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8 de abril de 2011

UMA TRAGÉDIA INCOMPREENSÍVEL


A tragédia enlutou os lares das famílias de Realengo, subúrbio do Rio de Janeiro, onde está localizada a Escola Municipal Tasso da Silveira, palco dessa barbaridade incompreensível. Ontem todos nós choramos pelos inocentes sacrificados por um louco que conseguiu chamar a atenção para a incompetência que todos temos em conhecer o interior da alma humana. A insanidade dilacerou os corações dos brasileiros. E a tragédia se efetivou numa escola. Numa escola pública municipal. Na Escola Tasso da Silveira. Tasso da Silveira não merecia estar sendo agora, nesse momento, relembrado nessa situação. Ele foi meu amigo, meu chefe, como Catedrático da Cadeira de Literatura Portuguesa, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, onde também me formei em Letras Clássicas. Tasso da Silveira foi um grande poeta e pertenceu à segunda geração do Modernismo. Um homem, acima de tudo, bom, justo, católico e temente a Deus. Seu nome não merecia ficar, infelizmente, para sempre ligado ao maior infanticídio de nossa história. Aos lares enlutados, nosso pranto, pois o que mais poderemos oferecer ao sacrifício inútil desses inocentes, imolados pela insanidade? Loucura! Choramos muito, ontem e hoje, ainda com os olhos baços, tentamos, pelo menos, pedir a Deus que receba essas crianças adolescentes em sua paz eterna. Que, também, o nome do poeta, professor e teórico da literatura, Tasso da Silveira, não seja eternamente lembrado por essa carnificina incompreensível, que destruiu o futuro-criança desses adolescentes cariocas, ávidos por conhecimento, abatidos, a sangue frio, dentro do mais significativo templo do saber. Reflitamos nos versos de Tasso da Silveira, uma fronteira entre a vida e a morte das crianças sacrificadas em nome do nada:

Fronteira


Há o silêncio das estradas

e o silêncio das estrelas

e um canto de ave, tão branco,

tão branco, que se diria

também ser puro silêncio.

Não vem mensagem do vento,

nem ressonâncias longínquas

de passos passando em vão.

Há um porto de águas paradas

e um barco tão solitário,

que se esqueceu de existir.

Há uma lembrança do mundo

mas tão distante e suspensa...


Há uma saudade da vida

porém tão perdida e vaga,

e há a espera, a infinita espera,

a espera quase presença

da mão de puro mistério

que tomará minha mão

e me levará sonhando

para além deste silêncio,

para além desta aflição.


Do livro Regresso à Origem (1960).


Que Deus perdoe os pecados da humanidade! Hoje o BRASIL está de luto.


ATÉ A PRÓXIMA

Um comentário:

Thereza Pires disse...

Compartilho sua indignação,Professor.Estamos todos de luto.

Thereza

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.