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18 de setembro de 2008

O -B e o -V, do latim para o português



O –B- e o –V-, DO LATIM PARA O PORTUGUÊS Um aluno me perguntou por que, em português dizemos imóvel para caracterizar uma casa, um apartamento ou qualquer construção sólida e lemos nos anúncios de corretoras frases do tipo: “Imobiliária Santa Cruz”. É claro que o que chama atenção é o uso do fonema /v/ em imóvel e do fonema /b/ em imobiliária. Vejamos as origens desses nomes.Imóvel é um adjetivo que significa “bem fixo, que não se pode transportar”. Por extensão, “qualquer edificação”. Então, uma casa, um apartamento, por exemplo, é um imóvel. Agora, com o sentido de coisa fixa, deixando de ser adjetivo para se transformar em substantivo (esse tipo de formação de palavra com mudança de classe gramatical, sem acréscimo ou supressão de sufixo, deixando de ser, no caso, adjetivo para ser substantivo, se chama CONVERSÃO). Sua origem é latina: immobilis,e (adjetivo de 2ª classe, declinado pela 3ª declinação). Isso ocorreu porque, na passagem do latim para o português, o –b intervocálico passou a –v. Ex. debet > deve; fabam > fava; habere > haver; nubem > nuvem.Mas, em português, nem todo –v provem de um –b latino. O –f intervocálico latino deu –v em português. Ex. aurificem > ourives; defensam > devesa (alameda ou arvoredo que circunda um terreno; campo fértil à margem de um rio); profectum > proveito; Stephanum( aqui ph corresponde ao fonema /f/) > Estêvão.Já a palavra imobiliária (mesmo radical latino de immobilis) é um substantivo feminino que significa “empresa que constrói, negocia com imóveis e/ou administra seu aluguel”. A origem feminina desse substantivo está relacionada ao adjetivo imobiliário, “relativo a imóvel ou edificação”.Isso também é válido para o castelhano.As fontes são as mais sérias possíveis: Edwin B. Williams e J. Corominas. Meu aluno, algum tempo depois, me enviou um folheto fazendo propaganda de uns apartamentos maravilhosos que ele e sua empresa estavam vendendo. Era do ramo e me oferecia magníficas residências, lindas, maravilhosas, mas caríssimas, esquecendo-se de que eu continuava professor...
ATÉ BREVE.

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.