ninar da Idade Média, que se estenderam aos dias de hoje, a oralidade foi responsável pela perpetuação de segmentos clássicos de nossa historiografia e de nosso cancioneiro. Isso não causa discussão e tampouco divergências, pois aceita-se e se reconhece a sua força (a força da oralidade) no campo da cultura, principalmente se o código linguístico que a sustenta não tiver registro escrito, isto é, se as histórias, os poemas, os diversos tipos de canções se expressarem numa língua ágrafa.   
Assim, o discurso oral de Fernando Maia expressa o poético. É o seu cotidiano. É a sua inspiração, respiração e expiração. Seu modo de suportar a vida. Fernando decodifica a interiorização de seus sentimentos, sem a ordenação dos descompassos líricos musicais da verve poética que a constitui, mas com o acelerado e acertado ritmo de todos os seus sentimentos. Fernando é músico e poeta. Como músico, harmoniza a sofrida existência ao compasso do ritmo do sonho, descontruindo a realidade, envolvida por seu discurso poético, comprometido na fala do Outro, muitas vezes envolvido por atos falhos, partícipes também de sua inesgotável criatividade.
Fernando Maia é poeta culto e menestrel. Sua obra lírica consubstancia-se em poemas em forma de cantigas, variando desde os motes infantis até aos temas da arguta filosofia popular, sempre musicando seus textos com uma criatividade ímpar, sem igual. É compositor, letrista e arranjador musical. Materializou sua verve poética no CD “PRA LUA ESCUTAR”, cuja produção com músicas e arranjos seus, deu formas harmoniosas a poemas de amigos diletos.
Ficam, portanto, aqui, neste meu espaço destinado à cultura lírica, algumas palavras sobre esse meu amigo de fina e rara criatividade. Estivemos juntos, há pouco tempo, por alguns dias, é verdade, num encantador recanto da Serra Gaúcha, a cidade de Gramado, e muito conversamos envolvidos por aqueles campos férteis de amenos ares, onde germinam desde as mais tenras gramíneas até as colossais e centenárias araucárias, resistentes às intempéries humanas e climáticas de todos os tempos... Conversamos e senti, como sempre, a força de seu falar poético, tão rígido e consistente como os liquidambares e cedros das altitudes riograndenses. O discurso de Fernando Maia, lá, ressoava, como menestrel citadino, cantando por aquelas plagas serranas sua triste alegria, um bálsamo que reconfortava a nós todos e impregnava os campos que o cercavam, com a cor e o som de sua poesia, mesmo nas mais improváveis situações comezinhas.
ATÉ A PRÓXIMA


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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.