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2 de junho de 2013

MARACANÃ, ADEUS.



Esse é o título do livro de Edilberto Coutinho, que se ajusta como uma luva na crônica de hoje. Saudades do grande escritor, que, se vivo fosse, certamente estaria também muito furioso, porque logo mais vai haver um jogo de inauguração de um novo estádio de futebol, na cidade do Rio de Janeiro. Mas não me venham dizer que é o novo Maracanã! Não, não é verdade. O Maracanã, o gentil Maraca, não existe mais. Trata-se de um clone, ou de um novo estádio. Um remendo que se fez no sexagenário Estádio Mário Filho. Já disse que ali se perpetraram vários crimes, inclusive o de lesa-arquitetura. Uma obra superfaturada e muitas outras coisas. Agora, não acreditem em nada que os profissionais da Rede Globo de Televisão disserem, pois estão todos comprometidos com a ideologia dominante da empresa, que se vendeu ao capital e à dinheirama do Governo Federal, para sanar suas contas bilionárias que não iam nada bem! As matérias para televisão são todas editadas e as falas populares são escolhidas entre as que vão falar bem dessa famigerada obra de reconstrução de um estádio que ainda, muitos insistem em chamá-lo de Maracanã. Com o dinheiro gasto nessa obra faraônica, poder-se-ia ter construído, em terreno até comprado pela CBF, um baita e espetacular campo de jogo para a prática do futebol, dentro dos padrões europeus. Mas o que houve foi a possibilidade de alguns ganharem dinheiro fácil, à custa de engodo e de falcatruas, pois a massa, sem poder de reflexão, anestesiada pela magia do futebol e de suas multifacetadas vozes, em sua esmagadora maioria, não percebeu o que estava latente, vibrando com as mensagens subliminares, mas manifestas, veiculadas pela mídia de toda espécie interessada em novidades e audiência. Vamos encontrar logo mais, à tarde, um estádio de futebol alienígena. Sim, sem nenhuma identificação com o povão. Não quero dizer que não se deva culturalizar as massas, não é isso. Mas, por enquanto, um país sem escolas, professores, sem projetos educacionais, passando muito mal em todos os setores do campo psicossocial, não pode receber uma dose cavalar de civilização esportiva, sem pagar por isso e ficar impune. Não somos defensores da balbúrdia, da desordem, do caos, absolutamente, mas que esse novo estádio vai matar o resto de folclore futebolístico que havia entre nós, isso vai! Quando, num futuro Fla-Flu, vai-se presenciar a bênção de um Papa, agora franciscanamente enfeitado com fitas tricolores, benzendo a galera, entoando “A bênção, João de Deus”? Mas que galera? Esse termo desaparecerá brevemente do futebol falado. Só será encontrado em meu livro de mesmo nome, que perpetua e explica essa linguagem maravilhosa do futebol. Futebol apreciado por partícipes da plena liberdade  de expressão corporal, só vista no mundo naquelas épocas em que o verdadeiro Maraca sorria, escancaradamente, pelas bocas desdentadas de milhares de geraldinos...
Uma pena!


ATÉ A PRÓXIMA 

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.