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21 de agosto de 2009

PROFESSOR ? PROFESSOR DE QUÊ ?

O Brasil tão cedo não atingirá a excelência de vida no campo psicossocial, pois negligencia, há muitos anos, com a educação. Hoje, com mais de 16 milhões de analfabetos em todas as idades, não cuida das escolas, das bibliotecas, da cultura, do patrimônio histórico, da merenda escolar e dos professores. A profissão de professor é, atualmente, considerada de alto risco. As escolas públicas estão quase todas elas depedradas, pixadas, deterioradas, arrombadas, furtadas e sem direção. O pânico instalou-se no sacrossanto ambiente do saber, totalmente esquecido e abandonado pelas autoridades, em todos os níveis. Não me venham dizer que esse quadro só é encontrado nas periferias das grandes e violentas cidades, nos bairros menos favorecidos pela situação econômica de seus habitantes, porque isso não é verdade. Estou, há alguns anos morando no sul do Brasil, onde o padrão de vida do povo é bem razoável, e observo nas pequenas e bem estruturadas cidades como, por exemplo, as do Vale do Rio Itajaí-Açu, em Santa Catarina, a mesma deteriorização do ensino. Lá, o que vemos é o total abandono do sistema educacional público de Primeiro e Segundo graus, responsabilidade municipal e estadual, evidentemente. As universidades federais também vêm sofrendo a sucatização de seu patrimônio e, identicamente, se apresentam em péssimo estado de conservação, desprezando seus professores, deixando-os sem condições de progredirem, por falta de programas bem executados de capacitação do docente. O abandono do ensino fundamental público se reflete nos prédios parcialmente destruídos e, principalmente, no quadro do magistério sem chances de crescer intelectualmente e, quase sempre, despreparado. Os professores de todas as matérias falam errado o português, contam nos dedos para fazer contas, não sabem se localizar geograficamente, não escrevem corretamente, desconhecem a história de suas cidades, de seu Estado e de seu país. Um horror! O alunado domina seus mestres, intimida os que tentam impor disciplina, a direção das escolas não encontra no poder público respostas às suas reivindicações para minimizar, pelo menos, a terrível situação material e moral por que passa essa importantíssima instituição, a ESCOLA. Em síntese, estabeleceu-se o caos no ensino. Não há saída a curto e médio prazo para se reverter esse quadro atual. Vamos a casos concretos. Hoje, no noticiário da tarde da Rede Globo de Televisão apareceu uma reportagem sobre a triste situação das salas de aula de Santarém, oeste do Estado do Pará. Alunos assistindo às aulas embaixo e no alto das árvores. Novo método de ensino? Método grego peripatético de Aristóteles? Quem dera! E por aí vai! Os prédios escolares são assaltados e rolbados a toda hora. A informática ainda teima em não aparecer nessas tristes escolas. No "Jornal De Santa Catarina", também de hoje, dia 21 de agosto de 2009, aparece a seguinte manchete: PRESSÃO E ESTRESSE TIRAM PROFESSORES DAS ESCOLAS. São 94 professores de 19 municípios do Vale do Itajaí que estão de licença para tratamento de saúde. Basicamente estresse, por motivo de tensão em sala de aula, sofrendo todos eles com a violência que assola o ambiente escolar dessa linda região catarinense, sem tradição nenhuma, até hoje, no rol do noticiário de violência explícita, que graça em toda a nossa sociedade. A total falta de incentivo ao magistério e ao auxílio pedagógico levaram os professores do Vale a adoecerem. Como a saúde mental não é considerada doença pelos gestores da educação, esta situação é interpretada como falta de vontade de trabalhar, para não dizer que os professores são, na verdade, um bando de vagabundos. É triste, mas é a pura verdade. Em Balneário Camboriú, uma professora do Primeiro Segmento do Primeiro Grau, depois de abandonar a sala de aula, sem dar nenhuma satisfação (abandono de emprego mesmo) à Prefeitura, para acompanhar o marido em outro Estado da Federação, voltou um ano e seis meses depois, e teve, a pedido, seu ingresso aceito imediatamente, para trabalhar, porque não havia um único mestre na atividade para a primeira série, pois quase ninguém quer mais nada com o magistério por aqui. Processo administrativo pelo ocorrido? Nem pensar! Aliás, em frente ao meu prédio presenciei uma briga feia entre estudantes adolescentes de uma escola municipal. Meu visinho notificou a Direção do estabelecimento e recebeu a informação que nem dentro e nem fora da Escola nada poderia ser feito, pois os alunos são mesmo brigões e briga é assunto da polícia e não da escola. Ficou por isso mesmo. É o fim. Triste país esse que não investiu nem investe em Educação. Não temos uma política definida sobre isso. Uma pena! Enquanto a mentira graça nos três poderes da Nação e a verdade, na boca dos homens sérios, não vale nada, vamos aturando essa situação vergonhosa de falta total de competência das autoridades educacionais. O pior é que a mídia já se acostumou a achar que política é assim mesmo, tudo cheio de manobras regulamentares, recursos, mentiras e questões de ordem pra todo o lado. Acham isso tudo muito natural... O Brasil é mesmo reflexo dessa nossa atual sociedade. E viva os patifes eleitos pelo povo, que perguntam o que devem fazer para não serem constantemente denunciados à opinião pública como vilões de fraudes de todos os tipos. Resposta: não roubem, não mintam, não sejam dissimulados, trabalhem, cumpram seus deveres, sejam justos... Não é, Senador José Sarney? Não é, Senador Renan Calheiros? Não é, Senador Fernando Collor de Melo? Não é, senhores políticos de meia tigela? Pobre Brasil!

*Foto de O GLOBO


ATÉ A PRÓXIMA







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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.