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19 de setembro de 2014

TUDO JUNTO E MISTURADO


Há muitos programas nos canais esportivos das televisões brasileiras, abertos e a cabo, que apresentam uma formatação nada interessante e muito equivocada, mesmo. Refiro-me, principalmente aos programas que vêm sempre depois dos jogos de futebol dos campeonatos brasileiros e regionais. Esses programas apresentam comentários dos técnicos, em entrevistas coletivas, sendo sabatinados por repórteres ou coisa parecida. Ora, tudo que é perguntado e também o que é respondido, dificilmente interessa ao torcedor, ou lhe é interessante. Antigamente, e isso começou no rádio, é claro, por este ser mais velho do que a televisão, havia os comentários técnicos sobre a partida, feitos por analistas de fala fácil e de raciocínio lúcido, sempre no meio e no fim das partidas, isto é, no intervalo do primeiro para o segundo tempo e no final de cada jogo. No decorrer da transmissão, só a interferência de repórteres de campo e as opiniões dos comentaristas da arbitragem. Citemos, por exemplo, João Saldanha e Luís Mendes, cujos epítetos, “O realmente técnico“ e “O Comentarista da palavra fácil”, até hoje são lembrados por seus fãs, que têm muitos motivos para deles se orgulharem, pois eles sabiam dizer o que o ouvinte queria escutar. Eram profissionais da imprensa que falavam do futebol que fora jogado minutos atrás, levando aos ouvintes ou aos telespectadores aquilo que poderia ter passado despercebido, como o despreparo de um jogador para ocupar uma posição de jogo em campo, para a qual não fora treinado durante a semana, por exemplo. Ou, talvez, suas vozes marcantes levassem aos ouvintes informações colhidas pela produção de suas emissoras, que se transforariam em verdadeiros furos de reportagem. O fato é que hoje, a formatação desses programas de comentários após as partidas de futebol é ridícula, sem criatividade e sem propósito. A própria disposição cênica é saturadíssima e redundante. Um elemento comanda as indagações, em pé ou sentado, ao lado de uma mesinha, e dois ou três, numa mesa maior, respondem perguntas óbvias ou comentam a fala dos técnicos das equipes que se confrontaram, outra forma horrorosa de produzir informação, como se fosse o rescaldo de um incêndio ocorrido em noventa minutos de sofreguidão. Qual o objetivo de um técnico ficar falando por longos minutos sobre como ele viu o seu time jogar? Ele é técnico para arrumar o seu time e prestar contas a quem o contratou. Quem vai prestar contas à torcida é o dirigente do Clube. Se o técnico não gostou do desempenho de sua equipe, que mude a forma de atuar no próximo jogo, ou, pelo menos, tente mudar. Ou ele não é o supremo comandante? No fundo, no fundo, toda a falação não serve para nada, a não ser para ser mote de fofocas. E se estendermos nossas observações para os programas esportivos sobre futebol, em dias e em horários distantes das partidas do meio ou do fim de semana, a coisa fica muito pior. Há programas que misturam bate-papo futebolístico, música popular brasileira e teorias científicas, tudo discutido entre jogadores, ex-jogadores, técnicos, ex-técnicos, ex-árbitros de futebol, músicos, gestores empresariais, numa mistura de repertório e competência, ficando tudo muito parecido com programa humorístico. Sabemos que o futebol é uma grande metalinguagem que irá falar dele mesmo, através de outros códigos, mas no fundo, no fundo, futebol é prazer lúdico em primeiro lugar. Depois é que vem, ou veio o futebol profissão, o futebol negócio. Agora vejam. Esses programas de rádio e televisão visam um público com expectativas centradas na ludicidade, mesmo porque a grande maioria dos ouvintes ou telespectadores sem rosto, isto é, a audiência, tem um repertório limitado e preso aos prazeres desse magnífico esporte de massas. Para outro público, outra formatação. Outro discurso. O que irrita é que está tudo junto e misturado.


ATÉ A PRÓXIMA

3 comentários:

Thereza Pires disse...

Oi,Prof
Cada texto seu é uma aula!
Estou aqui pensando no Oduvaldo Cozzi e seus textos respeitosos mas meio exagerados nos salamaleques..

Thereza

Thereza Pires disse...

perdão,,,,,nas locuções exageradas etc etc

Professor Feijó disse...

Obrigado, Thereza, você sempre gentil e atenta. Saudações tricolores vitoriosas.

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.