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13 de setembro de 2006

TERMOS INTERESSANTES DO FUTEBOL


Sílvio Luiz, jornalista, radialista, comentarista e ex-árbitro de futebol é um dos maiores criadores de termos e expressões futebolísticas, quando narra e comenta jogos de futebol, no rádio e na televisão brasileira. Sua criação vocabular é intensa. A criatividade vocabular de Sílvio Luís, a nosso juízo, está relacionada à sua maneira de ver e sentir o futebol, muito mais relacionado ao prazer do que à lei e à ordem. Dentro das quatro linhas do campo de jogo, como árbitro, conduzia sempre as partidas com o rigor da “International Board” e, por ter estado lado a lado com os jogadores, percebeu não só as suas preocupações, mas também a grande alegria e a intensa satisfação que tinham em jogar. Viu o prazer lúdico predominar sobre o trabalho forçado, ou o primeiro superar o segundo.

Sílvio Luiz relaciona termos e expressões da língua geral com os lances das partidas, sempre numa linguagem metafórica, lírica, expressiva e muito bem humorada. Suas criações lingüísticas são muito numerosas. Vamos apresentar ao nosso leitor algumas delas.

ROSQUEAR - De ROSCA + EAR. A expressão DE ROSCA, muito usada pelos locutores e comentaristas paulistas (“Deu de rosca”) significa, na gíria do futebol “dar um chute na bola com incrível efeito”. Assim: “Rosqueou a pelota”. ROSQUEAR é chutar, com efeito. A bola segue uma trajetória, girando muito, em torno de seu eixo, logo, com muito efeito, desenhando traçado espiralado, em forma de rosca.
AZULEJOU (= trabalhou bem a jogada);
ATRÁS DO TOCO (= jogador impedido);
AZEDOU O MOLHO (= fez uma bobagem);
AZEITOU (= suavizou);
APERTA QUE ELE GEME (= marca duro que ele solta a bola);
ARRUMOU A COZINHA (= acertar a grande área);
BIOMBO (= barreira);
BACOBUFO NO CATEREFOFO (= briga, confusão);
BALANÇAR (= preparar-se para arremesso lateral);
DE CIMA DO CORETO (= de longe);
CARRAPETA (= calcanhar);
CAJARANA (= trave vertical);
EU VIIIIIII ! (= eu vi mesmo - alongamento da sílaba -vi-);
EMBAIXO DA SAIA (= impedido);
FUNGA NO CANGOTE DELE (= fique bem junto dele, por trás);
MALANDRO (= jogador esperto);
NHACA (=azar);
NO GOGÓ DA EMA (= lá no alto);

NO BURACO DA FECHADURA (= o goleiro olhando pelo meio da barreira);

OLHA O LADRÃO! (= tem adversário atrás);
OLHO NO LANCE (= prestemos atenção!);
O QUE É QUE EU VOU DIZER LÁ EM CASA? (= qual a desculpa? Não tem desculpa!);

PELO AMOR DOS MEUS FILHINHOS! (= valha-me, Deus!);

PELAS BARBAS DO PROFETA! (= que coisa extraordinária ou miraculosa aconteceu!);
PENACHO (= cabeça);
QUASE QUE A PERIQUITA CANTA (= quase que foi gol);
QUEIMOU O FILME (= deu azar);
RODAPÉ (= a parte inferior da trave vertical);
SUJOU O AVENTAL (= fez uma bobagem);
VEM DE LACRE ABERTO (= vem descendo em velocidade).

Qualquer situação desviante, na linguagem dos comunicadores esportivos, como é o caso de Sílvio Luiz, criando termos e expressões vocabulares, apresenta características individuais, entendidas como sociológicas. Então, ele, autor de todo esse universo metafórico, estará, somente, se desviando de uma norma de sobriedade geral, que não se encontra na maioria dos outros locutores e comentaristas esportivos. Contudo, não há nada que diga que essa prática seja correta ou incorreta. Ela somente não é própria do seu grupo de equivalentes, mas é sua e ele não está impondo, aos demais, nenhum modelo a ser seguido ou imitado.

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Quem sou eu

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.