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25 de novembro de 2008

CHOREM POR SANTA CATARINA

A tragédia climatológica que se abateu sobre o Estado de Santa Catarina foi muito cruel em todos os sentidos. Ceifou vidas sem a menor chance de defesa, pois os desabamentos de casas e barrancos ocorreram sem nenhum aviso prévio. Além disso, as águas dos rios sobem assustadoramente em questão de minutos. Nada pode suprir a dor da perde de seres humanos, muitas vezes pobres e já castigados, na seca, pelas vicissitudes da vida.

A dor é muito grande quando se perde um ente querido em tragédias desse tipo, sem nenhuma explicação, a não ser a incompreensível atuação das forças da natureza. Todos ficamos à mercê da solidariedade. Mas, há os que se aproveitam do horror dessas situações para saquear, furtar e, até mesmo, se aproveitar da premente necessidade dos flagelados, aumentando os preços de materiais indispensáveis à sobrevivência, como água, pão e outros víveres de primeira necessidade. Momentaneamente compreende-se que haja falta de alguma coisa como combustível, medicamentos, comida etc. Mas será que as autoridades estão preparadas para executar esses reparos? Reparo de pontes, gasodutos, oleodutos, reservatórios de água, silos e de muitas outras obras de arte que regulam a vida social. O Estado nunca está preparado para atuar na desocupação dessas áreas atingidas. Parece que sempre existe uma explicação na ponta da língua dos homens públicos entrevistados. As instituições não estão preparadas para evacuar campos alagados ou regiões que se desmoronam pela força das águas das enchentes, proporcionadas por chuvas atípicas, em épocas atípicas e em locais atípicos. Isso também é muito difícil, pois, por aqui, a natureza foi muito impiedosa e o desastre aconteceu em tom de calamidade. O rompimento e a explosão do gasoduto que vem da Bolívia, para alimentar o sul de Brasil e que passa pela BR 470, em Santa Catarina, ocorrido no dia 22 de novembro pelas chuvas torrenciais que desabaram nesse Estado, ainda não foi reparado, após mais de 48 horas, deixando as indústrias e os usuários do GNV desta e das demais regiões totalmente inoperantes. Decididamente o Brasil não está preparado para nenhum tipo de tragédia dessa magnitude nem para eventuais conflitos interno e externo. Uma tristeza! Não há uma política de mobilização nem desmobilização. Não há planos para provimentos nem para alternativas de prevenção. Não existem políticas de educação ambiental satisfatórias.
Deixa-se construir em qualquer lugar, em qualquer barranco, em qualquer margem de rio... Não se tem notícias de nenhuma estratégia de deslocamento, por exemplo, de viaturas, de uma região para outra, quando as principais vias de acesso são obstruídas. As nossas estradas, sempre em péssimo estado de conservação, são facilmente interrompidas com qualquer chuva miúda. Imaginem com esse verdadeiro dilúvio que desabou sobre nossas cabeças! Louva-se, é verdade, o esforço, o denodo e a solidariedade dos bons brasileiros, de toda essa corajosa gente catarinense, das prefeituras e da Defesa Civil, mas um desastre desse porte como esse, agora presenciado em Santa Catarina, serve, sem dúvida alguma, para, além de nos comover ao extremo, nos alertar da fragilidade operacional que existe no país, tanto quanto ao impedimento de circulação da população civil e principalmente quanto ao aspecto da segurança nacional.
ATÉ A PRÓXIMA

17 de novembro de 2008

A FAMA E AS DROGAS



Perguntaram-me se eu tinha pena dos artistas de televisão que se drogam, como é o caso de Fábio Assunção. É claro que se deve ter pena dessas pessoas, mas isso não é conflitante com o meu pensamento a respeito do consumo de drogas pesadas por parte de celebridades, atores, atrizes e gente de posses e de “status” social elevado. São esses consumidores que alimentam o crime organizado e a bandidagem das nossas grandes cidades, agora se deslocando para o interior pacato do território brasileiro. É claro que a descriminalização do usuário de drogas teve, filosoficamente, uma intenção, mas foi um desastre na prática. Não sejamos hipócritas de não reconhecer que a classe alta de nossa sociedade alimenta esses bandidos dos entorpecentes, buscando o pó nas favelas e até recebendo os papelotes em domicílio, com hora marcada e tudo. Por outro lado, surgem sempre na mídia matérias jornalísticas sobre atores de novelas que se deterioram moralmente no consumo da cocaína, trazendo para os fãs e para os aficionados da dramaturgia uma comoção incontida e uma peninha generalizada. Tenho a impressão de que o mal foi deixar de penalizar o usuário. Essa decisão talvez tenha sido tomada mais para aliviar o ambiente privado dos poderosos do que, propriamente, por convicção a teorias jurídicas e científicas. O viciado também é responsável pela morte do inocente, por bala perdida, no conflito – guerra mesmo – entre bandidos na favela. Considero, da mesma forma, os dirigentes públicos de uma cidade responsáveis pelos crimes de morte, porque nada fazem de concreto para impedi-los e são alertados do perigo iminente que essas batalhas urbanas levam à população, deixando todos os cidadãos à mercê de sua sorte e de suas orações, aumentando a estatística de óbito na sangrenta disputa do ilícito, um milionário negócio. Se os tiros e disparos a esmo representam a forma mais visível de carnificina urbana, a descriminalização do usuário dependente de drogas pesadas materializa, em primeira instância, a hedionda forma incruenta da chacina.
Até a Próxima

7 de novembro de 2008

CORRIDA DE BARATINHA II

Millôr Fernandes, o mais culto e inteligente jornalista (e muitas outras coisas boas a mais) brasileiro em atuação, escreveu essa verdade cristalina (ver embaixo AUTOMOBILISMO), carregada da mais pura verdade, repleta de octanagens, comentando esse tal de esporte chamado de Fórmula 1. Esporte? Que nada! Há alguns anos, publiquei no jornal português da cidade do Porto, O PROGRESSO DA FOZ, uma crônica intitulada CORRIDA DE BARATINHA. Fiquei esperando que algum dos 100 leitores brasileiros (havia 100 brasileiros assinantes daquele mensário aqui no Brasil) dissessem alguma coisa sobre o assunto, apoiando-o ou renegando-o. Que nada! Ou não leram ou deixaram pra lá. É o preço que se paga por não ter estilo... Agora, vibrei com esse texto do Millôr. Bravos! É isso mesmo! Essa tal de Fórmula 1 pode ser uma atividade de pesquisa que procura principalmente o desenvolvimento de tecnologias aplicadas à indústria automobilística ou qualquer coisa parecida, mas esporte não é. Que esporte é esse em que o técnico manda um atleta fingir que perde e outro fingir que ganhou? Millôr foi fundo e disse tudo. Na época, eu fiquei indignado, porque quem deveria pisar no acelerador, pisou na bola...



Vou republicar meu texto de novembro de 2004.



CORRIDA DE BARATINHA


Eu sempre disse que Fórmula 1 não é esporte. É uma atividade de pesquisa que procura principalmente o desenvolvimento de tecnologias aplicadas à indústria automobilística. É uma atividade de aceleração social, mas, não é esporte. Para tanto, precisa de recursos e altos investimentos. Necessita, ainda, de um grande número de pessoas e instituições que lhe proporcionem a divulgação de suas atividades, entre tantas outras coisas. A Fórmula 1 surgiu da prática automobilística das corridas de baratinhas (os carros pareciam charutos com grandes rodas, lembrando baratas, daí a metáfora), como acontecia no passado, há uns cinqüenta anos, mais ou menos. Naquela ocasião, a lisura empolgava o público em eventos emocionantes. Eram outros tempos... Até vidas heróicas eram ceifadas em nome da aventura e do entusiasmo. Tudo dignificava a disputa, envolvendo o vencedor nos louros da lídima e incontestada vitória.

A fórmula 1 evoluiu e conseguiu que multidões de aficionados consumissem seus produtos promocionais, comprando bilhetes para as corridas e muito mais, criando um marketing que funciona e propaga seus espetáculos com grande sucesso. A tecnologia desenvolvimentista, travestida de competição esportiva conseguiu, durante muito tempo, enganar a todos. Mas no domingo 12 de maio de 2002, na Áustria, a máscara caiu. A tal Equipe da Ferrari mandou que Rubinho não mais pisasse no acelerador e, assim, ambos pisaram na bola. Agora, não me venham dizer que Rubinho teria que desobedecer a ordem da chefia. Que ele deveria se insurgir contra um absurdo desse tamanho. Que nada! E seu contrato? E sua conta bancária? Como tudo isso ficaria? Outros dizem que a Fórmula 1 é um esporte individual e não coletivo, portanto Rubinho foi violentado em seu comportamento, em sua forma de conduzir a máquina e a corrida. Meus amigos, como diria João Saldanha, Fórmula 1 não é esporte individual, nem coletivo, porque não é esporte. É experiência. Pesquisa tecnológica aplicada, como já dissemos. Imaginem que, se num campeonato estadual de futebol, aqui no Rio de Janeiro, houvesse, na mesma disputa, um time principal do Flamengo e outro de aspirantes, como se dizia antigamente e, da mesma forma, dois Vascos, dois Fluminenses, dois Botafogos e muito mais. Isso não funcionaria. Não seria competição esportiva; não seria nada.

João Saldanha estava mesmo certo! Ele jamais considerou a Fórmula 1 como esporte, mesmo nos tempos áureos de Nelson Piquet e Ayrton Senna. Uniforme de atleta com bordados de marcas multicoloridas e grifes diversas com vários patrocinadores não pode inspirar seriedade e a competição fica comprometida. Estava certíssimo o saudoso jornalista brasileiro, o realmente técnico. Michael Schumacher e Rubens Barriquello também foram iludidos, pensando que estavam numa equipe promotora de atividades esportivas. Seus contratos – e isso foi dito pelo próprio Rubinho – apresentam termos, pelo menos, contra tudo que se refere à ética esportiva... Deixar um colega de equipe ultrapassá-lo é o mesmo que entregar o jogo no dizer do jargão do futebol, para que outro time possa se tornar campeão. Não. Fórmula 1 não é esporte e não pode ser mais considerada competição séria nessa área. Algo para valer! Mas foi apresentada ao mundo como tal e, por isso, sofre hoje a repreensão de toda a crítica especializada, inclusive dos próprios torcedores da Ferrari.

O mal que esse episódio representou para todos os amantes do automobilismo puro como o de muitos anos atrás, mesmo para os torcedores da Ferrari, para os fãs de Schumacher, de Barriquello e de todos os azes do volante do mundo inteiro, de hoje e de ontem, foi incomensurável, porque abalou os alicerces daquilo que o verdadeiro esporte tem de mais significativo. E vejam que são coisas muito importante como a pureza, a honestidade e a competitividade, acima do bem e do mal. Mas tudo ficou abaixo da mediocridade, sobretudo com a decisão indecente dos dirigentes de uma Scuderie, ávida pelo sucesso a qualquer preço, perseguindo a vitória, às custas da dignidade que deveria envolver qualquer competição esportiva. Fórmula 1 não é, e nuca foi esporte. E as corrida de baratinhas?... Ah! Isso era outra coisa!

Agora, o texto impecável de Millôr Fernandes















Automobilismo


Como a humanidade é feita de patetas – exceto nós dois – babando diante de corrida de automóveis, foi fácil transformar um antigo e emocionante esporte numa papagaiada circense – circo vulgar e mercenário, pura máquina de fazer, e/ou lavar, dinheiro. O escândalo diante da constatação pública dos dois neurônios de Barrichello – e não muitos mais de Schumacher – só fez mostrar quantos tem o cara que vai pra arquibancada ver um zum-zum-zum que passa na sua frente, dentro do qual, o convenceram, vai o Schumacher ou ia o Senna.No auge do endeusamento do Senna eu dizia pros meus amigos, homens-feitos, pais de família!: "Que p... é essa? Vocês nunca viram o Senna correr. Viram Senna no boxe, ou Senna dentro do carro, quer dizer, um pedaço de capacete visto por trás, que pode ser de qualquer um. Isso na tevê. Ao vivo vêem apenas bólidos de brinquedo passando, enquanto, numa tela, numerinhos eletrônicos dizem que o herói João está um milésimo de segundo na frente do herói Joaquim. Vibração!". Mas houve um tempo. Me lembro de ir de automóvel – as estradas não eram como as de hoje, enfrentá-las, isso sim, era uma aventura – até São Paulo, nos primórdios de Interlagos, pra ver uma corrida ainda emocionante. Porque emocionante mesmo era, muito antes disso, a corrida da Niemeyer, com toda a razão chamada Trampolim do Diabo.Era o espetáculo. Você via passar, na sua frente, cara a cara, através dos anos, um Irineu Correia, um barão de Tefé, um Pintacuda, um Chico Landi. Em pessoa, não eletrônicos, e, vocês não vão acreditar, sem patrocinador.E você estava ali, junto, ocasionalmente protegido por meia dúzia de sacos de areia. Você também arriscava a vida. Espectador radical.No canal do Leblon, de repente, um carro explodia, voava – quem foi, Irineu Correia? – pruma fotografia impressionante que saía em página inteira no Diário da Noite, um jornal verde que tinha sete edições diárias. Radical, como esporte – e como jornalismo –, é isso aí, ô meus! Agora até a emoção dos acidentes é forjada – o herói vale muito dinheiro.
Na maior parte das derrapagens ou batidas não morre, nem mesmo se fere, ninguém. A proteção ao corredor é quase perfeita. No acidente com Piquet ele quase perdeu os pés porque essa parte do corpo é praticamente impossível de ser protegida. E o acidente com Senna foi... um acidente. Um pneu que sobe e cai sobre a cabeça do piloto. Não vai se repetir.Hoje morar em Viracopos, debaixo da ponte aérea, é mais radical do que pilotar uma Ferrari. E uma disputa de skate também é muito mais perigosa, portanto mais emocionante, do que qualquer Fórmula 1. Esteticamente, então, nem se fala.E skate você também vê com os próprios olhos, não precisa de eletrônica pra dizer quem foi o melhor. Nem precisa ler o contrato.



ATÉ A PRÓXIMA





1 de novembro de 2008

DIA NACIONAL DA LÍNGUA PORTUGUESA



DIA 5 DE NOVEMBRO

Lei Nº 11.310, de 12 de junho de 2006




Olavo Bilac










LÍNGUA PORTUGUESA

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre cascalhos vela,

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura !

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo !
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

OLAVO BILAC
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Conheçam um pouco mais a história da nossa língua. Um SITE interessante é:
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ATÉ A PRÓXIMA

29 de setembro de 2008

E N T R E V I S T A



ENTREVISTA DADA AO GRUPO DE ALUNAS DO ÚLTIMO SEMESTRE DA FACULDADE DE JORNALISMO, UNIMEP - PIRACICABA, SÃO PAULO. SÃO ELAS: ARIANE BELARDIN, PRISCILA SILVA, PRISCILA RODRIGUES, REGISNELE MELO E VIVIAM ALCALDE.









1- Como era a linguagem do jornalismo esportivo no início da televisão?

FEIJÓ - A televisão passou por grandes transformações tecnológicas, desde seu surgimento no Brasil, na década de 50, até hoje. Não surgiu como meio de comunicação de massa, evidentemente, pois, para isso, seria necessária a difusão instantânea do que veiculava. Não estava implantada ainda a rede de receptores como entendemos hoje. Mas isso foi uma conquista do meio que veio para ficar e se impor como a mais espetacular forma de disseminação da informação. O jornalismo esportivo surgiu na televisão como conseqüência de sucessivas formas de informação sobre quase tudo que interessava à sociedade. E a sociedade a que a televisão estava pronta para servir era a sociedade de consumo. Assim, o jornalismo esportivo perseguiu, podemos dizer, pacientemente as conquistas tecnológicas, para que as suas muitas e diversificadas informações pudessem sair da fonte emissora até atingir o seu público-alvo. A atuação desse jornalismo estava nas transmissões dos espetáculos, nos campos de jogos, principalmente do futebol, mas também no interior dos estúdios, com muitas mensagens críticas, além de outras tantas informativas, também. As chamadas “externas” (saídas de equipes de filmagem) eram complicadas. Uma parafernália de técnica eletrônica e gigantescos caminhões transformados em verdadeiros estúdios ambulantes faziam desse tipo específico de jornalismo uma atividade muito cara, difícil de ser realizado, além de requerer especialização de todos os setores envolvidos em sua preparação, mesmo porque sua linguagem deveria ser eminentemente visual, vindo a linguagem verbal a reboque, é claro, tudo muito diferente dos outros tipos de jornalismo. O “video-tape” revolucionou o jornalismo esportivo. O croma-key, dentro dos estúdios, deu às transmissões nova dimensão sígnica, isto é, nova linguagem, mais dinâmico, pois, então, o narrador tinha ao fundo o desenrolar dos acontecimentos, na visão final do observador. Isso perdura até hoje. É claro que muitos outros recursos eletrônicos, efeitos de toda ordem, aliados a uma transmissão digital, afastando-se totalmente da analógica, das fitas jurássicas de duas polegadas e dos “video-tapes” de uma e meia polegadas dão, hoje, uma nova dimensão visual ao jornalismo esportivo da televisão, tornando-o dinâmico, atraente e gostoso de ver. Basicamente a linguagem do jornalismo esportivo mudou, porque mudaram os signos que a construíam.

2- Como definiria a linguagem usada pelo GLOBO ESPORTE para informar os telespectadores?

FEIJÓ – A linguagem usada pelo programa esportivo de curta duração GLOBO ESPORTE é a verbal e não-verbal. Já o apresentador tem ao fundo o logotipo do programa. Isso ocorre por efeito especial de slide ou croma-key, ou por outra forma qualquer de tecnologia televisiva. Já o dinamismo dos jogos está sempre presente e a direção não deixa de colori-lo com inúmeras vinhetas de bom gosto e expressivas, dando ao conjunto uma forma visual atraente. Portanto, o GLOBO ESPORTE utiliza-se da linguagem verbal e não-verbal. A linguagem verbal usada deverá ser redundante, como em qualquer mídia de massa, sem ser estropiada. Com termos e expressões da linguagem especial do futebol. O GLOBO REPÓRTE realiza isso muito bem. As vinhetas de entrada são sempre dinâmicas As de saída são, geralmente, estáticas. Isso tem um sentido subliminar que vai conotar “pique” jornalístico, dinamismo, credibilidade, bom gosto, verdade. Em última palavra: excelência. E a GLOBO persegue a excelência sempre em tudo que faz. Se consegue é outra coisa. Mas, quase sempre, atinge seus objetivos, sim. Quando os apresentadores do programa GLOBO ESPORTE são enquadrados (e isso está sempre acontecendo – ora um, ora outro) estão sempre alegres, sorrindo. Lê-se: felizes. Se eles estão felizes, o programa deverá agradar e os telespectadores alcançarão essa felicidade, pois SER FELIZ É SINTONIZAR O CANAL DA GLOBO... As tecnologias de efeito dão ao programa a modernidade necessária para o aumento constante de audiência. Os quadros específicos e todas as matérias são apresentados sempre audiovisualmente. O programa trabalha muito com imagens de arquivo, o que dá credibilidade à apresentação. Como a TV Globo tem recursos suficientes para investir cada vez mais no visual do programa, pode-se esperar, enquanto sua audiência estiver estável, algumas mudanças e ajustes, nunca substanciais. O final, geralmente apresenta um quadro estático (algumas vezes dinâmico), sobre o qual sobem os caracteres bem rapidamente, dando para se ter uma idéia dos créditos da produção e da direção.

3- O uso de linguagens verbais e não verbais tem que sentido em uma notícia?

FEIJÓ – Se a notícia for relacionada a um fato esportivo, cujo desenrolar se dirige para a prática do dinâmico esporte do futebol, é claro que os signos não-verbais, como as imagens e figuras estáticas relacionadas aos clubes deverão se destacar, mesclando a notícia com a informação lingüística, portanto verbal. Agora, se a notícia for eminentemente informação sobre fatos, isto é, se a notícia for factual, a verbalização será inevitável e predominará, sem dúvida alguma. É claro que a linguagem não-verbal deverá sempre ressaltar a credibilidade da informação dada pela linguagem verbal. Ela, a linguagem não-verbal, deve ser atraente, sintonizada com o tema e bem editada para não cansar e/ou desviar a atenção do receptor para outras informações.

4- As notícias devem ser coletadas para causar no telespectador mais emoção ou informação?

FEIJÓ – Em televisão, parece-me que a informação deve sempre ser acompanhada de alguma emoção. Aliás, é a emoção que sustenta a audiência. A mensagem que informa alguém de alguma coisa é o resultado do envio de algo a alguém, cujo conteúdo deverá ser codificado com elementos sígnicos pelo emissor para um receptor, através de um canal. Agora, notícia, em Comunicação Social, é o tratamento ideológico dessa mensagem, dessa informação. Esse tratamento ideológico é comum nos veículos de comunicação de massa. Lá, qualquer mensagem que apareça será apresentada como notícia, isto é, um tratamento ideológico da informação. Logo, não devemos confundir, nessa área, INFORMAÇÃO com NOTÍCIA. Tratar ideologicamente uma informação é explicitar a principal característica da ideologia que é a ocultação da verdade ou a dissimulação dessa verdade, com inúmeros propósitos ou fins. Assim, causar emoção é necessário para entorpecer, muitas vezes, a verdade.

5- O que há de positivo ou negativo nisso?

FEIJÓ – De positivo, pode-se dizer que lucra o meio físico que transporta a mensagem porque surgirá uma aceleração social em todos os sentidos. As tecnologias da ilusão vão atuar nas principais funções dos “mass-media” que são: divertir, informar, formar (opinião), prestar serviços (comunitários) e vender. De negativo, citaremos a saturação (do código), a redundância (da mensagem), a alienação (do receptor) e a acomodação (do emissor). O que menos sofre é o canal, meio físico por onde a mensagem escoa. Pode-se até argumentar que o canal ao se desgastar, também se beneficia, porque há-de se procurar sempre uma forma nova de atualização tecnológica. Por exemplo, as transmissões do sinal da televisão são feitas por ondas de outro tipo de freqüência das do rádio. São em freqüências moduladas.

6- Que importância tem a imagem nesse tipo de jornalismo?

FEIJÓ – Creio que já comentei a importância da imagem nos programas esportivos da televisão, mas é sempre interessante acrescentar que a imagem possui um grau de baixa saturação de informação, isto é, que a imagem já traz a mensagem bem redundante, pronta para o receptor entender. A imagem é um meio frio de comunicação, segundo Marshall McLuhan.

7- Acredita que a informação do esporte se torna um espetáculo? Por quê?

FEIJÓ – Sim, acredito e é verdade! Porque levar os acontecimentos esportivos que se desenrolam dentro de um campo de futebol, por exemplo, para receptores anônimos, sem rosto, mas que existem, constituindo-se em audiência, só é possível através de uma forma espetacular, também, de se retratar o espetáculo. E isso acontece por dois tipos de linguagem: a verbal, basicamente nas transmissões radiofônicas, com a linguagem especial dos locutores, comentaristas e repórteres e com a linguagem mista, verbal e não-verbal da televisão.

8- O GLOBO ESPORTE usa na maioria das vezes, termos e expressões da gíria que, no jornalismo de outros gêneros, não aparecem. A linguagem verbal lá se torna mais fácil e com expressões popularmente brasileiras. Por que motivos?

FEIJÓ – Bem, os termos de gíria podem aparecer em muitos gêneros de jornalismo. No jornalismo dedicado a Economia, por exemplo, você pode encontrar termos e expressões que são usados somente nessa área, como “Barreiras não-tarifárias”, “Bens de capital”, “Petróleo tipo Brent”, “Monopsônio”, “Efiemizar”, “Valor agregado”, etc. Já a linguagem especial do futebol é mais conhecida do povo porque é muito ouvida no rádio e na Tv e aparece nos jornais e revistas em todo o Brasil. Está disseminada pelos diversos meios de comunicação de massa e é entendida por quase todo mundo. Migrou, também, para outros esportes e para a gíria da língua comum como, por exemplo, a expressão “Pendurar as chuteiras” que passou da gíria do futebol para o basquete, onde os jogadores não usam esse tipo de calçado. Passou até para a política, etc.

9- Por que a linguagem do comunicador esportiva é tão diferenciada?

FEIJÓ – Porque ela tem de ser o mais expressiva possível. Quero dizer com isso que a linguagem do comunicador, locutores, comentaristas, repórteres, editores de jornais esportivos e muitos outros, está repleta de criações vocabulares, dentro da deriva morfológica da língua portuguesa, com o objetivo principal de, em primeiro lugar, falar a língua do povão, seu público-alvo, e, em segundo lugar, para criar um marketing barato, onde ele será, muitas vezes, marcado por criações vocabulares suas. Cito como exemplo os comunicadores Washington Rodrigues com seus arquibaldos e Sívio Luís com os termos inusitados como azulejou, azeitou, biombo, rodapé, carrapeta e expressões do tipo azedou o molho, pelas barbas do profeta, atrás do toco etc.

10- Esse padrão cotidiano que o programa televisivo mantém pode gerar o quê de negativo? O que pode ser feito para melhorar?

FEIJÓ – Qualquer mensagem massiva, simples ou complexa, pela exposição no canal – o meio físico que sustenta a mensagem – vai sofre uma entropia natural do processo. Vai perder aquilo que o sustenta: a imprevisibilidade. Como essa imprevisibilidade quase não existe mesmo nas mensagens redundantes que são geradas pelos mass-media, a tendência do padrão de qualquer programa de televisão é cansar, perder sua força de impacto. A solução é um tratamento de combate a essa entropia, pela mudança, através de estudos para que a renovação ocorra dentro dos moldes técnicos da correção proposta pela Teoria da Comunicação Social. E uma das melhores formas para isso se realizar é através de trabalhos como esse que vocês estão realizando, através de entrevistas com pessoas do ramo. Esse trabalho como conheço e realizo em minhas aulas se chama ANÁLISE DE CONTEÚDO. Tenho finalmente a recomendar a vocês um pequeno livrinho, publicado há muito tempo pela ELDORADO, Rio de Janeiro, em 1973, tradução de Álvaro Cabral, chamado COMUNICAÇÃO DE MASSA: ANÁLISE DE CONTEÚDO, de Albert Kientz, cujo título original em francês é POUR ANALYSER LE MEDIA – L’ANALYSE DE CONTENU. É muito bom, mas acho que está esgotado, há muitos anos....Uma pena! É isso aí, gente! Felicidades!
Luiz César Saraiva Feijó
(Ex-professor de Linguagem Verbal e Não-verbal do Curso de Jornalismo da Universidade Federal Fluminense - Níterói - Rio de Janeiro)

18 de setembro de 2008

O -B e o -V, do latim para o português



O –B- e o –V-, DO LATIM PARA O PORTUGUÊS Um aluno me perguntou por que, em português dizemos imóvel para caracterizar uma casa, um apartamento ou qualquer construção sólida e lemos nos anúncios de corretoras frases do tipo: “Imobiliária Santa Cruz”. É claro que o que chama atenção é o uso do fonema /v/ em imóvel e do fonema /b/ em imobiliária. Vejamos as origens desses nomes.Imóvel é um adjetivo que significa “bem fixo, que não se pode transportar”. Por extensão, “qualquer edificação”. Então, uma casa, um apartamento, por exemplo, é um imóvel. Agora, com o sentido de coisa fixa, deixando de ser adjetivo para se transformar em substantivo (esse tipo de formação de palavra com mudança de classe gramatical, sem acréscimo ou supressão de sufixo, deixando de ser, no caso, adjetivo para ser substantivo, se chama CONVERSÃO). Sua origem é latina: immobilis,e (adjetivo de 2ª classe, declinado pela 3ª declinação). Isso ocorreu porque, na passagem do latim para o português, o –b intervocálico passou a –v. Ex. debet > deve; fabam > fava; habere > haver; nubem > nuvem.Mas, em português, nem todo –v provem de um –b latino. O –f intervocálico latino deu –v em português. Ex. aurificem > ourives; defensam > devesa (alameda ou arvoredo que circunda um terreno; campo fértil à margem de um rio); profectum > proveito; Stephanum( aqui ph corresponde ao fonema /f/) > Estêvão.Já a palavra imobiliária (mesmo radical latino de immobilis) é um substantivo feminino que significa “empresa que constrói, negocia com imóveis e/ou administra seu aluguel”. A origem feminina desse substantivo está relacionada ao adjetivo imobiliário, “relativo a imóvel ou edificação”.Isso também é válido para o castelhano.As fontes são as mais sérias possíveis: Edwin B. Williams e J. Corominas. Meu aluno, algum tempo depois, me enviou um folheto fazendo propaganda de uns apartamentos maravilhosos que ele e sua empresa estavam vendendo. Era do ramo e me oferecia magníficas residências, lindas, maravilhosas, mas caríssimas, esquecendo-se de que eu continuava professor...
ATÉ BREVE.

TRATAMENTO IDEOLÓGICO DA INFORMAÇÃO






O texto:

COMO NASCE UMA NOTÍCIA...

“Dois menininhos estavam saindo do Morumbi quando um deles foi atacado porum Rottweiler feroz. O outro menino imediatamente pegou um pedaço de pau e deu na cabeça docachorro, fazendo com que o cão caísse morto e o amiguinho ficasse apenas com alguns arranhões. Ao ver a cena, um repórter que passava correu para ser o primeiro a cobrira fantástica história. Pensou em voz alta:

- Já estou até vendo a manchete: 'Jovem são- paulino salva amigo de animal feroz!'

-Mas, eu não sou são-paulino. Disse o menino.

- Me desculpe, apenas presumi que fosse, já que estamos na saída doMorumbi. Então, vou escrever: 'Bravo pequeno palmeirense evita tragédia com amigo !'

- Mas, eu também não sou palmeirense. Disse novamente o menino.

- Ok, então: 'Pequenino santista vira herói !'

- Não sou santista, moço.

- Mas, a final, pra que time você torce?

- Sou corinthiano!!!

E o repórter escreve em seu caderninho:

- Delinqüente corinthiano mata brutalmente adorável animal doméstico!

(INTERNET)



A mensagem que pode informar alguém de alguma coisa é o resultado do envio de algo a alguém, cujo conteúdo deverá ser codificado com elementos sígnicos pelo emissor para um receptor, através de um canal. Agora, notícia, em Comunicação Social, é o tratamento ideológico dessa mensagem, dessa informação. Esse tratamento ideológico é comum nos veículos de comunicação de massa. Lá, qualquer mensagem que apareça nos noticiários dos jornais ou nos comentários analíticos, tudo, enfim, que chamamos notícia será sempre tratado ideologicamente. Logo, não devemos confundir, nessa área, INFORMAÇÃO com NOTÍCIA. Tratar ideologicamente uma informação é explicitar a principal característica da ideologia que é a ocultação da verdade ou a dissimulação dessa verdade, com inúmeros propósitos ou fins. No texto anedótico acima, caracterizado de humor como riso, a nosso juízo, pode-se perceber que o fato ideológico é a perpetuação de um estigma que acompanha a história do Esporte Clube Corinthians. Isso é conseguido através da distorção da verdade, contida na pretensa informação ou fato primitivo (a paulada do menino no cão para salvar o pobre coitado). Dissemos que se trata de um texto de humor como riso, explicitando o cômico, porque se trata, entre outras coisas, de uma crítica aos representantes da cultura comunitária, no caso, os torcedores de um dos maiores clubes de futebol do Brasil. Tentando recordar a função do riso, lembramos que a principal é a de delimitar o RIDÍCULO e assim, justificar o perigoso, preparando o seu expurgo. Logo, trata-se de uma REPRESSÃO utilizada pelos textos, quase sempre nos meios de comunicação de massa que provocam o riso, trabalhando aí com uma função chamada de METACENSURA.

ATÈ A PRÒXIMA


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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.