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28 de junho de 2006

DA SÉRIE: FUTEBOL TAMBÉM É CULTURA


CAMA-DE-GATO

Trata-se de uma expressão popular, que, segundo Luís da Câmara Cascudo, tem duas acepções. “É divertimento infantil, com cordéis entrelaçados pelos dedos das duas mãos, formando uma rede que se deve desmanchar com um único lance. E é também usada, popularmente e na gíria de futebol, como uma das mais violentas quedas provocadas que conhecemos. Quando o jogador pula para cabecear uma bola, o outro o escora pelas pernas; dá-se o desequilíbrio e o primeiro cai espetacularmente. Houve “cama de gato”. É falta grave.” E o mestre continua, citando Veríssimo de Melo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal: “Entre a rapaziada no Nordeste, usa-se a cama de gato como uma das mais estúpidas brincadeiras de que já fomos vítima. Um dos jovens fica por trás do que foi escolhido, de gatinhas, enquanto um outro o empurra pelos peitos. Tombando de costas, a vítima encontra a resistência do que está de gatinhas e quase sempre cai de pernas para o ar, completamente tonto”. Pela descrição acima, podemos afirmar que a expressão usada no futebol inspirou-se nesta brincadeira de mau gosto. Já o ingênuo e criativo divertimento infantil deve ter recebido o nome de CAMA DE GATO, porque os cordéis entrelaçados nas mãos, formam uma pequena rede, e, por metáfora, na concepção infantil, poderia sugerir uma cama de gato. Parece, ainda, que a brincadeira infantil de mau gosto e a falta grave no futebol receberam o nome de cama de gato, porque é no chão que o gato faz sua cama e, também, aqueles que tombam caem espalhafatosamente como bichanos, quando lançados pelo rabo em direção ao solo (V. Luís da Câmara Cascudo, Dicionário do folclore brasileiro, 2 ed. , Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, Ministério da Educação e Cultura, 1962, V. I, p. 173). O vocábulo CAMA já circulava na Península Hispânica e existia no latim medieval.

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.