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28 de junho de 2006

FUTEBOL TAMBÉM É CULTURA - GOL

GOL
Do inglês GOAL. Está aportuguesado e muito bem acolhido. Monossílabo que se presta, indiscutivelmente, para nele incidir o acento de duração ou quantidade, com o alongamento de sua única sílaba em ditongo /ow/ (quantidade longa). Assim: Gooooooool. O primeiro locutor esportivo que narrou um gol com este acento de duração, no Rádio brasileiro, foi Rebello Júnior. O primeiro a transmitir uma Copa do Mundo, a de 1938, foi Gagliano Neto, que atingiu o apogeu nas décadas de 40 e 50. Aliás, na pronúncia brasileira, o fonema /I/ realiza-se como semivogal labializada /w/: GOW. Assim, seu plural será GOWS, grafando-se GOLS. Em Portugal, não acontece, pois o fonema /l/, realizado como fonema alveolar forçará o plural GOLOS, com a vogal de ligação - O - . O termo GOL, muitas vezes, é empregado no sentido de META (V.), o alvo a ser atingido pela bola. Ouve-se constantemente: “A bola passou longe do gol do Fluminense”. Assim, o termo GOL de objetivo passa a locativo, portanto o local onde a bola terá de entrar. Interessantíssimo caso de semantização, num máximo aproveitamento vocabular, por ser este termo, praticamente, o mais significativo no jogo de futebol. Empréstimo lingüístico muito produtivo, formando uma família etimológica ou lexical, que são palavras cognatas, cuja origem provém de uma raiz (étimo) comum, e essa produtividade ocorreu porque este empréstimo GOL (Ingl. GOAL) adaptou-se ao português do Brasil como GOL e ao português de Portugal como GOLO. Eis o resultado dessa produtividade: GOLEIRO, GOLEADA, GOLEADOR, GOLÃO, GOLAÇO, derivados sufixais, onde o fonema /L/ aí se caracteriza como fonema linguodental, sonoro e não semivogal. Já em GOLZINHO o fonema /L/ é semivogal (/W/). Portanto, é interessante notar as variações deste fonema /L/ que seguido de vogal realiza-se como consoante. Seguido de consoante, realiza-se como semivogal. O termo GOLEIRO que significa o jogador que defende com as mãos a bola chutada na direção das balizas do campo de jogo é formado por GOL mais sufixo EIRO, contrariando o sentido encontrado em palavras da língua, como PADEIRO, aquele que faz pão; PEDREIRO, aquele que constrói com pedras; FRANGUEIRO, aquele que toma frango. O sufixo EIRO pode indicar, portanto, diversas noções, como profissão, intensidade, lugar onde se encontra algo etc. Confira: SAPATEIRO, NEVOEIRO, AÇUCAREIRO, etc. Porque GOLEIRO é um termo sincronicamente vernáculo e por substituir o inglês GOAL-KEEPER, concordamos com a posição lingüística adotada por Nelly Carvalho quando diz que “o que permite que a inovação seja entendida é que a fala é também metalinguagem, isto é, fala sobre o que foi dito, e isto ajuda a compreender as coisas novas, aumentando o conhecimento lingüístico do falante/ouvinte” (Cf. Op. Cit. p. 27). O termo GOL está presente, ainda, em: GOL-CONTRA, usado para designar a marcação do GOL por um jogador, contra seu próprio time (V.). Caso de cancelamento, originando o sintagma. A expressão GOAL AVERAGE é um cenismo. Sua tradução literal (gol médio ou média de gol) caracteriza-se como calque ou decalque.

Um comentário:

Mario disse...

O futebol é um evento que reúne a família e amigos. também reúne animais de estimação. quando eu assistir a algum jogo de futebol na TV, eu coloco roupas para cachorro a meu cão com logotipo do meu time favorito.

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Balneário Camboriú, Sul/Santa Catarina, Brazil
Sou professor adjunto aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sou formado em Letras Clássicas pela UERJ. Pertenço à Academia Brasileira de Filologia (ABRAFIL), Cadeira Nº 28.