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24 de agosto de 2010

VALE A PENA VER DE NOVO


Parodiando a Rede Globo de Televisão, orgulhosamente apresentamos, nessa época de reflexão eleitoral, a atualização do antigo texto:


UMA OPERAÇÃO FURACÃO QUE SE TRANSFORMOU EM VENTINHO TROPICAL

O Brasil atual é ainda a família portuguesa que aqui se multiplicou, após a chegada de D. João VI. A coisa foi dividida assim: um grupo com todas as regalias e poder tomava conta de vários grupos com menos regalias e com poucos poderes. Essa classe, ou grupo, tomava conta dos escravos e podia fazer qualquer coisa com os pobres infelizes. Os índios, bem, esses só serviam para indicar o caminho da roça e para morrer, desde que bem batizados pelos padres que fingiam estar do lado dos mais fracos, mas jantavam nos palácios e comiam as migalhas do banquete, dando à santa madre igreja as pingues fatias do bolo. Depois as duas primeiras classes ou grupos sociais disseram que todo mundo seria igual perante a Lei.
Que negócio é esse? Quem rouba ou mata tem que ir é para a cadeia! Seja pobre, ou seja, rico. Seja trabalhador ou desempregado. Seja funcionário público ou jogador de futebol (parece que um já foi, não é Bruno?). Seja delegado, juiz ou desembargador.
Mas vejam. Essa indignação é cíclica, isto é, de vez em quando mexe com o brio da sociedade e com os cidadãos de bem. Observem esses dois poemas de Oswald de Andrade, de 1922. Antes de apresentá-los, quero dizer que o discurso do poeta é o primeiro que surge como forma de indignação e protesto, pois ele é transgressor, isto é, vai contra a ordem estabelecida da língua e contra as patifarias dos poderosos. Assim, o discurso do poeta denuncia é denunciador. Mas vamos aos dois poemas.

(1º) RELICÁRIO

“No baile da Corte
Foi o Conde d’Eu quem disse
Pra Dona Benvinda
Que farinha de Suruí
Pinga de Parati
Fumo de Baependi
É comê, bebê, pitá e caí”.

(2º) SENHOR FEUDAL

“Se Pedro Segundo
Vier aqui
Com história
Eu boto ele na cadeia”.


Esses dois poemas de nosso maior poeta modernista, Oswald de Andrade, são discursos de humor que estabelecem a relação selva-escola, que por se darem bem, forjaram nossa cultura, logo, será relíquia e o que a detém será o relicário. Nesse primeiro poema, o real é mostrado como fantasia, dando-lhe um banho de imaginação ou de ficção, pois a nossa relíquia é um entre-lugar: o “comê, bebê, pitá e caí”.

Já no segundo poema, Senhor Feudal, o poder é criticado pelo próprio poder, pois o símbolo do absolutismo, D. Pedro II, dono do poder, surpreendentemente é punido pelo mesmo poder, representado pela cadeia, tudo de maneira imprevista.


O Brasil sempre foi isso, minha gente! Como é que esses desembargadores, juizes, delegados, advogados, senadores, deputados e outros corruptos privilegiados podem ficar presos, se são eles os donos da chave da cadeia?
Somos ou não somos o desdobramento daquela família portuguesa de 1808?

Ainda bem que chegou essa tal Lei da Ficha Limpa. Vamos ver se pega!


ATÉ A PRÓXIMA

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.