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17 de novembro de 2008

A FAMA E AS DROGAS



Perguntaram-me se eu tinha pena dos artistas de televisão que se drogam, como é o caso de Fábio Assunção. É claro que se deve ter pena dessas pessoas, mas isso não é conflitante com o meu pensamento a respeito do consumo de drogas pesadas por parte de celebridades, atores, atrizes e gente de posses e de “status” social elevado. São esses consumidores que alimentam o crime organizado e a bandidagem das nossas grandes cidades, agora se deslocando para o interior pacato do território brasileiro. É claro que a descriminalização do usuário de drogas teve, filosoficamente, uma intenção, mas foi um desastre na prática. Não sejamos hipócritas de não reconhecer que a classe alta de nossa sociedade alimenta esses bandidos dos entorpecentes, buscando o pó nas favelas e até recebendo os papelotes em domicílio, com hora marcada e tudo. Por outro lado, surgem sempre na mídia matérias jornalísticas sobre atores de novelas que se deterioram moralmente no consumo da cocaína, trazendo para os fãs e para os aficionados da dramaturgia uma comoção incontida e uma peninha generalizada. Tenho a impressão de que o mal foi deixar de penalizar o usuário. Essa decisão talvez tenha sido tomada mais para aliviar o ambiente privado dos poderosos do que, propriamente, por convicção a teorias jurídicas e científicas. O viciado também é responsável pela morte do inocente, por bala perdida, no conflito – guerra mesmo – entre bandidos na favela. Considero, da mesma forma, os dirigentes públicos de uma cidade responsáveis pelos crimes de morte, porque nada fazem de concreto para impedi-los e são alertados do perigo iminente que essas batalhas urbanas levam à população, deixando todos os cidadãos à mercê de sua sorte e de suas orações, aumentando a estatística de óbito na sangrenta disputa do ilícito, um milionário negócio. Se os tiros e disparos a esmo representam a forma mais visível de carnificina urbana, a descriminalização do usuário dependente de drogas pesadas materializa, em primeira instância, a hedionda forma incruenta da chacina.
Até a Próxima

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.