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12 de outubro de 2016

A trova é boa porque foi bem escolhida ou foi bem escolhida porque é boa?




           


Acabei de proporcionar aos amantes da breve poesia, a trova, um concurso nacional, sob a égide de uma tradicional organização de preservação do encanto que a trova encerra, a UBT. O resultado foi diferente dos tradicionais concursos, pois houve sete trovas em primeiro lugar. Na realidade, seriam vinte e duas colocadas em primeiro lugar, mas não querendo escandalizar, organizei o resultado final, entre estas vinte e duas selecionadas, de maneira a colocar sete em primeiro lugar, efetivamente, oito como Menções Honrosas e sete como Menções Especiais. Quando da abertura dos envelopes para que se soubessem os nomes dos poetas vencedores, muitos  que participavam do evento, estranharam, achando que as colocações não correspondiam às suas expectativas, aos seus julgamentos, instantâneos, imediatistas, impressionistas e muito pessoal. Será que estas trovas são boas porque foram bem escolhidas ou foram bem escolhidas porque são boas?  Tal situação lembrou-me um artigo que li há muito tempo, na verdade, um microensaio crítico muito bem elaborado, não só pela escritura, como pelo desenvolvimento conteudístico. Chamava-se “Tostines Invertido”, de Cristiane Costa. A autora, em síntese, vê a crítica literária torcendo o nariz para as obras que mais vendem no comércio editorial, isto é: os best-sellers.  O efeito “Tostines” está presente aí. Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? E repensa o papel do crítico literário, em função do mercado editorial. Já Flora Sussekind, no suplemento literário do Jornal O Globo, sugere que o crítico literário se afaste cada vez mais da sua função de guia de consumo... E Cristiane Costa, que desencadeou minhas reminiscências literárias e de comunicação de massa, termina na oposição best-seller / worst-seller, afirmando que “não é à toa que a lista de worst-sellers já engoliu a poesia e o conto e está agora ameaçando o romance nacional.” O que queremos dizer com a chamada de um texto desse tipo? Vejo que é fácil e pertinente fazermos uma paráfrase com o que acontece nos julgamentos de concursos literários de poesia e prosa, principalmente executados por pequenos grupos ou instituições que não dispõem de pessoal preparado para a composição de uma banca julgadora. Pessoal qualificado não é comum nessas situações, mas em concursos de notoriedade nacional devem ser chamados, sim, pois críticos renomados ou pessoas com qualificação e formação em Teoria Literária, pelo menos, são indispensáveis para esse mister. Por pensar desta maneira, escolhi a dedo minha banca julgadora, formada por doutores em Teoria da Literatura e Literatura Brasileira. Assim, quando o júri atribui um veredito, baseado num critério consubstanciado em argumentos relevantes e intrínsecos à escritura e à escrituração, este, de certa forma, também, observa a criação literária como algo que não conhece limites, regras, nem esquemas, resultando daí suas escolhas. Escolhas estas com pertinências estéticas e nunca submetidas aos resíduos farofentos do “slogan” dos biscoitos Tostines, invertido ou não.   

ATÉ A PRÓXIMA

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.