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26 de julho de 2015

BREVÍSSIMA INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO DE MASSA






            O século XX viu e o século XXI está vendo, hoje e a cada dia que passa, uma vertiginosa aceleração tecnológica em todos os ramos da atividade humana. A revolução fabril, ocorrida na sociedade do século XIX, com a presença da máquina no dia-a-dia do operário, foi decisiva para a alteração do comportamento do mercado consumidor, colocando à disposição de todos uma produção de bens materiais, avidamente consumidos pelas classes abastadas, da mesma forma que os bens culturais, como todos os tipos de espetáculos. Tudo isso passou a fazer parte de uma demanda cada vez mais intensa por parte de uma elite emergente e pela massa (democratização do consumo) atingida por novas formas de ofertas.
            Surgiu, então, uma sociedade diferente, centrada na indústria, responsável pelo nascimento de grupos consumidores, dispersos, heterogêneos, dotados de novos valores, participantes de novas instituições, consumindo todo tipo de mensagens, passando a conviver com os subprodutos desta aceleração científico-tecnológica.
        Aquela então nova sociedade tecnológica e industrial do século XX e agora no século XXI muito mais avançada (vide a internet), mais distante ainda da oralidade participativa do pequeno espaço da comunicação interpessoal, desde a invenção de Gutemberg (destribalização) até o advento da eletricidade (retribalização), coloca-se em oposição frontal à antiga sociedade dos séculos passados que estava, basicamente, centrada na tradição oral e, posteriormente, escrita, muito mais dependente, portanto, dos recursos elementares naturais, para transmissão e disseminação do conhecimento (tribalização). Cf. Destribalização, retribalização e tribalização são designações de Marshall McLuhan, em seu livro A Galáxia de Gutemberg, que sintetizam os três estágios por que passou a humanidade, sob o ponto de vista da comunicação.
            Antes de todo este impacto tecnológico e industrial, a antiga sociedade caracterizava-se pelo pronto estabelecimento do diálogo, pela constante retroalimentação da fonte emissora (feed-back) e pela co-participação Emissor/Receptor, no processo comunicacional.
            A sociedade tecnológica e industrial, com suas operações basicamente técnicas, com uma produção em mão única, direcionada ao receptor, dirigindo-se, portanto, a um receptor massivo, identificado como massa, anônimo, por isso mesmo, heterogêneo e idealizado (= audiência) constrói um emissor diferente, uma organização grupal, fabril, industrial, portanto. Lá, a retroalimentação só será possível por uma técnica de avaliação, responsável pela medição da audiência.  
            A comunicação de massa é fruto dessa nova sociedade e cumpre seus propósitos de elaboração e distribuição (comunicação) dos bens de consumo e dos serviços culturais e sociais, através de mensagens em série, padronizadas, múltiplas, infindáveis, instantâneas e muito especializadas, para receptores sem rosto, mas capazes de decodificá-las, por terem-se tornado, também, especialistas. Essas mensagens passam a ser divulgadas (difusão) por toda espécie de meios mecânicos e eletrônicos.
            Não foi sem esta visão que Marshall McLuhan, no seio de sua controvertida obra sobre o incrível mundo novo da sociedade tecnológica e industrial, que nos envolve hoje, proclamou: "The medium is the message". Aquele teórico da comunicação via qualquer meio, fossem mecânicos ou eletrônicos - instrumentos decisivos da comunicação de massa -  confundir-se com a própria mensagem, pois sem os meios jamais haveria mensagem, pelo menos como quer e atua esta nova sociedade tecnológica e industrial. Assim, o mesmo conteúdo transmitido por quaisquer diferentes meios apresentará efeitos sociais múltiplos. Cf. Artigo de Gabriel Cohn, "O meio é a mensagem: análise de McLuhan", in Comunicação e indústria cultural, S. Paulo, Cia. Ed. Nacional, 4. Ed, 1978, p. 363 3 segs.
            Portanto, comunicação de massa será a produção e a distribuição de mensagens culturais pelos meios mecânicos e eletrônicos a um numeroso público heterogêneo, anônimo, disperso, à distância e idealizado. Trabalha com códigos redundantes, automatizados, isto é, de fácil, plena e total decodificação, pois pertencem ao repertório coletivo do público-alvo (repertório do emissor é igual ou semelhante ao repertório do receptor).  
            Os objetivos da comunicação de massa são a persuasão, a atuação social, a mudança de comportamentos, promovendo a venda, a informação, a formação, a prestação de serviços sociais e a diversão, sob a ótica ideológica do poder dominante.
            Desta forma, à comunicação de massa passam a ter acesso todos os produtos da Indústria Tecnológica. Isto ocorre com vertiginosa ação aceleradora, ficando estabelecida uma forma bem definida de coesão social.
            Por tudo isso, dentro da comunicação de massa, o elemento do processo da comunicação que mais alteração sofrerá em sua formatação, tanto material quanto intelectual, será a mensagem.
            Há inúmeras formas e tipos de mensagens. Mas importa significativamente, para entendermos os textos que lemos nos livros e os que lemos nas mais diversas formas de comunicação midiática, o conceito de mensagem cultural, objeto da Comunicação de Massa.
            Antonio Pasquali, especialista em comunicação de massa da Universidade Central da Venezuela diz que é “o ordenamento de formas de saber e padrões de conduta em uma estrutura sintática (linguagem), ao alcance da capacidade e da habilidade receptiva da massa consumidora (audiência)”.  
            Luiz Beltrão e Newton Quirino tecem considerações sobre essa definição de Pasquali, alertando finalmente para a matéria-prima da mensagem, afirmando que "a busca e a transformação dessa matéria-prima (ideia, fato ou situação) em mensagem de difusão coletiva constituem a razão de ser da comunicação de massa e de seus agentes: autores, editores, jornalistas, publicitários, distribuidores, showmen, pesquisadores, técnicos".
            Assim, temos uma breve introdução sobre este assunto importante e, ao mesmo tempo, muito intensamente, que sempre surge em artigos, palestra, conferências e mesmo em sala de aula, pois a comunicação costura quase todas as ciências, basicamente as de cunho social.
            
ATÉ A PRÓXIMA

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.