Quantos me visitaram ?

21 de fevereiro de 2007

UMA VISITA MUITO RÁPIDA




Hoje, duas coisas aconteceram, o que fez com que minhas visitas aos municípios vizinhos de Lages, na Serra Catarinense, ficassem prejudicadas. A primeira foi a intensa chuva que começou fininha, com um céu azulzinho no horizonte sul, mas foi engrossando até cair forte mesmo.
A segunda foi a pirraça que o meu amigo fantasma fez, quando soube que as três senhoras do último passeio tornaram a pedir uma carona para tentar passar o tempo, na manhã nublada, molhada e, porque não dizer, enfadonha, no Hotel do SESC, onde estávamos. Não que a Pousada Rural, como é chamada e conhecida, ofereça poucas opções de lazer, isso não! Lá há bastantes atividades e os recreadores são muito alegres e estão sempre improvisando, tornando a estada de todos muito agradável. Mas chuva para turista e principalmente no verão é a coisa mais chata do mundo!
Partimos em direção a Capão Alto, a poucos quilômetros de Lages. Tomamos a BR-116 Sul e entramos na SC-458, na altura do quilômetro 268. Chegamos logo. Chamou minha atenção, na entrada da cidade, o cemitério municipal, um tanto grande para uma cidadezinha de pouco mais de três mil habitantes. Parei, saltei do carro e fui verificar se não fora ilusão de ótica. Era mesmo grande! Muitos túmulos antigos apresentam datação do fim do século XIX, quando o povoado foi fundado, em 1899. Percebi que o "campo santo" era enorme porque lá estavam , descansando eternamente, quase todos os primeiros gaúchos, lagunenses, italianos e turcos, que vieram do Rio Grande do Sul e se uniram aos nativos da região, para, juntos, desenvolverem a agricultura, a criação de gado leiteiro, o cultivo da maçã, naquele verde capão de matas nativas de araucárias, a mais de mil metros de altitude.
Foi, justamente, quando observava a morada santa das almas que notei a falta de meu amigo fantasma. Não querendo assustar as minhas três turistas idosas, tentei chamá-lo, disfarçando o mais que podia, pois o vi no meio dos mausoléus, cruzes, vasos floridos, sepulturas simples e covas rasas, rasteiras, com capim alto e poças d’água, encharcando as aléias daquele centenário cemitério. Em vão. Deixei de lado meu diáfano e imaterial amigo e parti para o centro da cidadezinha.
Capão Alto só tem uma praça e duas ruas, bem às margens da SC-458, no início de um caminho que leva para o oeste do Estado, até o município de Anita Garibáldi, a possibilidade de integração entre os inúmeros centros produtores e as grandes praças de distribuição das riquezas telúricas de Santa Catarina.
Voltamos para Lages, deixando meu amigo fantasma no seu meio, entre seus pares, alegre e faliz, conforme soube, tarde da noite, quando, sussurando em meu ouvido, disse que havia encontrado a alma penada de um italiano de Gênova, contra-parente de um bôbo-da-côrte, muito amigo seu, que viveu, há muitos e muitos anos, no Castelo de Monte-Mor-O-Novo, Algarve, no Portugal alegre de sua infância...

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.