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14 de janeiro de 2011

TSUNÂMI AÉREO



As autoridades constituídas em todos os níveis de poder deveriam (e um dia isso vai acontecer, não se iludam) ser responsabilizadas, civil e criminalmente, pelas ocupações irregulares de encostas e margens de rios, córregos e lagoas. Muitos políticos chegam a incentivar essas ocupações, em busca de voto. Uma vergonha! Uma patifaria! Só aqui nesse Brasil infestado por essas pústulas profissionais... O risco de tragédia é sempre iminente nesses casos. Em todo verão acontecem deslizamentos de morros e enchentes catastróficas e o poder público fica sufocado, tentando socorrer as vítimas, lamentando os óbitos e tentando dar minguados alívios aos desabrigados. Imploram para a comiseração pública e pedem socorro ao altruísmo do cidadão sobrevivente e distante. Isso é muito pouco. O poder público deveria prevenir, pois para isso é que foi instalado, empossado e pago por nós. Prefeitos, vereadores, governadores e demais camarilha desavergonhada que nos pede votos, em época de eleição, sem nenhum comprometimento com o povo, a não ser somente consigo mesma, entra ano e sai ano, só sabe comparecer aos locais das tragédias para se solidarizar com os desgraçados que tudo perderam, inclusive toda sua família. Esse último desastre na região serrana do Rio de Janeiro pareceu uma verdadeira destruição causada por um ataque bélico. Uma guerra travada entre a incompetência administrativa e o descaso, contra a mãe-natureza. Foi o mais devastador fenômeno climático que se abateu sobre a região das serras fluminenses de Teresópolis, Nova Friburgo e o distrito petropolitano de Itaipava. Muita água e umidade vieram da Amazônia e a fúria de um verdadeiro “tsunâmi aéreo” pegou o povo do Estado do Rio de Janeiro desprevenido, com muita gente pendurada nas encostas da Serra do Mar, em plena Mata Atlântica invadida. Mas casas bem construídas e em regiões neutras também foram atingidas. Calamidade pública geral. Uma pena! A linda região das montanhas fluminenses não merecia isso! Ao povo sofrido, nossa solidariedade. Esse desastroso acontecimento ficou registrado num verdadeiro teatro de operações, com uma incompreensível estatística mórbida, apontando para a dor dos que perderam seus entes mais queridos nessa guerra suja entre a permissividade e o prazer de gozar as delícias do poder em mordomias, nos palácios e nas articulações de tomada do poder. Tomara que não tarde o dia em que político bom seja político levado pelas fúrias das águas dos morros e das favelas desse triste Brasil, mas que antes tenha passado pelos tribunais legais e democraticamente constituídos.
(Fonte foto: Blog TRRA)

ATÉ BREVE

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.